Flor De Lótus

6 Art. 5° — Em nome da lei


Notas iniciais
Oi galera! Sumimos — ou seria sumi? —né? Bem, eu vou explicar o fato do nome da Luz não aparecer mais como co-autora. Ela decidiu largar o site e excluiu a conta antiga. Então, como não queria excluir essa fic que tanto amo escrever, resolvi continuar sem ela. Espero não decepcioná-los com meu trabalho. Eu realmente quero agradecer a todos que não abandonaram a história, apesar de ficar mais de cinco meses sem atualização. Bem, esse daqui é o outro perfil da Luz para maiores explicações: http://fanfiction.com.br/u/475603/ ► LuhHeartfilia ♥ Você não é péssima em recomendações não okay? SUHSAU Desculpe pela demora em atualizar, queríamos deixar tudo o melhor possível e, infelizmente, isso demora um pouco. Vou tentar não atrasar, mas não prometo nada já que agora estou sozinha. Muito obrigada mesmo por sua recomendação ♥ ► Hedgehog ♥ Muito obrigada por todos os elogios! Mesmo a Luz não estando aqui para agradecê-la, saiba que ela pirou, aliás, nós piramos quando vimos que éramos suas autoras preferidas! ► KatiChan, sua linda! ~Pula no colo e enche de beijos~ UASHASUAS Amei todos os seus adjetivos positivos, até o inventado xP USAHASUH Muuuuuito obrigada por todo seu carinho conosco, já estou te considerando uma grande amiga Moni-chan :3 ► Lady Clegane ♥ Nos sentimos honradas em receber a sua primeira recomendação ♥ UASHUASHAS Que bom que nossa fic serviu de inspiração para você escrever a sua :D Desculpe pela demora, sério. ► Monkey D Luka ♥ Você é uma amor, cara ♥ Eu quase chorei com sua recomendação, sério! E agora, quando foi relê-la, tive vontade de entrar do outro lado da tela e te abraçar! SUAHAUSH Obrigada por dar uma chance a fic depois de um tempo nos seus acompanhamentos ♥ ► Annie Parker ♥ É, Annie, você não se livrará tão fácil assim de mim não! USHSA O nome da fic escolhemos revirando o Google atrás de flores e seus significados, a dúvida estava entre Flor de Lótus e um lírio lá que eu não lembro xD SAUHSAUHA Espero atender às suas expectativas *U* ► ChizumeChan ♥ Devo dizer que a sua recomendação me fez tomar vergonha na cara e terminar o capítulo que tanto estava incerta de escrever xD Muito obrigada mesmo por todas as palavras de incentivo e os elogios ♥ Espero que continue gostando da história :3 Lindões e lindonas, o capítulo de hoje é dedicado a essas meninas maravilhosas, que eu realmente espero estarem aqui ainda. Boa leitura! POR FAVOR, LEIAM AS NOTAS FINAIS ♥

Juvia Loxar – Las Vegas, Palazzo Resort Hotel Cassino – 21:12

Fiquei repassando o plano na minha cabeça enquanto servia a mesa de numero três. Cada detalhe do plano recebera um toque de simplicidade que somente Lucy era capaz de formular, de modo que ninguém jamais desconfiaria. Não demorou muito para que Levy descobrisse que a informação enviada para um e-mail já hackeado por ela, na verdade se tratava de uma cilada. Não querendo retirar o mérito dos investigadores, mas eles realmente nos subestimaram. É claro que desconfiaríamos de uma informação fácil como aquela.

Logo concluímos que os três – Natsu, Gajeel e Gray – já haviam descoberto alguma ligação entre nós e o Projeto Lótus, embora ainda não saibamos exatamente o quanto eles sabem. A questão é que os idiotas tentaram se aproveitar da informação sobre Jellal Fernandez para nos capturar, então obviamente estão no encalço de Jellal, apenas aguardando nossos movimentos para nos aprisionar. E é exatamente isso que vai acontecer.

A princípio deixar que eles nos prendessem seria loucura, mas isso facilitaria nosso trabalho. Havia uma grande porcentagem a nosso favor que indicava que os três patetas iriam nos levar direito para o principal departamento de polícia. Estando lá, seria facílimo para Levy hackear os computadores fazendo com que tivéssemos várias informações secretas, além de que poderíamos acompanhar de perto o desenvolvimento do nosso caso e do Projeto Lótus.

