Flores De Maio
28 Ah Vida, Sempre Surpreendendo
Notas iniciais
Pessoas são como as flores
você pode cuidar de todas as tuas flores
oferecendo sempre a mesma água todos os dias
por que não é exatamente o que você faz
que as deixará felizes
mas o tempo que você se dedica a elas. – Augusto Branco
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Maria ficou chocada com a notícia que acabara de ouvir, ela não gostava de Babi, isso era um fato, mas ouvir a notícia de que havia sido morta em sua própria casa, deixaria qualquer um atordoado.
— Como assim San Roman? – Caminhava de um lado para o outro. – A Babi tá morta? Não pode ser verdade!
— É... É difícil de acreditar, mas é a mais pura verdade. A casa dela já tá cheia de policiais, e tudo indica que ela foi assassinada.
Maria engoliu a seco, já tinha uma ideia do causador do ato diabólico.
— Estêvão, você precisa sair daí, eu tenho certeza que foi o Sérgio que matou a Babi, e pra fazer qualquer coisa com você ou com a Aninha, ele não vai mudar de roupa.
— Maria...
— Por favor, Estêvão, aqui vocês vão estar mais seguros do que aí, Sérgio quer se vingar de nós, e já mostrou do que é capaz, e eu não suportaria se ele fizesse alguma coisa contra vocês.
— Maria, você sabe que a sua mãe não gosta de mim, nem da Aninha, eu não quero causar mais problemas.
— Esquece a minha mãe San Roman, faça isso por mim... Pelo nosso filho...
Do outro lado da linha, Estêvão gelou ao ouvir da sua boca “nosso filho”. Ele já sabia que era o pai de Enriquinho, mas a única coisa que ele queria, era ouvir essa confirmação de sua amada.
— Ma... Maria, eu ouvi direito?
— Ouviu sim meu amor. Por favor, fica aqui comigo, eu não sei o que seria de mim se acontecesse algo com o pai do meu filho.
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Não demorou muito para que Estêvão e Aninha chegassem à mansão. Quando eles chegaram, Maria os esperava, porém, todos os outros, assim como os empregados, já haviam se retirado.
— Cadê ele Maria? Cadê meu filho? – O procurava pela sala.
— Calma – ela segurou seus ombros – ele tá dormindo.
— Eu preciso ver meu filho, segurar ele nos meus braços e não soltar nunca mais.
— Eu te aconselho a não acordar ele agora, porque fazer dormir é uma missão quase impossível. – Brincou. – E você vai ter todo o tempo do mundo pra mimar nosso bebê. – Sorriu.
— Então é verdade? O Enriquinho é meu irmão? – Perguntou Aninha.
— É sim meu amor – passou a mão no cabelo dela – eu te disse isso, lembra?
— Eu me lembro, mas não sabia que você tava falando sério, quer dizer, eu não sabia se ele seria meu irmão de sangue.
— Será que você pode me explicar o que houve? – Ele pediu.
— Claro, acho que você merece uma explicação né.
Os três foram até o sofá mais próximo, e Maria lhes contou o que acontecera, o porquê dela ter feito o que fez. Ambos a olhavam pasmados, não conseguiam ver Sérgio como o monstro que se tornou, ou melhor, sempre foi, mas escondia isso de todos.
— Não tô surpresa com isso – declarou Aninha – eu nunca fui com a cara dele, e não me surpreendeu saber que ele não vale nada, aliás, nunca valeu.
— Desgraçado! Infeliz! – Ele socou o braço do sofá. – Você não podia ter me escondido isso Maria, por que você fez isso?
— Você achou mesmo que eu ia colocar em risco a segurança de vocês? Eu preferia que você me odiasse estando bem, do que nos amássemos correndo risco de não acordarmos no dia seguinte, ou pior, eu acordar e perceber que algo de ruim aconteceu com vocês, eu ia me sentir culpada demais, tenta entender meu lado.
