Notas iniciais
Desculpem o atraso, peguei um princípio de dengue bem hardcore, então tive de atrasar, pois se eu fizesse o capítulo do jeito que estava, o mesmo perderia qualidade. Diversas pontas são abertas nesse capítulo, cada vez mais a minha história está ficando misteriosa. Eu amo isso, é claro que no final das contas, tudo estará esclarecido.Espero que vocês curtam, boa leitura.

— Q-q-quem é você? – Disse extremamente assustado.

— Sou o Amohi da resistência Jandariana.

— Jan o que?

— Que bom que você recebeu meu recado. – Dizia Mary enquanto descia as escadas.

— Mary, ele estourou os vidros da minha casa, e você ainda me diz que você o conhece ? Só pode ser brincadeira. – Disse fitando os dois.

— Desculpa garoto, vou troca-las e você nem vai perceber, ok? – Disse Amohi pondo a mão em minha cabeça, quase envolvendo-a como se fosse uma bola que ele estava prestes a arremessar.

— Mary, ele citou algo sobre uma tal resistência, o que é isso?

— Explique ao Ryan que tudo tem seu tempo. – Disse Mary fitando Amohi com uma cara furiosa. Ao que tudo indica, ela botava medo até em homenzarrões como ele.

— S-s-sim, Ryan, você já ouviu a Mary.

— Ela manda em você? Então eu tô mais encrencado do que eu achava. – Pensei mais alto do que devia.

— Vamos, temos muito a tratar. – Disse Mary, que num piscar de olhos ela e o grandão sumiram.

Droga, eu não entendia quando era um esquisitão, mas agora são duas pessoas totalmente estranhas para tomar conta da minha vida? Quanto tempo essa loucura vai durar? E o Amohi falou algo sobre resistência Jandariana, ou algo assim. Será que eles são radicais de um país pequeno do mundo? Eu nunca ouvi esse nome. São muitas dúvidas, melhor eu ir dormir, não faz sentido eu queimar meus neurônios com essa palhaçada.

Eu estou em um lugar escuro, tudo que eu vejo é uma silhueta muito familiar, com ela está um sorriso sádico e dois corpos estirados no chão. Espera, eu conheço essas duas pessoas. São meus pais. O que eles estão fazendo ali? Logo aquele sorriso toma conta de tudo e fica retorcido. Diversos flashes aparecem. A massa semi formada fica mais visível, meu Deus, isso é...

Acordo completamente desesperado e ofegante. O que foi tudo aquilo? E de quem era aquele corpo com aquela expressão tenebrosa? Droga, se eu pudesse ter sonhado um pouco mais, talvez eu teria descoberto qual o significado daquilo.

Enquanto estou tentando recuperar meu fôlego, Mary aparece na porta do meu quarto segurando uma caneca de café.

— Toma, você vai precisar hoje. – Disse ela.

— Eu não entendo. O que a gente ta fazendo? Qual o seu problema ? Desde que você apareceu várias coisas não fazem mais sentido e ainda tem esses sonhos estranhos que eu tendo. – disse com mais força do que era necessário.

— Tudo ao seu tempo. Sobre esses sonhos, são visões que mostram uma parte do seu passado, presente e futuro, não que você seja um tipo de vidente, mas isso é um mistério pra mim também. Em breve você vai entender o significado de tudo.

— E quem decide quando eu posso saber das coisas?

— Você mesmo. – afirmou Mary.

Se aquelas visões são pedaços da minha vida, aquele sonho significa que eu conhecerei quem matou meus pais? E aquele sonho sobre o "Tribunal", isso vai acontecer mesmo? Aquele lugar parece ser de outro mundo. No final das contas, nós não somos donos do nosso próprio destino? Ou seria uma entidade brincando com a minha alma?

Meu relógio desperta mesmo que não seja dia de colégio e me tira dos meus pensamentos.

Ao contrário do que eu achei ela não desapareceu como sempre. Mary foi para o meu banheiro. Sinto que ela será bem "presente" na minha casa. Sou tão frágil assim ao ponto de precisar de guarda costas?

Ponho um rock bem pesado para tocar em casa, só para me acordar nesse sábado ensolarado. Faço uma mesa de café da manhã para nós e a chamo para comer. Ela passa em frente a janela da sala indo em direção a cozinha.

— Ryan preciso te contar sua história e do porque estou aqui. Sei que você não vai entender de inicio, mas preciso que você compreenda que não estou aqui por que quero. – disse ela depois de agarrar um pedaço de bolo.

— Minha história? Há algo no meu passado que eu perdi? – Disse em tom de deboche.

Ela sorriu e se levantou. Segurou minha cabeça e encostou minha testa na dela.

Estabelecemos assim uma conexão que vai além de tudo que posso e sou capaz de descrever. Eu viajo nos pensamentos daquela mulher que eu conheço como Mary. Percebo que ela está aqui para me proteger, mas de pessoas de outro planeta? Isso é novo. Sou a ultima ameaça desse pessoal alienígena. Supostamente, eu sou o único que pode derrubar toda essa corporação ou organização.

Logo essa conexão é cortada. Um barulho vem de minha porta, que num piscar de olhos, ela foi arrombada. Três homens de capuz e roupas negras, como aquele homem que invadiu minha casa da outra vez, todos eles portando a mesma lança que havia no teto da minha sala.

— Ryan, fuja daqui ! – exclamou Mary.

