Flamel
12 Laço
Notas iniciais
Boa leitura.
A fonte desse clarão era eu, ou melhor dizendo, era a vontade de proteger Mary que, havia tomado forma. Não sei como isso está acontecendo. Eu não sei o porquê de muitas coisas, mas disso eu tenho certeza. A quero para mim, ela é um sacrifício que eu não estou disposto a pagar, não vou desistir da minha vida. Tem tanta coisa que eu quero fazer com ela, tanto pra dizer. Se eu apenas tentar focalizar essa luz, talvez eu consiga fazer o estrago que Gastin merece.
– Ryan, se concentre, traga novamente aquele sorriso ao seu rosto. – A ruiva que eu conheci estava sorrindo e estava parada em meio aquele clarão que se fazia em minha mente.
– Mary? Eu estava no meio de uma luta e você estava atrás de mim. Nós morremos?
– Não, o que aconteceu é que, quando a ligação mental de uma pessoa para a outra é muito forte, nós conseguimos conversar mentalmente. Horas para nós, se passam em milésimos de segundos, mas isso é algo muito raro.
– Então você está a salvo, certo?
– Ainda não, meu corpo está frágil, mas graças a você e Amohi, minha mente está de volta ao meu controle. – O sorriso de Mary não podia estar maior.
Vou em direção a ela e a abraço.
– Nunca mais, deixarei você sair de perto de mim, é uma promessa. – Minhas mãos repousavam em sua nuca e meus olhos a fitavam.
– Não pretendo ir a lugar nenhum.
Todo aquele clarão se desfez e eu voltei para aquele andar do prédio. Novamente Mary estava atrás de mim, mas a minha frente, só havia metade do que antes estava. Os outros soldados jandarianos estavam mortos e grande parte da estrutura desse andar havia sumido.
– Droga, eu destruí o corpo de Amohi com esse clarão?
– Você está me procurando?
Logo que o vi, fiquei aliviado. Não pude acreditar que ele quase faleceu perto de mim.
– Cara, o que houve? Você perdeu a cabeça do nada e foi para cima do Gastin.
– Pelo que pude entender, ele não me acertou em nenhum órgão vital, mas foi o necessário para que eu desmaiasse. Eu acordei depois de ver um clarão enorme. Provavelmente, a energia que irradiou de você, me curou, assim como aconteceu com Mary a um tempo atrás. Falando na luz, era você não é?
– Eu acho que sim, mas não sobrou ninguém para contar a história.
– Vocês estão esquecendo de mim. – Disse Gastin enquanto saia da cortina de fumaça. – Fui pego desprevenido por esse raio que veio desse garotinho aí. Como podem ver, não estou nos meus melhores dias, grande parte da minha armadura se foi, tenho várias queimaduras pelo corpo e ainda perdi um braço. Como se atrevem a fazer isso com um deus? Agora vocês serão punidos de verdade.
Gastin vem em minha direção com um ataque frontal que, pra dizer a verdade, não foi necessário muito esforço para que eu esquivasse. Debilmente, ele tenta se colocar em pé, mas fato de seu corpo estar dilacerado e sua armadura estar quase totalmente destruída, não o ajudava.
– Desista, você já está praticamente morto. Não quero ter mais sangue em minhas mãos.
– Parece que terei de deixar isso para lá, mas lembre-se crianças, eu me vingo e eu tenho certeza de que você vai morrer. – Essas foram as últimas palavras antes que Gastin desaparecesse.
– Ryan, vamos logo, aquele maluco já saiu dessa área, e pelo que eu posso ouvir, a polícia está chegando perto do prédio.
– Vamos sim. Finalmente isso... Ter...minou... – Minha mente escureceu.
Pelo que pude perceber, eu desmaiei pelo esforço que fiz anteriormente. Engraçado como eu nunca sei como eu chego em casa depois disso tudo. Amohi vai ter que se esforçar, carregar eu e Mary assim do nada pode ser bem estressante, principalmente se a polícia cercá-lo.
Como o esperado, eu acordo em minha cama. Novamente eu vejo aquele ventilador que antes era inerte e sem vida, mas hoje em particular, ele estava com o brilho da lua e estranhamente está ligado. Assim que eu me mexo um pouco, sinto alguém me abraçar e apoiar a cabeça em meu braço. Viro meu rosto e logo a vejo Mary. Ela estava muito melhor do que antes, usava uma blusa preta e um short jeans.
