Floresta Sombria

2 Ataque na Vila


Notas iniciais
demorei mais voltei :)

Aquele sangue negro e grosso espirrou por todo o rosto de Christian no momento em que o corpo do animal decepado cai por cima do dele, quase o esmagando com o seu peso.

– Tira isso de mim, tira, tira... – implorou se debatendo desesperado para se levantar e então Miguel com a ajuda de Douglas e Leonardo empurram o bicho para o lado, ajudando o amigo a se levantar.

Seus braços estavam cheios de cortes mais ou menos profundos o qual começou a sangrar muito, a dor que ele sentia era tamanha, que o fazia fazer caretas de dor e agonia.

– Ai droga! – exclamou Marceline chegando até eles, colocando a mão na boca, com nojo do animal.

– Você está bem? – perguntou olhando para os braços do amigo – Deve estar doendo – e como resposta, Christian o olhou irônico enquanto tentava não fazer muita cara de dor.

– Vamos sair daqui – diz Miguel rapidamente, preocupado, pois vai que mais um bicho desses aparece por aqui.

– Vamos – murmurou Christian com as mãos no braço.

– Mais que bicho era esse? Parece um monstro – começou Mariana a falar desesperada – Nunca vi nada parecido, nem na internet.

Todos olham para o animal e arrepios lhe sobem a coluna, com toda certeza eles nunca virão nada parecido em toda a vida, eles tiveram sorte de terem conseguido matá-lo, mais abusariam de mais se ficassem bem ali discutindo, não sabiam se tinha mais desses soltos por ai.

– Temos que sair daqui logo, ta na cara que esse lugar é perigoso – diz Douglas apressado – E temos que levar Christian para o acampamento agora mesmo.

Todos concordaram e começaram a andar rapidamente em direção da saída daquela vila estranha, prestando bastante atenção à sua volta, receosos, e só não corriam por causa de Christian, que ainda sentia muita dor...

***

Anna Sousa estava a um passo de entrar em desespero, ela e Paloma tentaram mais do que tudo sair daquela floresta só que aquela barreira invisível permanecia ali, poderiam andar quilômetros mais ela continuava ali, as impedindo de entrar na floresta do acampamento.

– Isso é muito estranho – diz Anna nervosa, sentada em um tronco de árvore caído, com as mãos na cabeça – Por que quando entramos nós não nos deparamos com isso? – perguntou tentando se controlar.

– Calma, nós vamos dar um jeito – respondeu Paloma aparentemente calma, pois por dentro ela estava preocupada, é claro, mais entrar em pânico não iria adiantar em nada – Vamos atrás dos outros.

– Ok – concordou a loira se levantando.

Andaram por um tempo mais ou menos curto quando avistaram fachos de luzes se aproximando ao lado esquerdo o qual fez as duas garotas pararem de andar, imaginando que fossem seus amigos voltando da caçada daquele vulto estranho.

O primeiro a aparecer foi Leonardo, ele aparentava espanto e ao mesmo tempo alivio ao vê-las.

– Ai... São vocês! – exclamou o garoto de cabelos castanhos, parando de andar/correr.

– O que aconteceu? – perguntou Paloma o encarando – Encontraram o bendito vulto?

Nesse instante o restante do grupo chegou até eles, no mesmo estado que Leonardo, cansados e espantados.

– Deu alguma coisa de errado? – perguntou Anna ainda nervosa com aquela barreira invisível -... Temos algo a lhes contar e...

– O que foi isso Christian?! – interrompeu Paloma ao reparar nos braços do colega, eles pareciam ter cortes e sangrar, mais não tinha como ter certeza por causa da escuridão que atrapalhava sua visão.

– Temos que sair daqui – falou Miguel sem responder sua pergunta.

– Um bicho estranho nos atacou e arranhou todo o braço do Christian – interrompeu Mariana fazendo movimentos com a mão, nervosa.

– Um bicho? – repetiu Anna ficando ainda mais nervosa.