– Ei, garota nova! Os clientes da mesa sete estão quase subindo nas cadeiras para você vê-los – falou meu chefe advertindo minha distração.

Homem de cinquenta anos, em processo de separação da esposa, só está neste emprego por gostar de dar ordens e que desconta toda sua raiva nos funcionários. É surpreendente a quantidade de pessoas que são assim. Se retrucasse do jeito como queria, acabaria sendo expulsa dali e eu definitivamente precisava do emprego, pelo menos nesta noite até o plano dar certo. Depois disso, poderia mandá-lo para o inferno com gosto.

Murmurei uma desculpa e fui rapidamente atender os clientes riquinhos e impacientes. A peruca channel preta esquentava minha cabeça e por mais que quisesse não poderia coçá-la senão iriam achar que eu estava com piolhos e isso sim seria o fim da minha curta carreira ali. Anotei os pedidos e caminhei em direção à cozinha. Esse lugar era pior do que formigueiro, as pessoas corriam desesperadas e afoitas de um lado para o outro, cozinheiros mexiam panelas e ao colocarem alguma coisa nelas o fogo subia deixando o local com um calor infernal. Quem disse que a guerra era o inferno nunca esteve em uma cozinha de hotel, porque francamente!

– Juvia e Lucy vocês estão na escuta? – perguntou Levy.

A baixinha havia colocado um ponto eletrônico disfarçado de aparelho auditivo em meu ouvido e no da Lucy para podermos escutar suas ordens já que ela estava hospedada no quarto abaixo do de Jellal Fernandez, pois a cobertura inteira estava reservada para ele e o elevador não paparia naquele andar.

– Você colocou um aparelho no meu ouvido, é claro que estou na escuta! – retrucou a loira.

– Sim – murmurei sem mexer os lábios.

– Nosso alvo já está no quarto com uma ruiva que tem a expressão mais carrancuda do que a de um bulldog. Os três patetas já estão aqui também, Natsu está na primeira vigia do apartamento enquanto Gray e Gajeel andam pelo hotel. Preparem-se, a hora do show chegou.

Natsu Dragneel – Las Vegas, 3º Departamento de Polícia – 20:43

Acho que as melhores palavras que já ouvi em toda minha vida foram ‘‘Você receberá alta hoje.’’ Existe uma combinação de palavras mais magnífica que essa? Ainda mais quando elas são proferidas justo quando eu achei que iria surtar se tivesse que ver por mais dois segundos a televisão desligada. Esqueça que eu disse que adorava enfermeiras, na minha estadia no hospital havia percebido uma coisa: a mulher que trazia meus remédios à noite não era nem um pouco adorável. Ela havia desplugado a televisão da tomada e pegado o controle para que eu morresse de tédio!

Felizmente havia sido liberado do hospital naquela tarde e já poderia voltar a investigar as Lótus. Assim que cheguei ao 3º departamento de polícia, Mira me olhou e logo em seguida conferiu o relógio na parede sem demonstrar qualquer emoção. Quando estava prestes a perguntar o que ela queria, Gray e Gajeel chegaram com expressões preocupadas em seus rostos. Alguma coisa de muito errado tinha acontecido.

— Makarov quer vê-los em sua sala imediatamente, parece que o assunto é serio – falou a albina.

Gray estava apreensivo quando batemos na porta do escritório do velhote e seu pessimismo estava me contagiando aos poucos, deixando-me ainda mais irritado com ele. Será que ele tinha descoberto sobre o roubo de dados que Gray fez? Eu estava internado então não tinha culpa de nada. Se fosse para demitir alguém que fosse ele! Será que finalmente ouviria a divina frase ‘‘Gray está fora da missão’’ dita pelo Makarov? Eu sei que não era justo pensar assim já que ele está se provando não ser um idiota completo, mas aquele maldito vinha azucrinando minha vida há anos! Quem sabe eu desse sorte, para variar.

Acho que finalmente o peso do que ele fez estava começando a se tornar visível e provavelmente conseguia visualizar as consequências caso fosse descoberto. O moreno estava parecendo aquelas crianças que jogam os legumes para os cachorros comerem e quando a mãe os lança um olhar interrogativo quase confessam tudo, mas o medo de apanhar é maior do que o arrependimento então continuam calados com um sorriso tenso no rosto.

