Flores De Maio

29 Essa Realidade Se Tornou Durante Demais


Notas iniciais
Mais um capítulo!!! Mil desculpas por demorar pra atualizar, é que prometi a mim mesma que só atualizaria qnd terminasse minha parte de outra história, e consegui, mas prometo não demorar no próximo.

É só você que me provoca essa
saudade vazia
tentando pintar essas flores com
o nome
de “amor-perfeito”
e “não-te-esqueças-de-mim”. – Renato Russo
****

Aquelas foram as últimas palavras que Maria dissera antes que sua pressão despencasse, e ela desmaiasse. Talvez por obra do acaso, Estêvão também havia chegado em casa, e procurando sua amada, a encontrou caída e desacordada no escritório, e se desesperou.

****

Já havia se passado alguns minutos desde que Maria perdeu a consciência, e isso estava deixando Fifi e Estêvão preocupados, tão preocupados que já haviam ligado para um médico, que por sua vez, ainda não havia chegado.


— Meu Deus, que demora é essa desse médico – dizia Fifi caminhando de um lado a outro – e ela que não acorda, eu tô com medo Estêvão! – Seus olhos se encheram de lágrimas temorosas.


— Por favor Fifi, não pense o pior.


Eles ficaram em silêncio por poucos segundos, e por fim, Maria deu indícios de iria acordar.


— Olha Fifi, ela tá abrindo os olhos! – Disse Estêvão entusiasmado.


— Que maravilha! – Exclamou. – Eu vou buscar um copo d'água pra ela.


— Isso.


Fifi saiu, e Estêvão pôs-se a ajudar Maria se recompor.


— Ai – ela dizia tentando se sentar na cama, com a mão na testa – minha cabeça dói, o que foi que houve?


— Você não se lembra de nada meu amor?


— Não – fez uma pausa – espera, eu tô me lembrando. Estêvão, cadê a carta? Onde ela está Estêvão? Cadê ela? – Estava inquieta, e tentou se levantar, mas Estêvão a impediu.


— Ei, calma, eu tô com a carta, senta aqui, você ainda não está 100%.


— No meu lugar você também estaria assim, ou até pior. – Se ajeitou novamente na cama.


— Mas o que diz nessa carta?


Fifi entrou no quatro trazendo um copo com água.


— Meu amor – entregou o copo a Estêvão, e abraçou fortemente – como você tá? – Segurou seu rosto. – Eu fiquei com medo minha flor, que susto você nos deu! – A abraçou novamente.


— Calma tia, eu tô bem, foi só uma queda de pressão, só isso, não precisa ficar preocupada. – Lhe sorriu.


— Toma meu amor, bebe um pouco de água. – Estêvão entregou o copo a ela, que bebeu em dois tempos.


— Obrigada, eu estava mesmo com sede. Cadê o Enriquinho? – Olhou para os lados.


— Tá com a Aninha no jardim. – Sua tia respondeu. – Será que esse desmaio significa outro bebê a caminho? – Ela perguntou com um sorriso de orelha a orelha.


— Não tia! – Ela respondeu de pronto. – Eu não tô grávida, foi só minha pressão que caiu, só isso, nada mais.


— Só acredito com um exame me provando – sorria – mas daqui a pouco o médico chega, e vai nos esclarecer o que houve.


— Eu tô bem tia, não preciso de médico, liga e cancela, por favor.


Sua tia a olhou de soslaio.


— Sério tia, eu tô me sentindo bem, se por acaso me sentir mal de novo, eu procuro um médico, prometo.


— Tudo bem então, vou confiar, tô vendo que você tá melhor mesmo, então vou dar uma olhadinha nos dois lá no jardim. – Ela deu um beijo em seus cabelos, e saiu.


Estêvão e Maria observaram Fifi, até que fechasse a porta, e olharam um para o outro.


— E então, o que foi que Enrico disse nessa carta que fez você ficar como ficou?


— Você não vai acreditar, eu tô sem acreditar até agora.


— Maria, eu tô ficando com medo, diz logo.

Ela respirou fundo, e procurou a melhor forma de dizer a bomba a ele.


— San Roman... O Enrico disse que eu sou filha dele. – Disse sem rodeios.


Estêvão ficou uns segundos em silêncio, tentando absorver o que ela acabara de dizer.


— Que isso Maria – deu uma risada – acho que você bateu a cabeça muito forte quando desmaiou – se levantou da cama onde estava sentado, e ficou de pé alguns metros a sua frente – Enrico não pode ser seu pai, senão... – Não conseguiu concluir.


— Senão nós dois seríamos irmãos. Se o que tiver escrito nessa carta for verdade, é isso que somos, irmãos, nós dois temos o mesmo sangue correndo em nossas veias.


