—- Fala cara... – disse ele no telefone enquanto se afastava e Stella se deitou no colo do pai entristecida.

—- Já olhamos para esse mapa mais de mil vezes... – disse Stella pegando o mapa do bolso do casaco do pai.

—- Já pensei que estivéssemos olhando ele errado... – murmurou Steve Ryan tocando o cabelo da filha.

—- Sei que está preocupado com ela Tiago, eu e Steve também estamos, mas não podemos desistir – disse Caleb a Tiago no telefone enquanto olhava para a carruagem e suspirava contra o aparelho telefônico.

—- Vocês vão voltar pra casa em algum momento não vão? — perguntou Tiago a Caleb que respirou fundo.

—- Ela quer olhar mais alguns lugares, apesar de que estamos ficando sem opções – disse Caleb a Tiago que suspirou pesadamente pelo telefone e Caleb olhou novamente para a carruagem pensativo também.

—- Está me achando muito peguento por ter acabado de falar com ela e ligar pra você pra perguntar sobre ela não é? — murmurou Tiago a Caleb que antes de responder viu um Ciclope se aproximando da estrada.

—- Ei, você aí, está precisando de ajuda? – perguntou o monstro se aproximando lentamente de Caleb.

Stella saiu da carruagem assim que ouviu a voz do monstro e o encarou despreocupadamente e não sorriu.

—- Na verdade... Estamos um pouco ocupados – murmurou Stella mostrando o mapa todo rabiscado a ele.

—- Certo, achei que tivessem quebrado ou batido em alguém – disse o Ciclope passando por eles e Stella notou alguma coisa diferente na carroça onde o monstro estava e se virou em direção a ele rapidamente.

—- Ei, espera, por favor – disse Stella e o monstro parou rapidamente a carroça e a encarou preocupado.

—- De onde veio o emblema? – perguntou Stella encarando a estampa com espanto, era o desenho dos traços que sua mãe costumava desenhar para ela quando ela pedia para brincarem de escolinha de arte.

—- Uma feira de objetos e culinárias de todos os lugares – disse Caleb lendo o panfleto preso na traseira.

—- O que Valerie estaria fazendo numa feira desse tipo? – perguntou Steve olhando o panfleto fixamente.

—- Ela deve ter pedido a memória ficou mais tempo do que deveria na dimensão mágica – disse Stella a ele.

—- Espera – disse o monstro encarando os três ali fixamente espantado – Você é a princesa Stella Wright?

—- Muito prazer – disse Stella se curvando rapidamente e voltando a ler o panfleto com os traços da mãe.

—- É uma honra conhece — lá – disse o ciclope descendo da carroça para se curvar para a princesa que sorriu.

—- Certo, certo, pode me falar mais sobre a feira? – disse Stella apontando para o panfleto em sua mão.

—- Claro, eles odeiam que “pessoas mais estranhas que eles” apareçam por lá, mas de acordo com a nova rainha, pois desde que a varinha foi devolvida a Inácia ela disse que incluiria mais pessoas nos povoados preconceituosos para finalmente começar a drenar a maldade de humanos, monstros e mestiços – disse.

—- Você pode, por favor, indicar o caminho para irmos até essa famosa feira de diversidades? – perguntei.

—- Ah, claro! É ir reto nessa direção e virar duas direitas e uma esquerda chegarão no portão de entrada.

—- Muito obrigada, tenha uma boa viagem – disse Stella ao ciclope e ela, seu pai e Caleb seguiram até lá.

—- A minha mãe só pode estar nessa feira – disse Stella de dentro da carruagem olhando para o local.

—- Espera Stella, esse é o povoado de Robersville, pode parecer uma feira normal, com pessoas comuns, mas a maioria da população é de golpistas e se não for esperto perderão tudo que vocês possuem – disse.

—- Diga o que quiser sobre o povoado e seus habitantes papai, mas é a minha mãe que está lá dentro, então com ou sem golpistas eu vou encontra – lá – disse Stella decidida a procurar a mãe na “cidade armadilha”.

—- Stella, por favor, escute seu pai... – disse Steve, mas Stella foi mais rápida e desceu da carruagem e entrou na feira decidida a encontrar a mãe, Caleb estacionou a carruagem o mais distante possível das pessoas e encarou Steve Ryan seriamente.

