Floresta Sombria
1 Capítulo 1 Ataque na Vila
Notas iniciais
– Esse lugar está me dando medo – murmurou Anna Sousa, uma garota loira de olhos claros de dezesseis anos, agarrada ao braço de Paloma Lenncy, roendo as unhas enquanto olhava para todos os lados.
Era na base da meia noite e meia quando o grupo de dez alunos campistas andava por entre aquela floresta de mata bem fechada e sufocante, com árvores enormes e arbustos cheios de folhas e galhos compridos, grossos e fortes. Que mesmo com o céu todo estrelado e de lua nova, entrava pouca claridade fazendo com que Miguel Guersi e Douglas Lima ligassem suas lanternas para que pudessem enxergar melhor.
– Calma Anna, é só uma floresta – diz Paloma colocando uma mecha de seu cabelo ruivo e meio ondulado para trás de sua orelha, enquanto tentava acalmar sua amiga medrosa.
– Avh... Aqui não tem nada de tenebroso – resmungou uma terceira garota um pouco a frente das outras duas – Só perdi meu tempo vindo até aqui – ela para de andar e olha a sua volta, seu nome é Marceline Santos, de cabelos longos e negros, olhos castanhos, pele bem clara, mais ou menos alta com um corpo cheio de curvas que era de dá inveja em qualquer garota.
– Acho melhor voltarmos – diz Miguel também parando de andar, assim como o resto do grupo – Antes que eles de conta do nosso sumiço e venham atrás de nós.
– Ok então – concordaram os outros sem reclamações, decepcionados por acharem que iriam encontrar alguma coisa de interessante naquela floresta que o Monitor-chefe tanto teme.
Todos deram meia volta a caminho do acampamento, calados enquanto desviavam dos galhos que dificultavam a passagem.
– Não deixe nada pra depois, não deixe o tempo passar... – cantarolava um jovem moreno enquanto caminhava e segurava nas mãos um objeto que até agora seus amigos não tinham visto.
– Que isso na sua mão, Christian? – perguntou Leonardo Oliveira, vendo o objeto em sua mão o qual parecia um facão de cabo de madeira – Isso é um facão?
– Han...? – murmurou se virando para o amigo, pois estava distraído e não tinha ouvido o que ele lhe perguntou, e então Leonardo perguntou mais uma vez passando as mãos nos seus cabelos castanho escuro — ... É sim, achei jogado perto de uma árvore e então eu resolvi pegá-lo só por precaução, vai que o monitor estava certo e esse lugar for realmente perigoso.
– Mais não estava – diz Marceline entrando na conversa – Essa parte da floresta num tem nada de diferente dá do acampamento.
Foi só a garota fechar a boca quando se ouve barulho de galhos secos quebrando atrás deles os fazendo virarem rapidamente para trás, vendo de relance uma silhueta parecendo humana correr e desaparecer na escuridão, como que se quisesse não ser visto pelos jovens.
– Que isso?... Tem alguém atrás de nós? – perguntou Christian segurando firme o facão em sua mão.
– Você também viu aquele vulto? – perguntou Leonardo pegando sua lanterna, a ligando e iluminando o local onde apareceu aquela silhueta.
– Gente olha – diz Douglas apontando com o dedo indicador para algum lugar da floresta – Parece que eu vi algo lá.
– O que? – diz Miguel olhando na direção que o amigo estava apontando, mais nada viu além de árvores e mato.
– Vamos ver o que é – diz Erick Kenway se empolgando.
– Vamos! – concordou uma jovem morena de cabelos lisos, chamada Mariana Ribeiro, igualmente animada.
– Claro que não, eu vou embora – falou Anna a frente de todos, ela não via a hora de voltar para o acampamento e sair desta floresta sufocante.
– Ah qual é Anna – falou Erick fazendo cara de pidão que mesmo naquele escuro, Anna conseguiu ver por causa das luzes que vinham das lanternas – A gente veio aqui para o que então?
