Notas iniciais
Oi lindoooooooas! Esse é um capítulo FLASHBACK. Ou seja, não é a continuação do capítulo anterior. Como deu para notar, Fix You se passa em um momento após o "felizes para sempre". Mas e antes? Como eram Rose e Scorpius quando elas não tinha a menor ideia do que iria acontecer a eles? Esse capítulo mostrará a vocês, nos mínimos detalhes. Espero que gostem!

Capítulo 7.: X&Y

"I want to love you, but I don't know if I can..."


Londres, 9 anos atrás.

Scorpius Malfoy, mesmo aos dezoito anos, já era uma versão perfeita de caras que prestavam atenção nas garotas só até conseguirem levá-las para a cama. Tinha um grupo de amigos na época do colegial que cercava a mesa do bar para falarem sobre mulheres mais velhas, zoarem as pessoas, fumarem baseado, beberem e beijarem na boca. Firefly era o local perfeito para isso, costumava reunir muitos grupos de amigos diferentes, sempre para curtirem uma banda nova a cada semana.

Namorava uma tal de Rebeca “Beca” na época. Nada muito sério. Amassos no armário da escola, boquete no vestiário, sexo no carro e, nos finais de semana, seu braço ao redor do ombro da garota enquanto aproveitavam a noite juntos no Firefly.

Estavam sentados com mais cinco amigos e as namoradas, enquanto tomavam cervejas, faziam apostas, brincadeiras estúpidas, risadas e todos os tipos de tentativas para aproveitarem a noite, bêbados. Tinham a visão fácil do palco onde uma banda feminina tocava músicas de bandas como The Donnas e The Runaways. Eram boas.

Scorpius e Beca estavam se beijando, a mão dele conseguindo um caminho safado dentro da saia dela, pela coxa, quando um dos amigos, Evan Smith, cuspiu a cerveja que estava tomando e interrompeu todo mundo da mesa.

“Que merda, Evan?”

Gozaram nessa cerveja ou o quê? Coisa horrorosa.” Evan virou o rosto para procurar o garçom. Já estava mais bêbado que todos. Chamou com um assobio. “Ei, veado! Erraram o meu pedido aqui! Eu não pedi cerveja esporrada!”

Atrás do balcão, Albus Severus escutou e fez um muxoxo enquanto lavava um dos copos na pia. Tentou ignorá-los, fingir que não escutava, mas os idiotas não paravam de chamar. Albus estava quase para mostrar o dedo do meio quando, com alívio, Rose Weasley se sentou no balcão em frente a ele, tampando a visão daquela mesa que ele odiava atender.

“Oi, Al.”

“Oi, Rose.”

Rose Weasley tinha várias sardinhas; no rosto, nos ombros, nas pernas. Os cabelos estavam curtos até os ombros, cacheados e mais vermelhos do que nunca. Geralmente ficavam assim quando se molhavam. A garota tirou o casaco encharcado do corpo e se acomodou no banco. Reparou que o amigo não parava de lançar olhares furtivos em direção a uma das mesas. Ela seguiu o olhar dele e fez um suspiro, de pena.

“E então você se pergunta como foi que qualquer um deles saiu da creche esta manhã.”

“Errei a merda do pedido e vou ter que voltar lá pra ouvir mais merda deles.”

“Deixa comigo.”

Albus franziu a testa, achando-a louca.

“Você nem trabalha aqui.”

“Vamos, me dê o boné.”

“Não, Rose. Eles vão te provocar também.”

O olhar teimoso dela venceu.

“Se eu perder meu emprego, você vai me pagar as novas HQs do Iron Man pra mim”, disse o garoto entregando o boné de garçom para Rose, e o bloco de anotação dos pedidos.

Rose, muito agitada, se aproximou da mesa dos riquinhos.

“Boa noite. Eu atenderei a mesa de vocês nesta noite. Qualquer reclamação que tiverem para fazer, podem me chamar que eu estarei muito disposta a ajudá-los.”

Sorriu abertamente para todos.

“Eu tenho uma reclamação”, disse Evan erguendo o braço, enquanto os outros engoliam as risadas. “Não me avisaram que você estaria me atendendo hoje, Weasley. Se eu soubesse, não teria vindo de cueca.” E fez um gesto na calça que indicava a ereção crescendo.

“Você quer um papel?” perguntou Rose, prestativa.

