Flores de Rodório - A flor da Romãzeira
1 Prólogo - O contrato da Vida
Notas iniciais
Novamente, agradeço à minha mana, Aisha Andris que betou esse capítulo, e me deu um esporro dizendo que se eu não der um final feliz a esta história eu vou apanhar.
Gente, eu espero que vocês apreciem esta história, por que eu tô me divertindo muito escrevendo a bonita. Vai ser uma short-fic, até onde eu planejei, e pelo andamento dela estamos quase chegando no final kkkk
Ela diferente, então espero que gostem, um beijo e aguardo vocês nos comentários ♥ Beijos ♥
Eu era muito nova quando minha família recebeu o comunicado do Grande Mestre sobre o dever de meu irmão, Milo, mas já naquela época, eu tinha um pressentimento sobre o futuro e a sombra que ele faria cair sobre nossa família.
Com Milo servindo ao Santuário, nossas vidas melhoraram sob medida, e tínhamos mais condições do que qualquer outra pessoa naquela vila desolada, por isso, juntamos nossas coisas e nos mudamos para Rodório, a vila aos pés do Santuário de Athena; assim, poderíamos conviver com meu irmão e crescer os negócios de papai, que confeccionava as mais lindas joias que qualquer rei ou imperador nunca teria.
Como imaginado, nossa família prosperou em Rodório, e o próprio Santuário comprava nossas joias para prover aos servos e servas de alto escalão. Naquela época, eu tinha meus dez anos de idade e já começava a aprender um pouco mais sobre a rotina próxima a um lugar mítico e como o tempo parecia não ter passado naquele lugar, já que não foi apenas uma vez que eu vi uma menina sendo vendida em troca de galinhas ou mesmo um garotinho, de não mais que cinco anos, sendo entregue a um homem de vestes ricas que rapidamente o escondeu dentro da carroça.
Minha mãe, Nice, nunca concordou com a conduta dos moradores, por isso, mantinha-me dentro de casa, mas por vezes se podia ver esse tipo de situação da janela ou mesmo do alto da sacada de nosso sobrado... Era uma coisa triste de ser contemplar, e, mesmo assim, ninguém parecia se importar com aquilo.
Com o passar dos anos, meu pai enriqueceu ainda mais, e agora usava as economias enviadas por Milo para juntar meu dote de casamento, pois as propostas de casamento ou mesmo daqueles que apenas queriam me comprar aumentavam sobre medida. Aos treze anos, eu já podia ser considerada uma mulher formada – já que minha menarca já havia ocorrido, no entanto, continuava brincando na rua junto dos meus amigos e amigas. Posso dizer que fui uma criança extremamente feliz e me diverti mais do que muitas jamais fariam...
Infelizmente, essa felicidade durou apenas mais um ano. Era véspera de Natal quando descobrimos que minha mãe estava gravemente doente, e depois de dois meses, ela faleceu dentro de casa. Os curandeiros do Templo disseram que era câncer no estômago, e por mais que papai investisse muito no tratamento, o quadro dela apenas piorava.
Mamãe morreu perto da Páscoa, e com a morte dela, morreu também um pedaço do meu pai... Demorou algum tempo até que ele voltasse a criar lindas peças e todos na vila sentiram falta de suas belas joias. Um dia, chegou até nossa casa uma moça de longos cabelos negros, olhos de um verde tão intenso que pareciam a grama recém-coberta pelo orvalho, e de pele branca como o leite.
Na época, eu não entendi muito bem o que ocorreu com o meu pai, eu só sabia que ele voltara a confeccionar as joias depois da visita daquela moça... Hoje em dia, eu aprendi a reconhecer os sinais de uma mulher como ela...
O nome dessa mulher era Malva-Rosa, e um ano depois ela se tornou a minha madrasta, dando a meu pai três filhas caçulas, Helena, Kalimera e Hebe. No começo, ela me tratava como parte da família, entretanto, aos poucos esse cenário foi mudando e eu percebia a cada palavra o ódio daquela mulher, isso me assusta até mesmo nos dias de hoje.
