Flores De Maio
9 Eu Te Desejo: Amor Sem Fim
Determinada flor é, em primeiro
lugar uma renúncia a todas outras
flores. E no entanto, só com esta
condição é bela. – Antoine de Saint-
Exupéry
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— Pensei que você tivesse desistido da herança! – Disse Cecília surpresa com seus olhos arregalados.
— Eh, eu tinha sim senhora, mas ouvi algumas coisas que me fizeram voltar atrás. – Deu uma olhada discreta para Maria.
— Então isso sim é motivo para brindarmos! – Maria zombava deles. – Venha San Roman, vamos nos juntar a eles. – Se aproximaram deles, e pegaram uma taça de champanhe. – E pra você Aninha, um copo de suco.
— Oba! – Comemorou a pequena.
— O que estamos festejando? – Perguntou Fifi entrando no cômodo ao vê-los brindando.
— O filho do Enrico voltou atrás em sua decisão tia. – Disse Fernando seco.
— Que boa notícia! Também quero brindar com vocês!
— Então vem tia. – Estendeu o braço para que a tia viesse ao seu encontro. – San Roman, não precisa ficar tímido, a casa é sua, literalmente, nós que somos os intrusos. – Ria ao falar.
— É Estêvão Maria tem toda razão. – Reforçou Fifi.
— Hum, brigado. É tudo muito novo pra mim, mas eu vou me acostumar com isso.
— É fácil se acostumar com o luxo meu caro, em questão de dias você não vai querer outra vida. – Retrucou Sérgio.
— Bom San Roman, vou apresentar minha adorável família. – Debochou. – Essa é minha mãe Cecília – apontou – um amor de pessoa, você logo vai perceber isso, ah, ela adora que a chamem de Ciça – Cecília estava a ponto de pular em cima de Maria –; esse é meu irmão Fernando, às vezes ele é legal, mas isso depene de como ele dorme, se minha mãe canta cantigas de ninar pra ele, ele acorda super bem, mas se não, ele consegue ser bastante insuportável – ria –; essa é minha tia Fifi – a abraçou – a melhor pessoa desta casa, sem ironias, ela é mesmo; e por último, esse é Sérgio, meu marido. – Falou com menos empolgação do que deveria.
— Seu marido? – Ficou desapontado.
— Sim – disse Sérgio passando a mão em volta da cintura de Maria, deixando-a encabulada – ela é minha esposa, linda né!
— Deixa eu terminar as apresentações – se desgrudou dele – família, essa coisa linda aqui é a Aninha, filha do San Roman.
— Oi! – Sorriu. – Cecília, já que você foi esposa do meu avô Enrico, e eu não conheci a mãe do meu pai, eu posso te chamar de vó?
— V... V... Vó? – Gaguejou. – Isso é meio... Estranho, ninguém jamais me chamou de vó!
— Ela vai adorar Aninha! – Se meteu Maria.
Para Maria foi maravilhoso ver aqueles três com ’cara de Trakinas’, foi sensacional! Em poucos minutos, Estêvão e Aninha já estavam se sentindo em casa, e conversavam abertamente com Maria e Josefina sobre os perrengues que viviam, e sobre sua avó que acabara de falecer. Tinha momentos que ela pegava Estêvão analisando-a, sua vontade era perguntar o porquê de ele a olhar tanto, mas ficou quieta. Ela saiu do meio deles para colocar sua taça na mesa, e foi surpreendida por sua mãe, que segurou seu braço com tanta força, que com certeza ia ficar marcas dos seus dedos em sua pele.
— O que você acha que está fazendo? – Foi agressiva, mas discreta.
— Me solta sua louca! – Se soltou. – Eu não estou fazendo nada de mais, apenas sendo hospitaleira com os novos donos da casa, só isso.
— Deixa de ser cínica Maria, e para com esse joguinho!
— Por que? Tô adorando ver a cara de vocês mãe, isso não tem preço. – Riu. – Agora me dá licença.
Aquela casa se ficou silenciosa, um silêncio jamais ouvido, os novos moradores não falavam muito, pelo menos não ainda. Fifi fez o favor de acompanhar Estêvão até seu novo quarto, depois de mostrar-lhe toda a casa, ela estava amando isso, e mais ainda a presença do garanhão, esse lado assanhado de Fifi era desconhecido de muitos. Maria ajudava Aninha a se instalar em seu novo quarto, ela tinha tão pouquinha coisa, que Maria conseguia imaginar com era suas vidas antes dali.
