Flores Pintadas
7 Segure-se
Notas iniciais
Estou olhando para as águas lúgubres da fonte. O som da água estala como fogo.
Minhas memórias bloqueadas voltam aos poucos. É por isso que mal me reconheço. Se alguém me achar, me devolva. O Túlio de antes era feliz e realizado, mas ele se apoiou num galho fraco demais e foi levado pela correnteza.
Talvez meu pai não tenha culpa. Eu é que, tomado pelo meu luto, interpretei da maneira que quis. Afinal, doía muito menos se todo o peso desse sofrimento não caísse apenas em mim. Se B. estivesse aqui, ele diria...
Não.
Olho para meu reflexo na fonte de água no jardim do hospital e vejo muito mais que um retrato trêmulo. É meu espelho de Ojesed, onde meu maior desejo se foi. Mas o espelho é apenas uma ilusão e não posso quebrar esse limite.
B. acena no reflexo. Ele está triste por mim, mas há uma sombra de esperança brilhando.
Eu te amo muito. Jamais duvide disso.
Você perguntaria, eu sei que perguntaria: Você se ama também?
O espelho de Ojesed se agita. Roberto está vindo com uma mão escondida atrás da costa. Ele tem um sorriso maravilhoso. E diz:
– Pintei uma flor pra você.
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