Os anos continuaram a passar, eu via minhas irmãs crescendo e se tornando pessoas mesquinhas, invejosas e muito cruéis; eu imaginei cada uma delas em um futuro distante, com seus próprios filhos, ensinando a eles o que elas haviam aprendido com a mãe, e pensei naquele dia que eu desejava fazer diferente... Eu queria ensinar meus filhos a serem pessoas honestas, íntegras, que entendiam o que era o amor... Era isso o que minha mãe havia me ensinado e é isso que eu tenho dentro de mim.
Aos dezenove anos, eu já era uma mulher completamente formada, e mesmo assim meu pai nunca aceitou nenhuma oferta dos homens que pediram a minha mão, isso era o que me deixava mais feliz.
— Ela vai morrer velha e sozinha! – mais um dia começava e já estávamos todos na cozinha ouvindo Malva-Rosa gritar com meu pai, enquanto ele apenas a ignorava e seguia tomando seu suco de romã, feito por mim ainda cedo. – Você gasta uma fortuna com tutores, roupas e joias para essa menina ficar encalhada dentro de casa! NEM ME AJUDAR COM AS MENINAS ELA AJUDA! – ela esperneava tal qual uma criança, e aquilo fez meu pai revirar os olhos.
— Querida, quando Diana tentou te ajudar com as meninas você a expulsou do quarto das trigêmeas. – revidou papai, no que eu coloquei mais torradas na mesa, tentando conter o sorriso. – E, ademais, eu quis investir na educação de nossas filhas e você disse que seria perda de tempo! Diana adora estudar e o faz desde muito pequena, não vou privá-la disso agora.
— Mas é perda de tempo! O que ela vai usar disso quando se casar? Ela tem que ser uma boa esposa e não uma intelectual! – volveu minha madrasta, olhando-me completamente irritadiça.
— Quem disse que eu vou me casar? – questionei, limpando as mãos na calça jeans que usava, indo me sentar ao lado de papai. – Não vou me casar, pelo menos não agora! Eu quero ir para a faculdade, meu pai disse que vai me mandar para Paris, assim eu posso estudar.
— AQUILES! – gritou Malva-Rosa, vermelha como um pimentão. – Você não pode fazer isso com a nossa família, vai jogar o nosso nome na lama, minhas filhas nunca vão conseguir se casar se a irmã delas for uma desvirtuada!
— Pelo amor de Deus, mulher, parece que você vive na Idade Média! Isso aqui é o Século Vinte e Um, minha cara esposa, se minha Diana quer ir para a França estudar, ela irá estudar! Temos posses o suficiente para isso, Milo a apoia incondicionalmente e até mesmo indicou um professor nativo para substituir o tutor que ela agora tem. – e meu pai bateu com o copo na mesa, claramente irritado com aquela discussão. – Agora, se me dão licença, eu tenho trabalho a fazer, assim como vocês! Se não quer que suas filhas estudem, então elas vão viver como você vivia antes de se casar comigo, elas vão aprender a costurar, bordar e fazer os serviços de casa. Vão começar isso hoje, vou dispensar a babá delas. De agora em diante, elas cuidam de vestir as próprias roupas, de arrumar os próprios quartos e de se virarem!
— AQUILES!
Mas papai já tinha saído para seu ateliê, deixando-nos sozinhas à mesa. Mantive-me calada, enquanto Malva-Rosa praticamente bufava como um búfalo e as trigêmeas choravam copiosamente.
Daquele dia em diante, minha madrasta se arrependeu e muito de ter gritado com meu pai, pois ele realmente dispensou a babá das meninas, a senhora Fotoula, e as trigêmeas passaram a ser serviço completo de Malva-Rosa; isso influenciou diretamente no humor terrível dela e na vidinha caprichosa das garotas.
Eu sentia pena das minhas irmãs e tentava ajudar como podia, acabando até mesmo por me reaproximar delas. Hebe era a caçula e a que mais gostava de mim. Helena e Kalimera já eram muito parecidas com a mãe, e por isso ela as mantinha mais próximas.