— Ô meu amor, vem cá – ele a acolheu em seus braços – agora eu tô aqui, e esse maldito não vai fazer nenhum mal pra você nem pro nosso filho. – Ele beijava seus cabelos com carinho.
— Ai, finalmente vendo vocês se assumirem – se esparramou no sofá – já tava na hora né, só cego não vê que vocês se amam e blá blá blá. – Botou uma almofada no rosto.
Os dois olharam para Aninha, e riram. Estêvão tomou os lábios de Maria, e a beijou de forma doce, e apaixonada, como se quisesse dizer “nada mais vai te tirar de mim”.
— Eu tô ouvindo – disse Aninha se referindo ao beijo dos dois – e isso é bem nojento sabia?
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Depois de quase uma hora, eles resolveram que era melhor irem se deitar. Aninha foi para o quarto que era seu, e Estêvão quis ver seu filho antes de ir dormir.
— Nosso filho, fruto do nosso amor! – Ele disse os dois olhavam o pequeno adormecido.
— Toda vez que eu olho pra ele, vejo que tudo que fizemos, valeu a pena, mesmo que não tenho sido feito da forma correta.
— Eu te compreendo.
Ele passou o braço pelo seu ombro e beijou sua testa.
Ela o olhou, tentando forçar um sorriso, e foi em direção a sua cama, no entanto, ele notou que aquela não era sua Maria, e que algo não estava no lugar.
— O que houve Maria? – Se sentou na cama, de frente para ela, segurando suas mãos. – Tá preocupada com o que Sérgio pode fazer?
— Não, quer dizer, não é só isso. – Ela saltou da cama, e pegou o papel amassado no chão e o entregou a ele. – Leia isso.
— O que é isso? – Perguntou desamassando a carta.
— Apenas leia.
Maria aguardava em silêncio enquanto Estêvão lia, e notava em seu semblante, a mesma expressão de horror que ela sentira algumas horas antes, e por fim, ele colocou lentamente o papel sobre a cama, perplexo.
— Isso é verdade?
— Eu não queria acreditar, mas as evidências me levam a crer que sim. Eu não sei o que é pior nisso tudo, se são os podres da minha mãe, do Sérgio e do Enrico, ou saber que Enrico sabia disso tudo, e nunca foi capaz de me dizer um A.
— Calma Maria, não deve ser fácil dizer pra uma pessoa que você que você matou o pai dela.
— É, acho que o pior foi ter adorado um homem que era uma farsa, acho que isso me doeu mais do que saber tudo isso.
— E as outras cartas? Você já leu?
— Outras? Que outras?
— É Maria, tá aqui – pegou a carta novamente – olha, aqui no final tá escrito “essa é só a primeira carta, ainda existem outras duas, e você terá que encontrar. A próxima está onde a ciência e a arte se encontram”.
— Ham? Eu não tinha visto isso, eu tava com tanta raiva, que não fui até o fim. – Ela pegou a carta e leu a parte que não havia lido. – Agora isso, se eu quiser descobrir mais coisas maravilhosas sobre a minha família, eu vou ter que procurar? Ah, me poupe Enrico! – Rasgou a carta em duas partes.
— Você não vai em busca das outras?
— Não, já chega de surpresinhas desagradáveis, eu não quero saber mais de nada, e lendo mais alguma coisa, todo o sentimento que eu tinha por ele vai acabar, se é que ainda resta alguma coisa. – Uma lágrima estava prestes a cair.
— Ei – passou o indicador no contorno do seu olho – eu não quero ver você assim, mas você queria descobrir os porquês, vai parar agora?
— Eu não quero me decepcionar mais San Roman, tudo isso é muito doloroso. Imagina, você idolatra a pessoa por toda uma vida, e descobre que foi enganada o tempo todo, eu sei que ele é seu pai, mas...
— Você tem o direito de pensar o que quiser dele, afinal, ele foi mais seu pai, que meu...