— Não Maria, isso não pode ser possível, nós não podemos ser irmãos, a gente se ama, nós temos um filho juntos! Maria, nós não somos irmãos! – Se desesperou.


— Calma Estêvão! – Ela foi até ele. – Você acha que eu tô amando essa história? Foi o que Enrico disse nessa carta, ele ajudou minha mãe matar meu pai, por que ela estava grávida, e ele sabia que o filho que ela esperava era dele, as coisas agora fazem um pouco de sentido, ele se casou com a minha mãe porque eles tinham um filho juntos, ou melhor, uma filha.


— Não Maria, isso não pode ser verdade, tem que ter outra explicação, sua mãe não seria louca de deixar nós nos envolvermos sabendo que somos irmãos, Maria, isso não faz sentido!


— Minha mãe é louca San Roman, ela é capaz de tudo pra ter o que quer.


— Até mesmo permitir que dois irmãos se envolvam como a gente se envolveu? Isso não é certo – se sentou no chão, próximo aos pés da cama – Maria, eu te amo, eu não quero que sejamos irmãos.


— Ei – se ajoelhou a sua frente, e tocou sua face – eu não sei o que dizer, nem o que pensar, mas pela primeira vez na vida, eu não queria ser filha do Enrico, queria que essa carta fosse uma mentira.


— E se for verdade? Como nós vamos ficar? – As lágrimas caíram de seus olhos quando ele disse isso.


— Calma, a gente não pode se desesperar antes da hora, ainda tem mais uma carta certo – sorriu tentando fazê-lo sorrir também – mas se for verdade, a gente ver o que pode ser feito no nosso caso, quem sabe tem um adendo na lei, que nos favoreça, não sei, só não te quero com essa cara, me dói sabia?


— Tudo bem, não vamos nos preocupar antes do tempo. – Forçou um sorriso.


— Vamos ver onde Enrico escondeu a próxima carta, e tratar de procura-la logo, e vamos torcer pra que ele diga que se enganou, que eu sou filha do Rui, como sempre fui, é isso meu amor, ele se enganou, eu não sou filha dele, você vai ver só. Me dá a carta. – Ele entregou a carta a ela, ainda com uma tristeza no olhar. – Hum, vamos ver – passava os olhos pela carta – aqui está – lia – Flores de maio, sol de verão, a primavera está chegando é o fim da solidão, diz ainda que a gente conseguiu sobreviver à dor. – Ela o olhou sem saber o que dizer.


— O que isso quer dizer? – Perguntou confuso.


— Não sei. Parece tão óbvio, mas eu não consigo entender. Quando ouço “flores de maio” me lembro da estufa, mas não me vem a cabeça onde possa estar.


— É, talvez ele disse flores de maio, indicando a estufa, mas aquele lugar é enorme, como achar uma carta num lugar cheio de flores?


— Eh, não vai ser tão fácil quanto eu pensei que seria.


Os dois se olharam apenas, mas não disseram mais nada.

****

Eram por volta de 6:00 PM, os últimos raios de sol já começavama sumir, dando lugar às luzes noturnas da cidade.
Fernando ainda estava na luta pelo coração e perdão de Lívia, ele sabia que não ia ser fácil, pois sua amada tinha fortes motivos para odiá-lo, porém, ele não pensava em desistir tão cedo.


— Pronto, entregue e inteira! – Disse ele após colocar a pequena Acsa na cadeira no banco de trás do carro de Lívia.


— É, tô vendo que vocês estão se dando bem – ela olhou a filha, e fechou a porta do carro – eu fico feliz por isso, não queria que ela crescesse sem o pai. – Encostou na porta do carro.


— Eu também. Hoje foi um dia bem agradável, e nos divertimos muito, mas ela não parou de perguntar por você Lívia, acho que deveríamos fazer um programa nós três juntos, vai ser bom pra ela.


— Pra ela ou pra você? – Arqueou a sobrancelha. – Fernando, me escuta bem, não é porque eu tô te dando a chance de ter sua filha por perto, que você deva criar expectativas em relação a mim, a única coisa que temos em comum é a nossa filha, e mais nada, entendeu?


— Porque você prefere assim, pois por mim, poderíamos ser uma família feliz. – Ele tentou toca-la no rosto, mas ela afastou sua mão.


— É, poderíamos, se você não tivesse agido como uma babaca no passado, agora deixa eu ir, por que eu tenho mais o que fazer do que ficar dando atenção pra você, com licença.


Ela ia sair, mas ela a impediu, segurando seu braço.


— Lívia, por que você tá agindo dessa forma tão dura?


— Será que eu tô sendo injusta contigo, será que eu não tenho motivos pra agir assim? Agora me dá licença.


Ela se soltou bruscamente, entrou no carro, e saiu, deixando-o comer poeira.