Hebe era diferente das outras, com a pele mais dourada, como a do meu pai e do meu irmão, e os cabelos castanhos e muito cacheados, além de ter os olhos bicolores, o que deixava minha madrasta irritada como um leão em cativeiro. Ela odiava saber que a menina era tão parecida com meu pai e, por consequência, com Milo, além de comigo por tabela.
— Por que a mamãe não quer ajudar a gente, Diana? – perguntava Kalimera, sentadinha em sua cama, colocando os sapatinhos e a saia quadriculada.
— Bem, a mãe de vocês está ocupada agora, então eu vim ajudar vocês a se arrumarem para a escola! – respondi, enquanto terminava de trançar os cabelos de Helena, já pronta para sair.
— Eu não quero ir para escola. – reclamou Helena, cruzando os braços. – A mamãe disse que as freiras batem na gente com uma régua.
— Elas não vão fazer isso. – dei uma risada divertida, prendendo a trancinha de Helena com uma fita vermelha. – Hebe, termine de fazer seu rabo de cavalo. – pedi, vendo a caçula rapidamente amarrar o rabinho no alto da cabeça, usando um elástico preto. – Todas prontas?
— Sim! – exclamaram as três juntas, pegando as mochilas vermelhas e colocando nas costas.
— Certo.
Descemos as escadas e fomos nos despedir de papai, já que apenas ele estava em casa. Desde manhã, Malva-Rosa não estava, o que deixava as trigêmeas ansiosas e a mim, preocupada. Se ela não estava em casa sendo uma “boa esposa”, era porque estava aprontando mais alguma de suas peripécias cruéis. Da última vez, foi um marido para mim, um velho rico que ofereceu uma quantia generosa, embora, é claro, meu pai tenha me dado a palavra e eu tenha negado veementemente, de todas as formas possíveis.
Deixei aquilo de lado por um tempo e saí de casa com as garotas, tomando cuidado para que nenhuma delas se desgarrasse, enquanto ensinava para minhas irmãs o caminho até a escolinha de freiras, em uma enorme igreja num canto afastado de Rodório.
Nós nos divertíamos contando quantas pessoas de azul havia no mercado, e Hebe até mesmo ria alto quando alguma das irmãs apontava para um transeunte de forma descarada. Dei muitas risadas também, e quando chegamos à escola, a irmã Cecília nos recebeu, dando boas-vindas às meninas e me cumprimentando.
— Comportem-se! – disse, quando elas foram se juntar a outras amiguinhas no pátio exterior da igreja, deixando-me sozinha com Madre Cecília. – Irmã, se elas não se comportarem, por favor, me avise! Sou eu quem vai trazê-las e buscá-las.
— Vá em paz, filha! – ditou a velhinha de sorriso simpático. – Tenho certeza de que vamos conseguir mudar essas garotinhas.
— Espero que sim! – ri, beijando a mão da madre e virando de costas para ir embora.
Durante todo o caminho, senti como se alguém me observasse, e aquela estranha sensação permaneceu por vários dias, mas nada além disso. Tudo parecia completamente normal... Eu levava as meninas para a escola, recebia meu tutor, o senhor Hector, e tinha aulas de matemática, literatura, filosofia, sociologia, biologia, química, grego clássico, latim e até mesmo alguns rudimentos da língua perdida de Lemúria. Depois do senhor Hector, eu recebia Madame Sophie, uma inglesa de temperamento terrível e severo, que me ensinava sobre etiqueta, corte e costura e cozinha; e tudo isso em inglês, ou seja, eu tinha que saber de cór e salteado toda uma língua e entender o sotaque da velhota.
Madame Sophie, mesmo sendo turrona, era boa gente e me tratava de forma legal, mesmo eu sendo terrível também. Conhecia Madame Sophie há muitos anos, e aprendia etiqueta, bons modos e todas essas coisas graças a um pedido da minha mãe, que teve criação muito simples e sempre quis que a filha fosse educada como um membro da realeza. Bem, ela tinha conseguido em parte, pois eu nunca consegui ser tão polida quanto a madame esperava.
