Flores De Maio

26 Por Te Amar Assim


Notas iniciais
Capítulo feito para o mô da minha vida, minha vaquinha Jéssica Martins, que trocou de idade. Minha inspiração, capítulo é todo teu mô!!! ♥ ♥ ♥

Você ficou em mim

dentro de minha alma

feito uma tempestade

que nunca se acalma

amor que me pegou

de um jeito inesperado... – Marlon e Maicon

****

Os dias foram passando tranquilamente, sem mais turbulências. Fifi e Maria voltaram a ser quem sempre foram, e se esqueceram do que houve, quer dizer, sua tia lhe deu explicações mais detalhadas sobre o ocorrido, e Maria fora adulta, e soube compreender. Mas ainda ficara com uma pulga atrás da orelha sobre Cecília, que não mais havia tocado no assunto, mas estava deixando todos intrigados com sua mudança. Seria real essa tal mudança?

— Teb? Tá indo pra onde? – Babi lhe perguntou quando o encontrou na rua.

— Pra empresa, tô indo trabalhar, por que a pergunta Babi?

— Teb, por que você não se afasta dessa família, sai dessa empresa, sai daqui também e vai pra outro lugar? – Estava desesperada.

— Eu hein Babi, eu não tenho porque fazer isso. Tá acontecendo alguma coisa que você queira me contar?

— Não Teb, apenas se cuida, nem todos são quem a gente pensa que é.

— Sobre o que você tá falando Babi?

— Não é nada, só toma cuidado tá.

Ela saiu andando, com um olhar triste, enquanto Estêvão a olhava sem entender o porquê daquilo tudo.

****

Aquela Essência.

— Maria? – Estêvão bateu a porta do laboratório, porém não entrou, pois não estava devidamente paramentado para entrar no local de manipulação.

— Só um minutinho San Roman! – Ela respondeu de dentro da sala.

Depois de uns dois ou três minutos, ela apareceu na porta, já sem o jaleco e o restante dos EPIs.

— Em que posso ajuda-lo? – Sorria.

— Me acompanhando para o almoço, feito por mim, é claro!

— Nossa, que honra! Dessa forma, não tem como não aceitar!

Os dois iam andando em direção ao estacionamento, ainda conversando.

— Maria, eu tava pensando numa coisa, você já conseguiu terminar aquele perfume que você e Lívia estão há séculos desenvolvendo?

— Não. – Riu. – Ainda não chegamos num resultado satisfatório, parece que tudo que a gente faz, é em vão.

— Você já tentou com a flor de maio? Já que é a sua preferida.

— Não, na verdade a gente nunca pensou na flor de maio, mas vou falar com a Lívia, quem sabe não dê certo.

Os dois entraram no carro de Estevão, e colocaram o cinto de segurança.

— San Roman, você viu o Sérgio por aqui hoje?

— Não, acho até que ele não veio pra cá, por quê?

— Não, não é nada. Vamos?

— Vamos! – Sorriu.

Assim que chegaram à casa de Estêvão, ele começou os preparativos para o almoço, e dessa vez Maria o ajudou, ou atrapalhou? Enfim. E a comida estava pronta.

Maria se deliciava com aquela comida, Estêvão sabia muito bem como usar as mãos, no bom sentido, é claro.

Conversa vai, conversa vem, e logo os dois já estavam aos beijos. Era de se esperar, eles eram como fogo e gasolina, eh, Estêvão sabia bem usar as mãos, no bom sentido, claro;).

— San Roman – estava afobada – aqui não, a Aninha pode chegar a qualquer momento.

— Não precisa se preocupar, ela não chega a essa hora. – A beijava, de modo que ela já estava sucumbindo.

— San Roman, aqui não! – Se afastou dele.

— Tudo bem – estava decepcionado – é melhor voltarmos pra empresa.

— Ei, espera! – Segurou seu braço. – Eu disse aqui não, mas não quer dizer que não possamos ir a outro lugar.

— É isso mesmo que tô pensando Maria? – Sua fisionomia ficou como de uma criança que acabara de ser presenteada.

Ela sorriu. Ele entendia o que queria dizer aquele sorriso.

****

Não demorou muito para que eles chegassem a um motel. Não sabiam se era um sonho, ou uma miragem estar nos braços um do outro depois de tanto tempo, e das coisas que viveram.

Por te amar assim, a felicidade é o meu castigo
Será que tanto amor pra mim é proibido
Estou morrendo aos poucos por sonhar contigo.

— Eu não tô sonhando Maria? – Ele perguntou. – Me belisca pra eu ter certeza que não tô sonhando! – Ele a abraçava por trás, beijando sua nuca e inalando o seu cheiro.

— E tudo verdade meu​ amor, nós estamos aqui, e esse momento é nosso. – Dizia com os olhos fechados, sentido o prazer de tê-lo ali consigo.

