Notas iniciais
I just wanted to hold you in my arms/ my life/ you electrify my life/ let's conspire to ignite/ all the souls that would die just to feel alive/ I'll never let you go/ if you promise not to fade away. Starlight - Muse

Uma garotinha. Uma menina.

Olho para Aaron e seu sorriso está de orelha a orelha. Ele olha tão fixamente para o monitor que ele provavelmente será capaz de ver nossa filha quando fechar os olhos. A imagem dela estará tão fixa em sua cabeça quanto está em seu coração.

Pego sua mão e a beijo. Quando ele olha para mim, sei que nunca o vi com tanta felicidade em seus olhos. Ela se acumulou neles, e em tão grande quantidade, que agora ela transborda deles em lágrimas.

As gêmeas nos parabenizam e, antes de sair, Sara me entrega um papel.

– A primeira fotografia da bebê, Juliette – Ela diz, sorrindo.

É uma foto do monitor. As sombras pretas e cinzas não cobrem a luz que esta pequena maravilha me traz. Vejo seu corpinho e mal posso acreditar que é minha filha. Minha pequena filha.

Aaron também vê a imagem e faz o que me parecia impossível: sorri ainda mais.

– Eu te disse que ela seria igual a mim – Aaron diz, e eu rio alto – É sério! Já consigo ver que ela terá meu nariz. E os olhos também, apesar de eles estarem fechados agora.

– Não se esqueça do cabelo – lembro-o.

– Sim, o cabelo também. Mas o sorriso será seu, amor. – Ele para, pensando. – Talvez nossa próxima menina tenha seus olhos acizentados e seu cabelo.

– Próxima menina? – Olho-o desconfiada.

– Sim. Se eu consegui escolher desta vez, posso escolher na próxima. É sempre o pai que escolhe.

– Quero um menino, Aaron – digo, suplicante.

– E eu quero menina. Mais de uma, se possível.

Olho-o e digo – Quero mais de um menino também.

– Bem, tentaremos muitas e muitas vezes, amor. Isso eu te garanto. Então talvez você consiga um menino. E por que você quer tanto um garoto?

Penso por uns segundos, tentando montar em palavras o sentimento que tenho em relação a isso. – Porque quero ter a chance de cuidar de você. De um mini você. De cuidar tão incondicionalmente quanto for preciso. E te amar, amá-lo, como você e o nosso menino merecem.

Ele apenas olha para mim. Suspira. – E é por isso também que quero ter meninas, amor.

Nós apenas nos olhamos, sem discutir e sem chegarmos a algum acordo.

– Bom, como sei que teremos muitos filhos, um deles terá que ser menino.

– Muitos filhos? – Aaron olha-me, assustado. – Muitos filhos, Juliette? E quem concordou com isso?

– Você não precisa concordar, mas seu corpo irá. – Sorrio maliciosamente. – Ou você vai me impedir?

Aaron tem em seu olhar um misto de descrença e desafio, como se a ideia de ter vários filhos o encantasse e o horrorizasse ao mesmo tempo.

– Você vai abusar de mim? – Ele pergunta, fingindo choque.

– E você não vai gostar? – Falo de volta.

– Vou adorar, provavelmente. Mas isso não vem ao caso, você está me desconcentrando.

Rio, e subo minha mão por seu antebraço, por seu bíceps, por seu ombro e pescoço. Sento na beirada da cama e passo minhas pernas por sua cintura, suas coxas.

– Está dando certo? – Pergunto-lhe, sorrindo.

– O quê está dando certo? – Aaron pergunta, seu olhar vidrado, concentrado em cada parte do meu corpo que toca o seu.

– Estou te desconcentrando?

Ele pisca repetidas vezes e respira fundo. Um pequeno sorriso aparece em seu rosto. – Espertinha.

Gargalho e o abraço, sentindo sua respiração beijar meu cabelo. – Obrigada, Aaron. Será muito fácil ter um menino com alguém que coopera tanto.

Ele beija minha cabeça e sorri jovialmente. – São cinquenta por cento de chance para você, amor. E cinquenta para mim. Veremos quem vai ganhar.

– Você poderia se contentar só com a Leila, não é?

Aaron me olha surpreso. – Leila?

Droga.

Não era para eu ter comentado assim. Eu queria perguntar a ele antes.

Suspiro novamente.

– Venho pensando em alguns nomes, Aaron. E não excluí a possibilidade de ser uma menina. Então pensei em Leila.

– Leila. O nome da minha mãe. – Ele fala. Seus olhos estão no chão.

Levanto seu queixo e respondo – Desculpe por dizer assim, Aaron. Eu queria conversar com você sobre isso. Pensei que batizando nossa filha com o nome da sua mãe, ela teria uma segunda chance. Um jeito de continuar a viver entre nós. Um jeito que não a machucaria. Ela não sofreria e... – Paro, vendo seus olhos encherem de lágrimas. – Aaron?

Uma pequena lágrima escorre, passando por sua maçã do rosto e caminhando lenta e agonizantemente para seu queixo. Passo meu polegar pelo caminho que a gota fez e a limpo com um beijo.

Vê-lo chorar é aterrorizante. Queria ajudá-lo. Queria fazer com que a dor diminuísse, que ele não se sentisse assim. Pensei que colocando o nome de sua mãe em nossa filha ele ficaria melhor.

Pensei errado.

E saber que fui eu que o fiz ficar mal torna tudo isto pior.

– Desculpe, Aaron. Eu... Eu só... – Respiro fundo, não sendo capaz de dar o conforto que ele precisa. – Só não fique triste, Aaron. Por favor. Eu não queria...

E ele apenas me abraça.

