Flamel

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Notas iniciais
Welldone guys, estou aqui novamente para postar um novo capítulo de flamel, sei que tenho demorado, mas é a vida. Nesse capítulo Mary explicará algumas coisas para o Ryan e tudo se mostrará interessantemente curioso. Boa leitura pessoal õ

– Eu sumi por esse tempo, pois tive de pesquisar e pelo que descobri... – Ela faz uma pausa organizando seus pensamentos. – São um efeito colateral da exposição prematura ao DNA Jandariano. O fato de você conseguir controlar o Falir dessa forma ainda é desconhecido para mim.

– Falir ?

– É o material que a flamel é feito, ele é abundante em Jandar. Na confecção das nossas lanças, uma parte do Falir vira essa estrutura e a outra parte vira essa gema vermelha que fica no meio. Essa pedra reage com uma outra que fica numa luva que chamamos de Gorah Kaht Ern Onyr, ou luva catalizadora de energia onírica, ou Geo. Espere, pois eu acho que eu a pus em algum lugar... – Mary procurava arduamente em uma bolsa de couro com uma grande fivela prateada no meio. – Pronto, achei. Aqui está a Geo.

A luva era feita de um metal flexível com cor rubra e robusta, ela começava no meio do ante-braço e terminava nas costas da mão, onde havia uma grande pedra vermelha. Engraçado é que a luva não envolvia os dedos, ela só ficava por isso mesmo e essas duas partes eram separadas, o que as interligava era uma espécia de metal na cor amarela que ao que tudo indicava, estava conectado ao grande orbe.

– Mary, porque você não usou isso quando estava combatendo os soldados que nos atacaram ? – Indaguei ainda surpreso pela energia que aquela luva emanava.

– Quando eu saí de Jandar, eu esqueci algumas coisas e uma delas foi a minha luva, mas poderemos usar essa aqui. – Respondeu Mary com uma cara zombeteira e talvez um pouco sem graça por ter sido tão distraída.

– Entendi, mas mais uma pergunta, porque os que nos atacaram não usavam essa luva ?

– Bom, para se usar a Leo, sua patente tem de ser alta, e consequentemente, você tem de controlar bem a energia de Onir que existe na flamel e em cada um de nós. – Disse a ruiva olhando para a Eligor que estava inerte e ao que tudo indica, em paz no teto da minha sala.

– Outra pergunta, quem é esse tal de Onir que você tanto fala ? – Indaguei.

– Essa fica para outra hora, nós temos de descansar, pois só temos três dias para a cartada final que eles estão planejando. – Mary novamente com avidez se esquivou de minhas perguntas.

– De fato. Eu ainda tenho aula amanhã, mas faça uma coisa antes, coma aquela porção de comida que eu preparei e deixei para você. – Sorri e apontei para a mesa da cozinha.

– Não precisava, meu organismo é fort... – A barriga de Mary soltara um leve e sutil ronco.

– A quanto tempo você não come ? – Disse depois de levantar trazendo um prato de comida para a esfomeada dando uma risada bem alta, fazendo-a ficar corada.

– Dois dias, mas isso é normal para nós. – Quanto mais Mary falava, mais a seu estômago implorava por comida.

– Aqui, tome logo isso. Eu não quero você fraca, pode comer o quanto quiser. – Sorri pegando meu prato de comida para acompanha-la.

– T-t-t-ta bom. – Mary abaixou a cabeça, mas dava pra perceber que ela estava totalmente corada e sem ação.

Parece que peguei essa geleira de jeito, será que alguém já cuidou dela ? Ou melhor, ela já foi amada de alguma forma ? Ela é tão misteriosa quanto o olhar da Monalisa. Bom, tenho que admitir que eu estou interessado nela, afinal, quem não ficaria ? Mas será que ela sente o mesmo por mim ? Provavelmente não. Tenho de me focar em outras coisas, vou me concentrar no treinamento e no fatores, e fim de papo.

– Bom Mary, vou dormir, pois eu sempre perco o ônibus por acordar tarde e amanhã será diferente. – Quando digo isso, logo percebo que ela adormeceu.
Ela era tão linda e tão frágil que decido somente pegar um cobertor e cobri-la, pego também um colchão para forrar no chão, possibilitando assim, que eu durma próximo daquela menina de cabelos rubros, quero retribuir toda essa "proteção" que ela me dá, pois me salvar dos caras ruins ela faz, mas virou minha vida de cabeça para baixo.

