Flor de Lótus
3 Capítulo II ✽ “Tuas palavras são minhas ordens”
Notas iniciais
Capítulo II ✽ “Tuas palavras são minhas ordens”
A Chá jī [1] estava posta para dois. A água no bule de argila fumegava e o aroma do chá ondulou no ar quando as ervas nas porcelanas brancas com detalhes em, azul receberam o líquido fervente.
Os aposentos do príncipe herdeiro eram um de seus lugares favoritos junto aos jardins e a biblioteca real. Sempre que tinham tempo livre das obrigações, escapulia para os Três Lugares ao Sul, local dos estudos e morada do segundo e coroado príncipe.
Após o reencontro no jardim imperial, Shun Hai quis logo contar a quem era um de seus maiores confidentes em todo o palácio, aquele inebriante acontecimento. O irmão sabia o quanto o amigo de infância lhe fazia falta e a importância que Long Wei tinha para ele.
“Encontrei um dragão no jardim.” A fala soou divertida e um tanto misteriosa, embora fosse incapaz de disfarçar qualquer intenção.
Ainda estavam apenas os dois ali, visto que haviam combinado com os outros irmãos de se juntarem para um chá antes de irem ao proclame do imperador.
Tiānzı [2] parecia especialmente generoso nos últimos tempos e havia convidado os filhos homens para uma visita. Obviamente, um convite do Filho do Céu era uma ordem velada.
E Shun Fēi, o aclamado e virtuoso herdeiro do Império estava deveras curioso quanto à recém-adquirida bonança do pai.
Mas não falariam disso agora. Não quando as expressões travessas de seu irmão caçula prometiam um assunto bem menos desgastante que as novas tramoias do chefe da nação.
"Ninguém além da própria Liànhuā encontraria um dragão e permaneceria intacto para contar." Os toques de desdém foram sutis, uma leve troça entre irmãos. "Estou surpreso é que todos ainda estejam calmos, imaginei que um dragão pudesse causar algum alvoroço." Mas para um reino que tinha uma flor presenteada pelos deuses, dragões não eram nada.
As folhas foram misturadas com a tampa do gai wan [3] enquanto os olhos verdes encaravam o irmão mais velho em um leve estreitar. Shun Fēi era um de seus irmãos mais divertidos, mesmo com todas as obrigações de sua coroa.
“Não era um dragão perigoso no fim das contas, um tanto atrapalhado, talvez.” Sorriu com o último fato e tampou o recipiente com o chá na espera de alguns minutos para poder beber. “Mas certamente causou alvoroço.” Comentou com um suspiro ao fim da fala. Amizades poderiam ser mais simples e sem tantas proibições, mas não ficaria se lamentando, ao menos o havia reencontrado e ele agora era um general. O lamento de momentos após o encontro, foi a aparência tão simples a qual se encontrava nos jardins. Agora usava vestes formais para o encontro com o imperador e os cabelos estavam devidamente enrolados e envolvidos em um rebuscado zan [4] como de costume entre os nobres.
Shun Fēi estava elegante de igual maneira. Um tanto mais alto e com um rosto que lembrava o terceiro irmão, estava sempre com a expressão amena e tão leve. Gostava particularmente da leveza do príncipe herdeiro e sentia-se muito bem ao lado dele. Mesmo que o achasse um dissimulado em certos momentos.
Eram um futuro líder revolucionário e um jovenzinho de nariz empinado que adorava usar suas ditas pétalas para entrar nas discussões diplomáticas do Império e bagunçar todos os ensinamentos ao concordar com as ideias mirabolantes do príncipe herdeiro.
Afinal, concordar com a implantação de mudanças era mais cômodo quando o próprio enviado dos deuses se fazia ouvir. Quem discordaria dos deuses?