“Por que diabos eu ia querer um papel?” riu o cara.

“Não é motivo para se envergonhar” ela disse com seriedade. “É cientificamente comprovado que de oito a cada dez garotos sofrem de ejaculação precoce. Um guardanapo pode vir a calhar daqui dois minutos a você então, Smith.”

Ficaram um pouco surpresos pelas risadas terem mudado de lado, porque agora quem estava vermelho era o próprio Evan Smith.

“Mais alguém?” a ruiva sorriu disposta.

“Acontece que meu amigo aqui” disse Scorpius aparentando tédio “não gostou da cerveja que trouxeram. Seu amigo lá trás confundiu os pedidos.”

“Entendi. Uma nova cerveja. Bom, deixe-me pegar aqui a errada para trocá-la, tudo bem?”

Ela ignorou os olhares dos garotos; Rose era atraente, uma boa ideia para curtir, e tinha curvas necessárias. Não que ligasse para a aparência, mas sabia que não olhavam para ela por ela ter sujeira nos dentes. De fato, ela tinha belos dentes. E um sorriso contagiante.

Mas bem afiado.

Ela se inclinou na mesa entre Evan e Scorpius para pegar a cerveja. Ao fazer isso, aconteceu um acidente. Derrubou o líquido na calça de Evan. Caramba, que estabanada.

As risadas foram dessa vez mais altas. Evan se levantou bruscamente, por reflexo ao sentir o líquido gelado na virilha, o que foi um erro, porque todo mundo do bar viu a calça molhada.

“Não se preocupe, não se preocupe, não vamos julgá-lo. É cientificamente comprovado” disse Rose, entregando-lhes os guardanapos das outras mesas também.

“Vai se foder, Weasley!” retrucou Evan.

“Você pode ficar muito excitado com essa ideia e não temos guardanapo suficiente, desculpe.”

Scorpius precisou tampar a boca para mostrar que não riu, mas foi impossível. Rose notou. E notou que ele não tirou os olhos dela quando se afastou para pegar a cerveja certa, ainda ouvindo os caras rindo do amigo. Rose viu a expressão inconformada de Albus atrás do balcão, ele estava com o queixo caído e a mão com o pano presa dentro do copo, paralisado. Recebeu uma piscadela da prima.

No momento em que voltou para a mesa dos idiotas, Rose abriu a garrafa e serviu todo mundo ali, só esperando um deles fazer alguma piadinha idiota sobre ela ou sobre Albus. Acontece que todos decidiram voltar a cuidar de suas vidas porque quando alguém não dá a mínima para o que você fala ou pensa, tudo perde a graça.

“Não, não precisa, eu coloco para mim”, Scorpius fez um gesto com a mão, interrompendo-a. Os dois se encararam. Um contato de olhos cinzas e olhos azuis. Ele era o mais sério dali, e, se possível, aparentemente o menos detestável. “Obrigado.”

Deixou a garrafa para ele, e estava para andar até Albus, quando ouviu a voz de Beca, sentada no colo de Scorpius:

“Esqueceu de colocar para mim, Weasley.” Havia um quê de veneno no tom dela.

“Oh. Eu não trabalho aqui” disse Rose com simpatia fingida, afastando-se.

Scorpius acompanhou os passos dela até vê-la se acomodar em uma mesa mais distante, com outro grupo de amigos. Rebeca não reparou nas inúmeras vezes que, contra a própria vontade porque aquela ruiva não era o seu tipo, Scorpius se pegou sempre buscando Rose com o olhar.

Essa garota tinha um ar tão solto e leve que fazia Scorpius sorrir, apreciando a visão do corpo dela enquanto ela dançava na pista perto do palco com as amigas. Sentiu-se tentado a se aproximar, exatamente por trás, colar o corpo ao dela e dançar no mesmo ritmo enquanto cheirava o pescoço dela. Estava quase deixando Beca para trás, mas viu Rose ser interrompida por um rapaz e os dois, depois de trocarem algumas palavras, começaram a beijar.

Existem sempre dois tipos de mundo.