Acordo com a luz do sol batendo em meu rosto, logo ouço meu despertador apitando como um louco em meu quarto. "Como eu pude esquecer a única coisa que me acorda em meu quarto ?!" Pensei comigo mesmo, pois a menina de cabelos vermelhos como o fogo continuava dormindo imóvel e sem sinais de que irá acordar.

Corro para o banho, ponho meu uniforme do Fatores e tomo meu café, totalizando 10 minutos. Olho para o relógio na cozinha e percebo que estou atrasado para pegar o ônibus, e nesse movimento, acabo esbarrando na mesa, que ao ser levemente arrastada, faz um barulho enorme.

– Droga ... – Disse olhando para Mary que abria os olhos lentamente.

– Ryan, pelo visto você está atrasado. – A ruiva caminhava lentamente em minha direção, seus olhos estavam apertados e seu cabelo estava alto e desordenado. – Você é bem silencioso quando está com pressa, sabia ? – Ela parou bem na minha frente, levantou a mão e me deu um tapinha em minha testa. – Vá, eu te encontro lá. – Ela sorriu e desapareceu.

Não tenho nem tempo para processar esse gesto de "carinho" por parte de Mary e saio correndo em direção ao ponto de ônibus. Quando chego lá, percebo ao longe "na linha do horizonte" meu ônibus indo embora. Droga, vai ter algum dia em que eu vou conseguir pega-lo ? Torna-se até previsível que terei de fazer o caminho a pé, então sem mais delongas ponho o pé na estrada e ando os perpétuos 3 quilômetros até o Fatores Colineares.

Aquele fatídico caminho tinha se mostrado ligeiramente estranho, afinal, dessa vez eu não estou correndo, logo, consigo observar o meu redor. Pouco a pouco as casas do meu bairro se tornam casas com telhado colonial ao invés da lage gélida da atualidade, algo me diz que não as verei por um tempo. Instantaneamente eu sinto uma brisa gelada vindo de uma rua paralela a que eu me encontro.

Começo a correr e não muito tempo depois estou em frente aos portões do tártaro, ou melhor, do Fatores. Logo que passo da portaria Pietro e um outro cara se aproximam de mim.

– Olha ali Wesley, a bicha sumida. – Disse Pietro apontando para mim.

– Lá vem você com esse carinho todo comigo, já te disse que não sou gay, não adianta insistir.

– Ryan, esse aqui é o Wesley, nosso novo recruta.

Wesley Fontana é irmão gêmeo de Joana e isso fica evidente quando os dois estão juntos. Ele é caucasiano, mas tem a pele levemente bronzeada, possuidor de olhos castanhos e profundos como os de sua irmã, cabelo de máquina 4 e tem uma estatura tão semelhante a de Amohi que um calafrio subiu em minha espinha.

– Então você não é o famoso Ryan ? – Disse Wesley com uma voz bem grave no inicio e depois se tornando levemente mais masculina.

– Meu Deus, o que te contaram sobre mim ? – Fiz uma cara mais dramática do que realmente parecia.

– Nada, eu só queria puxar assunto. Nunca ouvi falar de você.

– Entendi, você estuda no Fatores desde ?

– Desde o inicio desse mês, fui transferido para o primeiro ano daqui.

Isso parece muito suspeito, alguém transferido de fora, sendo que o fatores não aceita alunos que já estão fazendo o ensino médio. Teria ele uma conexão com Mary ? Ou ele é um soldado do exército jandariano ? Tenho de encontrar a ruiva, isso está ficando muito estranho...

– Ryan, morreu ? – Pietro já começava a gritar pelo fato de eu estar distraído.

– Calma cara, só estava pensando nas compras de casa.

– Você e suas coisas de pessoa que mora sozinha.

– Você diz isso porque não tem trabalho e seus pais te dão tudo, já eu tenho de me virar.

– Relaxa, só estava mexendo com você. – Pietro Sorriu e avistou Marisa chegando no colégio. – Depois eu falo com vocês, vou ali ver uma coisa.

– Aham sei. Marisa, Pietro ta indo aí resolver os lances com você ! – Gritei para a menina de longos cabelos castanho claros.

Marisa apenas me olhou e depois olhou para Pietro, que chegou dando um selinho nela. Então quer dizer que eles finalmente se acertaram, daqui a pouco eles provavelmente oficializarão tudo e isso é muito bom, poucos casais combinam tanto quanto eles. O sinal começou a tocar.

