Floresça-me
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– Você quer fazer uma reunião? Uma reunião com todos os governantes do Restabelecimento? — Pergunto, descrente.
– Calma, Juliette Ferrars. É uma reunião, não um jogo de streep poker. — Amaya diz, tranquila, parecendo pensar — Mas não seria ruim uma partida para relaxar. Não mesmo.
– E vamos dizer o quê a eles? — Questiono-a.
– "Olá, bem-vindos, sou Juliette Ferrars, também conhecida como A Fodona, e os que estiverem ao meu lado sairão vivos daqui; já os que estão contra mim, ou morrem, ou apoiam minha causa" já é o suficiente.
Rio de seu discurso.
– E quanto a segurança da Juliette, Amaya? — Aaron pergunta, bancando o namorado preocupado. Bancando o pai preocupado.
– Não se preocupe, senhor comandante — Amaya diz, em posição e batendo continência — Estarei ao lado dela o tempo todo.
– Só você? — Aaron meio grita esta parte, de tão surpreso.
– Ora, comandante. Sua confiança em mim me deixa lisonjeada. — ela fala, fingindo tristeza. — Bem, você estaria lá, mas disfarçado. Com algum tipo de camuflagem. Vocês não tem nenhum amigo que possa fazer isso?
– Kishimoto — Aaron diz, levantando e saindo — Vou localizá-lo.
– Kishimoto? — Amaya pergunta.
– Sim, o Kenji. Ele pode ficar invisível e ampliar o poder para nós, também.
– Perfeito. Vocês não teriam um amigo que tem garras de adamantium nas mãos e um cabelo muito irado? E uma jaqueta também, que Jesus Cristo. Quando ele anda de moto... — Ela diz, abanando-se com as mãos.
– Você conhece alguém assim? — Pergunto, admirada com o dom.
– Sim, sou apaixonada por ele. É uma pena que ele seja um personagem de revista de quadrinhos. — Amaya diz, e acho graça de sua expressão.
– Amaya, como você conhece tanta coisa? Sobre música, sobre revistas de quadrinhos?
Ela fica triste na hora. Seus olhar desce, e ela brinca com a xícara de café. "Café com muito açúcar!" Foi o que ela pediu quando perguntei como ela o queria. Quando eu disse que só tomava café amargo, ela disse "Credo, você é louca. Vocês são loucos. Não é a toa que são péssimos anfitriões. Falta açúcar em vocês." — Meu vô. Ele conseguiu viver um período de sua vida sem o Restabelecimento tomar conta do governo. E, quando aconteceu, ele escondeu algumas coisas para mim. Uns livros, uns CDs e mp3. E revistas em quadrinhos.
Sorrio. — E seu avô, o que aconteceu com ele?
– Vovô morreu há sete anos. Alguns soldados entraram em casa e simplesmente atiraram em seu peito e sairam andando.
Vejo seus olhos, ainda tristes, mas com um pouco de saudade neles. E um pouco de raiva também.
– Bem, isto realmente não vem ao caso agora — ela diz. — Ah, Cristo! Lembrei de uma coisa totalmente crucial para a reunião. Não sei como pude esquecer! Foi o cabelo do Wolverine que me desconcentrou, certeza absoluta. Droga!
Olho-a, assustada. — E o que é, Amaya?
– Um vestido. Você precisa de um vestido. — Rio, não acreditando nisso. — É sério, Juliette Ferrars! Você será a atração principal da noite. Precisa arrasar em todos os sentidos.
– Quem precisa arrasar em todos os sentidos? — Kenji entra, com Aaron bem atrás. Levanto-me, e Amaya me acompanha, apoiando-se na mesa com o quadril.
– Eu, pelo que parece. — Respondo-o. — Kenji, esta é a Amaya.
Eles dão um aperto de mãos, e Amaya diz:
– O homem invisível. Você será nossa camuflagem?
– Sim, senhora. — Kenji diz, olhando-a. — E trarei a cavalaria toda comigo.
– Bom. Precisaremos de reforços. Eles podem querer começar a guerra aqui mesmo. — Amaya fala.
– Aqui? Por quê você prefere que a reunião seja aqui? — pergunto-a.
– Porque eles terão que passar pelos locais onde vocês lutaram. E isso aumentará o medo deles. Queria ser o guia local, só para ver as caras de assustados. — Amaya explica.
Conversamos mais sobre a reunião, até que se tornou exaustivo. Aaron foi para o escritório, começar os convites. Saio com Kenji e Amaya.
– De onde você surgiu, Amaya? — Kenji pergunta, de um jeito estranho.
– Eu surgi do pênis do meu pai, sabe. Saí pela ejaculação dele e entrei no útero da minha mãe. Foi difícil achar o óvulo, meus concorrentes eram mais rápidos, mas sempre fui fantástica. Esperei os mais rápidos se cansarem e então entrei no óvulo da minha mãe. Foi daí que surgi, meu jovem — Amaya diz, como se tivesse acabado de explicar uma teoria insuportavelmente difícil.
– Não foi o que eu perguntei. — Kenji disse.
– Mas foi como soou — digo, ainda rindo.
– Vim do Setor 35, homem invisível.
– E veio por quê? Por minha absoluta beleza? — Ele pergunta.
– Absoluta beleza? — Amaya repete, olhando-o mais de perto. — Não estou vendo... Ah, já sei. Esta parte fica invisível, certo? Porque não vejo beleza nenhuma. Você vê, Juliette Ferrars?
Eu apenas rio, achando graça neles.
– Bem, crianças, preciso dormir. Boa noite. — Amaya diz, afastando-se.
– Vai dormir seu sono da beleza? — Kenji pergunta, enquanto ela vai andando.
Ela se vira, mas continua andando de costas, e responde — Não preciso dele. Agora, você nunca o teve, não é? Não se engane: você precisa!
Amaya volta a andar normalmente, e logo sai do nosso campo de visão.
– Essa garota não veio com etiqueta de devolução? — Kenji pergunta.
– Você não gostou dela? — Questiono-o, surpresa. — Mas ela é igual a você!
– Igual a mim? Ela é chata, irritante, e tem autoconfiança demais pro meu gosto.
– HÁ! Essa é a ironia do século!
– Não sou nada disso e você sabe — ele diz, apontando um dedo pra mim.
– Se você prefere acreditar nisso... — Olho-o, rindo de sua expressão ofendida. — Contei a Aaron sobre a gravidez.
Ele fica contente na hora — Ele ficou feliz, não é? Eu sabia que ele ficaria.
– Bem, ele parecia bem feliz ontem a noite na cama.
– Ah, J! Por Cristo! Isto foi completamente desnecessário!
Gargalho tanto que perco a respiração. Comento que Aaron diz que será uma menina.
– E ele está certo. Será uma menina.
Apenas olho-o. Não me importo de ter uma filha. Não mesmo.
Despeço-me dele, avisando para ele tomar cuidado até a reunião, que é daqui uma semana. Ele concorda.
Volto para o quarto. Aaron está em seu escritório. Vou até a porta e me apoio no batente, observando-o.
Uma semana. Daqui uma semana, podemos mudar tudo. Para minha criança. Para James. Para todos.
Enquanto isso não acontece...
– Aaron — chamo-o — por acaso você ainda teria algum daqueles vestidos que você me deu assim que cheguei a base?
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