Notas iniciais
Depois de um hiato lindo, decidi por minha mente para trabalhar. Boa leitura. õ

Minha lança cai no chão, e com o eco do impacto daquele metal tão frio e robusto, eu vi os olhares que meus amigos estavam estampados em seus rostos. Droga, como isso foi acontecer tão perto do momento que eu ia contar lhes contar toda a verdade.

– Que olhar assustado é esse? O estado que seu ombro está te aterrorizando, certo? Espere, você está olhando aquelas pessoas sentadas. Interessante, parece que eles são seus amigos, ou melhor, eram. Você os enganou e agora eles morrerão pelas minhas mãos.

Em fração de segundos, Gastin segura Marisa pelos cabelos e a joga próximo de mim. O olhar machucado e choroso dela destruiu toda a auto confiança que eu tinha em mim e transformou tudo isso em medo e remorso.

– Ryan, o que você fez? O que é esse cara ? Quem é você? – Disse Marisa com os olhos marejados vindos do misto da dor em sua cabeça e com o choque de descobrir que seu melhor amigo havia mentido para ela.

– Sou um inútil, ocultei todos os meus segredos de vocês.

– Não vês agora, ó escolhido ? Não percebes que tu és fraco sem aqueles seus protetores? – Suas palavras formais denotavam um tom extremamente irônico. – Vamos ver o que essa daqui acha.

Quando ele ia pegar Therese, sua mão direita foi cortada, e logo vi Mary e quem todos conheciam como Wesley.

– Todos vocês, saiam daqui. Amohi, leve-os para um lugar seguro.

– Droga, eu tinha recuperado essa mão hoje de manhã. Precisarei de novas peças de reposição, a carne de vocês pode servir.

Em grande velocidade ele vinha em minha direção e na de Mary, que por sua vez, o contra-atacava com a mesma velocidade absurda. Droga, se eu apenas pudesse tirar a flamel dele do meu ombro. Espere, o que é essa energia que eu sinto ao longe? Ela está vindo da lança que está cravada em mim. Mas há algo diferente, ela está totalmente distorcida. Essa lança não queria fazer as coisas que fez, se eu pudesse apenas acalma-la com minha energia.

Concentro-me ao máximo para que a energia que eu passo para Eligor, se transforme em calma para aquela joia pálida e rubra. Assim que eu consigo normalizar aquele poder. Percebo que a flamel se liquefez e estava em minhas mãos.

– Então é assim que se faz. Desculpe-me lança sem nome, mas eu já tenho a minha companheira.

– Ryan, preciso de ajuda aqui. – Disse Mary enquanto se defende de outro golpe do braço metálico de Gastin.

– Mary, vamos acabar com isso logo.

A ruiva então, se move mais rápido que o próprio Gastin e consegue atingi-lo na perna, enfurecendo-o ao ponto dele se esquecer da minha existência. Dou o maior salto que posso e consigo ofuscar sua visão usando o sol que se encontrava atrás de mim.

– Tyfah onn Kruxim! – Exclamei a plenos pulmões e com toda a convicção do meu ser.

Uma rajada de vento saiu de minha flamel. Tudo aquilo era tão forte e tão denso que esmagou os membros de Gastin. Espero que com esses ferimentos ele pare de me perseguir.

– O que foi? Já terminaram? Eu sabia, vocês são um fracos, e eu não posso ser derrotado por vocês. Korir Juni. – Sua flamel apareceu diante dele, e para minha surpresa, ele mesmo cravou a lança em seu peito. – Não morrerei por idiotas... como... vocês...

– Koh Ni Kuram. – Disse Mary.

Suas palavras fizeram o corpo de Gastin virar um pó dourado que logo foi carregado com o vento. Enquanto isso, eu vou na direção de Juni e a toco.

– Relaxa, encontraremos alguém que seja digno de sua bondade e você nunca mais terá de fazer as coisas horríveis. Você confia em mim? – Senti um formigamento subir pelo meu dedo. Isso foi um sim. – Mary, parece que temos uma nova flamel. Vamos guarda-la e só a daremos para quem ela aceitar, certo?

– Sim, desde que fui atingida por essa lança em particular, eu senti toda a dor que ela carregava consigo. Não entender os sentimentos de Onir que ali habitam foi a maior fraqueza de Gastin. Vamos sair daqui, a polícia está a caminho.

...

Depois de ficar quase o dia inteiro fugindo da polícia, chegamos em casa. Para minha surpresa, Therese está sentada na frente da porta de entrada. Ela ainda está com o uniforme do fatores, isso indica que ela não passou em casa ainda. Será que ela ficou me esperando esse tempo?

– Ryan! – Ela vem em minha direção com um abraço tão apertado que faz Mary virar o rosto.

– Eu vou na frente, tenho algumas coisas pra fazer. Vamos Amohi. – Disse a ruiva carregando-o quase que sem seu consentimento.