"Se bem que... Lembro-me de um certo dragão que temia outros dragões." Oras, e não era ele o debochado que sempre pregava peças no amigo medroso do irmãozinho? Fingindo que as estátuas falavam e que os trovões eram rugidos enraivecidos das feras colossais. "Imagino que tenha conhecido o novo huīxià." O último que carregava o nome dos dragões. "Explicaria esse sorriso infante que carrega no rosto." Não podia julgar, mas gostaria de ter observado tal reencontro, era bom ver o irmão sorrindo.
A infância em Zijin Cheng era particularmente difícil. Era o momento em que se aprendia tudo o que era proibido e como fazer corretamente o pouco que lhes era permitido. Criavam sábios, guerreiros, intelectuais e estrategistas.
Ter um amigo era algo raro e bonito. Principalmente para um príncipe.
Imaginava o tamanho do suplício que deveria ter sido para uma pequena e infante flor cuidar de sua simples vida dupla cheia de complicações.
Long Wei voltara e era alguém de importância no exército. Shun Hai ainda parecia um tanto afetado pela grandiosa novidade.
“Foi uma grande surpresa.” Contou quando voltou a atenção à bebida, levando a louça aos lábios e bebericando do saboroso hóng chá [5]. “Ele não tem mais medo de dragões agora, gege [6]. Gostaria de vê-lo tentar assustá-lo.” Provocou com um ar muito parecido com o do mais velho.
Aquele jogo podia ser jogado por dois.
Fēi acabou por abrir ainda mais o sorriso e bebericou o chá cujo sabor havia conhecido naquele dia. Sempre tinha tido o costume de descobrir. Novos sabores, novas pessoas, novos mistérios.
"Se ele for um pouco do garotinho que foi, tenho certeza de que já cumpriu essa tarefa por mim, divina flor." Poderia fazer reverências, mas sabia como Hai as abominava.
Que audácia!
As bochechas se inflaram com a fala do irmão, remetendo a criança de anos passados, mas o herdeiro do trono tinha razão. O dragão constrangia-se em sua presença e atrapalhava-se com as falas desde pequeno. Algo um tanto singular e que o fazia pensar nos motivos.
“Ele conseguiu ao menos duas ou três frases inteiras antes disso acontecer.” Soou divertido. Ainda sorria quando mais dois irmãos, aqueles os quais esperavam finalmente chegaram.
O herdeiro e o caçula eram certamente os mais pontuais dos filhos do imperador.
“Demoramos tanto que iniciaram o chá sem nós dois.” Sying foi quem comentou o lastimoso fato. Era o terceiro príncipe e vinha acompanhado do primeiro.
Yuè, o primogênito, vinha um tanto mais calmo que o irmão, tendo os passos despreocupados e os olhos meticulosos, como sempre.
Mas acabou por sorrir.
"Tivemos que parar no caminho até aqui. Sying foi comer pêssegos e voltou tão desordenado que me pergunto se não andam plantando pessegueiros um tanto selvagens pelos jardins." O tom dúbio de troça causou mais risadas aos outros irmãos e, obviamente, Fēi não podia perder a chance de implicar com o mais sereno homem daquela cidade.
"Talvez ele devesse ter pedido ajuda para colher tais pêssegos agitados." O sorriso era o pior de todos. "Ou se desarrumou justamente por causa da ajuda?" Dariam boas senhoras faladeiras, Yuè e Fēi.
Hai cobriu os lábios com a mão ao ver o nervosismo tingir as faces do irmão sempre tão calmo. Embora gostasse da presença de ambos, os dois mais velhos encontravam sempre um jeito de implicar com os mais novos.
“Justamente por não haver nenhuma ajuda foi que atrapalhei-me com os frutos.” Sying respondeu com um pigarreio após ajeitar a postura. Estava elegantemente aprumado antes das desventuras sob o pessegueiro, mas ainda era um dos príncipes em uma de suas vestes mais formais. “É melhor nós irmos.” O mais sensato a se fazer, já que deixar o imperador esperando não era e nunca seria uma opção.
"É mesmo, sim, melhor irmos. O sol nem mesmo trouxe a tarde e já ouvi sobre dragões atrapalhados nos jardins e pêssegos ariscos." Ao que Fēi ia falando enquanto se erguia, Yuè sorria pelo canto da boca.
