Flamel

5 O Outro Lado do Vermelho


Notas iniciais
Esse capítulo significa muito para mim, pois nele a Mary começa a mostrar que ela também tem um lado mais humano e que ela não é essa geleira que o Ryan achava que era, resumindo, essa é outra amostra de tudo que se passa em minha cabeça, Boa Leitura.

Fiquei o final de semana inteiro sem sinal dela. Parece que aquele episódio a intrigou profundamente. Eu estava na esperança de que todo aquele pesadelo tinha chegado a um fim, mas sempre que fechava os olhos, eu me recordava de seus movimentos sobre humanos.

Algo nela me fazia ficar extasiado como nunca estive com nenhuma menina. Seria o lado misterioso que ela carrega consigo? Seria aquela tal ligação mental que tivemos? Nada mais faz sentido para minha cabeça fraca. Tem muita coisa acontecendo muito rápido, mal consigo acompanhar tudo que estou me tornando.

Percebo a presença de Therese sem que ela bata ou faça qualquer tipo de barulho, seja na entrada ou na porta. Na fração de segundo que ela iria tocar a campainha, eu grito da sala em direção a porta.

— Pode entrar Therese, a porta está aberta.

— Como você sabia que eu estava aqui? – Disse ela enquanto arrumava a barra de seu vestido amarelo, ela estava com os olhos brilhando na esperança de eu ser um imortal.

— Ouvi seus passos pesados – Disse fazendo uma cara zombeteira.

— Você não vai conseguir mais disfarçar a verdade eminente Ryan, vou achar seu segredo e então vou te chantagear até que você me conte tudo que eu quero saber. Enquanto não tenho provas, posso vasculhar sua casa procurando? – Disse ela com os olhos brilhando.

— Sim, vá vasculhar minha casa inteira enquanto eu faço nosso almoço, sendo que você apareceu aqui sem me avisar. – Fiz uma cara de "nunca faça isso novamente".

— Err... Ryan, que cruz é essa no teto da sua sala ? – Disse ela apontando para a flamel.

— É pra proteção, meu irmão é supersticioso, então ele me enviou. – Menti.

— Entendi, falando nele, por onde anda aquele homem maravilhoso ?

— Não sei ao certo, ele não quis muito entrar em detalhes, mas eu sei que ele está bem. – Menti novamente, não tenho notícias do meu irmão faz seis meses, estou muito preocupado.

— Certo, qualquer sinal dele, não se esqueça de me avisar. – Therese pisca pra mim.

— Ok, vá procurar o que tiver de procurar. Vou ficar ocupado. – Fui em direção a cozinha fingindo que ia fazer algo, mas vou ligar para algum restaurante.

Ouço uma correria vinda do meu quarto quando Therese grita de lá.

— Quem é essa menina que está no seu quarto?!

Meu Deus do céu, Mary está em meu quarto? Não faz sentido, o que ela estaria fazendo lá sozinha?

— What? – fingi uma cara de não havia entendido uma palavra sequer que ela tenha dito.

Quando cheguei em meu quarto, não havia ninguém. Suspirei aliviado, pois não queria que Mary pegasse pesado com ninguém e muito menos comigo. Sei que estou sendo defensivo, e também sei que se ela fosse pega, a mesma seria culpada por isso, mas aquela mulher me dá arrepios.

Percebi a presença dela vindo do meu armário. Mary estava numa situação muito parecida com a de uma amante se escondendo da esposa que acabou de chegar.

— Therese... – comecei quando fui interrompido.

Ding Dong*

— Quem poderia ser dessa vez? Você sabe se mais alguém vai vir pra cá? – Disse eu enquanto ia abrir a porta. Estranhamente não consegui sentir a presença de ninguém, talvez eu esteja ainda me acostumando com esse tipo de coisa, ou de fato, Therese tinha passos pesados.

Quando eu abro a porta vejo passar por ela, Pietro, Marisa e o resto do pessoal, todos estavam festejando algo e pelo que reparei o churrasco seria em minha casa, já que eu sou o único que vive sozinho e tem espaço para isso. Quando percebi isso já me certifiquei de trancar meu quarto para que não haja casais invasores, da ultima vez que isso aconteceu fiquei uma semana sem dormir lá.

Fomos todos para a área que fica atrás de minha casa, lá tem um grande gramado verde com alguns bancos de madeira e uma macieira gigante que proporcionava uma sombra enorme, além de é claro, a área da churrasqueira e seus balcões que ficava na varanda de cimento por assim dizer.

Logo Pietro e eu assumimos a churrasqueira no estilo experimental, começamos a fazer algumas carnes e alguns pães de alho, enquanto Marisa fazia o arroz e a farofa com a ajuda de Therese, o resto estava na sala jogando meu video game.

Ainda bem que meus amigos trouxeram toda a comida, se dependesse de mim, não teria nada, faz tempos que não faço as compras nesse volume. Quando então, descendo as escadas está Mary.

— Ela não é a … — Começou Pietro.

— E-e-ela é... é... m-minha amiga. Mary, pessoal, pessoal, Mary. – Disse nervoso. – Ela está me fazendo uma visita.

— Aham Ryan, vamos fingir que não conhecemos essa sua cara de nervoso não é pessoal? – Disse Pietro piscando pra Marisa que ficou vermelha e voltou ao que estava fazendo.

— Venha Mary junte-se a nós. – Disse Pietro cheio de segundas intenções.

— Não quero, eu já estava de saída. – Disse Mary com seu jeito zero absoluto de ser.

Começo a rir incontrolavelmente, quando sobe um cheiro de queimado no ar. Foi quando olhamos para a churrasqueira e vimos Pietro fazendo seu famoso prato de carne queimada.