O mundo de Rose Weasley era definitivamente alto, cheio de rock n’ roll, blues, bares, amigos, estudos, abraços e beijo na boca. O mundo de Scorpius Malfoy era absolutamente rico, cheio de pessoas muito importantes, festas caras e, pelo que parecia, garotas aos seus pés. Rose usava camisetas de suas bandas favoritas e uma bolsa com chaveiros personalizados. Scorpius parecia ser o garoto propaganda da Calvin Klein e tinha um relógio caríssimo no pulso esquerdo. Rose dirigia um Dodge humilde com a quilometragem para contar história (presente de seu coroa que substituiu os pôneis de aniversário aos dezesseis). Scorpius dirigia impecáveis BMW – para especificar, era a terceira desse ano.

Sabia que Rose tinha aversão pelos amigos dele, evitava ao máximo chegar perto da panelinha quando estava caminhando pelo corredor do colégio com o melhor amigo geek. Sabia que Rose não era interessada em coisas supérfluas, em dinheiro, em idiotices, em beber até cair e se drogar até perder a linha. Não era esse tipo de garota para se divertir. Ela teve alguns namorados, mas não era rodada. Trabalhava em uma loja de CDs mesmo que existisse pirataria. Tinha bons princípios.

Scorpius sabia que existiam certos limites que ele não podia ultrapassar. Seu avô era exigente com suas escolhas de namoradas – tinham que ser ricas e com futuros garantidos. Não que ele se importasse com o que a família pensava, ele só poderia comê-la em uma noite e depois ir embora.

Mas tentou evitar Rose Weasley. Não era da liga dele, não era do seu mundo. Havia tantas outras garotas, por que correria atrás dela para uma noitezinha insignificante só para sanar sua vontade e curiosidade?

Existia sempre uma parada no semáforo, que ambos frequentavam a caminho da escola toda manhã. Paravam com seus respectivos carros lado a lado; fácil dizer que era o único momento em que se cruzavam. Scorpius, naquele dia, tentou não olhar para o lado e ver o rosto de Rose absorto na pista a sua frente. Ela tinha sempre o som ligado em um rock e batucava os dedos no volante com o ritmo da bateria, enquanto sincronizava os lábios com a letra da música. A única coisa que Scorpius fazia com os lábios era tirar o cigarro entre eles depois de tragá-lo.

Ele foi pego em flagrante olhando para ela. Não teve outra alternativa senão mandar um sorriso; Rose voltou a olhar para frente, estranhando o momento.

O semáforo abriu. Scorpius jogou o excesso das cinzas do cigarro antes de dar partida. Nessa fração de segundo, porém, ouviu um baque estrondoso ao seu lado; um carro tinha acabado de ultrapassar o sinal vermelho quando o Dodge de Rose se adiantou no cruzamento. No meio da rua, a colisão foi certeira na lateral do carro dela.

Scorpius xingou e saiu rapidamente, tropeçando. O carro que a atingiu deu marcha à ré e desapareceu. Ele correu com todas as energias para tentar alcançar a vista da placa do carro, porém memorizou somente as três primeiras letras.

“Merda.” Ele se deu conta de que Rose não tinha saído do carro e voltou para ajudá-la depressa.

Um suave fluxo de sangue escorria pela têmpora direita de Rose. Scorpius abriu depressa a porta e a ajudou tirar o cinto. Observou as mãos trêmulas de Rose verificando se a dor era resultado de um corte e ela ficou pálida, zonza e confusa quando viu o líquido viscoso nos dedos.

“Você está bem?”

“Que merda aconteceu? Por que... meu pai vai ficar furioso... furioso.”

“Está preocupada com isso? O filho da puta ultrapassou o sinal e você tá sangrando.”

Ela viu que Scorpius estava tentando contatar a emergência para avisar sobre o acidente, pelo celular, então depressa falou:

“Não, não, não. Eu estou bem, eu só...”

“Você precisa ficar sentada, beleza?”

“Olha. Não precisa fazer isso. Eu ligo com o meu celular...”

“Posso fazer a minha parte como cidadão? Obrigado. Cala a boca”, ele a interrompeu antes que ela dissesse outra coisa. Rose não soube como alguém conseguia ser estúpido e afável ao mesmo tempo, mas Scorpius certamente era bom nessa contradição. “Você está machucada. Deixe-me ajudá-la.”

“Eu acho que consigo sair do carro.”

“Olha, eu não entendo porra nenhuma de primeiros-socorros, se você desmaiar na minha frente...”

Ele derrubou o celular para desocupar as mãos e segurar Rose antes que ela caísse. Foi um reflexo tão rápido que Rose ficou surpresa; Scorpius também. Os dois se entreolharam.

