Flores De Maio

25 Falem Agora, Ou Calem-Se Para Sempre!


Notas iniciais
Oi pessoinhas! Oia eu aqui de novo. Bom, primeiro quero me desculpar pela demora em postar o capítulo, tava com uns problemas pessoais nesses últimos dias, mas já tá tudo certo! :D Segundo, quero me desculpar por não estar respondendo os comentários, eu tô sem net em casa, e tenho que ficar na minha mãe, e não é muito legal né. Terceiro, agradeço aquelas que me felicitaram pelo meu níver, muchas gracias! E quarto,quero dedicar esse capítulo a Jacke Noara, que recomendou a história. obrigada sua fofa pelas suas lindas palavras *-* Enfim, aproveitem!

Por céus e mares eu andei,
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber
O que é o amor.

Ninguém sabia me dizer,
Eu já queria até morrer
Quando um velhinho
Com uma flor assim falou:

O amor é o carinho,
É o espinho que não se vê em cada flor.
É a vida quando
Chega sangrando aberta
em pétalas de amor.

Vinícius de Moraes

****

O que?! Maria e Fernando tinham um... Irmão? Infelizmente, para Cecília e Josefina, esse segredinho não ficaria só para elas, era hora de começar a revelar coisas referentes ao passado.

— Vamos, digam logo de uma vez! Que história é essa que eu acabei de ouvir? – Ela mexia ostensivamente em seu cabelo.

— Calma florzinha. – Tentava se aproximar de Maria, que se esquivou da tia.

— Vocês vão dizer o que? Que não é nada disso que eu tô pensando? E que eu não ouvi direito o que vocês disseram?

— Não Maria, o que você escutou é a mais pura verdade, sua tia teve um filho com seu pai. – Disse Cecília com toda a calma do mundo.

— Nossa mãe – bateu palmas de forma bastante irônica – sabe que sua sinceridade às vezes vem bem a calhar?

— Será que podemos falar sobre isso como pessoas adultas que somos? – Indagou Cecília.

— Ah, agora eu sou a criança aqui? Pois bem – puxou uma cadeira, se sentou cruzando as pernas – vamos falar sobre isso como pessoas adultas, sou todo ouvidos, podem começar, quero saber tintim por tintim dessa história!

— Então Josefina – fitou os olhos na irmã – acho que você é a pessoa mais indicada pra contar essa história.

— E... Eu? – Colocou a mão no peito.

— Ora tia, quem mais poderia ser? Se você quiser, podemos dar um jeito de trazer meu pai de volta, o que acha? É uma boa ideia, não?

— Por favor, Maria, menos. – Pediu Cecília.

— Eu não me envergonho do que aconteceu comigo e com o Rui não Maria – começou Fifi – nós éramos jovens quando nos envolvemos, e nos amávamos, assim como Cecília amava Enrico, e assim como eles, vivíamos nosso amor às escondidas, porque eu não sabia qual seria a reação do meu pai em relação a nós dois, porque eu já tinha ouvido ele dizer a sua mãe que não aceitava o Enrico, porque a única coisa que ele queria era leva-la pra cama. Foi então que meu pai teve a brilhante ideia de casar logo sua mãe, mas com o Rui.

— E por que você não fez nada já que ​o amava tanto?

— Eu tentei! Eu falei com a minha mãe pra tentar interceder por nós dois, mas ela disse que era pra eu esquecer essa história, que meu pai nunca mudaria de ideia, e eu tinha que aceitar essa situação, e que logo encontrariam outro pretendente pra mim.

— Eu tive que me afastar de Enrico – Cecília tomou a palavra para si – e fingir que estava amando aquela história toda, pelo menos para os amigos da família, mas nossos pais sabiam qual era a nossa opinião em relação aquilo.

— Eu não aguentava aquela situação, cada dia que passava e se aproximava do casamento, meu coração doía mais, e na véspera do casamento eu fiz algo do qual eu nunca me arrependi, eu me entreguei ao seu pai, e acabei engravidando, mas não muito tempo depois de casada, sua mãe também engravidou.

— Nossa, pra quem dizia que não gostava, até que você engravidou bem rápido mãe. Então – se levantou e andou pelo cômodo – se o filho da minha tia tivesse vivo, teria a minha idade? – Olhou para as duas.

— Filha – constatou Fifi – seria uma menina, e sim, ela teria a sua idade.

— Por acaso você quis nascer antes do tempo Maria, bem no dia que sua​ tia também estava dando a luz.

— Só que sua mãe teve mais sorte que eu – uma lágrima queria escapar dos seus olhos – Cecília sempre foi a mais forte, e nesse dia tive a plena certeza disso. Nossos pais ficaram contentes com o ocorrido, diziam que foi o melhor​, principalmente meu pai, que não estava disposto a ter uma filha mal falada.