– Mary? O que você... – Meus pensamentos fugiram da minha boca.
– Não fale, deixe-me apenas aproveitar o momento. Seu cheiro é bom, você sabia disso? – Ela estava com os olhos fechados e a cada palavra, ela afagava seu rosto em meu ombro, um sinal de que queria voltar ao sonho que tivera.
– Se Amohi nos ver assim, ele vai ficar triste. Ele me disse que...
– Eu sei, mas ele está confundindo as coisas. Eu o salvei quando ele era pequeno, por isso, ele tem uma admiração por mim. Mais cedo ou mais tarde ele vai ver que tudo que ele sente por mim não é isso. E também, eu amo uma outra pessoa. – Seus olhos continuavam fechados, mas vi seu rosto corar em um tom quase tão rubro quanto seus cabelos. Ligeiramente, ela levantou-se da cama. – Chega, graças a você eu perdi a vontade de dormir. Não ache que eu esqueci do treinamento, nós ainda temos 1 semana antes de partirmos, aproveite para se despedir de todos. – Completou Mary antes de sair do quarto.
De fato eu só tenho mais uma semana no planeta, algo me diz que eu não posso prometê-los que voltarei, pois eu sinto que não voltarei. Sei que olharei por eles por onde eu estiver, mas não quero ter de mentir totalmente. Preciso apenas dizê-los que, talvez eu nunca mais os veja, mas como explicar isso do nada? Terei de pensar em algo até lá.
Será que Gastin aparecerá novamente? Quero dizer, é lógico que ele aparecerá, mas eu estarei preparado da próxima vez? –“Parece que terei de deixar isso para lá, mas lembre-se crianças, eu me vingo e eu tenho certeza de que você vai morrer.”– Essas palavras ecoavam em minha mente, e essa propagação me embrulhava o estômago.
Meu celular toca.
– Alô?
– Ryan você tá sabendo? – Disse a outra voz.
– Therese? Sabendo o que? – Indaguei.
– Um prédio comercial atrás do Fatores teve o térreo completamente destruído, acredita nisso? – Já podia ver seus olhos brilhando pra saber se fomos nós.
– Foram vocês, né? – Ela não conseguia esconder a excitação de sua voz.
– Sim, na verdade fui eu, mas eu não sei como isso aconteceu. O que eu sei é que Gastin está a solta. Amohi está aí com você?
– Claro, não precisa se preocupar comigo. Você decidiu quando vai contar a verdade pro pessoal? Até porque ninguém merece esses segredinhos. – A voz dela indicava um desapontamento comigo.
– Eu sei Therese, só que, é complicado. Não quero por vocês em risco entende?
– Você não precisa carregar todo esse peso nos seus ombros, sabia? O amigo é aquele que possui uma grande afeição por uma ou mais pessoas, que é leal, que protege e faz o possível para ajudar sempre. Nós estamos prontos para fazer isso por você, tenha certeza disso. Enfim, se eu continuar com isso, algumas lágrimas escorrerão e eu sei que você não quer ouvir uma viciada em livros chorando.
– Chorar? Relaxe Therese, eu estou bem, e quando a hora chegar, eu contarei a todos, certo?
– Eu choro por você, porque sempre que estamos juntos, nós conseguimos ver em seu olhar que, você não está realmente conosco, entende? “Nós fixamos um laço e graças a ele, nós podemos dividir os problemas e crescer.” Você me disse essas palavras a um tempo atrás. Não as faça ser em vão. – Depois dessas palavras, eu ouvi um choro sendo engolido e uma risada. – Idiota, eu disse que não choraria.
Uma lágrima singela escorre pelo meu rosto.
– Você não cumpre muito as promessas que faz por mim, relaxa. E eu sei que posso contar com vocês.
– Sua voz está trêmula, isso quer dizer que, eu fiz você chorar também. Bom, é melhor eu desligar, não queremos bancar os idiotas aqui, não é? Boa noite e até amanhã no fatores, beijo.