— Entrem logo, pirralhos — ordenou o velhote.

Chamar-nos de pirralhos já era um indício que ele estava de bom-humor. Parecia que ele não tinha descoberto de nada. Ainda. Entramos e nos sentamos nas três cadeiras que estavam dispostas na frente da mesa da sala.

— Quero que vocês realizem a proteção de uma pessoa — falou Makarov sem rodeios.

— Você está falando sério, velhote? – questionei abismado.

Desde o incidente com o meio de transporte que não deve ser mencionado, não ganhávamos nenhum caso que não fosse Flor de Lótus. Quer dizer, ninguém tinha exatamente me passado aquele caso do banco, eu só ajudei porque estava nervoso demais com o fato de estarmos sempre atrás daquelas malditas vadias e precisava de algo que distraísse minha mente. Antes não tivesse feito isso. Se soubesse da chacota eterna que receberia por causa daquilo teria aceitado ficar no departamento de bom grado.

— Sim. Uma pessoa pertencente à proteção a testemunha se hospedará hoje no Palazzo Resort Hotel Casino e quero que vocês fiquem responsáveis por sua segurança — explicou.

— Não acha esse hotel um pouco chamativo demais?- indagou Gajeel.

— Acho, por isso ele é perfeito. Há poucas chances de alguém metralhar o protegido em um lugar movimentado e repleto de pessoas como esse — disse levantando os olhos da papelada que analisava.

— E os outros policiais? Esqueceu-se que nosso caso é o da Lótus? – perguntou Gray.

Senti-me tentado a mandá-lo calar a boca, mas sei que isso só o faria contestar mais a ideia para me irritar. No fundo eu sabia que ele estava louco – assim como eu – por uma distração. A hora de ficarmos com grandes chances de pegá-las havia chegado mais cedo do que imaginávamos. Ainda mais quando já sabíamos quem seria aquela pessoa e para melhorar ainda mais as Lótus estariam atrás dele.

— Vocês são os que mais confio e os considero excelentes para essa tarefa. Mantenham-se a cinco metros do quarto onde o homem estará e não haverá nenhum problema. A cobertura inteira é só dele, os elevadores não pararão nesse andar a menos que ele peça serviço de quarto. Se isso ocorrer, vocês três serão avisados. Não deixe a pessoa que levar a comida entrar no quarto. Vigiem-na de perto, só nesse momento poderão se aproximar do protegido, em nenhum outro instante — explicou — Estamos entendidos?

— Sim — respondemos em uníssono.

— Ótimo. Estejam no hotel às 21 horas, sem atrasos. Suíte 3.066 — ordenou.

— O que acontece se chegarmos perto demais? — perguntei.

Makarov não respondeu nada, só deu seu costumeiro sorriso enigmático. Senti um frio passar por minha espinha. Apesar da enorme curiosidade de saber o que ocorreria caso ficasse a menos da distância estipulada, algo me dizia que eu definitivamente não iria querer desrespeitar aquela regra.

Saímos poucos minutos depois, após revisarmos apenas alguns detalhes. Basicamente passaríamos a noite cuidando de um homem supostamente misterioso que não veríamos nenhuma vez – a menos que ele pedisse serviço de quarto – e sairíamos às sete horas da manhã. Enquanto eu faria a primeira vigília, Gray e Gajeel iriam vistoriar todo o hotel e o cassino a procura de qualquer um suspeito. Porém, já que a Erza Scarlet não sairia da cola de Jellal, eu iria aproveitar para vigiar as câmeras de segurança buscando todas as loiras que aparecessem. As Vadias de Lótus iriam aparecer e eu tinha que estar preparado quando isso acontecesse.

Como elas conheciam meu carro, preferi ir de taxi para o hotel. Ele era enorme, um ótimo lugar para ricos quererem se hospedar e perfeito para os nem tão afortunados assim tentarem fazer parte de todo aquele luxo exagerado. Fui em direção ao elevador atento a todas as mulheres loiras que estavam no local. Infelizmente em Las Vegas o que mais se via eram pessoas assim. Que vontade de matar quem inventou a tintura loura!

Quando as portas já estavam se fechando vi uma moça correndo desesperada na direção do elevador e segurei a porta para ela. Olhando de perto ela não era tão jovem assim. Apesar de várias plásticas que estava óbvio que ela havia feito, ainda se era possível ver pequenas rugas de expressão. Além disso, suas mãos possuíam a pele fina e um pouco enrugada evidenciando as veias arroxeadas e pude perceber que seu cabelo castanho não escondia muito bem o aparelho auditivo.

