Florescer
2 Capítulo 1 - Como posso viver?
Notas iniciais
No caminho para o Escorpião Rei, o Deus Anúbis tirou os poderes de Imhotep. Para Anck su namun aquilo mudou tudo, aquilo a deixou apavorada. Para Imhotep, eles tinham ido longe demais para voltar agora. Nada podia pará-los.
–Não quero perder você de novo! Disse Anck su namun, segurando-o e olhando dentro dos olhos dele.
Ele a beijou e saiu. Ela gritou de novo e de novo, mas ele não a ouviu. Ela chorou. Como ele podia ter feito isso? Era loucura! O risco de uma chance por poder era mais importante do que ficar com ela? Mais importante do que suas vidas e seu amor? Por um momento ela se sentiu abandonada e muitos pensamentos cruzaram a a sua mente preocupante. Uma criança era realmente possível? Imhotep estava morto, mas ela não. Ela tinha um corpo jovem e fértil. Ela lembrou que há muito, muito tempo atrás mulheres grávidas do faraó tinham os mesmos sintomas de “fraqueza” que ela. Era tão difícil ficar grávida naquela época. Mulheres geralmente morriam no trabalho de parto e os bebês não duravam muito. Ela lembrou do que fez com Nefertiti e rezou para os Deuses. “Imhotep TEM que matar o Escorpião Rei e voltar vivo”. Ela pensou. O irmão mais novo de Nefertiri havia chegado pedindo vingança. Patético. Pelo menos ela teria alguma distração.
***
Quando Evelyn voltou a vida ela não se lembrou de nada sobre a decisão dos Deuses. Ela sentiu que havia perdido o bebê, mas a sua vida passada era o que estava mais fresco na sua mente. Anck su namun estava perto de matar Johnatan, mas Evelyn a interrompeu e lutou com ela. Ela ganhou a batalha e Anck su namun fugiu.
No fim, Rick matou o Escorpião Rei. Mas ele não estava a salvo. Ele e Imhotep estavam pendurados na beira do submundo. Evelyn e Anck su namun podiam vê-los à distância. Rick ordenou a Evelyn que ela saísse e se salvasse, mas ela não ouviu e foi ajuda-lo. Depois de algum tempo, Imhotep gritou ajuda a Anck su namun. Ela e aquele lugar inteiro estavam desmoronando. Rick queria que sua esposa se salvasse, mas Imhotep queria que ela o salvasse. Algum dia ela importou para ele ou apenas o poder importava? Quando ela pediu a ele para ficar, ele partiu. Ela amava Imhotep mais do que qualquer coisa que ela já amou, mas ela não queria morrer. Não agora que ela poderia ter uma criança. Cada músculo do seu corpo queria ajudar Imhotep, mas ela se virou e gritou não em lágrimas. Imhotep não acreditou no que viu, depois de tudo que ele fez ela o deixou. Ela só se importava com ela mesma. Lágrimas rolaram pelos seus olhos. Ele pulou para o submundo. Não havia razão para respirar.
Anck su namun fechou os seus olhos e agarrou O Livro dos Mortos. “eu o trarei de volta e tudo vai ficar bem de novo” pensou ela. Mas primeiro ela deveria deixar aquele lugar maldito enquanto ela podia. Ela abriu e tentou ler, pedaços do teto caíram sobre a página. Ela encontrou um encanto que talvez poderia removê-la de lá. Ela leu e fechou seus olhos. Quando ela os abriu estava no Templo de Karnak, sã e salva. Ela olhou para suas mãos. Onde estava o Livro?! Não! Não podia ser! Ela olhou a sua volta e nem vestígio do livro. Havia ficado na pirâmide. Ela se desesperou. Começou a gritar e chorou amargamente. Imhotep estava perdido. O Que ela iria fazer? Ela quebrou uma estatueta do faraó e chorou mais. Ela sentou no chão.
Depois de alguns momentos dois homens do deserto chegaram em seus camelos.
–Moça, você esta bem? – um deles perguntou em árabe. Não houve resposta.