— Ele nunca foi meu pai! – O cortou. – Um pai não age como ele agiu comigo!
— Calma Maria! Eu entendo como você deve tá se sentindo, mas acho que você deveria ir até o fim, e acabar de vez com isso,
— Não sei, mas talvez você tenha razão, e me desculpa por tá agindo assim, mas eu tô sentindo que esse tempo todo, minha vida foi sustentada numa mentira, como se eu não reconhecesse mais nada aqui.
— Calma meu amor, as coisas vão se acertar, e eu vou sempre estar aqui. – Ele a abraçou, e ela se sentiu segura em seu abraço, sabia que conseguiria passar por toda aquela turbulência, mas se ele estivesse ao seu lado. – Bom – se afastou um pouco – acho melhor eu ir, já tá bem tarde. – Ele se levantou, prestes a sair do quarto, mas ela o impediu, segurando sua mão.
— Não... – Olhava para ele com o olhar mais doce que ele poderia ter visto. – Fica aqui, fica comigo essa noite, e todas as noites, eu não quero mais ficar longe de você.
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Já era manhã do outro dia. A noite havia sido bastante agradável para alguns, já que ao se juntarem aos outros para mais um café, eram só sorrisos.
— Bom dia a todos! – Saudou Estêvão enquanto se aproximava da mesa, segurando a mão e Maria.
— Bom dia! – Exclamou Aninha, com um sorriso de orelha a orelha.
— Estêvão? Ana Lara? O que vocês dois estão fazendo aqui? Vocês dormiram aqui? – Perguntou Cecília com os dois olhos arregalados, como se visse um fantasma.
— Nossa mãe, sempre hospitaleira. – Comentou Fernando em tom de brincadeira.
— Aninha, minha princesa! Como você tá grande! Vem aqui me dá um abraço bem apertado!
Fifi se levantou de onde estava, e foi até Aninha, apertando-a em seus braços cheios de carinho.
— Bom mãe, se você não se importar, eu queria que os dois ficassem aqui por um tempo, por tempo indeterminado, na verdade. – Disse Maria se sentando, sendo acompanhada por Estêvão, Fifi e Aninha.
— Eu posso... – Fez uma pausa e tomou um gole de café. – Eu posso saber o por quê?
— Encontraram a Babi morta na casa dela, e eu tenho uma leve impressão que tem dedos do Sérgio no meio disso.
— O que?! Babi morta? Mas ela não era amante do Sérgio, como ele pode tê-la matado? – Disse Fernando surpreso.
— Sérgio não é amigo de ninguém Fernando, ele vai fazer o que tiver ao seu alcance pra se vingar de nós, de cada um de nós. – Ela olhou fixamente para sua mãe.
— Mas por que Sérgio quer se vingar? Por você ter pedido o divórcio minha flor? – Perguntou Fifi inocente.
— Ah tia, a senhora já ouviu aquela frase que diz, “Há mais mistério entre o céu e a terra do que pode imaginar a nossa vã filosofia”? Então, Sérgio está possesso de ódio de todos nós, e enquanto ele não nos destruir, não vai estar satisfeito.
— E você tá falando como se soubesse o verdadeiro motivo maninha, por que não abre logo o jogo?
— Eu não tenho nada a ver com essa história, vou deixar essa parte pra quem vai ter mais a dizer. – Olhou para sua mãe mais uma vez. – Então mãe, será que o pai do seu neto pode ficar aqui?
Um silêncio se formou naquele mesmo instante, e todos engoliram a seco o que comiam. Apesar de já não ser surpresa pra ninguém que Estevão fosse o pai de Enriquinho, isso ainda não havia sido dito abertamente.
— As portas estão abertas para eles. – Cecília soltou um sorriso forçado, e saiu da mesa em seguida.
O clima ficou estranho, ninguém falou absolutamente nada.
Maria fora atrás de sua mãe, não sabia o que iria dizer, mas não ia conseguir ficar calada.