—- Ela vai ser escravizada Caleb... – disse Steve preocupado com a filha e Caleb respirou fundo e o olhou.

—- Olhe pelo lado bom, estamos ficando sem mantimentos e precisamos de uma alimentação reforçada...

—- Você fala demais sobre essas coisas mundanas Caleb Rodrigues – disse Steve cruzando os braços irritado.

—- Você não está com fome? Aqui tem bastante comida variada e precisamos de alimentos fortes – disse.

—- Nós vamos negociar os mantimentos com cuidado com os golpistas e encontrar a minha esposa, certo?

—- Vamos ver tudo isso Steve, mas primeiro vamos comer um lanche, estou com o estômago dolorido já.

Steve encarou Caleb e murmurou apenas “Mantimentos. Golpistas. Segurança. Valerie” e entrou na feira.

Caleb o seguiu e logo na primeira loja de mantimentos que encontrou, se interessou por uma fatia de torta.

—- Quanto por esse pedaço de torta? – perguntou ele a vendedora com cara de sapo morto e suspirou sério

—- Quanto você acha que deveria pagar nesse pedaço de torta meu rapaz? – disse a mulher esquisita a ele.

—- Se eu fosse você, não comeria esse pedaço de torta, você não sabe o que colocaram no recheio dela.

—- Steve, eu estou com fome e vou comer esse pedaço de torta mesmo que tivesse larvas dentro dele.

Steve Ryan encarou Caleb seriamente e se aproximou chutando o prato mandando o pedaço para longe que antes de tocar o solo explodiu em milhares de pedaços de cor néon e o cheiro não era o dos melhores.

—- Larvas radioativas, era você comer essa torta você cairia morto, então procure me escutar, entendeu?

Steve apenas encarou Caleb seriamente e ambos voltaram a andar pela feira a procura da rainha e Stella.

Stella estava no meio da grande feira e notou um homem que parecia ser o guarda e ele a encarou sério.

—- Desculpe atrapalhar o seu serviço, mas você pode me dizer onde encontro quem fez esses panfletos?

—- Depende – disse o homem pegando o panfleto da mão de Stella e o lendo rapidamente – Quem seria?

—- Meu nome é Stella Wright e estou procurando a minha mãe, ela é morena e tem olhos como os meus.

—- Perdoe a indiscrição milady, não a reconheci – disse o homem sorrindo – A gráfica fica no final da rua.

Stella agradeceu ao homem e ao olhar para trás viu o pai e Caleb se aproximando carrancudos e sorriu.

—- Ele me disse que a gráfica fica no final da rua – disse Stella e os três foram até lá, mas estava fechado.

Caleb bufou irritado e Steve suspirou desapontado enquanto Stella tentava olhar para dentro do local rosa.

—- Ela tem que estar em algum lugar deste começo de fim de mundo – disse Stella triste olhando para rua.

—- Achei de devolvendo o reino a Inácia as coisas ficariam normais e era o certo a ser feito, mas agora com essa situação, não sei o que é mais certo ou errado – murmurou ela se sentando na calçada da gráfica.

—- Você fez a sua decisão o mais sabiamente e correta possível Stella e o povoado seja daqui ou de lá pode levar algum tempo para se acostumar com o novo comando e seguir as novas regras de convivência – disse Caleb se sentando ao lado de Stella e eles observavam Steve Ryan comprar algumas coisas (com cautela) nos estabelecimentos próximos e ambos respiraram fundo e Stella fechou os olhos procurando não pirar.

Steve estava com algumas bolsas pesadas de mantimentos e Caleb se levantou para ajuda – lo e enquanto fazia isso, um grupo de pessoas passou em frente e gráfica e encarou a princesa sentada em frente ela.

-- Aquela moça se parece com a princesa Stella Wright – disse uma mulher por volta de uns quarenta anos.

—- Espere – disse um homem de chapéu ao lado dela colocando os óculos de grau e a princesa o encarou.

—- É a verdadeira princesa Stella Wright! – gritou ele para o grupo e outras pessoas pararam e a encararam.

Caleb e Steve Ryan ouvindo o grito do homem e vendo o povo se aglomerar Stella se levantou correndo rapidamente dali e os dois apenas apertaram as bolsas contra seus corpos e correram juntamente com ela.