Ora, vejam só.
Era fácil demais constranger os mais novos.
"Dragões? Mas que inusitado." O primogênito escorregou os dedos pelos volumes dispostos em uma estante ricamente enfeitada com livros de estudos, vasos em verde celadon e figuras moldadas em sancai. Era o mais observador dos quatro. "Mas Fēi está certo, os pêssegos de Sying já nos atrasaram o suficiente." Mais um deboche e os caçulas colocariam os dois no estômago de alguma fera.
"Ah, essa juventude." O herdeiro balançou a cabeça. "Sinto falta desses tempos de ouro. Pêssegos, principalmente. Embora eu deva dizer que jamais fui mordido por um." Os pêssegos eram mais gentis em sua época.
“Eles não se cansam de sorrir feito tolos o tempo todo?” Sying murmurou ao irmão caçula, deixando os mais velhos irem a frente para fugir dos risinhos e olhares travessos.
“Estava exatamente me perguntando o mesmo, meu caro irmão.” Hai se divertia com aqueles três, mas era do pensamento de Sying em certos momentos. Aqueles dois tinham a missão de implicar com os mais novos.
Certamente, era a missão deles na terra.
✽ • ✽
"E então... Liánhuā?" A voz grave se fez ouvir de repente, retirando Long Wei de sua contemplação às construções que há dez anos não via.
A magnificência da Cidade Proibida estendia-se em torres coloridas em vermelho, pilares majestosos, entalhes em madeira e vastos terraços erguidos pelas mãos de muitos artesãos e milhares de trabalhadores que empenharam-se em dar forma à ambição do imperador. A majestade da arquitetura moldada ainda no início do século erguia-se em imponentes torres atrás dos altos muros que cercavam a cidade.
Mas não era nas edificações que os pensamentos de Wei se perdiam.
Dez anos e aqueles olhos verdes tinham ganhado o brilho das joias cuja cor haviam há muito suplantado em beleza e magia. Não era surpresa alguma que aquela delicada flor olhasse por cada batalha que o reino enfrentava, mas Long Wei se julgava o mais afortunado dos homens por ter a oportunidade de ter tido a infância e pensamentos construídos em torno daqueles olhos e sorrisos.
O perfume da Lótus nunca o deixou.
"Wei?" Novamente aquela voz o chamou, mas, dessa vez, veio seguida de uma semente que o acertou na testa. Quando se virou para olhar quem havia sido o maldito louco, não se surpreendeu ao encontrar o mestre arqueiro com quem lutava lado a lado.
Li Huang enganava qualquer um que o considerasse somente com base nas feições joviais. Era exímio conhecedor das artes de combate e estratégia, embora tivesse o coração totalmente inclinado para o arco que vinha carregando nas costas.
"Deuses, olha tanto para esses edifícios que não seria surpresa se eles criassem pernas e saíssem em fuga." Ele também era um dos que falavam mais do que a língua podia suportar, mas isso se devia à intimidade que, infelizmente, a amizade de anos proporcionava.
Ele comia um pêssego e era possível ver os pedaços da fruta enquanto ele mastigava. Tinha certeza que ele fazia tanto barulho apenas para o irritar, como o inconveniente que era.
"Como você foge do matrimônio, meu amigo? Essas torres têm muito a aprender com você." A devolução da pilhéria causou uma risada irritante no amigo.
"Não preciso ter pressa, Long. Só me casarei quando achar alguém que eu ame mais que... Esse pêssego aqui." Estava realmente apaixonado com o tal pêssego barulhento.
"Deuses nos ajudem..." O general quase choramingou, mas teve que se afastar quando sentiu Huang muito próximo a invadir seu espaço pessoal.
E conhecia aquele sorriso.
"Ainda não me falou sobre Liánhuā e o jeito que ele saiu completamente decomposto daquele lago." Criatura maliciosa e de mente perversa.