— Posso entrar? – Ela perguntou já entrando no escritório.
— O que adiantaria se eu dissesse que não? – Cecília, que estava de costas, olhando qualquer coisa, se virou para olha-la. – Senti que você jogava indiretas pra mim durante o café.
— Já ouviu aquele ditado que diz “Se a carapuça servir...”?
— Você e seus ditos. – Foi até ela. – Acho que, se você tem algo a me dizer, pode ser franca, não precisa de trocadilhos.
— Sabe mãe, você se acha esperta demais, acha que tá acima de tudo e de todos...
— Eu tô tentando mudar, sabia? – A cortou de forma desesperada. – Eu cometi erros, mas quem tá livre disso?
— Pois é, todos cometem erros, e todos merecem uma segunda chance, mas as consequências dos seus erros virão, e faz parte da mudança assumir cada um deles, cada um Cecília. – Ela fixou os olhos em um ponto do escritório, como se lembrasse de algo.
— O que você tá querendo me dizer. – A fez olhar de volta para si.
— Você sabe, você, melhor que eu, conhece seus erros, e não vai demorar muito pra eles virem à tona. Com licença.
Cecília ficou com dúvidas em sua cabeça. Ela tinha certeza que Maria não sabia de nada, e para ela, não existia prova nenhuma de seus atos maquiavélicos, então, do que ela estaria falando?
Em contrapartida, algo dentro daquele escritório, chamou a atenção de Maria, seria outra parte de seu prêmio?
****
Mais tarde, na empresa, Maria e Lívia conversavam, mas Maria não havia dito nada a Lívia, queria poupar a amiga disso, e quanto menos pessoas soubesse, seria melhor, pelo menos por enquanto.
— Então quer dizer que Fernando tá com a Acsa? – Elas caminhavam pelos corredores dá empresa.
— É, eu deixei ele passear com ela, pra ele ir se acostumando com a presença dele.
— E não teve nenhuma recaída?
— Claro que não né Maria, eu hein, Fernando não é nada mais que o pai da minha filha, nada mais que isso! Me admiro você perguntando uma coisa dessas.
— Calma, não quis te ofender.
— Eh, mais ofendeu, e muito.
— Desculpa, mas acho que vocês dois ainda podem ser felizes juntos.
Lívia a olhou, fuzilando-a com os olhos.
— Tá, não vou falar mais sobre isso. – Riu, enquanto Lívia continuava séria.
— Com licença, senhora Maria Cristina Fernandez? – Um policial as abordou.
— Sim, sou eu, posso ajuda-lo em alguma coisa?
— Sim. Você é esposa de Sérgio Acuña?
— É... – Gaguejou. – Sim, mas estamos nos divorciando, em pouco tempo não teremos mais nada a ver um com o outro, mas posso saber o por quê?
— Seu marido...
— Ex marido, por favor. – Cortou-o, corrigindo.
— Existem fortes indícios de que seu ex marido – deu ênfase – seja o autor da morte de Bárbara Martins.
— A Babi morreu? – Perguntou Lívia surpresa.
— Sim, ela foi encontrada morta ontem na casa dela.
— Isso, tô vendo que a senhora tá por dentro dos acontecimentos. O carro, que foi identificado como dele foi visto minutos antes em frente à casa dela.
— Tá, mas o que eu tenho a ver com isso? Eu não mais nenhum tipo de relação com ele, nós não nos vemos há alguns dias, não tá achando que eu sou cúmplice né?
— Não senhora, só estamos informando, esperamos que se a senhora tiver alguma informação do paradeiro dele, entre em contato conosco, já que ainda não conseguimos o localizar.
— E o senhor acha mesmo que ele iria matar alguém, e ficar no apartamento dele? Com certeza ele deve tá num lugar bem longe, maquinando seu próximo crime.
— A senhora sabe de alguma coisa?
— Não, apenas comentei por comentar.