— Aí Fernando nasceu alguns anos depois, meu pai morreu, minha mãe se casou com Enrico, que agora eu sei que não foi mero acaso, e estamos como estamos hoje. Eu só queria entender por que vocês esconderam isso? Por que Fernando e eu não podíamos ficar sabendo disso?

— Eu queria poupar vocês!

— Poupar de quê tia? Eu acho que nós tínhamos o direito de saber disso! Seria a nossa irmã, independente de como isso aconteceu, essa história é um pouco nossa também!

— Eu acho que você está um pouco equivocada Maria, sua​ tia não tinha nenhuma obrigação de contar nada disso a vocês! – Cecília tomou as dores para si.

— Ah, agora você tá defendendo, claro, você foi passada pra trás pela sua irmãzinha pelo menos uma vez, nada mais justo defender agora!

— Meu amor, não faz assim! – tentava se aproximar dela, mas Maria se afastava.

— Tem mais alguma coisa que eu deva saber? Que minha tia foi amante do Enrico enquanto ele esteve vivo, por isso ele insistiu que ela ficasse aqui? Ou melhor, que o Enrico não está morto, ele está bem vivo numa ilha bem distante daqui? Acertei?

— Já chega Maria! Você está passando dos limites!

Pela primeira vez em tempos, Cecília tinha razão de alguma coisa, Maria realmente estava passando dos limites, maltratando com palavras aquela que dedicara a sua vida em favor da dela.

Maria olhou as duas, pegou sua bolsa e saiu. Cecília simplesmente olhou sua irmã aos prantos, e como num gesto de solidariedade, talvez o único de sua vida, abraçou Fifi, que recebeu sem dizer nada.

— Ela vai voltar atrás, e vai se desculpar, ela só está com a cabeça quente. – Dizia ainda abraçada com ela.

****

Cecília fora ver se Maria ainda não havia saído, e para sua sorte, ela ainda estava ali.

— Maria, preciso falar com você! – Disse apressando o passo.

Maria a olhou, já ia entrar no carro, mas esperou sua mãe se aproximar.

— Tem mais alguma surpresa? Enrico está mesmo vivo numa ilha distante? – Debochou.

— Você não acha que foi injusta com a sua tia não? – Ignorou o seu comentário. – A mim, você tem o direito de odiar para o resto da tua vida, eu mereço, mas ela? Só por que ela não contou algo da vida dela pra você, você acha que tem o direito de agir assim, como uma criança mimada? Francamente Maria, sua tia viveu e vive todos os dias da vida dela pra te dar o amor, que eu, sua mãe, não fui capaz de dar, esse é o amor que você sente por ela? Se for, acho melhor você rever os seus conceitos, tenha um bom dia! – Se retirou.

Cecília jogou contra a consciência de Maria, que não conseguiu dizer mais nada, apenas entrou no carro, e foi para empresa, mas com tudo aquilo em sua cabeça, e principalmente, as palavras finais de sua mãe.

Aquela Essência.

— Bom dia Maria! – Disse Lívia animada quando Maria entrou no laboratório. – Nem acredito que depois de tanto tempo, voltamos ao trabalho, eu tô super empolgada, e você?

— Também tô Lívia. – Disse sem nenhuma empolgação.

— O que foi dessa vez? Eu tenho até medo de perguntar, você sempre vem com uma bomba.

— Pois é, e tenho mais uma, se segura, porque essa é das grandes. Fernando e eu temos uma irmã.

Lívia desacreditou nas palavras que ouvira.

— Tá tudo bem contigo Maria? Você está com febre?

— Eu tô falando sério Lívia. Quer dizer, nós tínhamos uma irmã, ela morreu ao nascer, ela era filha da tia Fifi e do meu pai.

Lívia desacreditou mais ainda na confissão feita por Maria.

— Agora eu tenho certeza que você não está bem! Deixa eu ver – pôs o dorso de sua mão na testa dela, para constatar se estava com febre – bom, com febre você não está, mas com certeza não está falando coisa com coisa. Você enlouqueceu Maria? Sua tia e seu pai? Nada a ver!

— Eu tive a mesma reação que você teve Lívia, mas foi o que acabei de descobrir, eu ouvi isso da boca da minha tia.

— Então isso é verdade?

— É, é verdade.

— Minha nossa! – Se jogou na cadeira. – Eu já não duvido de mais nada que acontece naquela casa, acho que se você me disser que o Sérgio é filho da tua mãe, eu vou achar a coisa mais normal do mundo.

— Nossa – riu – que comparação mais bizarra. Parece que cada dia que passa, eu descubro algo surpreendente naquela casa, e não para de acontecer coisas, confesso que tô com medo de onde isso vai parar. O que mais pode acontecer?

