Folhas de Outono
7 Segundas Intenções
Notas iniciais
Não tinha o quê reclamar ou rebater com Joshua. Ele estava sendo bobo com esse ciúmes doido dele, que, de acordo com ele, eu não deveria me “preocupar” com esse tipo de coisa ou ligar pra isso. Me pergunto se o loiro também tem dupla personalidade ou bipolaridade. São duas coisas diferentes, mas que a tornam parecidas.
Quando saímos da cafeteria, observei Zack fumar mexendo no celular despreocupado, o que era totalmente o contrário daquilo que nós prometemos na infância. Sim, teve aquele momento de “promessas” na infância, mas era por brincadeira. Pedi um minuto para Joshua que quando olhou pra onde estava indo, fechou a cara e tentou ignorar.
Cheguei até Zack inspirando aquele ar poluidor e ele se assusta quando eu pego o cigarro da boca dele e escondo atrás de mim. Eu dou uma risada maligna e ele fecha a cara pra mim.
— Devolve. – ordenou com a mão aberta, esperando que eu desse o cigarro.
— Não. – respondi longamente.
— Por quê? — Você prometeu Zack, que não fumaria enquanto eu vivesse aqui.
— Vai embora então, assim eu posso fumar em paz e...
— Acabar como seu pai? – perguntei completando sua resposta.
Foi ruim eu ter dito, mas era por isso que ele não queria ser como o pai dele, ele não desejava, nem por um milhão de euros, ser como seu pai. Ele me fuzilou com seus olhos e talvez tenha passado um pouco do limite.
Mas ele estendeu de novo sua mão. Desiste daquilo pensando que, afinal, quem era eu pra julgá-lo? As vezes a vida dele ta pior do que naquela época. Assim que entreguei ele pegou a ponta ainda acesa e espremeu contra seu pulso, queimando e deixando uma marca ali. Depois jogou no chão e esmagou o cigarro deixando seu pulso completamente marcado.
— Obrigado, por me lembrar Emma. Estava me tornando idêntico a ele. – Respondeu. Eu devolvi um sorriso pra ele e deixei ele me abraçar. Tudo bem. Nós éramos bons amigos.
Mas ficou tudo no passado. Não tinha como viver com ele como meu amigo pelos problemas que tive em casa, com minha mãe, mas eu queria que ele se aproximasse também. Não nesse sentido, como agora, mas... Aí. Esqueci de Joshua...
— Ok. Chega Sr. Manchester. – Mandei e ele me apertou ainda mais forte e traguei aquele cheiro forte. Que horror.
— Eu disse chega...!
— Quanto mais você pedir, mais eu vou te abraçar...
— Para... – eu ia fazer questão de tirar uma mão pra pegar no pescoço dele e, ia começar o horror todo, apesar de que, eu não desejava isso pra ele, não quero me descontrolar toda vez que me zango.
— Ei! Emma! – ouvi a voz de Joshua atrás de mim me chamar, Zack me soltou na hora murmurando no meu ouvido:
— Parece que arranjou um bom namorado Emma... – E me empurrou pra ele, pra Joshua.
Vi pegar um maço de cigarro e acendeu. Vi seus olhos cristalinos brilharem pra mim com uma maldade que, não sei, juro que não sei e não entendo como, mas me atraiu e ainda mais quando ele tragou aquilo, como se me dissesse:
“Não se meta na minha Vida...”.
Não pensei que ele ficaria tão atraente brincando de ser “o rebelde sedutor”. Mas me atraiu bem...
Joshua me virou e voltamos pra rua, eu olhava pra trás e via Zack encarar umas meninas e depois elas irem atrás dele, provavelmente caindo na armadilha mortal dele de “bad boy”. Era engraçado como ele conseguia fazer o papel tão bem, apesar de ser filho de um homem rico e falido...
O único problema do seu pai eram as bebidas e as drogas, senão ele já haveria voltado pra suas riquezas há anos.
Um homem que deveria ter sido incrível antes de passar por um turbilhão na sua empresa. Saiu no jornal que a América fechou negócios com ele e acabou que, viraram a cabeça dele apenas. Com isso veio toda a destruição em massa pra família dele – e isso incluiu Zack. Eu não o culpo por estar danado da vida com o pai.
Mas isso não justifica tomar medidas drásticas assim na vida, parece até que ele... Desistiu.
— Emma... – ouvi a voz de Jhonan me chamar, o encarei e percebi que ele estava furioso, mas mais comigo do que aconteceu. Que engraçado, que direito ele tem pra ficar assim comigo? Ah é. Amigo agora.
— Eu sei que você vai dizer: “Nossa! Eu te falei que não era pra confiar naquele otário do Zack, mas você não ouviu! Que bom que eu estava aqui pra te salvar” e “blá blá blá”... – Fiz como se tivesse imitando ele.
Foi fácil fazê-lo sorrir, difícil foi tirar a ira dele pra cima de mim.
— Meu Deus Emma... – falou fechando a cara novamente. – Você pelo menos tinha que ouvir os seus instintos de vez em quando. Seria ótimo pra não se meter em encrenca, como agora...
Eu o ignorei, não por completo, apenas um pouco pra respirar um pouco de ar puro.
Max caminhava a frente cheirando algumas árvores e mal havia percebido as luzes já serem acendidas pela noite. Eu tremi de frio, literalmente, eu nunca imaginei que chegaria num ponto em que iria querer o abraço de alguém.
— Não seja tão ingênua da próxima vez... – mandou me dando seu moletom preto com uma mensagem que, tenho certeza, que é algum palavrão. Aquele menino precisa de modos.
Quanta ironia.
— Mas e você? – Perguntei e foi aí que entendi o que ele quis dizer com “ingênua”. E sim, eu sou demais pelo visto.
Deu um sorriso largo e bonito passando a mão na minha cabeça como se fosse um hábito sendo criado.
— Eu sou quente Emma... – respondeu, eu dei uma risada sarcástica. Ele passou na minha frente e perguntou se eu queria tocar no braço dele.
Quando toquei vi que ele estava acima da temperatura normal.
— Quê?
— Bem. Eu venho de um país onde o calor e o frio são extremos. Pra mim, 22° tá fresco.
Ele literalmente era quente. O que era uma novidade pra mim e estranho porque me veio no pensamento que eu nunca tinha tocado nele. Ele era a melhor pessoa que já tinha encontrado de verdade e nem um aperto de mão tinha dado.
Sou um ser humano horrível enquanto Joshua tem seus sorrisos e suas simpatias, seu carinho com as coisas e seu fascínio por paisagismo. Sim, ele era um fanático por plantas. Descobri isso quando ele me contou, em detalhes, como era sua cidade natal com toda as plantas que eu podia imaginar. Perguntei se era o Brasil o país dele, mas agora que ele disse que o Frio e o Calor são extremos, não tenho mais ideia.
Qualquer coisa eu pesquiso na internet.
Joshua foi sempre um rapaz tão sensível e atraente no sentido de ser uma boa pessoa, e com toda a certeza nunca me faria mal ou teria segundas intenções comigo. Disso tenho certeza.
— Então... – começou ele. Eu o encarei assim que parei de passar a mão no meu cão. Joshua me encarou e depois o céu, quando inspirou fundo e soltou o ar viu que era visível a nuvem que ele fazia várias vezes.
— Então?
— Quer dormir em casa? – perguntou com um sorriso sincero no rosto. Eu quis morrer ao ter pensado tudo aquilo dele.
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