Flores Pintadas
6 Púrpura
Notas iniciais
– Sim. Você está certo, eu não tenho uma relação boa com meu pai – chiei, erguendo as sobrancelhas para Roberto.
– Tem um motivo? – perguntou ele, embora já soubesse a resposta.
– Ele tem donaire, acha que o mundo vive aos pés dele e ama essas palavras idiotas. Foi por causa dele que relutei tanto em me abrir, lá na minha adolescência. E o odeio pelo que ele fez.
– O que ele fez?
– Não te interessa.
– Talvez. Mas já fico feliz com essa conversa. Você está se abrindo mais desde que passou a frequentar a terapia conjunta.
– Você insiste em dizer que aquelas pessoas são minhas amigas, mas não posso ser ajudado por alguém pior que eu. Elas são todas perturbadas.
– Seu pai te trouxe para cá tem uma semana, com você no limite. Isso não diminuiu seu rancor?
– Ele não deveria ter interrompido uma escolha que eu fiz. Eu decidi me matar, eu queria. Ele sempre erra e depois tenta corrigir, como se fosse nada magoar. Assim como ele fez com aquelas...
– Você está falando rápido demais. Sente-se nervoso comigo?
– Não. Você é só o médico que quer dar conselhos para mim quando não me conhece o suficiente.
– O suficiente. Mas gostaria.
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