Notas iniciais
Palavra do dia 25/10: Imersão

“Vamos”.

De repente, estou de mãos dadas pelo hospital com Roberto, ainda com o uniforme padrão. É uma sensação de choque térmico quando começamos a aumentar a velocidade da corrida.

Passamos a voar. Quase posso ouvir Beirut em algum lugar do ar tocando Port of Call. Roberto disse uma vez que música seria relaxante e foi muito mais do que isso. Qualquer música, se nos tocar na alma, leva a ter sentimentos únicos. Hoje, sou parte do som, sou parte do céu nublado e sei que linhas devo escrever, a quais pontos recorrer e quais curvas fazer.

A liberdade não é momentânea. A liberdade é feita com momentos.

“Túlio!”, arfa Roberto. Ele está cansado, mas não estou nem perto de parar. A felicidade espalha pelo meu sangue como um estímulo. Não sei se terei mais recaídas, mais fraquejos e mais culpas. Porém, esse é um tempo de imersão: um astro desaparece e outro toma seu lugar.

O astro, o centro, sou eu. Devo me colocar à frente de tudo, pois ninguém fará isso por mim. O que mais se vê por aí são duas metades querendo ser todo.

Aqui estou eu. Finalmente vou sair do hospital para a vida.