Follow Your Heart
25 Capítulo 24
Damon segurou meu rosto firmemente entre seus longos dedos e olhou-me da mesma forma que eu o olhava.
- Ei — sussurrou enquanto abria um pequeno sorriso apenas para mim, — sei que não é muito, mas eu estou aqui... E não pretendo ir a lugar algum.
Tentei sorrir para ele, mesmo sabendo que pareceria forçado no estado em que eu me encontrava.
Damon usou os polegares para limpar minhas lágrimas que agora se misturavam com a chuva.
- Estou tão cansada — lamentei, — eu não consigo mais, Damon... Eu temo não ser forte o bastante... Eu...
As lágrimas voltaram com força total, quase como se meu corpo estivesse colocando para fora todas as lágrimas que deixei de derramar ao longo desses três anos.
Damon abraçou-me novamente, encaixando perfeitamente meu rosto à curva de seu pescoço.
- Eu sei, Elena — garantiu, — mas você é a pessoa mais forte que eu conheço e te ver chorar... Me parte o coração.
Ri contra seu pescoço, sem ousar me afastar um centímetro dele.
- Você tem um coração? — brinquei.
Damon também riu, mas diferentemente de minha risada que mais parecia um chiado de um animal baleado, a risada dele era rouca, aveludada... Um som que vinha diretamente de seu peito e me aquecia por dentro.
- Boa pergunta — falou. — Tomara que não, Elena... Os sentimentos machucam.
Afastei-me apenas o suficiente para encará-lo.
- O que quer dizer com isso? — perguntei.
Damon encolheu os ombros e retirou delicadamente uma mecha de cabelo molhado que havia grudado em minha bochecha.
- Nada — respondeu. — Quer sair daqui? — perguntou antes que eu pudesse dizer alguma coisa — Sentar no meio da chuva em um chão sujo com possíveis excrementos de rato não estava na minha lista de afazeres de hoje.
Soltei uma sonora gargalhada, mas não o impedi quando me levantou do chão.
- E o que estava em sua lista de afazeres de hoje? — perguntei de forma zombeteira.
Ele sorriu maliciosamente e, segurando-me pela cintura, puxou meu corpo até que ele estivesse completamente colado ao seu.
Eu fiquei tão surpresa que a única coisa que pude fazer foi sorrir e corar ao vê-lo tão perto do meu rosto.
- Deixe-me ver... — ele fingiu que estava pensando — Ser espancado por minha bela noiva... Confere. Fazer uma festa de noivado inteira em menos de quatro horas... Confere. Ver minha garota espancando seu ex... Confere. Beijá-la... Confere... — Damon aproximou mais seu rosto do meu — Ou quase.
Seus dedos foram até o meu rosto e ele colocou uma pequena mecha de cabelo atrás de minha orelha.
Estremeci dos pés a cabeça.
- Está com frio? — perguntou se interrompendo no caminho para aquele quase beijo.
Assenti, apesar de saber que minha reação não era por causa do frio.
- Vamos sair dessa chuva — disse, — não quero que me culpe se pegar um resfriado.
Fiz questão de ir na direção em que o hospital estava, mas imediatamente Damon redobrou o aperto em minha cintura, colando mais nossos corpos.
Virei para reclamar, mas quando meu nariz bateu contra o seu a única coisa que eu conseguia fazer era corar furiosamente.
- Onde pensa que vai? — perguntou, arqueando uma sobrancelha.
- Você disse para sairmos da chuva — respondi.
Damon apenas me deu um meio sorriso que, para mim, era como sua marca registrada.
- Não vamos voltar lá para dentro — disse, então vendo minha expressão, acrescentou: — Pelo menos, não hoje.
- Mas eu queria ver Jeremy novamente — insisti. — E Meredith. Preciso me desculpar.
- Hoje não, Elena — ele disse calmamente, — mas te trago aqui amanhã, pode ser?
Tentei me mexer, mas em seus braços era como se o espaço fosse limitado, o que apenas fez com que eu roçasse meu corpo contra o dele a cada tentativa de afastá-lo, e quando percebi que isso fazia com que algo crescesse e se pressionasse contra meu ventre resolvi congelar completamente em seus braços.
Oh meu Deus... Damon estava...?
- Pode — falei, ficando completamente vermelha com o que eu havia acabado de constatar.
“Ele é homem, Elena.” Consciência se manifestou “O que você queria com você se roçando nele?”.
Eu não estava... Ah, esquece.
- Pode me soltar agora — falei para Damon.
Ele sorriu.
- Não vai sair correndo? — quis saber.
Eu sorri e encolhi os ombros.
Ele imitou meu sorriso e me soltou um pouco, mantendo uma mão rodeando minha cintura enquanto me guiava para fora do estacionamento do hospital.
As ruas permaneciam desertas, como se a população inteira tivesse adquirido medo de chuva... O que era bom, porque eu provavelmente estava parecendo uma louca.
Damon não me soltou em nenhum momento, segurando-me firme e delicadamente, como se eu fosse feita de porcelana.
- Aonde vamos? — perguntei depois de um tempo.
Meus pés descalços se arrastavam contra a água que havia no chão e eu não conseguia me lembrar do que havia acontecido com os sapatos que eu usava antes.
Tropecei em algo que eu não conseguia ver por conta da água e Damon me sustentou pela cintura.
- Para casa — respondeu como se fosse óbvio, então olhou para baixo. — Onde estão seus sapatos?
Dei de ombros.
- Estava pensando na mesma coisa — falei e então acrescentei em um lamento: — Não quero voltar para a festa.
Para minha surpresa, Damon se abaixou e me pegou no colo. No susto acabei rodeando seu pescoço com meus braços.
- Quando você saiu — disse normalmente, — eu mandei todos embora e a segui.
- Você me seguiu? — reclamei, mas ele apenas assentiu. Pensei em brigar mais com ele por causa disso, mas resolvi deixar para lá... Eu tinha uma pergunta mais importante: — Por que estou em seu colo?
Damon olhou para meu pé de relance e respondeu:
- Você está sangrando.
Ajeitei-me em seu colo e vi a poça vermelha que escorria da lateral de meu pé esquerdo.
Sem aviso, a dor veio, fazendo com que eu gemesse um pouco.
Droga. Eu provavelmente havia me machucado ao tropeçar.
- Anda consigo andar — voltei a reclamar.
Ele riu, mas não me soltou.
- Nem pensar — respondeu ainda rindo, — não quero ser responsável por terem que amputar sua perna por causa de infecções com fezes de ratos de rua.
Fiz uma cara de nojo e resolvi me apoiar melhor em seus braços.
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