Flores Pintadas
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Notas iniciais
Minha casa é meu homizio, meu esconderijo. Parece que voltei para a cena do crime. Fui flagrado. Desta vez, é Roberto que está aqui e papai logo virá.
“Não é justo que você tome cerveja e eu suco de laranja”.
Roberto resmunga, parecendo adorar.
Continuo a falar: “Suco de laranja é muito previsível. Era o que tinha no hospital... Já estou enjoado”. Ele enfim ri, concordando. Com certeza só me deu o suco para se livrar do fardo. Roberto passa os olhos por alguns locais, pelas paredes com alguns projetos fotográficos sobre flores.
Se ele notar bem, vai ver que existe um detalhe faltando entre as fotos. Roberto veio com uma bolsa preta onde guarda seus pertences.
A campainha toca e é papai. Ele respira o ar daquele apartamento novamente, exaltado.
“Filho. Você me pediu para ir buscar a Melissa, mas tenho que dizer que os pais do B. a adotaram. Infelizmente, não pode ficar com você”.
Levo uma facada no peito. Uma merecida facada, já que eu rejeitei a garota por esse tempo. É preciso saber quando levar golpes. Roberto diz que são os pais de B. e não vou ficar longe dela.
O último gole amarga na boca.
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