– Ryan, vou para minha sala, até mais.

– Vai lá, tenho que procurar uma amiga. – Disse acenando para Wesley.

Preciso encontrar Mary logo, ele pode ser aliado ou um dos que está atrás de mim. Odeio esse mundo cão que a ruiva pôs, o melhor de tudo que algo me diz que isso é só o começo, será que ela vai querer me carregar para esse lugar chamado "Jandar" ? Preciso descansar.

Começo a andar para minha sala e logo encontro a menina de cabelos rubros, mas quando falei com ela, a dama de gelo não me respondeu de volta. Algo está soando muito estranho hoje, muito mesmo.

– Bom, vamos começar a aula de geografia de hoje, mas antes, quero lhes informar que não teremos aula até quarta-feira por motivos da reunião de professores.

Essa data cairá perfeitamente para eu me focar em meu treinamento, verei o que isso procederá, ainda não entendo como funciona direito o meu cabelo branco, mas aposto que Amohi e Mary poderão me ajudar.

No intervalo, eu vou caminhando para o pátio e me deparo com o novo casal do Fatores, Pietro e Marisa. Os dois estavam sentados embaixo da figueira do colégio. Lembro-me que antes um deles estava se lamentando profundamente pela falta de atitude do outro.

– Como vai o novo casal ? – Perguntei percebendo que Pietro começara a corar.

– Muito bem por sinal e você foi o causador disso tudo. – Disse Marisa sorridente.

– Eu ? – Indaguei surpreso.

– Sim você, afinal, você me deu forças a partir para cima dele, afinal, se Maomé não vai à montanha, a montanha vai à Maomé, não é ?

– Sim, então quer dizer que você me ouviu mesmo. Estou orgulhoso dos dois.

– E é lógico que você será o padrinho do nosso casamento.

– C-c-c-casamento ?! – Disse Pietro.

– Claro ou você realmente pensa que haverá outra pessoa que irá te querer o tanto que eu te quero ?

– Mas pensar em casamento agora é muito cedo. – O rosto de Pietro dizia que ele estava desesperado e confuso.

– Idiota, simplesmente te amo. – Disse Marisa dando um selinho em Pietro.

– Vou andar, pois sinto que estou segurando vela. – Sorri para disfarçar o quão sem graça eu estava.

– Ryan, antes de você ir. Quando teremos outra sessão do nosso aclamado mestre de RPG ? – Perguntou Pietro.

– É sério que vocês querem isso ? Vou pensar no caso de vocês. Estarei ocupado essa semana, talvez no sábado ? – Realmente sinto falta em ser o mestre, talvez isso que esteja faltando para reunir o pessoal.

– Esse é meu garoto, que tal fazer uma reunião com o pessoal na sua casa e jogamos ? – Disse enquanto envolvia Marisa em seus braços.

– Pode ser, não esperem nada demais, realmente estou atarefado. Até logo mais.

Novamente ser mestre de RPG, interessante. Hoje tenho mais experiencia em lutas de verdade, talvez eu possa bolar alguma coisa bem legal e bem realista. Ainda bem que terei tempo de bolar alguma coisa.

Na saída do Fatores eu fui direto para casa, tenho de encontrar Mary logo, pois ela não apareceu na sala depois do sinal do intervalo. Realmente hoje o dia está muito estranho.

Pego o mesmo caminho de sempre e ao chegar em casa noto uma coisa diferente, as luzes da sala estão ligadas, e com certeza não foi eu, a não ser que Mary tenha chegado mais cedo do que eu, mas normalmente ela só está em casa quando eu estou.

Entrando em minha residência, eu vejo Wesley com uma flamel em sua mão direita.

– Eu sabia que você tinha alguma relação com eles, você está aqui para me matar ?

Wesley não disse nada e com sua flamel tentou desferir alguns golpes em mim, mas como o esperado eu consegui esquivar de todos eles. Um clarão surgiu e em seu cessar, Eligor estava em minhas mãos.

– Então quer dizer que você pode empunhar a Eligor, essa batalha será no mínimo interessante.

Notas finais
Apresentação de um personagem novo: Wesley Fontana. Várias pontas abertas nesse capítulo, e outras pontas fechadas, claro que tudo sem muita profundidade, afinal, ainda quero deixar essa gota de curiosidade.
Welldone, Cya.