– você esta machucada? Perguntou o outro, tocando as costas de seu ombro. Anck su namun desembainhou sua adaga e o matou, depois ela lutou com o outro e cortou a garganta dele. Ela se tornou uma assassina habilidosa. Vestiu as roupas deles, pegou o dinheiro, a comida e saiu com os camelos. Ela podia falar inglês e árabe muito bem graças às memórias de sua reencarnação. As memórias de Meela.
Quando ela finalmente chegou no Cairo, estava se sentindo doente. Ela se lembrou que Meela tinha uma casa no Cairo, seria a casa dela agora. Quando ela chegou lá as pessoas não tiveram dúvida de que ela seria Meela e cuidaram dela. Ela seria Meela de novo agora, não era sua identidade verdadeira, mas pelo menos ela estava viva e o bebê poderia ficar vivo também. Depois que o médico chegou não havia mais dúvida sobre o bebê. Ela imaginou o que fazer... Não poderia criar aquela criança sozinha e nem ressuscitar Imhotep. Ela iria precisar de um marido... Ela não queria outro homem além de Imhotep, mas a criança tinha de ter o melhor que ela pudesse oferecer. Depois de umas duas semanas ela recebeu algumas flores e um convite de um homem chamado Edward Crawford. Ele escreveu que queria vê-la, Ela o encontrou. Edward era um jovem arqueólogo com cabelo castanho claro e olhos cor de mel. Ele ficou muito feliz em vê-la, na verdade, já estava interessado nela e a ouvia fascinado. Anck su namun pode ver que ela era um homem bom e ingênuo. Foi muito fácil. Não demorou muito até que ele se apaixonasse por ela e a pedisse em casamento. Na mente dela, ela planejava usá-lo para encontrar Imhotep e trazê-lo de volta, depois que a criança nascesse.
***
A primeira coisa que os O’Connells fizeram depois de voltar para casa foi levar Evelyn ao obstetra. Ele ficou muito confuso.
–Sra. O’Connell, tem certeza de que estava grávida?- perguntou o doutor.
–Os outros exames mostraram que eu estava.
–Ela também sentiu enjoos. – completou Rick.
–Por acaso teve algum sangramento, dor abdominal?
Evelyn respirou fundo e Anck su namun veio até sua mente.
–Sim, eu tive.
Rick segurou a mão dela.
–Sra. O’Connell, os exames atuais não revelam nenhum sinal de gravidez, sinto muito.
–Então eu a perdi?
–Também não há sinais de um aborto. Acredito que os exames anteriores estavam errados, você nunca esteve grávida...
O médico não a convenceu. Evelyn conhecia seu corpo. Ela sabia que esteve grávida e agora não estava mais. Ela sabia o porquê.
–Ela conseguiu de novo, Rick. Ela matou alguém que eu amava novamente! – Evelyn chorou, até na sua próxima reencarnação Anck su namun ainda podia infligir dor.
–Querida... – Rick a abraçou, colocando a cabeça dela em seu peito – Sinto muito... Você, nós a perdemos, mas ainda temos um ao outro, ainda temos Alex. E eu te prometo: Você nunca mais vai me perder ou perder o Alex. Não vou deixar isso acontecer, não vou falhar de novo.
Eles lamentaram por meses e nunca puderam ter outro bebê, não importa o quanto tentassem.
***
No submundo, a Deusa Maat precisava enviar a criança de Evelyn e Rick para outro mundo. Ela não poderia fazer isso sozinha. Maternidade não era a sua função. Então, ela pediu ajuda a Ísis, a rainha dos deuses e Hathor, a deusa do amor. Isis usava roupas vermelhas elegantes e tinha asas glamorosas. Um aspecto majestoso que só a deusa dos deuses podia ter. Hathor também era maravilhosa, possuía chifres que parecia terem sido feitos de algum tipo de pedra preciosa, seu rosto pintado em cores que enfatizavam sua beleza.
–Eu preciso de sua ajuda – disse Maat – Este ser tem um destino especial. Deve nascer em outro mundo e então retornar para o mundo onde deveria ter nascido. O tempo dirá o seu lugar correto.
–Parece um destino de conflito – disse Hathor.
–Esta criança poderia ficar partida entre dois mundos – avisou Ísis.
–Eu sei – Maat assentiu com a cabeça – mas este ser pode ser o único caminho de restaurar a Ordem e trazer de volta o Equilíbrio perdido a muito tempo.