– Que merda é essa que tem nessa floresta? – perguntou Paloma quase não conseguindo mais esconder o medo. –Você está bem agora Chris?

– Estou sim... Só está ardendo e doendo muito – respondeu ele fazendo uma cara de dor – Vamos logo sair desse mato... – e então voltou a andar, passando por todos.

– Calma ai... Que bicho é esse? Ele ainda está solto por ai? – diz Anna começando a fazer um monte de perguntas.

– Eu decepei a cabeça dele, mais não sabemos se tem mais deles por ai... E é por isso que a gente tem que sair daqui logo – respondeu Miguel começando a andar também.

– É melhor vocês esperarem... Temos uma coisa pra contar – diz Paloma pegando o braço de Miguel, o olhando muito preocupada...

***

–... Mais que merda é essa! – exclamou Miguel enquanto batia a mão fechada contra aquela parede invisível.

Os alunos campistas já não conseguiam mais se manter calmos, aquilo tudo era muito assustador para eles. Primeiro foi o bicho e agora era essa “parede”. Anna Souza estava quase que subindo no colo de Paloma, com os olhos cheios d’água, desejando nunca ter saído da sua cabana naquela noite.

– Temos que sair daqui, temos que sair – repetia Bruno andando de um lago para o outro, cansado de tentar passar por aquela barreira.

Os alunos estavam tão preocupados que nem notaram que Christian estava passando muito mal agora, o garoto de estatura baixa, devido à dor tinha se sentado no chão, seus braços latejavam e ele estava se segurando para não começar a chorar ali na frente de todos.

– Esquece gente, eu e a Anna já tentamos de tudo – falou Paloma – Não tem como passar por essa barreira, ou seja lá o que for essa merda!

Miguel parou de bater na “parede” e olhou pra ela.

– Vamos fazer assim então – começou Douglas a falar – Já está muito tarde, então vamos procurar um lugar para dormir e amanhã pensaremos no que fazer.

– Dormir aqui? – repetiu Marceline não gostando da idéia.

–... Douglas tem razão – concordou Leonardo – Vamos descansar e amanhã sairemos daqui.

Os campistas tentaram relutar mais no final acabaram que concordando também, já que não tinham outra escolha mesmo. Os jovens voltaram a andar até encontrarem uma clareira longe da vila. Sem terem barracas ou sacos para dormirem, eles deitaram na grama verdinha enquanto Leonardo tinha ficado de vigia.

Já era quatro horas da madrugada e todos já tinham pegado no sono, até mesmo Anna tinha conseguido dormir e Miguel tinha trocado de lugar com Leonardo.

O dia ia amanhecendo quando Miguel percebeu que não era o único acordado ali.

– Chris, ainda está doendo muito? – perguntou olhando para o amigo deitado de olhos abertos olhando para o nada.

– N-não – mentiu, pois aquela noite ele não tinha conseguido dormi quase nada, por causa da dor que ia aumentando de intensidade a cada instante –... O que vamos fazer? – perguntou se sentando com dificuldade.

– Num sei... Aquela barreira parece... Mágica – respondeu Miguel pensativo – Não podemos ficar aqui, o monitor estava certo... Nem sabemos se tem mais daquele bicho por aqui.

– Nem me fale – murmurou olhando para o seu braço com medo, não sabendo se aqueles cortes iriam melhorar ou piorar ainda mais.

***

O dia finalmente amanheceu calmo e bem claro, dando uma outra aparência a aquela floresta.

Todos já se encontravam de pé e a única que ainda dormia era Paloma. Os alunos discutiam o que iriam fazer e eles acabaram que por decidirem se dividir em dois grupos onde o primeiro iria procurar um jeito de sair da floresta e o segundo iria atrás de comida.

Paloma estava quase acordando quando começou a ter um sonho.