Passo meus braços por sua cintura e encosto minha cabeça em seu peito, ouvindo seu coração acelerado entrar em um ritmo constante e, após alguns segundos, bater tranquilamente.

Tento me afastar para ver como ele está, mas seus braços me seguram mais forte, mantendo-me no lugar.

– Aaron? – Pergunto, querendo olhá-lo. Querendo saber se ele está bem.

– Não, Juliette. Deixe-me abraçá-la um pouco mais. Deixe-me ficar com você assim. Com vocês assim. Deixe-me segurar tudo o que me mantém são e seguro. Deixe-me te aconchegar em meus braços, te prender a mim e tentar te passar o que estou sentindo agora, amor. – Ele respira fundo. – A minha mãe ainda vive em mim. Vive em minha mente, em meu coração. Mas não vejo jeito melhor de trazê-la à vida do que dar o nome dela a nossa filha. E eu mal posso te agradecer por isso. Mal posso te agradecer por tudo.

Relaxo em seus braços e respiro fundo, aliviada. E deixo-me ser abraçada pela melhor pessoa que conheço. E este abraço se torna o melhor de todos. Já sentia as formas de seu corpo em mim quando ele interrompeu o abraço para me olhar. Beijo levemente sua bochecha até que tenho uma ideia.

– Já sei como você pode me agradecer, Aaron.

Ele me olha, confuso. – Como, amor?

– Achando a Amaya e o Kenji. Temos um convite a fazer.

*~*~*~*~*

Fiquei na academia enquanto Aaron foi procurá-los.

A Amaya chegou logo e se sentou a meu lado.

– E então, qual é o sexo do bebê? – Ela pergunta.

– Menina.

– Menina?! Ah, o comandante deve estar bem presunçoso agora. Nós carregamos uma pessoa em nossas barrigas durante nove meses e nem temos o direito de escolher o sexo! – Ela suspira, balançando a cabeça. – É tão injusto. E nem citei a dor do parto.

Acho graça do discurso dela, mas apenas digo – Fiquei muito contente em ter uma menina. Só espero ter um menino também, mais tarde.

– Mais tarde? E quantos filhos você pretende ter, Juliette Ferrars?

– Ah, poucos. Talvez uns cinco.

Amaya engasga e tosse um pouco, chocada.

– Cinco realmente é pouco. Imagina se você quisesse muitos.

– Sou uma pessoa simples, Amaya.

– Claro, e vocês serão uma versão de Os Incríveis. Com exceção da Edna, já que é a Alia que faz os uniformes. E a Violeta será um homem. E você será o senhor Incrível. Ah, meu Deus, me deixa ser o Síndrome? Ele é demais.

Rio de sua expressão animada. – Você sabe que não entendo nada do que você está falando, não é?

Amaya ri e responde – Sei. Eu ainda mostrarei todos os quadrinhos e filmes para você, Juliette Ferrars. E para a bebê também.

– Conto com isso, Amaya. E também precisarei que você ensine uns golpes realmente legais para ela. Estou pressentindo que ela terá trabalho com os garotos.

– Lá vai você começar com previsões. Praga de mãe pega, sabe.

Conversamos mais um pouco até o Kenji e o Aaron chegarem.

Aaron foi educado o suficiente para não jogar na minha cara que tinha acertado o sexo do bebê. Mas Kenji não foi tão atencioso.

– Eu disse, J! Eu sabia desde o começo que seria uma menina. Eu sabia! E avisei para você.

Olho-o emburrada. Aaron o corta e diz que temos algo importante para pedir.

– Pode pedir o que quiser, Comandante. Eu faço com o maior prazer. – Amaya responde, piscando para ele.

Aaron olha para mim e eu aceno com a cabeça. Ele respira fundo e diz – Queríamos que vocês fossem os padrinhos da Leila.

Amaya sorri enormemente e me abraça, agradecendo por tamanha honra.

Kenji fica ao lado de Amaya. Noto um pequeno desconforto entre eles. Será que aconteceu alguma coisa?

Amaya sorri para mim e fala – Vou abraçar seu homem também, Juliette. Preciso agradecer.

Rio enquanto ela vai até Aaron de braços abertos. Ela o abraça e fica de frente para mim. Sussurrando, ela diz – Meu Deus, ele é cheiroso!

Aaron ouve e ri, e eles começam a conversar. Percebo que é sobre as eleições. Logo irei me juntar a eles, mas agora

Agora, tenho algo para perguntar a Kenji.

– O quê aconteceu? – Pergunto-lhe.

– Hã? – Ele diz, confuso.

– Eu notei um certo constrangimento entre você e Amaya, Kenji. Pode falar.

– Eu não sei do que você está falando. – Ele responde. Não sei se ele está se fazendo de desentendido, mas não desistirei facilmente.

– Rolou alguma coisa? Algum clima?

– Não.

– Não?

– É.

– E o que aconteceu agora pouco?

– O que aconteceu agora pouco foram seus hormônios de grávida te fazendo imaginar coisas.

Olho-o desconfiada.

– Disseram-me hoje que praga de mãe pega. – Digo.

– E?

– E que vou rogar uma praga agora: você e Amaya ainda ficarão juntos. E se alguém me perguntar, direi que foi apenas o sexto sentido de mãe me dizendo isso.

Kenji me olha surpreso e saio andando, até onde Aaron e Amaya conversam.

Eu ainda verei estes dois juntos.

Eu sinto isso.

Notas finais
Ana e Val: obrigada novamente. Nunca agradecerei o suficiente. E para vocês que vem me acompanhando até aqui: obrigada! Nunca agradecerei o suficiente a vocês também.