— Ele não sairá. A casa está cercada. – falou o homem do meio que parecia o líder deles.

Mary os atacou. Com sua agilidade ela golpeou um deles, mas logo outro acertou a lança em seu braço esquerdo. Só ouvi um urro de dor vindo de sua boca. Eu não podia ficar ali parado. Eles estavam atrás de mim e agora eu tinha certeza disso.

— Afastem-se dela agora! – gritei.

Os dois que ainda estavam de pé começaram a rir. Mary deu cabo de outro deles por essa distração. Mais três homens entraram pelas janelas da sala. Em um piscar de olhos, a situação se agravou muito mais do que eu poderia imaginar.

Eu tava cercado e Mary estava no chão com um ferimento na perna e em seu braço. Eles me seguraram, e nesse desespero vi Mary gritando para que eu fugisse logo, que eu não devia me preocupar com ela.

Não! Ninguém que quer me proteger morrerá na minha frente. Nunca mais. Não consigo aceitar a possibilidade de trazer sofrimento as pessoas que são próximas de mim. Principalmente a alguém que não conheço tão bem, eu sei que ela só está aqui por que eu não sou capaz de me proteger sozinho, não fugirei novamente!

— Ryan, por favor, corra! – Exclamou Mary.

— Eu não vou sair daqui. Não quero ver você sofrer, não quero que ninguém sofra por minha causa. Toda a dor que eu sinto pela falta dos meus pais é grande demais, não posso deixar mais ninguém morrer.

— F-f-u...ja... – Mary desmaiou de dor.

— Mary, não!

Um deles vem em minha direção tentando cravar a lança em meu peito. Tudo que aquela arma fez, foi se liquefazer antes de me tocar. Pude ver no espelho que estava do outro lado da sala, que o meu cabelo estava branco e meus olhos estavam numa cor vermelho sangue.

Consegui me soltar dos dois que estavam me segurando. O outros dois tentaram me ferir novamente, então me derrubaram. Foi quando vi que a lança que estava antes no teto, repousava em minhas mãos. Ela fala comigo, sinto o pulsar de sua energia cintilante. Sinto como se fosse uma extensão do meu corpo. Desejei que ela acabasse com o sofrimento de Mary.

— Faremos um trato descendente de Onir. Você me empunhará pro resto de sua vida. Eu serei sua única Flamel e você será meu único e digno portador. Acho que eu todos os meus 600 anos, eu nunca fui convencido a ter um empunhador, mas sua determinação é louvável. Para selarmos o pacto, me atravesse em seu peito e farei sua dor sumir.

Sem pensar duas vezes, atravessei a lança em meu peito ao ponto dela habitar em mim. Logo um clarão surgiu e quando pude novamente enxergar, os 4 homens que invadiram minha casa estavam mortos diante de mim e havia rastros de seus corpos dilacerados por toda a sala.

Vou em direção a Mary que estava desmaiada no chão. Quando a toco, suas feridas desapareceram e ela acorda tão espantada quando eu. Me olho novamente no espelho e meu cabelo e olhos já voltaram ao normal.

— Vou cuidar dos outros dois que estão lá fora. – disse ela.

Eu quis ajudá-la, mas era tarde. Ela já trazia consigo os dois homens mortos.

— Que Onir cuide de suas almas. Koh Ni Kuram. – Disse Mary

Todos eles se transformaram em pó que fora levado com o vento.

— Onir ? Aquela lança falou algo sobre eu ser descendente dele ou algo assim.

— Espera, a Flamel falou com você?

— Flamel? Esse é o nome dessas coisas? – Indaguei.

— Se ela falou com você de forma tão deliberada, provavelmente você tem um potencial maior do que eu imaginava.

— Tudo que eu fiz, foi somente pedir ajuda a ela. Não quero depender de algo, quero eu mesmo fazer a diferença e as vezes te proteger também.

Mary ruboriza.

— Err... Esses são os que estão atrás de mim? – perguntei já sabendo da resposta.

— Sim Ryan. Eles foram atraídos pela nossa conexão mental, que por sinal, foi mais forte do que eu esperava – Ela fez uma leve pausa e completou. – Por enquanto não poderemos mais nos conectar dessa forma, tenho de treiná-lo para que não tenha mais riscos.

Fiz que sim com a cabeça sem saber muito bem o que estava ocorrendo a minha volta. Olhei novamente para o teto e lá estava a lança que ainda me causa arrepios. Tentei falar com Mary sobre o que houve com meu cabelo e com a lança que se derreteu, mas ela já havia partido para seus interesses sem sentido para mim.

O que eu era? Eu me sinto melhor do que nunca. Algo que estava dormindo em mim, veio à tona assim que tive contato com Mary.

— Eu sei que não sou um vampiro, pois não queimei no sol. O que me resta é Lobisomem ou qualquer coisa dessas que é ferida com prata. – Refleti em voz alta.

Fui em direção a cozinha e peguei um antigo jogo de talheres de prata de minha bisavó, me pergunto o quanto isso iria queimar se eu realmente fosse um desses seres, assim que eu peguei a faca de prata e fiz um leve corte em minha mão já descobri que eu não era nada disso que passava na televisão.

— Afinal, o que sou eu ?

Notas finais
Oh Lord, o que será essa transformação de Ryan ? Muitas perguntas e muitas poucas respostas para as mesmas. Que responsabilidade é essa que Ryan carrega em seus ombros ? Nos vemos no próximo capítulo de Flamel. =pWelldone, Cya.