Capítulo 8.: Idiot

"So I was an idiot
I was a goddamn idiot..."

Nunca foi acostumado com o gosto amargo da derrota. Nos tribunais, Scorpius era brilhante, sagaz, inteligente e manipulador. Conduzia as perguntas para uma resposta contraditória; a quantidade de vezes que seu adversário levantava e gritava “Protesto!” em um mesmo julgamento já resumia que suas estratégias não eram nada sutis.

Porém a vitória nunca era certa. Estatísticas apontavam que seu maior número de derrotas no tribunal se deu quando não existia a presença de um júri. Ele sempre tinha o júri nas mãos. Sabia conquistar, tinha carisma, era bonito e seus argumentos afiados.

Alguns diziam ter herdado a habilidade de seu avô. Promotor renomeado internacionalmente, recusou inúmeras propostas para se tornar Juiz pois tinha um gosto absoluto por pressionar testemunhas e não julgar casos. Lucius Malfoy era uma lenda. Mas não era sua inspiração.

Quando se lembrava dos casos que sua mãe defendeu quando ele era mais novo, sabia que ela era e sempre seria sua inspiração. Tinha dias que Scorpius se culpava por Astoria ter morrido, mas já diziam que ela tinha alguns inimigos que saíram da prisão e buscavam vingança contra a pessoa que os colocaram atrás das celas. Não foi um acidente, foi esquematizado. O detalhe de que sua mãe estava falando com ele no celular era apenas uma infeliz coincidência, não a causa.

Seus pensamentos foram interrompidos pelo barulho muito semelhante ao da água sendo sugada pelo ralo da pia. Lentamente afastou metade do jornal que estava lendo para ver o que era: Zoe finalizando o milk-shake pelo canudo. Estavam em uma lanchonete, e era engraçado como ela fazia de tudo para a sobremesa nunca sumir da sua frente, pois sabia que seu pai não ia comprar outro.

Mesmo assim a garotinha tentou:

– Posso beber mais um?

– Quer gelar o cérebro? – ele questionou. Ela olhou espantada negando veementemente com a cabeça. – Então não pode beber mais um.

Zoe juntou as mãos nas bochechinhas e ficou encarando Scorpius a sua frente. Ao notar que o pai estava distraído lendo o jornal, ela testou sua atenção fazendo bocas e caretas para ver se ele finalmente olhava para ela.

Zoe sabia que ele era muito diferente da mamãe. Se Rose flagrava Zoe fazendo caretas, ela se juntaria como se estivessem em uma competição. Mas o papai era um homem bem sério, e depois de um tempinho sem resposta, Zoe sossegou.

Ficou observando o papai pelo banco do carro quando ele estava levando ela de volta para casa. Será que ele tinha se cansado de ficar com ela?

Estava começando a se sentir chateada quando Scorpius perguntou:

– Não pediu para ver o céu hoje. Aconteceu alguma coisa?

– Pai, é verdade que o cérebro congela?

Ele soltou uma risada. A garota não tinha parado de pensar nisso o caminho todo.

– Eu só estava brincando. Não congela de verdade.

Mas não era a resposta que ela queria ouvir. Zoe contou:

– Sabia que zumbis comem cérebro?

– Quem disse isso pra você? – ergueu uma sobrancelha.

– O meu tio Albus disse. Zumbis comem cérebros. Se um dia o mundo for atacado por zumbis, que nem o meu tio Al fala que todos nós seremos atacados por zumbis, eu vou congelar meu cérebro e o zumbi não vai comer meu cébero porque vai estar tão gelado que ele não vai conseguir comer meu cérebro.

– Essa foi... – pensou um pouco – a ideia mais genial que eu ouvi na minha vida. Sério.

– Obrigada, papai.

– De nada, Zoe.

Estacionaram perto da entrada do museu que Rose trabalhava. Zoe tirou o cinto e pulou no assento passageiro. Scorpius se virou para ela, pronto para dizer alguma coisa, mas não sabia ao certo tudo o que queria dizer. Tirou um pedaço do cabelo dos olhos dela.

– Você está bem, papai?