— Não queria estar na sua pele amiga. Mas me diz, como você agiu diante disso?

— Acho que da pior forma possível. Acho que magoei a minha tia com minhas palavras grossas, talvez​ minha mãe tenha razão, eu não deveria ter falado como falei com a tia Fifi.

— Nossa, você deve ter mandado muito mal, pra sua mãe dizer alguma coisa.

— É... Ela não merecia.

— Acho que alguém deve desculpas.

— Eu sei, e vou fazer isso quando chegar em casa.

— Faça isso, sua tia sempre foi um doce com você, e quem não tem segredo não é verdade?

— Você tem toda razão, todos nós temos segredos.

Elas se olharam e sorriram cúmplices.

Depois destas palavras trocadas, elas trataram de ir trabalhar, afinal, era para isso que estavam ali. Depois de alguns longos anos, nada melhor do que voltar a fazer aquilo que amavam.

****

Não era só Maria que queria explicações, mas também Babi, só que essa queria explicações de Sérgio.

Ela aparecera na empresa, mas precisamente na sala do todo poderoso, e estava cuspindo marimbondos.

— Que história é essa de que você esta casado com a sonsa da Maria? – Entrou, e bateu a palma das mãos na mesa.

— Ei, ei, ei! Você não está no morro de onde você veio não! Pode abaixando essa bolinha! – Saiu do seu assento e foi até ela. – Como você sabe disso?

— Ah – ficou d frente para ele – então é verdade. Sérgio, eu não sou tão burra quanto pareço, eu sabia deste o início que você só queria me levar pra cama, mas pra que mentir sobre ser casado com ela?

— Babi, não é a Maria que eu amo, eu amo você! – Acariciou sua face.

— Deixa de mentiras! – Tirou sua mão. – Se você não a amasse, pra que queria que eu ajudasse você afastar ele e o Teb? E por que está casado com ela até hoje? E ainda tem um filho com ela.

— Tô vendo que você está por dentro das notícias. Bárbara, eu não amo a Maria, apenas preciso estar casado com ela.

— Precisa?

— É Babi, eu não estou casado com ela por que morro de amores por ela, mas porque quero vingança.

— Vin... Vingança? Como assim Sérgio?

— Eu acho que posso confiar isso a você Babi.

Sérgio compartilhou com Babi o motivo de ter se casado com Maria, e ter entrado naquela casa e naquela família, que não fora um mero acaso.

— Eu... Sérgio... Como você... Eu não tenho palavras pra... Eu não sei o que dizer.

— Não diga nada, a única coisa que quero é saber se você está do meu lado.

— Você quer que eu seja sua cúmplice na vingança contra os Fernandes? Mas, de uma forma ou de outra, o Teb também está incluído nessa vingança, já que ele é filho do Enrico, e pelo que você falou, o Enrico e a Cecília são os culpados.

— Eu não faço nada com o Estêvão, se essa é a sua preocupação.

— Não sei, não sei Sérgio, isso não é certo.

— Então foi certo o que esses dois fizeram?

— Não, também não foi! Mas fazer justiça com as próprias mãos nunca deu certo!

— Eu prometi isso ao meu pai, e vou cumprir Babi, com ou sem você, mas sem você, não posso garantir a segurança do Estevão.

Babi se calou, não sabia como agir diante da confissão de Sérgio, e do pedido do mesmo, mas, de certa forma, a segurança do seu amado Teb, dependia dela.

****

Mais tarde​, Maria havia ido até a lanchonete espairecer, precisava botar seus pensamentos no lugar, e como sua mãe dissera, rever seus conceitos.

— Olá! – Estêvão apareceu onde ela estava sentada. – Posso saber o que uma mulher tão bonita faz aqui sozinha?

— Esperando que certo alguém se convide para acompanha-la. – Sorriu.

— Posso?

— Deve!

Ele se sentou a sua frente.

— Posso saber o que se passa nessa cabecinha?

— Tô dando tanta pinta assim?

— Percebi de longe que você não está com aquele sorriso que eu adoro

— Não faria muito sentido eu ficar sorrindo sozinha San Roman.

— Você entendeu né!

— Entendi seu bobo, só tô brincando contigo.

— Mas o que foi que houve?

— Ah, tô meio mal, tive uma discussão com a minha tia, e acho que ela não merecia escutar o que escutou de mim.

— E discutiram sobre o que?

— Segredos! – Riu.

— Deve ter sido algo quente, pra você falar o que não devia. Mas não deixa que essas coisas mude o que você sente pela sua tia, se ela escondeu algo de você, ou de quem quer que seja, ela teve os motivos dela Maria, mas não deixa isso mudar a relação de vocês duas, que por sinal, eu sempre achei muito bonita, uma verdadeira relação de mãe e filha.