Wei se perguntava onde arrumava aquele tipo de amizade. Se lembrava que tinha algo a ver com ter a vida salva por um arqueiro de traços delicados em um rosto suave, mas jamais tocaria naquele assunto perto de Huang. Ele já era convencido o suficiente sem sua ajuda.
"Deveria tomar cuidado com essas insinuações, xiăojiě [7]." Long Wei lutava para não encarar aquelas faces irritantes.
Aliás, começou a seguir seu caminho ao encontro de seu compromisso com o imperador. Huang já tinha atrasado o suficiente e, pelo que via, o homem parecia preferir comer pêssegos que manter a cabeça sobre o pescoço.
Mas o que podia esperar de um maldito filho caçula de uma das mais nobres famílias da cidade? Ele só lutava por gosto e diversão, como ele próprio havia dito certa vez.
"Ah, Wei! Eu não quis te constranger." O arqueiro vinha logo atrás e, sim, ele queria constranger a primeira pobre alma que encontrasse.
"Como eu poderia pensar algo assim de você, meu amigo? Jamais." O que diriam se vissem o dragão encarnado aos resmungos?
"A malícia está nos ouvidos de quem escuta!" Huang o seguiria até o fim, cobrando detalhes sobre sua relação com a flor de lótus.
Era ridículo, Liánhuā jamais poderia ser tocado. Permaneceria puro como fora entregue pelos deuses.
E em seus pensamentos.
Onde ainda podia ver aqueles olhos verdes tão de perto.
✽ • ✽
Era somente um anúncio de uma decisão já discutida.
A Galeria da Iminência Militar era onde o Filho do Céu reunia a corte para discussões sobre assuntos do Estado. Como sempre, ele estava sentado no trono do dragão com os nobres e ministros que faziam parte do conselho real logo abaixo e os eunucos na parte superior ou espalhados pelo salão, prontos a receberem ordens.
Era tão imponente e de olhar penetrante. Na juventude parecia-se muito com o primogênito, mas agora levava fios grisalhos nos cabelos e na barba. As vestes em tecido negro, traziam dragões e fênix bordados em fios de ouro. Estava sério como de costume, mas a expressão suavizou ao ver os quatro filhos homens diante do trono.
Os quatro rapazes estavam curiosos sobre as intenções do monarca, mas mantinham-se taciturnos como o pai, esperando que ele dissesse o propósito daquela convocação.
Shun Hai, discretamente desviou os olhos claros para uma figura ao lado esquerdo do imperador. Não se lembrava de Long Wei ser tão sério como ele estava naquele momento. Acabou sorrindo quando ele também o encarou e pareceu atrapalhar-se com os próprios pensamentos. Ele realmente não havia mudado.
“As ideias revolucionárias de meus filhos, causam certo alarde entre a população.” O imperador iniciou. Toda a atenção era sua. A mão foi tocar a barba e os olhos analisavam minuciosos os rostos dos filhos.
Não poderiam discordar, embora tivessem uma ou duas coisas para falar a respeito daquele ponto de vista.
“Temos um novo general à frente das tropas, agora.” Fez sinal para Long Wei se aproximar. O rapaz que antes cuidava das fronteiras na grande muralha e destacara-se por seus feitos. “E penso que devemos reforçar a segurança de meus filhos com ideais descabidos e sonhadores.”
Ao ouvirem a fala do soberano, os quatro príncipes se entreolharam com estranhamento e apreensão. Já eram tão protegidos dentro daqueles portões e há muito nenhum mal recaía sobre o reino, não fazia sentido querer guardá-los ainda mais.
“Bìxià [8].” Shun Hai deu um passo à frente, curvando-se respeitosamente ao se pronunciar. “Entendemos sua preocupação, mas temos pouca mobilidade na Cidade Proibida, estamos sempre vigiados, reforçar a segurança implicaria em nosso pouco tempo longe das obrigações.” Seus momentos livres eram apreciados e gostava de ficar só, contemplando os céus e sendo apenas o quarto príncipe nos próprios pensamentos.