– Vão vocês – respondeu ela olhando para o garoto de olhos claros, cabelos castanhos, lisos e grandes – Vou embora – e então ela volta a andar sem olhar para trás, a caminho do acampamento.
– Vou com ela – diz Paloma seguindo a amiga...
***
Assim que as duas desapareceram na escuridão, o restante dos alunos resolveram ir ver o que era aquela coisa que o Douglas tinha visto e o vulto que Leonardo, Marceline e Christian disseram também ter visto.
Andavam mais ou menos devagar por causa da mata fechada, Miguel ia na frente enquanto os outros seguiam em um tipo de fila indiana. Alguns minutos se passaram e nem sinal do vulto ou de qualquer coisa do tipo.
Estavam quase para desistir e saírem de uma vez da floresta quando Bruno Ozório viu uma claridade estranha vinda do seu lado esquerdo.
– Gente – diz chamando a atenção dos outros, que pararam de andar para prestar atenção nele – Que claridade é essa?
Eles procuraram com os olhos e também avistaram a claridade por trás de algumas árvores, que curiosos, se aproximaram.
Miguel atravessou aquelas poucas árvores sentindo um pouco de medo por temer de se deparar com alguma coisa ruim, mais se surpreendeu ao ver algo...
– Nossa! – exclamou Douglas chegando ao seu lado.
–... Casas? – perguntou Bruno.
Em questão de instantes todos os oitos campistas estavam um do lado do outro, olhando para frente.
Uma vila, de casas bem antigas feita de madeira certamente adquirida da floresta, o lugar parecia ser bem antigo e abandonado, pois muitas das casas estavam destruídas, com vários entulhos por toda a estrada de terra que passava pela vila.
– Que... Bonito – murmurou Mariana pendendo a cabeça pra lado esquerdo enquanto observava o lugar a sua frente.
Depois de um tempo Douglas começou a andar na direção da vila sendo seguido pelos outros. O lugar realmente parecia que um dia foi bonito, mais agora fedia a coisa estragada e animal morto. Eles andavam um do lado do outro, com as lanternas desligadas, pois a luz da lua iluminava bem o local.
– Que fedo é esse? – perguntou Leonardo levando a mão direita até o nariz, eles viraram uma esquina e mais casas apareceram onde a maioria estava como as outras, destruídas.
– O que aconteceu aqui? Ninguém nunca falou que aqui tinha uma vila abandonada – diz Mariana olhando atenta para todas as direções, impressionada com o que os seus olhos estavam testemunhando.
Eles continuaram a explorar a vila que era mais ou menos grande, depois de alguns instantes, os alunos chegaram no que parecia ser o centro comercial, com algumas vendas, barracas e até um tipo de farmácia. O estado ali estava mais bagunçado, como que se no passado tivesse acontecido algum tipo de guerra.
***
Enquanto isso, Paloma e Anna continuaram a caminhar uma do lado da outra, conversando de vez enquanto, a ruiva queria muito ter ido com os outros, mais não podia deixar sua melhor amiga sozinha naquela mata.
– Será que eles encontraram alguma coisa? – perguntou Paloma parando de andar e se encostando em uma árvore, sentindo um pouco de cansaço.
– Sei não – respondeu Anna também parando de andar – Eu quero é sair logo daqui, estou com sono.
Paloma respirou fundo e olhou pro lado quando um objeto retangular chamou sua atenção a poucos metros dali, ela direcionou a lanterna e viu que o objeto parecia ser um tipo de placa.
– Olha Anna – diz Paloma lhe chamando a atenção e apontando o dedo para o objeto.
– Parece uma plana – constatou Anna meio confusa, olhando para a direção – Vamos lá ver.
Paloma concordou e as duas seguiram até a placa, com a ruiva na frente iluminando o caminho quando de repente ela bate com tudo no nada e cai de bunda no chão.
– Oxi, que isso Paloma? – perguntou Anna se virando para a amiga, assustada por ela ter caído sem motivo aparente.