— OK, a senhora está avisada. Qualquer informação, nós entraremos em contato com a sua família, uma boa tarde. – Ele se retirou.
— Eu não tô acreditando no que acabei de ouvir. E a sua naturalidade Maria? Você tá sabendo de alguma coisa, não é?
— Digamos que sim, digamos que eu tô um pouco ciente da “missão” de Sérgio.
— É agora Maria?
Maria a encarou, como se dissesse com seus olhos “eu também não sei”, e as duas foram para o laboratório, em silêncio.
Es
Depois de manipular alguma coisa no laboratório, Maria fora para casa. Chegando, o ambiente estava um silêncio total, Enriquinho estava tirando seu cochilo da tarde, Aninha estudava em seu quarto, Fifi fazia qualquer coisa em qualquer lugar, e os outros não se encontravam presente. Maria se sentou no sofá, pensando em várias coisas, inclusive no ex marido assassino e vingativo, e no quanto estava com medo de acontecesse algo com ia família.
Depois de uns vinte minutos perdida em seus pensamentos, ela se lembrou do que tinha chamado sua atenção no escritório, e foi até lá.
Entrando, olhou o objeto mais uma vez, e se aproximou mais um pouco.
— Onde a ciência e a arte se misturam. – Disse para si mesma.
Um pouco acima de seus olhos, havia um quadro de Lavoisier, um químico francês, Enrico o admirava muito, o que a levou pensar que a próxima carta estaria ali.
Ela subiu na cadeira que estava ali próxima, tirou o quadro da parede, e viu a carta atrás do quadro. Ela retirou a carta, colocou o quadro no lugar, e desceu da cadeira.
— Essa foi fácil demais Enrico. – Sorriu vitoriosa.
Mais uma vez, ela respirou fundo, sentiu que seu coração sairia pela boca, mas nada ia fazê-la voltar atrás, retroceder não era uma escolha. Ela encostou-se à mesa, abriu a carta, e começou a lê-la.
Cris, filha, eu sabia que você não me decepcionaria, eu sabia que você ia encontrar mais essa carta. Primeiro, eu quero te pedir perdão, eu sei que não o mereço, sei que você deve estar me odiando, e com motivos. Sabe, os fins não justificam os meios, mas eu não fiz o que fiz por diversão, e eu vou te contar o que me levou a ajudar sua mãe matar seu pai.
Eu tinha um sonho Cris, um sonho de um dia ter um filho, de ter uma família, de amar e ser amado também, e foi então que eu idealizei esse sonho em uma mulher, Acsa era seu nome. Foi dela que eu falei, a mulher que eu amei sem limites, e largaria tudo por ela, eu jamais amei alguém, como a amei. Mas ela era a empregada da mansão, e eu sabia que meus pais nunca admitiriam meu relacionamento com ela, no pensamento deles, eu teria que casar com alguém da nossa classe social, mas eu não tava ligando pra isso, eu queria me casar com ela, eu ia me casar com ela, e eu prometi que nós dois seríamos muito felizes longe de tudo aquilo, e ela acreditava em mim, nas minhas palavras. O tempo foi passando, e eu fui ganhando a confiança dela, até que ela se entregou a mim, ela pensou que eu ia dar um chute nela depois disso, mas eu estava esperando o momento certo pra assumi-la diante de todos, e eu contava com a ajuda da minha amiga Cecília, ela sabia de tudo, e disse que nos ajudaria no que fosse, e eu estava sentindo que ia dar certo.
Mas um belo dia me dei conta que ela não veio trabalhar, e me preocupei, mas deixei passar, ela poderia ter tido um mal estar qualquer, e como eu não sabia onde ela morava, não pude ir atrás dela saber o que se passava. Aí se passaram dois, três dias uma semana, e eu estava ficando apreensivo, mandei pessoas procurarem por ela, mas nada, ela havia sumido sem ao menos dizer adeus. Meu coração se partiu em mil pedaços, mas ainda tinha esperança que ela voltasse, mas os meses foram passando e nada, foi então que me dei por vencido, ela não iria mais voltar, e mandei que parassem de procura-la.