Depois de todas as aulas, eu ia ajudar meu pai a organizar as peças no mostruário e o acompanhava até a feira, onde a plebe e os magnatas se misturavam. Nossa loja ficava em uma parte mais bem cuidada da feira e, como um estabelecimento de respeito, atendíamos a todos em nosso espaço, criado com todo o cuidado e esmero. A loja tinha cheiro de metal misturado a incenso e ervas e era gelada como as pedras que papai colocava nos colares, anéis e brincos.
Eu costumava ajudar na loja, mas naquele dia em específico, pedi para dar uma volta no mercado e assim falar comigo sozinha em francês, usando o que havia aprendido com o instrutor que Milo nos mandou. O rapaz que veio a ser meu instrutor era jovem, devia ter a idade do meu irmão, além de cabelos de um vermelho que se comparava ao sangue e olhos castanhos belíssimos. Ele era muito bonito, e isso só me deixava mais triste, pois eu o via somente aos domingos.
Andando desatenta, eu acabei parando próxima à praça do centro, olhando de um lado para outro ao sentir um calafrio estranho me subir pela nuca. Mamãe sempre disse que eu tinha uma boa intuição e naquele dia eu comprovei que podia até ser verdade, mas minha intuição era muito atrasada.
Quando dei por mim, um par de braços fortes me agarrou, colocando sobre meu rosto um pedaço de pano embebido em algum tipo de líquido de aroma doce. Meu erro foi ter aspirado com muita força o líquido, porque no momento seguinte, tudo o que vi foi o mundo ficando escuro; quando caí na inconsciência, a única coisa em que eu pensava era no rosto da minha madrasta rindo para mim.
Como descrever os anos que se seguiram?
Caos, agonia e dor não seriam o suficiente, era como se cada dia de minha vida tivesse se transformado na tortura aplicada no Tártaro, e isso piorava com o passar o tempo. O homem que me raptou era Euron, um soldado raso do Santuário, e ele manteve presa por muito tempo, apenas me obrigando a fazer o serviço de casa, e quando eu não o fazia direito, ele me batia... Batia muito.
Não sei bem ao certo quanto tempo passou, a única coisa que sei é que tudo que eu conhecia naquele momento era o pavor, o desespero e o desamparo. E, mesmo assim, eu tentava me manter firme, na esperança de que um dia meu pai ou meu irmão me encontrariam.
Um dia, eu tentei fugir... E essa foi uma das piores decisões que eu já tomei. Euron estava fora de casam, e eu estava amordaçada e presa a uma pilastra com uma corda comum. Assim, eu me estiquei até finalmente conseguir chutar o espelho do quarto, quebrando-o em vários cacos.
Com cuidado, puxei um deles com o pé, trazendo-o para mim. Impressionantemente, consegui me soltar e, desatando o nó da mordaça, me dirigi à saída da casa. O que eu não esperava era que Euron estivesse parado lá na frente, preparando-se para entrar.
A última coisa de que eu consigo me lembrar é da mão dele socando minha face pela décima vez, depois de me jogar no chão e pisar em mim. Depois daquilo, eu apaguei completamente, tendo a certeza de que minha vida terminaria daquele modo vil.
Quando finalmente acordei, sentia-me completamente destruída, com meu corpo pesado e meus pensamentos desorganizados. Abri os olhos e a única coisa que consegui ver foi o teto de madeira acima da minha cabeça, sentindo minhas têmporas latejarem quando me coloquei de pé, cambaleante.
Quando finalmente consegui me sintonizar, percebi que minha blusa estava rasgada, deixando a mostra meus ombros e parte do meu sutiã, e em meu colo podiam-se ver marcas de dedos, muito arroxeadas; ao tocar minha bochecha esquerda, o sangue quente molhou minha pele.
Apavorada e arfante, devo ter feito mais barulho que imaginava, pois a porta do quarto onde fui presa escancarou-se, e de lá surgiu Euron de face horrenda e expressão nada amigável, olhando-me com algo mais no fundo dos orbes cinzentos.
Nunca senti tanta adrenalina em toda a minha vida, e foi graças a ela que tomei coragem e forças suficientes para quebrar a janela de vidro com meu corpo, isso no momento em que ele veio para cima de mim, preparado para me agarrar.