— Maria, esse quarto é quase do tamanho da minha outra casa – se jogou na cama – é gigante!
— Fico feliz por estar gostando – se sentou na cama – mais tarde podemos sair e comprar umas coisas pra você, roupas, brinquedos, percebi que você não tem muitos.
— Não – se sentou – nossa vida lá não era muito farta, entende.
— Na verdade eu não entendo muito bem Aninha. Eu sempre tive uma vida arregada, por isso não sei o que é querer alguma coisa e não ter.
— Sua infância deve ter sido muito boa, né?
— Eu tive tudo o que eu quis, menos o carinho da minha mãe, meu irmão e eu vivíamos brigando. Aninha, minha infância não foi a das melhores.
— Olha – foi até sua pequena mala, e começou a procurar algo – eu tenho uma boneca só, mas eu amo ela! – Pega a boneca e volta para a cama. – Eu tenho ela desde pequena, o nome dela é Adriana, linda né?
— Sim, é linda! Mas por que se chama Adriana?
— Ah, é o nome da minha mãe, ela é linda, e eu sou a cara dela.
— Se você for parecida com ela, ela deve ser linda mesmo. – Disse um pouco desapontada, o mesmo desapontamento que Estêvão sentiu ao saber que ela era casada. — Aninha – se levantou – eu vou resolver umas coisas, e volto depois para irmos as compras.
— Tudo bem. – Respondeu apesar de estranhar sua saída repentina.
Ela havia ficado incomodada pelo fato de Aninha falar de sua mãe, mas não entendera o porquê, se ela estava ali, com certeza tinha uma mãe, e mais cedo ou mais tarde essa mãe seria citada, mas para ela, foi citada cedo demais.
Sim, seu lado desastrada vira à tona. A porta do quarto de Aninha estava meio aberta, e mais uma vez, quando ia sair, tropeçou, e adivinha?! Caiu nos braços de Estêvão. Seria isso obra do destino? Dessa vez ela ficou vermelha como um caqui, e ele sorria para ela, e que sorriso era aquele? Ela não desejava sair de seus braços, mas, cuidadosamente, ele a soltou.
— Tô começando achar que você faz isso de propósito. – Sorria, fazendo-a ficar mais vermelha ainda.
— Então continue achando, pois dessa forma, jamais chegarei ao chão. – Entrou na brincadeira. – Obrigada mais uma vez, com licença.
Apesar de seus pés quererem traí-la, eles a obedeceu, e a tirou rapidamente de perto dele. Por que ficara tão nervosa com a sua presença?
Ele ficou olhando-a até que virasse o corredor, depois entro no quarto, de verdade, e viu aquele par de olhos verdes encarando-o com uma cara engraçada.
— Que foi? Que cara é essa?
— Pai, me responde uma coisa.
— Fala. – Se sentou de frente para ela na cama.
— Sua decisão de vir pra essa casa tem a ver com ela?
— Ah garota, vai catar coquinho! – Pegou um travesseiro e jogou nela, eles riam.
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Maria estava ansiosa para desabafar o que acontecera em sua casa com alguém, e sabia que não melhor pessoa para fazer isso do que Lívia. As duas se encontraram em uma lanchonete para colocar a fofoca em dia.
— Maria, que história mais louca é essa que você tá me contando!
— Pois é Lívia, foi uma surpresa pra todo mundo, ninguém podia imaginar isso.
— Enrico safadinho né, soube esconder bem o filho.
— Eh, quer dizer, eu não entendi bem essa história, mas muita água ainda deve rolar, essa história tá muito mal contada. Ah, mas o melhor não foi isso, o melhor foi a cara de — Essa eu queria ver, Ciça perdendo seu trono, daria tudo pra estar lá. Ah Maria, por que você não filmou?
— Porque eu não sabia que ia acontecer uma coisa dessas, mas foi maravilhoso, lavei a alma!
— E como é o filho do Enrico?
— Ah, eu falei pouco com ele, mas parece ser uma pessoa boa.