–Estou ouvindo – disse Isis.
–Você conhece o mundo dos vivos melhor do que eu. Por favor, me ajude a encontrar uma família para que este ser possa nascer.
–Há uma mulher... – Ísis fez um feitiço que permitiu ver um reflexo do mundo dos vivos – O nome dela é Sarah. Ela e o seu marido tentaram ter uma criança por anos. Acho que ela aceitaria.
–Uma criança traria alegria à vida deles. –Hathor concordou – Agora eu farei o útero dela fértil e protegerei a sua gravidez.
–Irei levar isso ao outro lado- disse Ísis, abrindo suas asas.
–Eu a agradeço muito minha rainha. Muito obrigada Hathor. – Maat se curvou.
Ísis levantou voou para o mundo dos vivos e encontrou Sarah. Ela estava dormindo. Ísis entrou em seus sonhos.
–Sarah.
Sarah olhou para Ísis e Maat e ficou muito surpresa. O que era aquilo? Tinham asas e uma luz que brilhava como o raio de um farol. Sarah era uma mulher católica e quando ela viu Ísis e Maat, imaginou que fossem anjos.
–Sou eu, estou aqui. –Respondeu Sarah, movendo uma mecha de seu cabelo vermelho dos olhos, ainda espantada.
–Você quer ser mãe?
–Mais que qualquer coisa.
Isis sorriu para ela.
–Este ser especial precisa de uma mãe para nascer. Você aceitaria ser a mãe, proteger e cria-lo até que conheça o seu destino?
–Sim! Isso é tudo que eu quero. O amarei para sempre.
–Depois de 18 anos esta criança vai te deixar para ir a outro mundo, um do qual ela pode jamais retornar. – disse Maat.
–Se eu serei a mãe dela eu aceito, eu aceito do jeito que ela for.
Ísis assentiu com a cabeça e deixou a luz multicolorida que uma vez esteve no útero de Evelyn seguir para o útero de Sarah. Sarah acordou se sentindo a mulher mais abençoada do mundo. Ela começou a rezar.
–De deusas para anjos! Pode acreditar? Mortais…
–Não, mas acho que foi por causa das asas. – disse Ísis, e ela e Maat sorriram.
***
Crawford costumava mimar Anck su namun, agora Meela, com presentes e toda a atenção que ele podia dar, até mesmo depois do casamento. Há 3000 anos homens a tratavam como um objeto quebrado e agora ela estava sendo tratada com uma rainha. Aquilo era novo para Anck su namun. Ela imaginava o que fazer com Crawford. Matá-lo? Não, sua criança precisaria de um pai e ela precisava encontrar Imhotep primeiro… não... não agora. A notícia da gravidez deixou Crawford ainda mais irritante. Agora ele só falava de nomes, comprava brinquedos e coisas para o bebê. No fundo, Anck su namun sentia pena por ele. Ele era um tolo, mas um tolo bondoso. Ele realmente a amava e a criança também.
–Você acha que é menino ou menina?
–Acho que vou morrer de vomitar – disse Meela, segurando sua cabeça.
De todos os brinquedos que Crawford comprou, ela gostou apenas de um. Era uma linda bonequinha vestida como Cleópatra VII. Aquilo era precioso. Ela achava que seria uma garota. Sua barriga estava grande agora, era difícil dormir. Às vezes ela se lembrava do que tinha feito a Evelyn e aquilo assombrava a sua mente. Perder o bebê era a coisa que ela mais temia. Ela repetia a si mesma que o bebê de Evelyn havia voltado à vida também.
Um dia, Anck su namun acordou no submundo. Ela viu os deuses do julgamento.
–Culpada! Herege! – Anúbis, Osiris e Thoth repetiam. Thoth e Anubis com suas cabeças de animal. Havia sangue nos dentes de chacal de Anúbis. Ela viu um bebê chorando na balança. Havia sangue em todo lugar. Ammit comia um coração. Maat apareceu na frente dela e a encarou:
–Achou que escaparia?
Anck su namun acordou com o som de seu próprio grito.
–Querida, o que houve? – Crawford perguntou.
–Tenho que me desculpar aos deuses.
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