Desesperada, com os braços e pernas agora lacerados pelo vidro e caída do lado de fora do casebre, encontrei mais força de vontade do que nunca para me colocar de pé e começar a correr.
Atrás de mim, ouvia o homem gritar, chamar e correr em meu encalço. A cada ameaça, a cada xingamento e a cada brado animalesco, minhas pernas ganhavam mais forças para correr sem parar, e, a minha frente, eu avistei um precipício, um desfiladeiro que precedia a queda livre para o mar e as pedras que já haviam abraçado muitas almas desamparadas...
— QUANDO EU TE PEGAR, SUA VADIA, VOU TE DAR UMA LIÇÃO!
Com aquela frase do homem, eu constatei uma realidade. À minha frente, a morte certa esperava, uma morte com dor, sim, mas que seria limpa; atrás de mim, a morte também me esperava, mas ela viria de forma cruel, invasiva e eu sofreria de tantas formas que meu cérebro nem mesmo tinha coragem de imaginar.
Assim, ao me ver a apenas dois passos do desfiladeiro, eu apenas mantive o ritmo, e quando o chão faltou sob meus pés, eu fechei os olhos soltando um último suspiro, permitindo que o vento amparasse meu corpo e me levasse até as pedras.
Eu não senti dor quando caí de costas sobre as pedras, a única coisa que sentia era o balanço das ondas, estranhamente calmas naquele momento, e, lentamente, sentia meu sangue escorrendo pela cabeça, banhando meu pescoço até chegar ao braço, percorrendo seu caminho sobre a pele até chegar aos meus dedos, estendidos sobre a pedra, que possuía uma depressão, formando uma espécie de vale que captava e mantinha a água presa naquele pequeno espaço.
Olhando para cima, eu via as gaivotas, e no alto do desfiladeiro, o homem que tentara me violentar praguejando, para depois dar as costas e ir embora, dando-me uma paz interior incrível.
Com lágrimas me escapando os olhos, eu olhava para as gaivotas, pensando em meu pai e em meu irmão, almejando vê-los ao menos uma vez mais. Por outro lado, o pensamento de que logo veria minha mãe me reconfortava.
— Criança, – a voz serena e calma adentrou meus ouvidos e um homem surgiu acima de mim. O rosto jovem e os olhos turquesa traziam uma sensação que me acalentava. – o que aconteceu com você? – achei que não fosse conseguir responder, porém, ao tentar, eu consegui formar uma frase completa.
— Eu estava com medo... – respondi, deixando as lágrimas caírem e soluços brotarem de minha garganta.
— Você foi muito corajosa, querida. – garantiu ele, passando a mão por meus cabelos molhados e depois por minha face, enxugando minhas lágrimas. – Não chore mais, querida, eu lhe darei uma escolha. – e então me tomou nos braços, amparando meu corpo e trazendo-me para perto de seu rosto. Ele era realmente belíssimo... O homem mais lindo que eu já vira em toda minha vida, com longos cabelos negros, pele marmórea e mãos muito suaves. – Eu preciso de uma serva, alguém que não esteja envolvida nas pelejas de Hypnos e Thanatos, alguém fiel e bom como você. – picando algumas vezes, eu engoli em seco, e o gosto de sangue me causou náuseas. – Você pode me servir e viver para sempre ou morrer e vagar eternamente... Sozinha. – passando a mão por meu rosto, ele falava como se fosse a coisa mais normal de todas. – Torne-se minha serva e lhe darei uma nova vida, posso até mesmo te fazer esquecer desta que teve aqui.
— Não... – pedi. – Não quero me esquecer da minha família...
— Certo, eu mantenho suas memórias, mas apenas se tornar-se minha serva.
E, percebendo que meus sentidos começavam a se esvair, acenei debilmente com a cabeça. Em seguida, o homem depositou um beijo no topo de minha cabeça e, como se minha mãe novamente me ninasse, eu adormeci completamente, vendo à minha frente apenas a escuridão confortável trazida pelo homem de cabelos negros.
Fale com o autor