– Estranho... – murmurou Paloma também assustada , olhando para frente a procura do objeto que ela tinha batido– Foi como se eu tivesse batido em uma parede.
– Como assim? – indagou a loira dando risada, pois não tinha nenhum tipo de parede na frente dela para ela ter batido – Vamos... Deixa eu ti ajudar – e então estendeu a mão para a amiga, a ajudando a se por de pé.
Paloma já de pé passou as mãos em sua roupa para tirar a sujeira do chão e meio receosa deu um passo pra frente com a mão esticada, e para o seu espanto, se deparou novamente com alguma coisa, visivelmente não tinha nada ali, mais era como se relasse em uma parede.
– Anna – exclamou nervosa para a amiga que a olhava espantada – Vê isso – e então a garota se aproximou devagar com a mão esticada, sentindo também a parede.
– Aaaah! – gritou dando dois passos para trás, assustada – O que foi isso? – perguntou e então correu pro lado, desviando de uma árvore para tentar passar, mais novamente sentiu aquela barreira. – O-o q...que significa i-isso? – perguntou gaguejando, começando a sentir um grande medo.
***
Os alunos continuaram a andar, impressionados com tudo que viam.
– Estão sentindo esse cheiro? – perguntou Leonardo para quem quisesse responder, aquele odor estava ficando cada vez mais forte, como que se a poucos metros dali tivesse um bicho morto ou algo do tipo.
– Estou – respondeu Erick ao seu lado, virando o rosto a procura de alguma coisa que explicasse aquele mau cheiro quando de repente todos pararam de andar ao escutarem um barulho estranho, parecido com um rosnado.
– Gente, olha lá – sussurrou Miguel apontando o dedo para algo do outro lado da rua.
– Ai Deus! – gritou Mariana dando um passo para trás.
Era um bicho. Horrível e monstruoso. Tinha garras grandes, de mais ou menos sete centímetros cada, e apenas quatro dedos. Corpo curvado para frente, um pouco corcunda e magro. Estava de costas e de frente a um cadáver quando se virou rapidamente na direção dos alunos campistas ao sentir seus cheiros.
O animal rosnou mais uma vez, deixando a mostra seus dentes grandes e pontiagudos, cheios de sangue, começando a correr atrás deles.
– Ai Deus... CORREM – gritou Miguel virando e começando a correr que nem um desesperado, sendo seguido pelos outros, mais o animal era muito rápido e os alcançariam em questão de segundos.
O bicho de pele toda cortada avança rapidamente, Christian por ser o mais baixo dali, era o que menos corria, ficando por último.
Apavorado, Christian ousa virar por um instante para trás, avistando o monstro correndo na sua direção, e isso o deixa ainda mais com medo e não prestando atenção por onde andava, acaba que tropeçando em um entulho, indo direto para o chão batendo a cabeça bruscamente e soltando o facão que segurava nas mãos.
– CHRISTIANNNN – gritou Douglas vendo o amigo cair no chão, o garoto azarado tenta se levantar mais o animal pula encima dele, fazendo ele gritar de pavor.
Os outros sem saber o que fazer para ajudar o amigo, corre até ele. Christian com suas mãos segurava com toda a força, o pescoço do bicho que abria e fechava a boca com o propósito de lhe arrancar um pedaço.
– AAAAAAAAAAAAAAAH SOCORRO! SOCORRO!... ALGUÉM ME AJUDAAAAAA – gritava sentindo uma forte dor na cabeça, fazendo uma força enorme para manter a boca do bicho bem longe de seu rosto, sentindo aquele bafo horrível.
O animal rosnava e com suas garrafas, fazia vários cortes no braço do garoto, o fazendo gritar ainda mais e enquanto isso Miguel chega até ele avistando o facão no chão e sem pensar duas vezes, pega o objeto que usando toda sua força, decepa a cabeça do animal monstruoso...
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