“Foi só um tropeço”, retrucou ignorando o olhar dele de eu te avisei.

“Você é malditamente orgulhosa, hein?”, perguntou, bufando.

Aos poucos ele foi soltando ela para ter certeza de que a garota não caísse de uma vez. Rose percebeu que estava com a palma da mão no abdômen dele. Maldito futebol e maldita academia. Ela sentiu os músculos contraídos por cima da camisa dele; a batida contra a cabeça com certeza desfigurou seus miolos, porque ela só teve um pensamento quando os dois se separam:

Que. Gostoso.

Enquanto ele a levava para o seu próprio carro, decidiu confirmar:

“Rose Weasley?”

“Sim.”

“Eu sou Scorpius Malfoy.”

“Eu sei que é.”

“Estudamos na mesma turma de biologia.”

“Literatura”, a garota corrigiu, o que decidiu ter sido um erro porque isso só demonstrou que ela já reparou nele. Foi tarde demais para desfazer o momento, porque Scorpius abriu um sorriso que mostrava os dentes perfeitos.

No hospital, Rose foi atendida brevemente em uma pequena sala onde a enfermeira verificou sua coordenação motora e fez alguns pontos no local do ferimento em sua testa. Não tinha sido grave, o que aliviou Scorpius; o rapaz observava a enfermeira tratando Rose, sentado na cadeira ao canto da pequena sala.

Quando a enfermeira saiu, os dois se viram sozinhos.

“Não se sinta obrigado a ficar aqui”, ela disse. “Eu volto pra casa ainda hoje e meus pais estão vindo me buscar.”

“Eu me sinto um pouco responsável por isso.”

Ela ergueu uma sobrancelha.

“Não foi você que ultrapassou o sinal vermelho e fodeu com a lateral do meu carro.”

“Bem, você estava distraída porque me viu te olhando. Se não tivesse ficado sem jeito, teria prestado atenção e visto o carro acelerando do outro lado.”

Ela revirou os olhos, tratando as pontadas de dores na cabeça com uma pequena bolsa de gelo.

“Você é inacreditavelmente convencido.”

Ele se recostou na cadeira e cruzou as pernas do jeito que homens fazem, embalando as palavras na garganta para admitir:

“E te acho linda.”

Seriamente.

Ao ouvir essa declaração sem escrúpulos, Rose soltou uma risada estrangulada. Uma risada que sai de você sem querer. Aquela risada que você solta quando escuta algo absurdo. Ela até tentou abafá-la.

Quando se recompôs, Rose pigarreou e disse:

“Ainda bem que era por isso. Eu estava ficando preocupada que você fosse um maníaco que estava querendo me sequestrar.”

Scorpius riu com gosto. Riu de verdade. Ele se deparou gostando da presença dela e o modo como ela não se sentia na obrigação de levar tudo a sério. Mesmo tendo sofrido um acidente que poderia ter sido muito grave, Rose Weasley estava lá, mostrando um sorrisinho, batendo um papo descontraído. Talvez essa fosse sua maneira de se tranquilizar das coisas. Uma boa estratégia.

Tiveram uma troca de olhares.

“Você não gosta muito de mim, não é?” ele quis confirmar o que já era um fato.

Ela ergueu os ombros, tirando a bolsa de gelo do rosto e Scorpius interpretou isso como sua resposta positiva. Restou apenas um suspiro antes de se levantar. Quando estava a caminho da porta para ir embora – Scorpius podia ser galinha, babaca, idiota, mas não era o tipo de cara que insistia – Rose disse baixinho:

“Obrigada. Por me ajudar hoje.”

“Fique bem, Weasley.”

Quando dois mundos diferentes se colidem, a consequência é catastrófica. Mas não havia consequências para ele, naquela época só havia resultados. Rose era adoravelmente intimidadora, e isso o fazia querer desistir e querer ficar ao mesmo tempo.

Decidiu querer ficar. De fato, a opção “desistir” não estava nem em seus planos.

Esse foi o primeiro erro.

Notas finais
Teremos mais alguns capítulos-flashbacks no decorrer da fanfic! E essa foi a única estratégia que eu encontrei para ter a chance de, em algum momento, mostrar a Astoria viva. Espero que tenham gostado desse e deixem reviews que eu amo. Obrigada pelo retorno que estão dando, nada mais justo do que postar bem rápido os capítulos já prontos. Até o próximo ;P