— É San Roman, acho que você tem razão, eu vacilei com ela, e nada mais justo que eu pedir desculpas. Mas será que ela vai me desculpar?

— Não tenho dúvidas disso, Fifi não é do tipo de pessoa que guarda mágoas.

— Também acho que não.

Ela fitou seus olhos nele, e sorriu.

— Que foi?

— Interessante que minha mãe me disse a mesma coisa e Lívia também, mas as suas palavras foram diferentes, sei lá, eu não sei explicar.

— Sabe qual o nome disso? Amor! – Disse de forma descontraída.

— Você não perde o senso de humor né?

— Quem disse que eu tô brincando?

— Ehh... Eu vou subir, Lívia deve tá me esperando, e, obrigada San Roman, pelas palavras, eu vou seguir seu conselho. – Se levantou.

— Não precisa agradecer – foi até ela se ficando de frente para ela – eu sempre vou te ajudar, se puder, mas principalmente, se você estiver se sentindo sozinha, e quiser me ligar, eu estarei a sua disposição. – Sorriu travesso.

— San Roman, não me obrigue fazer algo que eu não devo fazer aqui e agora.

— Pois fique a vontade.

— Eu vou subir tá, qualquer coisa te ligo. – Piscou e saiu.

****

Já era noite, e como costume, a casa estava silenciosa. Maria havia ido para o apartamento de Lívia após o trabalho, Fifi cuidava de Enriquinho, e Cecília estava em seu quarto.

Sérgio também havia acabado de chegar em casa, e foi à procura de Maria, mas não a encontrou, o que o levou ao quarto de sua amada sogra. Cecília se assustou com a entrada repentina de Sérgio em seu quarto, e acabou escondendo algo que tinha em mãos.

— O que você tá escondendo aí? – Se aproximou dela.

— Coisas do passado, ou seja, não te dizem respeito. – Se virou de costas para ele.

— Você anda tão misteriosa Ciça – a abraçou por trás – e isso me atrai mais ainda em você – beijou seu pescoço – sabia que eu tô com saudade de nós dois?

— Sérgio, isso não é certo – tentava se afastar – você é o marido da minha filha!

— Ah Ciça, desde quando você se importa com isso? Ou se esqueceu sempre fomos mais que amigos? Antes mesmo de me casar com sua filha? – Depositava beijos em seu pescoço e orelha.

Ele a virou de frente, e a beijou. Cecília tentou evitar a princípio, mas tremia nos braços do genro, em contrapartida, Sérgio sabia que a tinha em suas mãos, já que Cecília sempre tivera uma atração sem limites por ele.

— Sérgio – se afastou bruscamente dele – isso não tá certo. – Limpou sua boca.

— Engraçado que você nunca reclamou, e agora tá fazendo doce né?

— Isso já passou dos limites, eu não quero mais nada contigo! Já devíamos ter parado com isso há tempos! E além do mais, faz quanto tempo mesmo que você não me procura? Pois é, eu não sou seu brinquedinho! Agora saia do meu quarto, e não me procure mais!

— É assim? Quero ver​ quando sua filhinha souber disso!

— Vai lá e conta pra ela! Você tem mais a perder que eu seu estúpido, agora some da minha vista!

Sérgio a olhou com raiva, se virou e saiu. Cecília, pela primeira vez desde que se conheceram, negara fogo. Seria uma nova versão de Cecília?

****

Já era tarde, mais precisamente a hora de se retirarem, aliás, todos já estavam em seus aposentos. Maria chegara em casa, e quando entrou em seu quarto, viu sua tia colocando Enriquinho pra dormir. Ela foi até onde sua tia estava, e ficou admirando o filho adormecido.

— Me dá um sentimento tão bom ao vê-lo assim, parece que eu não tenho problema nenhum. – Sorriu, e não olhou a tia. – Sabe tia – cobriu o pequeno e se virou para tia – pensei muito, e acho que eu te devo desculpas por mais cedo, não devia ter falado com você daquela forma.

— Não se precisa se preocupar com isso minha flor – segurou suas mãos – eu não gosto que você me peça desculpas, você agiu pela emoção do momento.

— Claro que devo tia, fui injusta com você, e muito rude. Você teve seus motivos pra esconder essa história da gente, e eu não tinha direito de agir como uma idiota.

— Esquece isso meu amor, eu jamais guardaria rancor de você.

— Então me dá um abraço? – Sorriu-lhe.

— Todos!

Maria se jogou nos braços da tia, e mais uma vez se sentiu a pessoa mais segura do mundo, pois era essa segurança que sua tia lhe passava. E Fifi a abraçou como abraçaria um filho, sem ressentimentos, pois sabia que não faria nenhum sentido ter um sentimento negativo em relação à Maria, sua Maria.

Continua...