– Eu to bem sim, como está o resto do pessoal? – Perguntei esperando alguma boa noticia, mesmo sabendo que era em vão.

– Digamos que eles não querem nem ouvir seu nome. Você não dá sorte mesmo né? Justo quando você ia conta-los toda a verdade. – Therese soltava um leve sorriso enquanto coçava a nuca, tudo isso numa forma de me acalmar.

– Né? Não vou fugir disso. Poxa, eles são minha família. Não faço ideia do que farei. Você disse para eles que já sabia?

– Na verdade não, prefiro mexer meus pauzinhos por fora e só entrarei no assunto depois que você se ajeitar com eles. – Seu olhar preenchia o meu com esperança.

– Entendo... O que você vai fazer agora?

– Vou para a casa de Pietro. Recebi uma mensagem de Marisa dizendo para todo mundo se encontrar lá. Provavelmente, todo mundo ficou chocado demais ao te ver daquela forma.

– Você diz provavelmente, né? Tenho quase certeza que eles nunca me perdoarão, principalmente Marisa. – Abaixo minha cabeça lotada de pessimismo.

– Cara, você era o melhor amigo dela e ela tinha certeza que não havia segredos entre vocês. – Disse Therese enquanto levantava meu rosto.

– Eu sei. – Fiz uma cara mais triste do que realmente queria aparentar.

– Levante seu rosto Ryan. Nós sempre fomos amigos, sei que isso foi grave, mas não é o fim. Conte comigo, certo? – Ela dá uma sorriso largo e aconchegante. – Vou pra casa do Pietro agora e depois te deixo atualizado do que aconteceu.

Nos despedimos com um abraço tão apertado e tão intenso, que fez rolar lágrimas de ambos os lados. Com esse ultimo gesto, me sinto mais forte e mais decidido em querer conquista-los de volta, mas antes que isso aconteça, não vou forçar nenhum deles, então não irei ligar o mandar mensagens. Só espero ser a atitude correta.

Em circunstancia da hora, como algo na cozinha e vou direto para minha cama, Mary e Amohi estavam ocupados com algo que eu não sei explicar muito bem. Tento dormir e quando eu consigo, sonho com um envelope branco e um selada por uma figurinha azul de um dragão. Espere, eu já vi esse dragão antes, parece um daqueles que o Pietro colecionava, e não era qualquer um, era o mais raro e o que ele tinha mais orgulho de ter conseguido. Ergo minha cabeça e vejo todos os meus amigos chorando, mas de alguma forma, aquela cena me acolheu e tirou um peso das minhas costas.

Eu acordo com uma ligação de Pietro.

– Ryan, não diga nada, venha para minha casa e traga seu livro de histórias.

– Você tem certeza? Afinal... – Sou interrompido.

– Vamos nos reunir daqui a pouco, e se você não for, todos ficarão ainda mais decepcionados com você. E antes que eu me esqueça, leve seu livro de histórias, acho que precisaremos.

– Pra que ? – Indago surpreso.

– Você verá. – Disse ele desligando na minha cara.

Meu caderno de histórias é o lugar onde eu escrevo sobre as histórias que eu monto para jogarmos D&D, só que, faz uns dois anos que eu não reviro aquele negócio. Não faz sentido ele pedir isso em um momento em que ninguém está em clima para tal ato. Olho para meu celular e vejo que são três horas da manhã. Droga, vou ter de sair de madrugada de casa e atravessar a cidade.

Mary aparece no meu quarto, provavelmente atraída pelo barulho. Ela vestia um shorts branco e uma camisa vermelha listrada em branco. Por sinal, ela também havia acabado de acordar, seus cabelos estavam altos e desgrenhados, mas de alguma forma, ela continuava atraente e sexy.

– Era o Pietro, não era? – Perguntou ela arrumando um pouco o cabelo ao perceber que eu havia reparado.

– Sim, preciso ir na casa dele agora. Acho que vamos dar um veredito final em tudo que aconteceu.

– Você quer que eu vou com você? – Mary fez uma cara de preocupada e pouco a pouco vinha se aproximando de mim.

– Não precisa, Gastin está morto e pelo que eu os conheço, eles só aguardam a minha pessoa. – Me pus sentado em minha cama, afim de ter uma visão melhor de Mary.

– Ok, de qualquer forma, entre em contato. – Disse ela me dando um beijo no meu rosto e sussurrando no meu ouvido um "boa sorte.".

Corro como nunca havia corrido antes, e se eu cruzava com um carro, eu apenas pulava, mas sempre seguindo em frente. trinta minutos depois, eu estava no portão do prédio de Pietro. Seu edifício era particularmente pequeno com apenas quatro andares. Era pintado com um tom de azul marinho que contrastava com o céu estrelado da noite. Visivelmente a luz da sala do terceiro andar estava acesa, lá é onde meu melhor amigo mora.