— É Fernando, não vai ser moleza, mas você merece por ter sido um idiota. – Ele disse para si mesmo.

****

Após a notícia bombástica contida na carta, Estêvão e Maria tentaram agir da forma mais natural possível, como se nada estivesse fora do normal. Uma boa maneira de esquecerem essa história, era saindo de casa, e foi o que fizeram. Os dois passaram o dia fora com Aninha e Enriquinho, dessa forma foi possível conter um pouco a apreensão que pairava sobre a cabeça de ambos.
— Tô vendo que vocês aproveitaram bem o dia hoje, né? – Disse Fernando, que acabara de chegar. Eles estavam na entrada da mansão.


— É, fomos levar as crianças ao shopping, ficar o dia todo nessa casa é agoniante. – Respondeu Maria.


— Sei. Aí vocês deixaram os dois brincando, e ficaram de namorico, espertinhos vocês. – Disse ele brincando.


Estêvão e Maria se olharam, mas não disseram nada, porém ficaram sem graça com o comentário de Fernando.


— Que caras são essas?


— Não é nada Fernando, só estamos cansados, essas crianças acabam o pique de qualquer um. – Maria forçou um sorriso.


Os três já iam entrando, quando um policial os abordou, fazendo com que ficassem onde estavam.


— Boa noite! – Saudou o policial.


— Boa noite! – Os três responderam.


— Estêvão San Roman?


— Sim, sou eu, posso ajudar o senhor em alguma coisa?


— O senhor era amigo de Bárbara Martins, certo?


— Sim, nós éramos amigos desde muito tempo. – Maria ficou um pouco incomodada com o que ele disse.


— Então, encontrarmos um celular, que acreditamos que era dela, e segundos antes de ser assassinada, ela deixou uma mensagem de voz para o senhor.


O policial colocou a mensagem para tocar: Teb, você precisa se afastar da Maria, você tem se que se afastar dessa família, Sérgio quer se vingar de todos, por favor Teb, você e a Aninha estão correndo perigo se continuarem tendo contato com qualquer um naquela cas... Sérgio?! (Barulho de tiro.)


— Meu Deus, esse homem é um monstro! – Disse Fernando boquiaberto.


— O senhor não recebeu essa mensagem, certo?


— Não, eu mudei meu número dois dias antes, e acabei esquecendo de dar o número novo pra ela. Coitada, ela não merecia ter morrido dessa forma, ainda tentou me avisar. – Sua tristeza foi logo notada.


— Já não tem mais dúvidas, foi Sérgio que matou a Babi. – Comentou Maria.


— Sim, ela sabia do motivo da vingança dele. Ele já está sendo procurado pela polícia, vocês devem tomar cuidado, porque, provavelmente, ele vai voltar pra cumprir essa tal vingança. Vou deixar alguns policiais como segurança, e qualquer suspeita de onde ele esteja, por favor, entrem em contato. Uma boa noite.


— Boa noite. – Eles responderam sem qualquer entusiasmo e o policial se retirou.


— Eu não tô entendendo porque Sérgio quer se vingar de nós, o que foi que fizemos contra ele? Foi ele quem errou quanto traiu você Maria, você agiu certo pedindo o divórcio.


— Não foi porque eu pedi o divórcio que ele quer se vingar Fernando, é por outro motivo.


— Outro motivo? Que motivo?


Estêvão e Maria se olharam. Os três entraram e foram até o jardim, e Maria contou-lhe o que tinha na primeira carta, e parte da segunda.


— Maria, isso não pode ser verdade, minha mãe não pode ser uma assassina!


— Foi o que Enrico disse Fernando. Não deve ser mentira, os fatos comprovam isso, eu também não queria acreditar, mas... – Não se deu o trabalho de continuar.


— Minha mãe matou o nosso pai? Com ajuda do Enrico? Céus, como alguém pode ser tão sangue frio? Claro, faz sentido Sérgio ter entrado nessa casa como quem não queria nada. Ganhou a confiança da minha mãe da maneira mais suja possível, eu não sei o que pensar em relação a isso. – Fez cara de nojo.


— Calma Fernando. – Estêvão tocou seu ombro.


— Como você me pede calma Estêvão?


— Fernando, por favor, você tem que ser o mais natural possível, minha mãe não pode suspeitar que sabemos disso.


— Por que não?


— No momento certo vamos abrir o jogo, ainda têm coisas a serem esclarecidas.


— E se ela for cúmplice dessa vingança do Sérgio? – Fernando perguntou.


— Não faz nenhum sentido, Sérgio quer se vingar de todos, mas o alvo principal é a mãe de vocês.


— Estêvão tem razão.


Nesse instante, Cecília apareceu.


— Posso saber o que vocês três estão fazendo aqui?