— Não é disso que eu tô falando Maria, e você sabe, eu quero saber se ele é bonito, pegável!
— Eu acho que sim. Ah Lívia, eu não fico reparando as pessoas como você, sua tarada! — Riu.
— Eu não sou tarada, apenas aprecio as coisas boas da vida.
As duas ainda ficaram conversando por um tempo, depois Maria foi para casa. Chegando lá, nada anormal, sua mãe conversando com Sérgio, Fernando não estava em casa, Aninha brincando com sua boneca e Fifi e Estêvão jogavam algum tipo de jogo de cartas, eh, eles estavam se dando muito bem.
Maria e Estêvão não se falaram mais naquele dia, mas ela ainda ficava envergonhada quando se cruzavam pela casa, ela pensava que ele a achava uma destrambelhada, sem noção.
E finalmente, a hora de dormir, era o que ela precisava, pois desde a morte de Enrico, vinha dormindo mal.
— Ainda não engoli essa história do Enrico. – Dizia Sérgio enquanto tirava sua roupa. – Como assim, ele escondeu algo tão importante da gente?
— Ele preferiu assim, decisão dele ué. – Ela passava creme em suas pernas de forma sensual. – Eu também fiquei surpresa.
— Temos que fazer alguma coisa pra pegar nosso dinheiro de volta.
— Nosso dinheiro? Não existe nosso dinheiro Sérgio. Enrico destinou esse dinheiro a uma pessoa, e assim que tem que ser feito!
— Nós pensamos muito diferente Maria, você deveria ficar do nosso lado, do lado mais forte.
— Por favor, não vamos começar a discutir sobre isso. Posso ser frágil, mas nada e ninguém muda o meu jeito de pensar! – Foi ríspida.
— E é isso que me atrai em você! – Se deita por cima dela, fazendo carícias.
— Ah não Sérgio, tô cansada, hoje não. – Tentava tira-lo de cima dela.
— Hoje você pode usar todas as desculpas que quiser, que eu não vou aceitar. Hoje você vai ser minha Maria!
Pela sua vontade, ela o empurraria e sairia gritando por socorro, mas não podia, pois a chamariam de louca. Detestar era pouco, ela odiava quando Sérgio a tomava como mulher, se sentia suja, como um objeto, mas cumpriria seu papel, torcendo para que aqueles minutos intermináveis acabassem logo.
Após chegar ao ápice do prazer, ele se deitou ao seu lado, e logo pegou no sono, e como tinha um sono pesado, ela foi até o banheiro e tomou um banho demorado para ver se conseguia tirar o cheiro dele de si. Ela carregaria um arrependimento até sua morte por ter se casado com ele, pois não o amava e sabia que era recíproco, ele apenas a exibia, e isso a tirava do sério. O único desejo do seu coração, era ser amada de verdade, só isso.
Dia seguinte.
— E então Estêvão, como está sendo sua estadia nesta casa, a sua casa? – Perguntou Cecília, como se isso realmente lhe importasse.
— Boa, tô me acostumando, mas com certeza vou sentir falta do meu pessoal, brigado por perguntar Ciça.
Se corroeu por dentro, não gostava de ser chamada de Ciça.
— Isso logo vai passar, daqui a pouco você os esquece. – Disse Fernando indiferente enquanto tomava um xícara de café.
— Pessoas que gostamos não esquecemos tão fácil Fernando. – Concluiu Fifi.
— Concordo plenamente tia.
— Podemos organizar uma festa, assim você começa a se acostumar com o nosso círculo de amigos, o que acha?
— Oba vó, festa! – Festejou Aninha.
Se corroeu mais ainda ao ouvir Aninha chamando-a de vó.
— Isso Cecília, festa é uma ótima ideia! – Disse Sérgio compartilhando do plano de Cecília.
— Sim, seria – disse Maria – e você poderia convidar todos os seus amigos San Roman. Nossa mãe – a olha – a senhora me surpreendeu agora!
— Os amigos? – Ficou desapontada ao imaginar como deveriam ser os amigos de Estêvão.
— Eu poderia convidar todos meus amigos do morro? – Perguntou sorridente.
— Claro que sim, seria maravilhoso!...
Continua...
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