– Eu? – fez uma expressão. – Eu estou ótimo.

– Você parece bem preocupado.

Como é que ela percebia isso?

– É por que eu corri no estacionamento aquele dia? Eu prometo não fazer mais isso.

– Levei um susto. Mas não, coisinha, eu não estou preocupado. Está tudo bem.

– Tem certeza?

– Absoluta. Não se preocupa comigo, beleza? Olha quem está saindo.

Rose descia a escadaria do museu ao lado de um senhor sofisticado. Os dois pararam na calçada, conversando, e ela apertou sua mão antes de caminharem para lados opostos. Mais duas pessoas vieram apertar sua mão. Pelo visto, o trabalho estava dando certo.

Zoe se virou para Scorpius e deu um abraço nele. Não foi apertado como ela costumava dar, mas foi mais carinhoso. Dessa vez a menina apoiou a cabeça em seu ombro e demorou um pouquinho para soltá-lo. Cochichou no ouvido dele:

– Você está triste porque mamãe está namorando com Paul?

– Estou feliz por ela – foi sua resposta ao se soltarem.

Rose viu seu carro e se aproximou, erguendo a mão para dar um sinal – ou para falar oi. Mal reparou que Zoe estava tirando uma coisa da mochila. Achou que ganharia mais um incrível desenho, mas...

Era o convite para o seu aniversário.

– Você vai, não vai? Vai ser em nosso apartamento. Todo mundo vai. Vovô, vovó, meus tios, os amigos da mamãe... e eu convidei minha melhor amiga hoje na escola!

– Já tem uma melhor amiga?

– Ela chama Amanda Mc... Mcmil...

– Macmillan?

– Isso! Você conhece?

Ele passou a mão na testa, tentando fortemente não fazer a expressão de “eu já comi a mãe dela e nunca mais liguei” para sua própria filha.

– O sobrenome é comum – respondeu. – E eu não perderia sua festa por nada, coisinha. Me espere por lá.

Zoe ficou feliz e saiu do carro contando para Rose:

– O papai vai na minha festa também!

Scorpius observou os detalhes do convitinho e imaginou como seria encantador rever todo mundo que o odiava no mesmo lugar.

***

– Pai, por favor, esse olhar não – disse Rose. Ron estava mastigando lentamente a coxinha, tinha os braços cruzados com o dorso encostado na parede e estava irritantemente calado. Rose passou perto dele com a bandeja de salgadinhos quando viu a expressão. – Já até sei o que vai dizer, então poupe-se.

– Ele não veio. Eu sabia que ele não viria – disse o sr. Weasley com uma certa satisfação no tom de voz. Satisfação de estar sempre certo em relação ao pai de sua neta.

Rose depositou os copos na pia e abriu mais uma caixa de salgados para colocar na bandeja.

Por que você o defende?

– Eu já disse que não defendo as atitudes do Scorpius! – ela retrucou. – Mas o senhor fica jogando a culpa nele e esse ódio pelo que aconteceu na minha vida, quando na verdade...

– Na verdade o quê?

– Eu fiz minhas escolhas. Ele nunca me influenciou nelas. As escolhas foram minhas. Escolhas completamente erradas, mas minhas. Então é por isso que eu não me sinto confortável quando o senhor joga esse ódio pra cima do pai da minha filha.

Zoe estava correndo pela casa com a amiguinha e entrou na cozinha para roubar mais salgadinhos, isso interrompendo a conversa de Rose e Ronald. Elas estavam ofegantes e sorridentes quando Rose ralhou:

– Não corra com o salgadinho pela casa!

– Desculpa, sra. Weasley! – disse Amanda imediatamente.

– Pode me chamar de Rose, Amanda. E eu estava falando com a Zoe. Você pode correr.

– Mãe! – a filha exclamou inconformada.

Rose riu. Quando elas ergueram os braços para pegarem os salgadinhos na mesa, Rose teve que erguer a bandeja, passando por elas.

– Esperem na sala. Se não todo mundo fica sem comida!

A campainha tocou no mesmo instante. Zoe ofegou “É o meu pai” e correu tão depressa para atender a porta que precisou esbarrar em Rose, derrubando a bandeja no chão na sala.