— Mãe, não vi você chegando. – Disse Fernando assustado com a presença inesperada da mãe.


— Acabei de chegar.


— Estávamos falando sobre o assassinato da Babi.- Disse Fernando.


— E?


— Tudo indica que Sérgio é o assassino.


— Mãe, posso te perguntar uma coisa? – Maria indagou.


— Claro.


— Por acaso a senhora não sabe onde Sérgio está, não é?


— Claro que não Maria! Por que que iria saber onde ele está?


— Porque vocês eram tão íntimos, achei que você soubesse.


— Eu não sou cúmplice dele, se é isso que vocês estão pensando, e eu não o vejo desde quando ele saiu desta casa, agora, eu vou entrar, não estou gostando do rumo que está conversa está tomando.


Os três se entreolharam, e não falaram mais nada.

****

Os três ainda discutiram muito sobre o assassinato de Babi, a vingança de Sérgio, e sobre Cecília depois que entraram, certificando de que Cecília, Fifi e as crianças não estavam ouvindo. Depois de muito falar, não conseguiram chegar em nada, apenas estavam com um aflição no peito, sabiam que qualquer hora Sérgio poderia aparecer, e fazer mal a um deles. E era hora de dormir.


Estêvão, com todo o cuidado e carinho, colocou Enriquinho no berço, o cobriu, e ficou olhando para ele, e sorria, o que se passava em sua cabeça? Só Deus sabe.


— Pronto, dever cumprido! – Ele brincou olhando para Maria.


— Ele dorme muito mais rápido com você, sabia? – Sorriu de volta. – Estêvão, eu queria falar contigo, sobre a carta – ficou mais séria – independente que seja verdadeira ou não, é melhor...


— Que a gente não durma junto – a cortou – fica tranquila, eu ia sugerir a mesma coisa, pelo menos por enquanto, acho que a gente não vai sentir bem dormindo junto enquanto esse assunto não for esclarecido, mas fica tranquila tá. Boa noite. – Ele foi até ela, beijou seus cabelos, e saiu com um sorriso.


Maria deitou em sua cama, rolou, e rolou, mas o sono não vinha. Ela pensou na carta, e onde ela poderia estar. Qualquer lugar naquela estufa poderia ser o lugar, mas ela não fazia ideia de onde poderia começar.


Flashback on


— Cris! – A gritava


— Oi Enrico, tô aqui! – Ele foi até ela. – Posso saber que devo a honra dessa visita fora de hora? – Brincou.


— Vim trazer um presente pra você.


— Presente? Pra mim?


— Claro, quem mais nessa casa merece presente? Toma – entregou algo – espero que goste.


— Nossa Enrico! Como não vou gostar?


Era um pequeno vaso, com uma muda de uma flor de maio plantada.


— Você sabe como me ganhar né? Essa é a minha flor preferida! E você sabe bem disso! – Seu sorriso era doce e sincero.


— Mas essa é mais especial que todas as outras, nunca se esqueça disso. Já ouviu aquela música que diz assim: – cantarolou – flores de maio, sol de verão, a primavera está chegando é o fim da sequidão...


— Não.


— Imaginei que não. Vou te dizer uma coisa, dias de inverno virão, mas eles passam, mesmo que o frio seja absurdo, ele passa, e a primavera chega, trazendo consigo as mais belas flores. – Sorriu. – Nunca se esqueça Cris, depois do inverno, sempre vem a primavera, quando os dias maus chegarem, se lembre disso, eles passam.


— Por que você fala com enigmas, hein Enrico?


— Que graça teria se eu te dissesse tudo esclarecido? – Sorriu pícaro.


Flashback off


— Claro! A carta só pode tá dentro daquele vaso! Agora só tenho que achar ele na estufa, eh, isso vai ser um pouco mais difícil. – Ela ia se levantar para ir até a estufa, quando seu celular toca. – Número desconhecido, estranho. – Atende. – Alô – silêncio do outro lado – alô? – Desliga. – Eu hein.


Ela calça seu chinelo, e veste seu roupão para ir até a estufa, mas seu celular toca mais uma vez.


— Alô! Será que dá pra responder? Eu tenho mais o que fazer do que ficar nesse joguinho idiota!


— Maria, sempre tão carinhosa.


— Quem é?


— Não conhece mais a voz do seu marido?


— Sérgio? – Seu coração gelou, ela ficou em estado de choque. – O que você quer seu desgraçado? Some das nossas vidas, nos deixe em paz!


— Não Maria, eu não vou deixar vocês em paz, eu vou me vingar de cada um de vocês, quando o último estiver morto, eu estarei satisfeito. Cuidado hein Maria, quando menos você esperar, eu apareço. – A ligação cai.


Continua...

Notas finais
Espero que tenham gostado!