Já estávamos no décimo quinto andar e ela ainda não havia apertado o botão para escolher o andar, estava mais preocupada em procurar algo em sua cara bolsa marrom da Vogue. Graças ao seu desespero, o acessório caiu espalhando várias coisas pessoais no chão. Ajudei-a a catar as coisas e após ela ajeitar tudo percebeu, furiosa, que havia passado de seu andar. Observei uma cicatriz em forma circular aparecendo pela metade em sua coxa direita, próxima a barra de seu vestido dourado de lantejoulas.

— Obrigada pela ajuda, gato. — falou piscando demasiadamente os cílios postiços quando desci no 22º pavimento.

Franzi o cenho e fui em direção à suíte 3001, que ficava em um andar abaixo do da cobertura. Tive a sensação de conhecê-la de algum lugar, mas logo abandonei essa ideia. Tinha que me concentrar na minha tarefa, hoje as Vadias de Lótus não me escapariam. Posicionei-me de frente para os diversos monitores em que eu via as imagens de todas as câmeras de segurança ao vivo.

A cada loira que passava pela tela, aumentava a imagem para ver se era aquela a integrante da Flor de Lótus. Então uma coisa me chamou atenção. A mesma mulher que havia pegado o elevador comigo estava parada no corredor do sétimo andar olhando diretamente para mim. Percebi sua cabeça se mover em um gesto afirmativo e ela retirou a peruca revelando o cabelo loiro que atingia sua cintura. Depois, tirou a máscara de silicone que estava usando e vi suas verdadeiras feições e expressivos olhos castanhos. Olhei, abismado, enquanto ela esboçava um sorriso vitorioso e colocava o dedo indicador sobre seus lábios como se estivesse pedindo silêncio.

— Puta que pariu! A loira da Flor de Lótus está no sétimo andar! Ela está usando um vestido dourado brilhante e possui um aparelho auditivo no ouvido esquerdo. Acho que todas têm esse dispositivo de audição, fiquem atentos — anunciei no walkie talkie.

— Estamos indo — falou Gajeel.

Ela continuava lá, me encarando. Aumentei sua imagem deixando-a ocupar toda a tela do monitor de quarenta polegadas. Sua boca se moveu, mas não captei nenhum som, mas entendi exatamente o que ela havia dito através da leitura labial. ‘‘Venha me pegar.’’

Não me movi nem retirei os olhos da tela enquanto buscava regular minha respiração e meus batimentos cardíacos. Minhas mãos suavam e estava ansioso, queria pegá-las logo e sentia que aquele era o meu dia. Eu não iria cair em seu plano. Aposto que ela estava contando com que eu a perseguisse por todo o hotel a fim de deixar suas outras amigas pegarem Jellal. Mas dessa vez eu iria estragar de vez seus planos.

Saí correndo do quarto e fui em direção às escadas. Subi rapidamente de dois em dois degraus, quase tropeçando diversas vezes. Ao chegar no topo, destranquei a porta e entrei no corredor largo e bem iluminado. Parei de frente para a porta de madeira envernizada com o número 3.066 escrito, digitei o código de liberação do quarto e coloquei o cartão magnético no lugar próprio.

Eu iria avisar o plano para Jellal e ele me ajudaria a pegá-las, afinal sua cabeça estava em jogo. Adentrei o enorme cômodo procurando pelo homem cuja fisionomia já conhecia graças aos documentos de Gray havia roubado. O que será que tinha de tão medonho ali que nos impedisse de chegar a menos de cinco metros do quarto? Erza poderia causar medo até em um demônio, mas é pouco provável que ela atirasse em um membro do departamento. Acho que a idade está afetando o senso de perigo do Makarov.

Encontrei-o deitado na cama passando aleatoriamente os canais com somente uma toalha na cintura. Eca. Mesmo já tendo visto sua fotografia, aquela tatuagem em seu rosto me abismou. Como uma pessoa que não quer ser encontrada tem aquela coisa na cara? Assim que fiquei em seu campo de visão ele me observou e arregalou um pouco os olhos.