Só não foi uma decepção maior, porque a pessoa que estava atrás da porta nesse momento era a sua melhor amiga de todo o mundo.

– Tia Domi! – exclamou.

Dominique era alta, esbelta e tinha os cabelos mais longos, brilhantes e ruivos que Zoe adorava. A moça, que estava acompanhada com o namorado, abriu um enorme sorriso enquanto escondia seu presente nas costas. Zoe não sabia se abraçava ou pegava o presente primeiro.

Decidiu abraçá-la, porque estava com muitas saudades. Sorriu timidamente para o moço ao lado dela.

– Oi, ma chérie – ele tinha um sotaque muito estranho e engraçado e diferente. O namorado de Dominique inclinou-se para entregar-lhe um belo presente: a miniatura da Torre Eiffel. Zoe a pegou com todo o cuidado.

– Oliver veio direto da França, não estranhe o jeito engraçado que ele fala – piscou Dominique, aproveitando para entrar e beijar os outros familiares, matando as saudades.

– Mamãe, olha o que eu ganhei do namorado da Domi. – Zoe mostrou a Torre Eiffel na fuça de Rose, que estava recolhendo os salgadinhos do chão e tentando dar atenção as novas visitas.

– Muito lindo!

– Oliver, essa é a minha prima Rose, a mamãe da Zoe. Aquele vestindo a peruca azul é o meu primo Albus, aquela ali é a Lily que não para de mexer no celular, aquele dormindo no sofá e babando é o Hugo, esses são os meus tios, Ron e Hermione, e o que está tocando violão é o namorado da Rose, o Paul.

Oliver fez um aceno educado para cada um, apertando a mão de Paul por último.

– Sua filha é muito linda – disse o rapaz.

– Ela não... – começou a dizer, embaraçado. – Zoe é mesmo linda, mas ela não é minha.

– Longa história – cochichou Dominique, puxando o braço do namorado para eles se sentarem no espaço do sofá. Na mesinha de centro, Zoe rasgava o papel do presente da Dominique com a ajuda de Amanda. Era uma tiara linda, que fazia Zoe parecer uma princesa quando a pousou na cabeça.

– Como foi Paris, Domi? – quis saber Hermione.

Dominique olhava para Zoe, como se não acreditasse no que estava vendo.

– Com licença. – Dominique pegou o braço de Rose e levou ela para o banheiro. Fechou a porta. Tirou a bandeja da mão de Rose para apoiá-la na pia. Colocou a mão na cintura. E finalmente encarou a prima.

Não se viam há anos. Conversavam somente por mensagens, comentavam em fotos no facebook, mas fazia muito tempo que as duas não se encaravam.

E Dominique, com sua sinceridade afiada, não podia deixar de dizer:

– Eu estou brava com você, sabia? Me deixou com saudades da Zoe e ela cresceu tanto que eu estou querendo chorar. E sabe o que acontece quando eu choro?

– Você borra a maquiagem – adivinhou.

– Isso. E eu não posso borrar a maquiagem na frente do Oliver. – Suspirou, olhando-se no espelho. Ela estava lacrimejando. – Olhe pra você...

Voltou a olhar para Rose e a indicou com um movimento no braço.

– Eu achava que você estaria parecendo uns vinte anos mais velha, mas ainda continua uma delícia. Quando Zoe tiver dezoito anos, você vai parecer a irmã dela. – Tudo isso para Dominique resumir: – Estou orgulhosa de você. Brava, mas orgulhosa. Me abraça.

Rose riu quando foi puxada bruscamente para um abraço.

Depois de se abraçarem e chorarem e Dominique refazer toda a maquiagem, as duas saíram e voltaram para a sala. Zoe ganhou muitas coisas em seu aniversário naquele ano, incluindo novos livros, lápis, aquarela, bonecas e jogos. Ela não podia reclamar de mais nada, estava bastante feliz naquela noite, mas ainda esperava ansiosamente para ver o pai.