Você ficou em mim dentro de minha alma
Feito uma tempestade que nunca se acalma
Amor que me pegou de um jeito inesperado.

Era um sonho? Não, era tudo real. Ele tomou seus lábios com pressa, não queria perder mais tempo, a única coisa que desejava, era sentir a sua mulher em seus braços, e ama-la como jamais antes. E não foi muito difícil, pois esse também era o desejo dela.

Teu nome é um grito preso na garganta
Te vendo acompanhada parecendo santa
E eu querendo ser quem está do seu lado.

Não demorou para que suas roupas estivessem espalhadas pelo quarto. Ele a olhou nua, queria se recordar de como era, mas não precisava, ele sabia que jamais esquecia de nenhum detalhe que fosse aquele corpo. Ele sorriu, e continuou a sua missão.

Será, do jeito que você quiser assim será
Mesmo que toda vida eu tenha que esperar
Eu ficarei guardado neste sentimento.

Ambos já se entravam na cama, e a mesma já estava completamente desarrumada. Estêvão beijava seu pescoço e sua orelha, pois sabia que esse era seu ponto fraco, e Maria gemia e se contorcia descontroladamente. Do pescoço ele desceu até seu seio, e o abocanhou com fúria, com certeza ficaria marca disso depois, e então ele chegou onde Maria queria, ele a torturou, e ela se derramou de prazer.

Assim vou caminhando numa corda bamba
E sigo as tuas marcas feito tua sombra
Preso nesse amor que eu quero noite e dia.

Eles estavam possessos de desejo e de paixão. Finalmente, Estêvão a penetrou. Ele fazia movimentos rápidos e precisos, afinal, ele era o cara. Maria gemia sem parar, não conseguia se conter, e para Estêvão escutar aquilo, era como música para seus ouvidos.

O tempo vai passando como vento forte
E eu aqui largado a minha própria sorte
Contando os segundos pra você ser minha.

Após idas vindas, entra e sai, os dois chegaram ao extremo prazer. Ele a olhou, e antes de se jogar na cama, a beijou apaixonadamente.

Por te amar assim, desejo a tua boca sem poder beijá-la
Desejo a tua pele sem poder tocá-la
E queimo de vontade a cada madrugada.

— Maria – suspirou a olhando – minha Maria! É tão bom te ter aqui nos meus braços, pensei que isso nunca mais aconteceria, sabia?

— Eu acho que, mesmo se não quiséssemos, seria difícil, íamos acabar cedendo, esse é o nosso destino San Roman.

— Ah, obrigada vida – olhou para o teto – não tinha pessoa melhor pra você colocar no meu caminho! – Falava alto.

— Shiiii – colocou o indicador nos seus lábios – fala baixo seu louco! – Ria.

— Eu sou louco sim, louco por você Maria Cristina Fernandez!

Ele colocou seu corpo sobre o dela, e se beijaram até perderem o fôlego.

— Nós não vamos voltar à empresa não? – Ela perguntou.

— Por mim, eu ficaria o dia inteirinho contigo aqui.

— Eu também queria, mas...

— Mas...

Eles ficaram em silêncio por breves minutos, até que Maria se sentou na cama, com o lençol a cobrindo, enquanto Estêvão a olhava atento.

— Sabe San Roman – ela se sentou de modo que ficasse de frente para ele – tem uma coisa que não saiu da minha cabeça nesses dias.

— Sobre o quê?

— Essa história da minha tia com meu pai, da minha mãe com Enrico, e uma coisa não fez sentido. Se o Enrico e minha mãe se gostavam na época que ela se casou com meu pai, por que então eles se odiavam depois que se casaram? Porque eles brigavam todo o santo dia, e não escondiam de ninguém o quanto se detestavam.

— É, isso não faz muito sentido.

— E o que foi que minha mãe fez em nome deste amor? Bom, pelo menos sua mãe ela não matou né?

— Não, minha mãe morreu doente.

— Pois é, e essas coisas ficam matutando na minha cabeça dia e noite. Eu preciso achar respostas Estêvão, eu preciso saber o que aconteceu, eu preciso entender porque o Enrico me pedia perdão, porque se ele me pedia perdão, quer dizer que aí tem, e tá bem debaixo dos nossos olhos. – Gesticulava enquanto falava.

— Por que você não pergunta pra sua mãe?

— Ah, claro, e com certeza ela vai me dizer tudo. – Foi um tanto irônica. – Elas só me contaram a história dessa filha da minha tia, porque eu ouvi uma parte da conversa e coloquei as duas na parede, porque senão, estaria até hoje sem saber disso, e morreria sem saber.

— Então não faço a menor ideia do que você pode fazer. O Enrico não vai voltar pra te contar o que tem ser dito.