Ao chegar lá, obviamente não havia ninguém na portaria, minha única opção seria pular na sacada e torcer para que ninguém se assustasse. Envio uma mensagem para Therese, avisando o meu ato ousado. E pulo com todas as minhas forças. Quase que eu não consigo chegar lá, mas assim que eu apareço. Minha cúmplice abre a porta de vidro para mim.

– Você trouxe o caderno? – Disse Pietro que se encontrava atrás da "minha porteira particular".

– Sim... – Assim que eu disse essas palavras, Therese pegou pelo meu braço e me arrastou para a sala. Lá estava todos os meus amigos, e obviamente nenhum deles me olhava nos olhos.

– Balance suas anotações e leia o que cair dele – Disse Therese.

– Meu caderno não tem nenhuma folha solta. – Afirmei estranhando as palavras dela.

– Lê logo seu idiota, tem um lance aí. – Disse Pietro.

Abro o meu antigo caderno de anotações. Dele cai uma carta, uma que não foi feita por mim, mas o que poderia ser? Espere, essa é a carta que eu vi em meu sonho. Droga, o que será que tem dentro dela, e se meus amigos escreveram isso para dizer que não querem mais minha amizade? Mas não faz muito o perfil deles.

– Ryan, você não vai ler? Sério, todos estamos muito decepcionados com você e tu ainda faz uma coisa dessas. Por sua culpa, todos nós fomos enfeitiçados para acreditar que o suposto Wesley era meu irmão gêmeo, sendo que eu nunca tive nenhum irmão. – Disse Joana.

– Essa sua teoria é plausível, mas... – Fui interrompido.

– Não é teoria, ele nos contou a maioria das coisas. – Joana apontava para Amohi que saia da cozinha e ia em direção a sala.

– Amohi, Mary sabe que você está aqui? – Indaguei.

– Ela que pediu para que eu viesse. Nós estávamos na sua cozinha discutindo a possibilidade de desfazer o erro que fizemos na sua vida, então decidimos que eu viria e tentaria diminuir todas as dúvidas de seus amigos. – Amohi dava um leve sorriso.

– Vamos Ryan, abra essa carta e leia para nós. – Disse Marisa com uma voz trêmula.

"Caro Ryan, sei que você vai reconhecer essa letra e logo vai dizer. "Isso é coisa da Marisa." Você é um pouco previsível também sabia? Nós sabíamos que havia algo errado com você desde que essa ruiva apareceu no nosso redor.

Chega de papo furado, quero lhe informar, que nós já tínhamos uma prévia do que estava por vir. Therese pouco a pouco foi mostrando o que houve com você, não te culpamos por cair nessa aventura, e além de tudo, nós sabíamos que se você tivesse nos contado, estaríamos correndo um grande perigo. Sei como você pensa em nós, só não queríamos descobrir dessa forma, afinal, nos conhecemos a tanto tempo.

Enfim, escrevemos essa carta para te dizer que nós fomos fracos em te prejulgar e tudo que está escrito aqui, são palavras que não conseguimos pronunciar para você. Quando te vimos daquele jeito, nós não pensamos em seus motivos. Agradeça a Mary e Amohi que nos explicaram tudo e nos ajudaram a encaixar todo o quebra-cabeças e advinha, a figura que formou é a de um amigo que está conosco todos os dias e põe seus amigos sempre para cima. Sempre pronto pra resolver nossas coisas, etc.

Ryan, nós te amamos, sempre soubemos que seu destino é grandioso. Fique bem e não deixe o peso das suas costas fazer sua cabeça abaixar, amigos são aqueles que carregam todos os fardos que você não dá conta. Nós somos uma espécie de familia louca e digamos que você é o paizão de todo mundo. Falaremos de novo e quantas vezes mais forem precisas, nós te amamos Ryan."

Eu apenas ri com várias lágrimas rolando em meus olhos. Depois de alguns segundos, todos da sala seguiram o mesmo destino idiota. E ao cessar de toda essa demonstração estranha cumplicidade.

– Vocês são os melhores amigos que alguém pode ter sabia? – Sorri.

– Podemos ser amigos, mas você pode nos mostrar aquela arma que você tava usando? – Disse Therese com os olhos brilhando.

– É mesmo, quero analisa-la de perto, parece muito especial. – Disse Pietro coçando o queixo em uma tentativa de lembrar o formato de minha flamel.

– Korir Eligor. – Pego minha lança no ar.

– Vamos Marisa, diga alguma coisa. – Disse Joana.

– Você pode ser meu melhor amigo, contanto que você me mostre como se faz aqueles movimentos com isso daí. – Disse Marisa corando.

– É claro que eu mostro. – Todos gargalharam.

Notas finais
Yo, obrigado por ler. Comente, mande reviews e em breve sairá outro capítulo. Welldone, Cya.