“Uma garota ruiva estava correndo por entre as ruas do que parecia ser uma antiga vila abandonada, Paloma que estava logo atrás dela a seguia em passos rápidos para não perde-la de vista. A garota virou uma esquina e entrou em uma casa de madeira com uma pequena chaminé no telhado, Paloma parou por um instante mais logo entrou na casa. A porta da frente dava em uma pequena sala mal decorada e no canto virada de costas, estava a garota mais ou menos alta.

– Quem é você? – perguntou Paloma com medo de se aproximar.

A garota permaneceu calada, sem virar para frente.

–... Você não deveria ter entrado na floresta – diz ela por fim, respirando fundo – Por que você entrou aqui? – perguntou parecendo indignada.

– Eu vim com meus amigos – respondeu Paloma sem entender nada. – Mais quem é você?

– Você e seus amigos vão morrer aqui – falou ela ignorando sua pergunta – Mais eu e minha mãe não podemos deixar você morrer... Não podemos – ela balança a cabeça negativamente – Me encontra aqui quando você acorda.

– Que?

– ME ENCONTRA AQUIIIIII – gritou e como em um passe de mágica, a garota desaparece no ar...”

Paloma em um pulo acorda, assustada com o sonho que tinha acabado de ter. Ela se levanta atordoada e vai se reunir aos outros alunos, Anna tinha percebido o jeito que ela tinha acordado, mais ficou quieta, pensando que fosse mais um daqueles sonhos esquisitos que a amiga anda tendo ultimamente.

Douglas tinha explicado o plano e Paloma tinha concordado e em questão de instante os dois grupos de cinco alunos cada, tinham se separado.

Leonardo, Christian e Marceline foram na frente enquanto Paloma e Anna iam logo atrás.

– Eu vi o jeito que você acordou – começou a falar olhando para a amiga – Você teve outro sonho... E dessa vez você não acordou com fogo a sua volta.

– Psiu... fala baixo – diz Paloma olhando pros alunos a frente, com medos deles terem a escutado – O sonho dessa vez foi muito mais estranho – e então ela contou tudo a amiga que ficou surpresa.

– A garota pediu pra você ir encontrar ela?

– Sim... Eu só devo estar ficando maluca mesmo – diz a ruiva levando a mão até a cabeça...

O grupo deles tinha ficado com o trabalho de encontrar comida, mais depois de duas horas mais ou menos eles deram conta que não iriam encontrar nada ali e então resolveram voltar para o ponto de encontro.

Dessa vez Christian que foi atrás de todos, pois ele não queria que seus amigos percebessem o seu estado, já que eles tinham problemas mais sérios para se preocuparem. Ele andou alguns passos quando sentiu uma forte pontada de dor que o fez envergar para frente e abraçar a própria barriga, contendo-se para não gritar de dor.

– Por que não obedecemos ao nosso monitor, em? – perguntou Marceline – Estou morrendo de cede... Só espero que os outros arrumaram um jeito de sair daqui.

Eles continuaram a caminhar rumo ao ponto de encontro quando que para a surpresa deles, depararam com aquelas casas velhas feitas de madeira e estrada de terra.

Leonardo achou tudo muito estranho, pois pelo que se lembrava, a vila ficava do outro lado, não tinha como ter aparecido bem na frente deles. Christian olhou para aquelas casas e não pode deixar de lembrar-se do sufoco que tinha passado ali, quando achou que iria morrer por aquele bicho estranho.

– É... É esse o lugar – falou Paloma olhando para vila lembrando-se de seu sonho e da última frase que aquela garota ruiva tinha falado/gritado... Me encontra aqui.

– Como deparamos com essa maldita vila?... Ela deveria ter ficado para trás – diz Christian.

– Por acaso estamos perdidos Leonardo? – perguntou Anna torcendo para que a resposta seja “não”.

– Não! – respondeu inserto – Eu tenho certeza que o ponto de encontro era para lá – diz apontando para a direção que encontrava a vila.

– To vendo a sua certeza – murmurou Marceline passando a mão na testa.

– Vamos logo sair daqui – diz Paloma sem tirar os olhos das casas.