Cecília tratou de me consolar. Eu não a via como ela queria que eu visse, mas ela era insistente, e me fez ver que Acsa nunca mais voltaria, e que a vida tinha que continuar, foi aí que me envolvi com sua mãe. Eu nunca amei Cecília como amei Acsa, como eu já te disse, por ela eu senti uma paixão avassaladora, sua mãe sabia como enlouquecer um homem, mas em vários momentos, eu pensava em Acsa, estando com Cecília, mas tratei de esquecê-la, ela não teve consideração por mim quando se foi, então eu também não deveria ficar pensando nela, e aí tentei ver Cecília com outros olhos, como uma possível substituta.
Algum tempo depois, Cecília já havia se entregado a mim, e apesar de não ter esquecido Acsa, eu estava disposto a assumir sua mãe, e tentar converter essa paixão, em amor, só que o pai dela não gostava de mim, achava que eu era um galinha, e só queria brincar com a filha dele, e ele decidiu que sua mãe se casaria com Rui, seu pai, que tinha um relacionamento às escondidas com sua tia Fifi. Nenhum dos quatro ficaram satisfeitos com a decisão do seu avô, também pudera né.
Aí tudo aconteceu: sua mãe se casou com seu pai, mas antes sua tia Fifi teve relações com ele, e acabou por engravidar, mas o bebê morreu ao nascer, e na mesma época que o dela morreu, o bebê da sua mãe nasceu, no mesmo dia, pra ser mais exato. Os anos se passaram, e sua mãe e eu continuava nos a nos encontrar às escondidas, mesmo depois do nascimento de Fernando, eu pensava que a amava, na verdade, tenho quase certeza que amava Cecília, e estava disposto a tudo pra ficar com ela, inclusive, matar.
Seus avós já estavam mortos, e então nós dois sabíamos que agora poderíamos ficar juntos sem represálias, e ela teve a ideia de matarmos seu pai, aos poucos, assim, não haveria nenhuma surpresa. No começo, eu não fui a favor, mas acabei cedendo, eu sempre cedia as suas vontades. Eu consegui um tipo de veneno, que ia matando aos poucos, e que não deixasse vestígios depois. Eu conseguia o veneno, e ela administrava no seu pai, e em pouco tempo, ele estava morto. Eu paguei um médico pra que diagnosticasse a causa da morte como infarto, e assim ele fez, eu nunca mais o vi.
Cecília e eu deixamos o tempo passar para nos casarmos. Surgiram uns muitos comentários maldosos, as más línguas diziam que já tínhamos um caso antes mesmo de Rui morrer, eles não erraram, mas sobre a morte de Rui, só nós dois sabíamos, quer dizer, o pai de Sérgio descobriu de alguma forma, por isso o desejo de Sérgio de se vingar.
Mas sabe Cris, o que me levou fazer isso? Amor. Não a Cecília, mas amor de pai. Eu queria realizar meu sonho de ser pai, e eu sentia que só podia realizar esse sonho se o se Rui não estivesse mais aqui, eu não queria esperar que ele morresse no tempo dele, eu queria realizar o meu desejo, custasse o que fosse. E assim eu fiz. Você pode continuar me odiando pro resto da sua vida Cris, mas tudo que foi feito, foi feito por você, eu só ajudei a mata-lo porque eu sabia, que eu queria agir como pai, esse desejo estava dentro de mim no instante que soube que Cecília estava grávida, porque eu sabia que esse filho nos uniria de uma vez por todas, porque eu sabia, que o filho primogênito de Cecília era meu filho, e não de Rui, como todos pensavam...
— Não... – Maria não conseguiu ir até o fim – isso não é possível, Enrico não pode ser meu pai...
Continua...
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