— É... – Disse desapontada. – Por que ele não me disse em vida?

Com essa ponta de tristeza no olhar​, os dois se levantaram para se arrumarem e voltarem para a empresa. Eles já iam sair do quarto, quando de repente...

— Espera San Roman! – O puxou de volta ao quarto.

— Que foi Maria? O que aconteceu? – A olhou sem entender.

Ela não o respondeu, apenas abriu cuidadosamente a porta, para que ele visse com seus próprios olhos, aquela bela cena.

— Eu não acredito nisso! A Babi e o Sérgio?

— Eu não sei por que ainda fico surpresa – riu desacreditada – mas dessa vez eu vou rir por último maridinho.

— Do que você tá falando?

Maria não o respondeu, apenas tirou seu celular da bolsa, e discretamente, tirou fotos bem comprometedoras do “casalzinho”, o que ela ia fazer com aquelas fotos? Só Deus sabe.

— Alô, Lívia?

Oi Maria, diga!

— Me escuta bem, eu vou te mandar umas fotos, e quero que você faça o que você sabe fazer de melhor, e manda pra todos os sites, jornais, quero essas fotos bombando amanhã, me entendeu.

Tá, entendi, mas que fotos são essas?

— Você já vai saber.

Ela desligou o celular, e mandou as fotos para a amiga, que, com certeza, ficara chocada, assim como ela e Estêvão.

— E agora? – Ele perguntou temeroso.

— A gente vai sair daqui, e fingir que nunca ouvimos falar desse lugar, age naturalmente.

— E isso não vai ficar ruim pra você depois?

— Não, em todo caso, nós nunca estivemos aqui, agora vamos.

****

No dia seguinte, todos estavam em volta da mesa, tomando o café da manhã, para irem aos seus afazeres, e estavam até conversando descontraidamente, menos Sérgio, que dia após dia, se distanciava da família.

— Bom dia – disse a empregada – senhor Fernando, aqui está o seu jornal. – Entregou o jornal a ele.

— Ah, obrigado. – Fernando agradeceu com um sorriso.

— Com licença. – Ela se retirou.

Eles ainda permaneceram conversando, enquanto Fernando folheava as páginas do jornal.

— Hum, não tem nada de interessante nesse jornal, só as mesmas coisas de sempre: um policial foi morto numa troca de tiros, assalto no bando do centro da cidade faz duas vítimas, meu time perdeu de novo...

— Bom Fernando, desde que eu me conheço por gente, seu time só perde. – Disse Maria brincando.

Todos na mesa riram, menos Sérgio.

— Espera um instante! – Ele deixou sua xícara na mesa, e fitou os olhos numa página do jornal. – Nunca a página de fofoca foi tão interessante. – Riu surpreso.

— Do que você tá falando Fernando? – Perguntou Cecília enquanto passava geleia de amora em sua torrada.

— Sérgio Acuña, o atual cabeça da maior empresa de perfumaria do país, Aquela Essência, foi visto saindo ontem do motel, ao lado de uma bela mulher, que por sinal, não era sua esposa. – Leu pausadamente olhando as fotos bastantes íntimas dos dois.

Sérgio quase teve um infarto quando ouviu isso. Em questão de segundos, ele sentiu todos os olhos da mesa voltados para ele, menos de Enriquinho, já que um biscoito com cara de bichinho tinha roubado sua atenção.

— Desculpa cunhado, só li o que estava escrito. – Disse Fernando num tom de deboche.

— Me dá esse jornal aqui! – Tirou o jornal das mãos dele com raiva e começou a ler a matéria.

Todos ficaram em silêncio.

— O que você tem a dizer em sua defesa Sérgio? Porque eu tenho certeza que essa mulher do jornal não sou eu, até porque não vou a um motel há séculos. – Dissimulou Maria.

— Não é nada disse que vocês estão pensando!

— Ah não?! – Protestou Fifi. – Na minha época, ir a um motel com uma mulher que não é a sua, era considerado adultério, mas hoje em dia as coisas andam tão diferentes, talvez nem seja mais errado.

— Maria meu amor, me deixa explicar, isso aqui é um equívoco! – Segurava as mãos de Maria.

— Equívoco Sérgio – soltou sua mão da dele – foi eu ter me casado com você. Eu não vou fazer a louca, e nem gritar histérica, mas eu não passo mais um dia casada com você, eu não vou continuar sendo feita de idiota por. Eu não posso te expulsar desta casa, porque só a minha pode fazer, mas não existe mais casamento, e nada, exatamente nada – aumentou um pouco a voz – do que você disser, vai mudar a minha opinião. – Se levantou para sair da mesa.

Maria já estava quase fora do cômodo, quando ouviu sua mãe dizer algo.