Os alunos deram meia volta, entrando na mata novamente, começando a andar desviando dos galhos e dos arbustos que vinham pela frente quando o som de alguma coisa se movimento rapidamente os fizeram parar no ato. A coisa parecia estar vindo na direção deles por entre as árvores e então no instante seguinte, ouviram um segundo barulho, parecia casco de cavalo correndo a galope e os campistas poderiam jurar que tinham escutado um relinchado.

– Um cavalo?!... Deve ter alguma pessoa por perto – diz Leonardo com o ouvido atento e em questão de segundos, os cinco campistas se ajuntaram um perto do outro – E se for, ele... – foi interrompido por um grito agonizante e então um silêncio que logo foi quebrado por sons de passos calmos e o barulho do cavalo voltando a correr.

– Que grito foi esse? – perguntou Marceline de olhos arregalados.

– É uma pessoa... Ela pode nos ajudar – falou Anna começando a correr em direção do barulho, Paloma tentou impedi-la, mais a loira foi mais rápida.

– Droga, ANNA... – gritou Paloma indo atrás da amiga, sendo seguida por Marceline e Leonardo.

Christian iria atrás também, mais a dor que sentia o impedia de correr, ele estava suando muito e seus braços queimavam ainda mais, e para o azar dele, aquela dor começou a espalhar por todo o corpo.

– Miséria... G-gent-e – chamou encostando-se em uma árvore...

Anna continuou a correr sem prestar atenção para o caminho e acabou que tropeçando em alguma coisa mole, a levando de cara para o chão.

– Ai... – resmungou se levantando e procurando a coisa que tinha tropeçado, e então ela viu – AAAAAAAAAAAAAAAAH.

– ANNA? – gritou mais uma vez pela amiga, e então parou de correr ao avistar a garota gritando enquanto olhava para alguma coisa a sua frente. Paloma se aproximou mais e também viu a coisa.

Um homem, de aparência mais ou menos jovem, usando uma calça jeans surrada e uma blusa branca de manga curta com uma mancha vermelha no lado esquerdo. Sua pele estava totalmente pálida e sem vida.

– Mais que p.... – Leonardo chega e vê o corpo do homem – Q-quem matou ele?

Anna deu dois passos para trás, olhando para todas as direções, com medo, aquele homem morto ali era muito... Estranho. Tinha um assassino ali?

– Não pode ter sido o mesmo bicho que atacou o Chris – falou Marceline procurando o amigo com o olhar, mais não o avistou – Onde está o Chris?

Todos viraram na direção que tinham vindo pra vê se avistava o amigo.

– Vamos voltar até ele – diz Leonardo dando uma última olhada no cadáver.

Eles voltaram de pressa quando escutaram mais um grito, só que agora aquele grito pareciam-lhe familiar. Os alunos começaram a correr e então avistaram o amigo ajoelhado no chão, com as mãos abraçando a própria barriga enquanto gritava.

– Christian – indagou os alunos assustados ao verem ele assim.

– Não... se a-apro-ximem – pediu ele com a voz esganiçado de dor.

– Como assim? – perguntou Paloma nervosa – Temos que te ajudar. – ela começou a se aproximar do garoto mais parou no ato quando reparou que nos cortes do braço inchado e roxo do amigo, estavam nascendo um tipo de espinho.

– Meu Deus – murmurou Anna levando a mão esquerda até a boca, com os olhos se enchendo de lágrimas – O que vamos fazer?

– Eu falei para não se APROXIMAREEEEEEEEM – sua voz estava um pouco mudada e pelo grito que deu, a dor que sentia aumentou o fazendo envergar ainda mais – O que está acontecendo comigo? – agora sua voz voltou ao normal, mais ainda esganiçada de dor, seus olhos estavam cheios d’água, quando por um instante mudou de cor ficando totalmente preto, e mesmo com a visão embaçada, ele pode reparar que suas unhas estavam crescendo e sentir seus dentes machucando seus lábios...

Notas finais
o que acharam??? comentem, por favor!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.