— Preciso da sua ajuda para prender as garotas do Flor de Lótus, Jellal — pedi aproximando-me mais dele — Eu sei que você sabe coisas sobre elas e você tem que me ajudar, caso contrário elas te matarão. Preciso de informações para poder atraí-las até mim e montar uma cilada. Onde é a cede do Projeto Lótus?

— Acho melhor você sair daqui — falou levantando-se e dando furtivos olhares em direção à sua arma em cima da poltrona no topo de seu monte de roupas.

Ele iria fugir, ou ao menos era o que eu achava. Peguei-o pelo braço impedindo-o de correr na direção que ele desejava. Entretanto, ele começava a escorregar graças ao suor de minhas mãos e ao fato de estar de debatendo insistentemente. Então, ouvi um barulho e senti algo encostando em minha cabeça. Por sorte, em minha frente havia um espelho, fazendo com que eu visse uma mulher ruiva atrás de mim, Erza Scarlet. O cano da arma era gelado contra minha nuca. Não podia perder Jallal. Se o libertasse, poderia dizer adeus as minhas chances de descobrir a nova cede do Projeto Lótus e capturar as Lótus. Mas se tentasse levá-lo comigo, morreria pela mulher com cabelos escarlates. Então era a Titânia que deveríamos temer. Makarov tinha razão, eu não podia ter entrado ali.

Lucy Heartphillia – Las Vegas, Palazzo Resort Hotel Cassino – 22:43

Minha parte do plano era fácil e agradável. A única coisa que me irritava era ter que usar aquela porcaria de ponto eletrônico disfarçado de aparelho auditivo. Quando vi Natsu no elevador percebi que ele estava bem — muito bem, aliás — para alguém que ficou internado no hospital após quase morrer de hemorragia.

Calculei três minutos no relógio. Esse tempo seria suficiente para Natsu avisar a seus amigos sobre minha aparição diante das câmeras de segurança e tentar adivinhar qual era o nosso planejamento. Neste exato momento ele deve pensar que eu queria chegar à Jellal, que idiota. Aposto que aquela versão feminina de demônio estava apontando uma arma para sua cabeça de chiclete.

Nunca nos deparamos com Erza Scarlet e sabíamos bem pouco sobre ela já que sua ficha era tão inútil quanto a de Jellal. Porém, ao hackearmos a conta de um policial, ficamos sabendo que todos a temiam por sua grande irritabilidade e sua exímia capacidade de matar qualquer um que tentasse ferir seu protegido, Jellal. Eles eram a dupla que fazia todos borrarem as calças: O Oposto.

— Gray está indo até você pelo elevador da direita e Gajeel está subindo pelas escadas. Chegam até você em, no mínimo, dois minutos. Natsu está na cobertura e vejo que Erza finalmente se moveu — falou Levy.

— Qual a melhor saída que faça Gray ficar no caminho de Juvia? A propósito, onde ela está? — perguntei.

— Juvia está trabalhando no restaurante do segundo andar. Tranque a via de acesso das escadas para o corredor com a chave que te dei e bata na porta do 2.543. Assim que a pessoa abrir entre no apartamento, te direi o instante exato em que você deve sair de lá e entrar no elevador que Gray sairá. Cuidado, ele está armado — explicou.

Dois minutos, isso era tempo até demais. Dava até para eu pedir um lanchinho para presenciar o show. Peguei uma chave pequena e prateada marcada de vermelho e tranquei o acesso das escadas àquele andar.

Encontrei o quarto pedido e bati na porta pacientemente. Olhei para o relógio de pulso. Cinquenta segundos restantes antes do elevador chegar. Se esse cara não abrir a porta eu vou atirar na maçaneta. Cinco, quatro, três... Peguei minha beretta 9mm com silenciador e mirei no alvo. Dois, um...

— Quem é? — perguntou uma voz masculina de dentro da suíte.

— Serviço de quarto — respondi.

Rapidamente a porta foi aberta e entrei no apartamento surpreendendo o jovem sem camisa que havia se hospedado nele a tempo de ouvir o barulho da caixa de metal chegando ao andar. Timing perfeito. O homem na minha frente deveria ter no máximo vinte e três anos e levando em consideração seu cabelo castanho molhado e a toalha ao redor do pescoço, deveria ter acabado de sair do banho. Tapei sua boca com minha mão escondendo minha arma novamente na fitinha ao redor de minha coxa.

— Fique bem quietinho que será recompensado — falei baixinho.

