Florescer

3 Capítulo 2: Sem você


Que coisa estúpida acreditar que o passado foi perdido. Era enfureceu os Deuses e tinha estado no submundo obscuro. Ela não merecia estar bem. Antes, Anck su namun não se preocupava com a sua vida, mas agora que ela seria uma mãe ela queria viver para criar sua criança e vê-la florescer. Depois daquela noite, Anck su namun começou a rezar para os Deuses como nunca antes. Seu quarto estava repleto de estátuas dos deuses, velas, incensos, e vários outros objetos religiosos, maioria deles da Deusa Hathor e Bastet – Deusas do amor, maternidade e fertilidade. Crawford não gostava daquilo. Ele estava ficando mais e mais preocupado com a saúde mental dela, embora ele respeitasse as suas crenças. Um dia ele chegou em casa e descobriu que ela tinha cortado parte de seu cabelo em oferenda. Aquilo foi a gota d’água.

–Meela, o que acha que esta fazendo?

–Estou tentando obter o perdão deles e estou tentando ficar com a minha criança. Anck su namun não se importava mais com o que Crawford pensava.

–Levante agora, — Ele a fez se sentar na cama e segurou o rosto dela. – Meela, você esta bem e o bebê também. Tudo esta bem.

Ela negou com a cabeça.

–Não esta! Eu fiz coisas horríveis e agora eles vão tirar meu bebê de mim! – ela chorou, segurando sua barriga.

–Querida, ninguém vai roubar nosso filho.

–Não é seu. – é de um homem que conheci antes de você. Ele morreu e logo vou estar morta também! Estou condenada e eu sinto muito! – Ela estava aos prantos agora.

Crawford respirou fundo. Ele levantou e pressionou seus olhos. Depois ele se virou para sua esposa, segurou os seus ombros e olhou nos olhos dela.

–Você é a minha esposa e este bebê – ele tocou a barriga dela – é meu. Eu serei o pai dele e nunca mais quero ouvir falar desse outro homem. Eu vou pedir para tirarem estas velas, você pode ficar com algumas estatuas se quiser, mas só algumas. Você esta nos cuidados dos melhores doutores do país, não a razão para temer.

Ele a segurou até que ela parasse de chorar e eles dormiram.

***

No submundo, os deuses assistiam Anck su namun e tentavam decidir o que fazer com ela.

–Ela esta tentando consertar tudo agora. Interferir pode piorar tudo. –Disse Hathor, ela era a protetora de Anck su namun.

–Sim, ela tem sido verdadeira. Mas isso não muda o que ela fez. – Disse Maat.

–Esta criança que ela carrega é um mistério da criação. – Disse Thoth.

–não acho que ela viverá. – Anúbis disse – pelo menos não deveria.

–Vamos esperar e ver. – disse Osíris. – de qualquer forma, ela não pode ter uma vida de sucesso depois do que fez. Isto seria impunidade.

–O que vamos fazer se a criança viver? Bani-la como a outra? – perguntou Thoth.

Os deuses ficaram em silêncio. Eles não tinham nenhuma ideia melhor.

***

Naquela noite, Anck su namun sonhou com a Deusa Hathor dizendo que o seu bebê nasceria. Ela se sentiu mais calma. Ela e Crawford decidiram chamar a criança de Helena, caso fosse uma menina. Ela ainda não tinha esquecido Imhotep. Os arqueólogos já haviam encontrado o bracelete de Anúbis. Ela tinha encontrado alguma paz agora, apesar de ainda estar preocupada.

Será que ela ainda teria alguma paz se Imhotep ressuscitasse?

O parto foi complicado, mas a sua pequena Helena nasceu. Uma linda garotinha com a pele da mãe e os olhos de Imhotep. Ela e Crawford estavam orgulhosos. Anck su namun se perguntou se Imhotep também ficaria. Ela fez dois colares com pingentes do símbolo de Hathor. Um com uma pedra turquesa para Helena e outro com uma pedra lápis lazuli para ela. Toda noite, ela colava o colar com a pedra turquesa com Helena e ia pra cama. Era difícil dormir. Não por causa de Helena, mas por causa dos fantasmas de seus pecados que a assombravam. Eles assombrariam para sempre. Tirando isso, a vida dela foi o mais feliz possível por algumas semanas, então aquelas semanas acabaram. Numa noite ela sonhou com a Deusa Maat segurando sua filha.

–Sinto muito, mas você tem que pagar pelo que fez. O que pertence sempre retorna a você. — Disse a deusa e num vislumbre ela sumiu levando a única coisa que importava para Anck su namun.