É, fui pego de surpresa. Toda essa carga em meus ombros, não precisam estar totalmente lá, mas como eu sou orgulhoso e teimoso, eu não notei com antecedência. Engraçado como as coisas podem ser, tudo que eu preciso está ali. Seco minhas lágrimas e me preparo para dormir, afinal, amanhã meus amigos saberão de tudo.
Abro os meus olhos, e diferente de ontem, o ventilador está inerte e alguns raios da manhã clareiam suas espátulas prateadas. Olho ao redor procurando algum sinal de Mary, mas inutilmente não a percebo. Vejo o relógio e constato que, acordei uma hora antes do normal e logo percebo, que tenho de aproveitar esse tempo para me preparar e não perder o ônibus. Tomo meu banho e visto meu uniforme. Assim que eu desço as escadas, eu a vejo assaltando minha geladeira.
– Você acorda sempre cedo assim? – Indaguei.
– Sim, normalmente você acorda tão atrasado que eu criei o costume de comer antes de você. O que houve para você acordar tão cedo? – Disse ela colocando um pouco de queijo dentro do pão.
– Bom, era sobre isso que eu queria falar com você. Já que nós sumiremos daqui, eu queria contar a todos a verdade.
Mary parou de comer e apenas me fitou.
– Você sabe o risco que eles correriam, certo? – Seus olhos intimidavam os maiores dos homens, mas quando direcionados para mim, eu sei que se tratava apenas de preocupação.
– Eu sei sim, e sinto que pra eles não vai fazer muita diferença. Acho até que, eles vão aceitar mais a minha ausência.
– Espero que você tenha pensado bem sobre isso. Não vou te impedir, mas não temos mais pessoal para proteger cada um deles. – Disse ela ao morder outro pedaço do pão.
– Por isso farei hoje, em seis dias não estaremos aqui. – Sorrio.
Depois de conversar com Mary, eu perdi minha hora, e para variar, eu não consegui pegar meu ônibus e tenho de ir a pé para o fatores, mas dessa vez sozinho. Após alguns minutos de caminhada, avisto aqueles grandes portais, que em alguns dias estarão muito distantes de mim e sinto um aperto no coração. O destino não será muito bom comigo, mas não ficarei relutante para aceitá-lo. Assim que ponho meus pés dentro do pátio, sinto que tem algo estranho, uma presença diferente, até hostil. E pelo jeito eu não fui o único a perceber.
– Você sentiu o mesmo que eu? – Disse Mary.
– Sim, provavelmente é o Gastin e nós temos de encontrá-lo antes que ele estrague nossos disfarces. – Respondeu Amohi.
– Bom, eu procuro no pátio central, vocês cuidem do resto. – Disse enquanto os dois fizeram uma cara de “Desde quando ele dá as ordens?”.
– Você o ouviu, vamos Amohi. – Disse Mary com um leve sorriso no rosto.
– Vamos.
Logo eu vou para a árvore que, debaixo de suas folhas e por diversas vezes eu aconselhei e recebi conselhos dos meus amigos. Na verdade, eu não queria aceitar isso, mas eu vou sentir muita falta desse lugar. Esse lugar se tornou minha segunda casa e de alguma forma eu quero carregar todos os sentimentos que eu tive aqui.
Distraído em meus pensamentos, mal pude perceber quando ele apareceu na minha frente.
– Então parece que dos três, eu encontrei quem eu realmente queria achar. – Disse a voz que eu percebi ser a de Gastin.
– Korir Eligor. – Pego minha flamel no ar.
– Não esquente, sua morte vai ser lenta e dolorosa, mas como você pode ver, eu consegui umas melhoras. Veja, não adiantou você ter me ferido daquele jeito, agora eu tenho um braço de Falir e minha armadura está restaurada. Espero que você saiba implorar pela sua vida, pois você precisará.
– Eu tenho de avi... – Sou interrompido por um chute muito forte.
Gastin com seu golpe, conseguiu me lançar contra uma das paredes do pátio. Como já era de se esperar, ele usou sua velocidade e me fez ter a impressão que, ele se teleportou para minha frente. Então ele cravou sua flamel em meu ombro direito. Eu deixo minha arma cair, mas não pela dor que ele me causou, mas porque vi por cima dos ombros dele que, meus amigos que antes conversavam em uma das calçadas, agora assistem aterrorizados a minha luta.
Notas finais
Welldone, Cya.
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