— Vai, Lucy, você tem dez segundos! — exclamou Levy.

Saí rapidamente da suíte deixando o homem ainda transtornado e entrei no elevador. Apertei o botão do segundo andar e enquanto a porta de metal se fechava vagarosamente, vi Gray virar em minha direção apontando a arma diretamente para mim. Dei um sorriso vitorioso e fiz um xauzinho com a mão direita deixando-o puto da vida.

— Consegui — falei — O Gajeel ficará por sua conta? Olha, tenha em mente que não temos tempo para uma rapidinha, portanto controle seus hormônios.

— Sim, ele é todinho meu, mas não posso garantir nada quanto a segunda parte. Sabe como é... Nós dois, sozinhos, em um quarto. Talvez eu precise relaxar a tensão — riu — Estou fazendo-o vir até mim agora interceptando seu walkie talkie. Fala sério, que coisa mais ultrapassada, parece até que...

— Levy, eu realmente não quero ouvir você reclamar do quão ultrapassado são os equipamentos que os três patetas estão usando e do quão puta você está com isso e muito menos do seu ataque ninfomaníaco com aquele moreno — interrompi-a.

— Certo. Agora será a parte da Juvia, então suba pelas escadas até um andar mais alto e depois pegue o elevador até a cobertura, invadi o sistema eletrônico dele para fazê-lo parar no andar que você precisa. Erza deve expulsar o investigador de lá daqui a cinco minutos no máximo, então você tem esse tempo para estar bem a frente da porta de Jellal. Lembre-se: eles não podem saber que permitimos que eles nos prendessem, então lute um pouco — disse rapidamente, seu tempo também estava acabando — Nos vemos na prisão.

A última coisa que iria imaginar na minha vida era irmos presas, e até mesmo querermos isso. Bem, vai ser divertido. Uma coisa a mais para se acrescentar em meu currículo. Retirei o aparelho auditivo e o amassei com o pé. Quando o elevador parou no segundo andar, fui direto para as escadas xingando até a quinta geração da pessoa que teve a brilhante ideia de colocar Jellal vinte andares acima de mim. Não era necessário avisar para Juvia que o Gray estaria indo em sua direção, Levy provavelmente já tinha feito isso.

Subi sete lances de escada e esperei quatro minutos antes de pegar o elevador novamente com receio de encontrar algum dos policiais. Ainda dentro da caixa metálica fiquei com minha Beretta em mãos aproveitando o fato de estar sozinha. Como a baixinha havia dito, desci no 22º andar. Cheguei ao batente do quarto 3.066 estranhando a porta aberta.

Foi então que Natsu me viu.

Ergui minha arma em sua direção e atirei duas vezes, errando-o propositalmente por milímetros. Com um movimento imperceptível travei uma bala no cano impedindo a arma de ser utilizada e fingi uma expressão assustada. Meu bebê, desculpe-me fazer isso com você! Ele veio correndo em minha direção e tentei fugir pelas escadas, porém, a porta estava trancada, o que já era de se esperar. Tentei contorná-lo sem êxito, ele era maior do que eu e estava com toda certeza de que iria me pegar.

Natsu envolveu-me em seus braços e usou sua força superior para me virar de costas e segurar minhas mãos para trás a fim de me algemar. O metal gelado contrastava com minha pele quente. Aquilo era muito mais emocionante do que eu esperava. Seu sorriso de satisfação me dava vontade de rir, mas me controlei. Pobre homem iludido.

— Você está presa em nome da lei, vadia.

Notas finais
Agradeço novamente a todos os reviews e recomendações (os quais ja agradeci detalhadamente nas Notas Iniciais), e espero que eu tenha conseguido, por meio desse capítulo, manter o nível de agrado que vocês merecem! Eu realmente gostaria de saber a opinião de cada um desse capítulo, por escrevê-lo sozinha, estou um pouco incerta se ficou ruim. Eu e a Luz já tínhamos o plot todo traçado da fic, sabíamos de tudo que iria ocorrer. Mas então aconteceu uma coisa: Perdemos a MP que estava tudo escrito por causa daquela coisa dos 90 dias. Eu tenho em mente tudo que irá acontecer de modo superficial e me prenderei a isso. Realmente quero saber se devo continuar sozinha ou devo apenar excluir a fic. Nos vemos em breve, eu espero.