— Adeus Ryan, foi muito bom passar o dia em sua casa. – Disse Marisa.

— Também gostei muito da presença de todos em minha casa, mas só peço que me avisem antes, o lugar inteiro estava uma bagunça.

— Velho, você vai na escola amanhã ? – Perguntou Pietro.

— Sim, eu acho que tenho prova de alguma coisa.

— Você nunca grava o dia das suas provas, no final você não mudou tanto. – Disse Therese.

— Ryan, estamos indo, dá um beijo na sua amiga misteriosa e diz que eu que mandei. – Disse Pietro que já ia se afastando.

— Tchau galera, até amanhã. – Eu acenava muito feliz, não por eles terem ido, mas pelo dia em si.

Eu não me divertia assim a muito tempo, esses meus amigos conseguem me fazer esquecer da dor que eu sinto por não ter pais ou familiares além do meu irmão, que nem eu sei por onde anda. São pessoas que eu sei que posso contar com elas para o que der e vier, também sei que todos tem suas particularidades e esquisitices, mas eu me sinto bem com eles.

Mary me chamava da sacada do meu quarto para conversarmos. Ela não foi embora como havia dito. Eu estou começando a achar que ela sempre foi sozinha por isso essa frieza toda.

Chego na sacada e encontro Mary apoiada. Ela olha as estrelas com um olhar triste, como se tudo que ela conhece estivesse lá e aqui não fosse o lugar dela.

Pela primeira vez ela está demonstrando sentimentos. Nunca tentei entendê-la. Tudo que fiz foi somente tentar viver minha vida sem mudanças, mas no final das contas, nunca mudei tanto em tão pouco tempo.

Contando o tempo em que fiquei desacordado parece que amadureci vários anos nesses 2 meses em que ela entrou na minha vida. Agora posso perceber que nem toda a mudança é pra melhor ou é pra pior. Tudo que acontece só serve pra somar algo a nós mesmos.

— Seus amigos são... curiosos.

— O que eles te perguntaram? – Indaguei.

— Se eu e você estávamos namorando ou se eu te forcei ir para a academia e fazer dieta.

— Eles tem as preocupações deles, sumir dois meses e aparecer do nada com uma estética totalmente diferente do que eu era antes, você tem de concordar comigo que é motivo para eles ficarem um pouco loucos mesmo.

— Você não sabe o quanto eu fiquei preocupada.

— Com o que? – Indaguei surpreso.

— Lembra naquele dia que eu te dei aquele liquido vermelho? Então, você já sabe que suas mudanças vieram dele, mas eu te dei sem saber se isso te salvaria ou agravaria o processo, pois aqueles ferimentos eram graves de mais. – Disse Mary enquanto me fitava nos olhos.

— Eu pensei que iria morrer, depois que a adrenalina abaixou, doeu tanto.

— A única coisa que eu posso te dizer, é que a resistência jandariana não é de um país da terra e sim de outro planeta. Sim Ryan, não sou totalmente humana e sim, existe vida fora desse planeta.

— Outro planeta? É brincadeira né?

— Não Ryan, é um pouco mais complicado, e ao mesmo tempo, mais simples que isso. Não deu pra ver, mas no dia em que você se apresentou para a turma. Quando você disse que queria desvendar os mistérios do universo. Desde esse dia eu soube que seria bem vinda aqui. Existe um lema em Jandar que funciona em qualquer mundo, "Tudo ao seu tempo." – Disse ela sorrindo e depois se virando para olhar as estrelas.

— Aquele soro me fez ser como você? Meio humano e meio Jandariano?

— Na verdade não, você é algo que nunca foi visto, nem nossos maiores cientistas seriam capazes de dizer com precisão o que você é. Sobre o cabelo branco e a forte ligação com aquela flamel em particular, não sei te explicar ainda. Conto com você para me ajudar com isso também. Nunca se esqueça: tudo pode mudar, mas você continua sendo apenas você.

— Não tenho nada a perder mesmo né? Além de tudo, consegui uma nova amiga.

— Fico feliz em ter feito meu primeiro amigo também. – Disse Mary.

— Apesar dos amigos estranhos e de eu não entender nada, eu sei que você tem o seu jeito de me proteger. – Sorri coçando minha nuca de nervoso.

— Mudando de assunto, nosso treinamento começa amanhã como o combinado.

— Você já sabe qual tipo de coisa vai me ensinar? – Pergunto com uma certa desconfiança.

— De onde eu vim, desde pequena eu sempre fui a melhor em luta. Sei que demonstrei ser falha em combate, mas sempre estive em desvantagem ou tentando proteger um jovem sem noção do perigo. O estilo jandariano de lutar é baseado em trabalho de equipe, com Amohi aqui e você treinando, tudo ficará melhor. Você nunca lutou, mas se eu te deixar em forma, não teremos tantos problemas assim e eu poderei te explicar sua história e linhagem.

— Mas você não tem boca para falar? É realmente necessário a ligação mental? – Digo.

Mary sorri e a lua a ilumina pra mim, e nesse momento fico extasiado com sua beleza.

— Meus superiores fizeram um bloqueio mental em mim, pois se a informação vazasse todo plano seria perdido. Só posso fazer a ligação mental com seu DNA e nem falar sobre o assunto eu consigo. – Disse ela fitando-me. – Mais uma coisa. – Ela pega minha mão e dá um beijo nela. – Boa noite. – Ela desaparece.

— Boa noite Mary. Não vou te desapontar. – Sorrio.

Notas finais
Espero que tenham gostado, mande-me reviews ou qualquer tipo de comentário pelo facebook. A opinião de vocês é de suma importância. Welldone, Cya.