— Eu não quero que você fique mais um dia nesta casa Sérgio! – Todos olharam para Cecília, Maria parou na porta e arregalou os olhos. Ninguém acreditava no que Cecília estava dizendo. – Eu não quero que a minha filha tenha o desprazer de te ver aqui. Você preferiu assim, e quanto à empresa, você também não faz mais parte, então, o quanto antes você sair, será melhor pra todos. – Disse ela séria.

— Você tem certeza do que você tá falando Ciça? – Disse num tom ameaçador. – Você quer mesmo que eu saia desta casa?

— Eu nunca volto atrás Sérgio. Espero que ao meio dia, suas coisas não estejam mais aqui, senão, quando for meio dia e um, elas estarão no lixo, espero que estejamos entendidos.

Numa fração de segundos, todos tinham perdido a fome. Sérgio saiu daquela casa com ódio no olhar, Maria e Cecília se arriscaram, cada uma da sua maneira. Se Sérgio falasse a verdade sobre a relação entre ele e Cecília, ela não teria muito a perder mesmo, mas Maria? Agora sim ela estaria pagando para ver, mas não estava disposta a voltar atrás como da outra vez, e talvez até merecesse um prêmio por isso.

****

Aquela Essência.

Algumas coisas ainda precisavam serem acertadas.

— Oi Lívia!

— Fernando? – Se virou e o olhou, não era a pessoa que ela queria ver naquele momento. – Maria ainda não chegou, se acaso você veio procura-la.

— Na verdade eu vim pra falar com você, acho que temos um assunto pendente.

— Você está enganado – riu – não temos nenhum assunto pendente. Eu acho que, quando fui falar com você, você me destratou, ou não se lembra disso?

— Eu me lembro muito bem Lívia, e fui um estúpido por ter agido daquela forma contigo. Lívia – segurou sua mão – eu não fui o mesmo depois de você, será que não podíamos dar uma chance pra gente? Nossa filha, nossa Acsa precisa de uma família de verdade!

— Nossa filha? – Soltou sua mão da dele. – Agora você diz nossa filha? Fernando, quando eu mais precisei de você, onde você estava? Não sei, mas isso não me interessa, e agora que já passou o período de ter que acordar de madrugada, de ter que levar ao médico, você vem como se nada tivesse acontecido? Não, agora sou eu que não quero!

— Lívia, você não pode agir como uma criança, nossa filha não pode pagar pelos nossos erros, eu quero tentar ser uma pai pra ela!

— Pelos teus erros, você quer dizer né, e não, não é criancice, é amor próprio, agora me dá licença.

Ela virou as costas e saiu. Fernando teria que ser muito insistente para reparar sua borrada, mas ele não iria desistir tão facilmente.

****

Maria não tinha nenhum ânimo para ir à empresa, mas já havia ligado, e avisado a Lívia sobre o acontecido, e Lívia por sua vez, avisou a Estêvão, e ambos eram só alegrias, mas nem tudo são flores. Cecília havia dito a Maria que ela seria a nova responsável pela empresa, e poderia fazer qualquer coisa, sem se preocupar em informá-la. E como nova responsável, Maria tirou o dia de folga.

Apesar de saber da infidelidade do marido, Maria se sentia mal, porque sabia que a amante dele já havia colocado os pés naquela casa, ela não podia imaginar que seria a Babi, a pessoa que ela menos gostava no mundo, sua rival.

Após vários suspiros, e algumas lágrimas detidas (ela não se permitira chorar por ele) ela foi até o antigo quarto de Enrico. Ela entrou, se sentou na cama, e lá ficou por um longo tempo. Tudo estava exatamente igual a como ele deixara, nada havia sido mudado. Depois de ficar olhando ao redor, ela começa a passear pelo quarto, olhando as coisas que ele gostava, as histórias que ele contava vieram em sua cabeça, aí sim ela se permitiu chorar.

Cada objeto que estava ali tinha uma história diferente, e ele compartilhava todas com ela, tudo ainda estava ali, intacto, os aviões colecionáveis, as revistas de carro, e até mesmo...

— A caixinha de música que eu dei pra ele no dia dos pais quando criança! – Ela ficou surpresa, não fazia ideia que aquela caixinha ainda existisse.

Agora sim ela desabou em lágrimas. Ela olhava aquilo, e se passava na sua mente o dia que ela havia dado ele. Ela abriu, e ainda tocava a música, mas o que deixou ela surpresa mesmo, foi algo que estava dentro da caixinha.

— Uma carta? – Ela tirou-a de dentro da caixinha. – Endereçada a mim? Enrico deixou uma carta pra mim? – Se perguntou surpresa com o coração na mão.

Seria esse o prêmio que ela estava merecendo?

Continua...

Notas finais
Espero que gostem, bjs!