Tinham eunucos e guardas por todos os lados. O reino era inexpugnável em todos os ângulos pelos quais se olhasse.
“A sagrada flor e o príncipe herdeiro são preocupações de todos. Nada de ruim pode abatê-los enquanto estiverem sob meu comando.” E mesmo os outros filhos e toda a família. Estava intrigado com certas coisas e era melhor prevenir uma possível tragédia.
O huīxià nada disse, sendo submisso à quaisquer vontades que o imperador pudesse externar, curvado sob sua inexorável presença marcante.
Uma palavra errada naquela sala e homens não passariam de porcos ao abate.
O herdeiro tomou frente.
“Entendemos sua preocupação, Bìxià.” Eram as mesmas palavras de Hai, mas, na verdade, ele não entendia nada e se recusava a tentar. “Mas as palavras de meu irmão são verdadeiras. Deve-se dar valor à privacidade, não existe maneira eficiente de reforçar ainda mais nossa segurança.” Bem, ele poderia prendê-los em caixas de vidro ou no harém. Fēi não reclamaria da companhia desse último.
“A menos, é claro, que o próprio huīxià se encarregue dessa segurança.” A voz de Yuè, o primogênito, se fez presente, o que era uma surpresa tendo em vista que ele jamais falava naquelas reuniões.
Não eram apenas a flor e o herdeiro que tinham ideias, afinal. Ao menos o imperador — e até mesmo o general — pareceram curiosos.
“O que está a sugerir, irmão?” Fēi não disfarçou o descontentamento. Mais segurança implicava em mais vigilância. E vigilância era tudo o que não precisavam.
"É muito simples." Yuè se curvou. "Bìxià, são notáveis os feitos do general Long Wei. Dizem que sua fúria nas batalhas o equipara aos dragões que trovejam os céus. Que tolo faria mal à uma flor guardada por um dragão?"
Os olhares dos irmãos foram para o general com a menção do primeiro príncipe. Shun Hai no entanto, arregalou os olhos com aquela ideia e sentiu-se tenso por alguns momentos. Seria melhor se Yuè ficasse calado. Olhou então para Sying, o terceiro príncipe e que até o momento não havia dito nada. Obviamente também não concordaria com aquela sandice.
“Majestade, confio nas habilidades do general Long, mas acredito que ele seja um homem deveras ocupado para tal cargo.” E o fato de Yuè sugerir algo assim, o deixou de sobreaviso. O mais velho não era o único observador.
O imperador alisou novamente a barba longa, coçando o queixo e considerando a ideia do primogênito. A flor deveria ser guardada com todo o zelo que o reino poderia oferecer. E dados aos feitos do jovem general em batalha, não havia homem mais qualificado para o cargo.
“Ademais, creio que-” Hai iniciou, mas foi logo interrompido pelo soberano.
“Está decidido!” O imperador bradou com a voz grave e imponente que pareceu reverberar pelo suntuoso cômodo, deixando claro que não permitiria contestações, nem mesmo se elas partissem do presente dos deuses. “Long Wei cuidará da segurança de Liànhuā."
Shun Hai buscou novamente pelos olhos do amigo de infância, mas Wei estava de costas para eles e de frente para o imperador.
"Wángyé [9], tuas palavras são minhas ordens." A aceitação, mais que previsível do general quanto à missão que lhe fora incumbida ecoou pela sala ao levar o punho direito a mão esquerda e abaixar a cabeça em consentimento.
Dele, conheciam apenas o nome e as histórias que conseguiam atravessar os muros. O olhar imponente, firme e inflexível. A postura altiva, os movimentos velozes e a jian em sua cintura, provavam que as histórias não estavam longe da verdade.
Mas Shun Fēi ainda estava perdido nas expressões inertes do irmão mais velho para dar qualquer atenção às considerações finais daquela reunião cansativa.
Começava a pensar em como seria interessante se a comida dos ministros estivesse estragada quando a balbúrdia vinda do pátio levou seus sons de pura desordem àquele lugar maçante.
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