Quando ela acordou, não havia nenhum sinal de Helena. Ela e Crawford procuraram por anos, mas nunca a encontraram. Ele acreditava que ela tinha sido roubada. Nunca tiveram outro filho. Anck su namun guardou a pequena boneca de Cleópatra e começou a seguir Crawford nas escavações. Se ela não poderia ter sua filha, ela teria Imhotep, e com ele todo o mundo.

***

Depois do sonho com os anjos, que na verdade eram as Deusas Isis e Maat, Sarah esperou alguns meses para fazer os exames que confirmaram tudo. O marido dela, Carlos, achou aquilo inacreditável, mas de qualquer forma, os Evergreens estavam muito felizes. Quando aquele pequeno milagre nasceu, eles a chamaram de Angélica, um simples tributo aos que a trouxeram.

Angélica parecia muito com Evelyn com cabelos castanhos e olhos verdes. Tímida e às vezes tão corajosa como Rick. Sarah a levava muito para a igreja e lá ela aprendeu a cantar e tocar piano.

Num dia, quando ela tinha 9 anos, Angélica estava voltando pra casa quando um homem estranho a agarrou e tapou a sua boa.

–Quieta, pequena va- Ele foi nocauteado no chão antes de terminar sua frase.

Angélica estava livre dele. Quando ela acordou, viu uma garota que parecia ter a idade dela. Ela tinha uma pele bronze e cabelos negros lisos. Ela segurava um bastão de beisebol.

–Ele te machucou? – a garota perguntou olhando para Angélica.

–Eu- Eu estou bem – Angélica ainda estava com medo- Ele… morreu?

–Ah não... Eu acho.

–Vamos sair daqui! – Angélica segurou a garota pela mão e elas duas correram até chegar numa praça. Ao chegar lá elas sentaram perto do lago.

–Você me salvou! Obrigada... Qual seu nome?

–Meu nome é Helena Rosenbury. E o seu?

–Angélica Evergreen. Está tarde, preciso ir pra casa ou minha mãe vai pirar... Seus pais não ligam se você chegar tarde?

–Não sei, eles não são meus pais. – Helena deu de ombros – Eles me adotaram – Ela olhou para Angélica. Ela sentiu como se pudesse contar qualquer coisa a ela.

–Se eles te adotaram, são seus pais agora…

–O que é isso no braço? – Helena apontou para o pulso de Angélica. Havia uma marca estranha lá, parecia um olho.

–Não sei, nasci com isso. Ei! Colar legal!

–Obrigada. Acho que é da minha mãe verdadeira. – Respondeu Helena, olhando para seu colar de pedra turquesa com o símbolo de Hathor.

–Você quer ir pra casa? Vai ter algo mexicano pro jantar... Meus pais avisam aos seus... –Angélica convidou esperançosa de que ela aceitasse.

–Sim eu quero! Você acha mesmo que eu matei aquele homem?

–Não sei, mas se você matou acho que somos cúmplices então.

Elas deram as mãos e foram até a casa dos Evergreen. Isso se repetiu por muitos dias e anos. Angélica e Helena se tornaram melhores amigas. Nada as separava. Seus pais também se davam bem.

Na escola, Helena era uma das melhores atletas. Angélica era melhor na sala de aula.

– Anjinho da mamãe! Me dá uma força no francês?

–Só se você me ajudar em álgebra e não me chame assim!

Elas brigavam às vezes mas sempre se perdoavam. Entre os outros elas eram estranhas, mas entre elas eram como irmãs.

–

Evelyn se dedicava muito ao trabalho para se esquecer de sua dor. Agora ela era curadora do Museu Britânico. Não tão emocionante como trabalhar em campo, mas era mais seguro. De todos os arqueólogos, Crawford era o que mais se destacava.

–Crawford! Como pode ser tão sortudo? – Evelyn perguntou surpresa em como alguém encontrou o bracelete sem morrer.

–Bom, tenho uma boa equipe e uma esposa com muita intuição.

–É mesmo?

–Sim. É engraçado, mas ela sempre sabe aonde cavar. Acho que é porque ela também tem uma experiência com escavações.

–Adoraria conhece-la algum dia. – Evelyn sorriu.

Embora Crawford tentasse, sua esposa sempre inventava uma desculpa para não conhecer a Sra. O’Connell.

Evelyn e Rick estavam cada vez mais orgulhosos de Alex, mas às vezes, Evelyn costumava imaginar como seria se ela tivesse tido uma menina. Quantos anos ela teria hoje se não tivesse perdido? Ela contava todos os anos.