Mas quando sua mamãe anunciou que iam celebrar o parabéns e cortar o bolo, Zoe falou depressa:

– Espera o papai chegar, mãe, ele não chegou ainda.

A essa altura Rose já não tinha esperanças de que Zoe veria o pai dela naquela noite, mas não disse isso a ela até o momento. Ajoelhou-se para ficar quase a sua altura e sussurrar:

– Eu tentei ligar para ele, mas não atende. Ele deve estar preso em alguma audiência ou...

Fez um suspiro ao reparar na expressão da filha. A expressão de uma criança que nunca ia querer entender o que tudo isso significava. Julgamentos, audiência, tribunal. Ela só tinha entendido uma coisa:

Seu papai não veio.

– Ele disse que não perderia minha festa por nada! – Zoe enxugou os olhos, depressa, tentando não deixar as lágrimas caírem.

– Querida...

– Ele nunca vem.

– Olha quantas pessoas vieram no seu aniversário hoje. Vamos assoprar as velinhas, ok? A última coisa que eu quero ver é você triste no seu aniversário, querida. Por favor.

Zoe observava sua família batendo palmas, cantando e sorrindo. Sua mãe tirava fotos, os outros filmavam. Depois que foi sua vez de assoprar as sete velinhas em cima do bolo, Zoe assoprou forte, rápido, como se estivesse tentando canalizar um tipo de raiva que crescia nela.

– Zoe, tem que tirar as...

Ela saiu da cozinha cruzando os braços sem olhar para ninguém e só esperou que eles se despedissem dela.

Ron e Rose trocaram um olhar no momento das despedidas.

O avô se aproximou da menina deitada de barriga para baixo no sofá. Ele acariciou os cabelos dela e, dizendo “feliz aniversário, Zoe”, deu um beijo suave no rosto. Em seguida, despediu-se da filha para ir embora com Hermione.

Al foi o último de seus primos a ir embora. Tentou de todas as formas animar Zoe, mas ela não era fácil.

– Princesa Zoe – chamou o rapaz, sentado no chão para ficar na altura dela no sofá. – E se eu disser que finalmente deixo você pintar o meu braço com seus pinceis? Fazer uma enorme tatuagem bem aqui?

– Não quero...

Albus já tinha oferecido tudo, até pintar as unhas dos pés ele achou que Zoe se animaria, mas nada funcionou.

– Tudo bem, então. A gente se fala outro dia, princesa. Cavaleiro da Guarda-Real se retirando – ele disse seriamente. – Estou pulando do meu cavalo branco. Estou me retirando... Estou esperando a princesa me dar um tch-

Zoe correu até ele e o abraçou, talvez porque ela sabia que se arrependeria se não desse tchau ao tio Albus.

– O meu papai não veio – explicou.

Rose teve absoluta certeza de que Al ia dizer que o pai dela era um babaca, mas se surpreendeu porque Albus suspirou e segurou o rosto da pequena Zoe com as duas mãos.

– Então ele não sabe a festa que perdeu hoje. E você não vai contar a ele, vai deixá-lo muito curioso. Ele merece por ter feito isso. Agora. Cadê meu beijo? Um abraço não dá certo.

Finalmente conseguiu fazer a menina sorrir timidamente. Zoe deu um beijo nele e Albus foi embora.

Quando Albus foi embora, Zoe voltou a ficar mau humorado.

Rose observou a bagunça dos copos, papeis de presente e restos do bolo. Começou a limpar as coisas, guardando os presentes de Zoe na cozinha para organizá-los depois.

Paul fez sua tentativa de animar Zoe, mas mal sentou no sofá que a menina se levantou e se dirigiu para o seu quarto.

– Você tem que escovar os dentes antes de dormir – avisou Rose.

– Eu não vou dormir, tá bom? – respondeu grosseiramente.

– Não fala assim comigo. Zoe!

Rose só viu a porta fechar em sua cara.

– Ótimo. Vai ficar sem os seus presentes. Eu vou dar tudo para a caridade então, porque tem criança que precisa mais do que você.

– Nem me importo mesmo! – falou lá de dentro.

Ótimo!

– Ótimo!

– Ótimo! E se você fechar essa porta na minha cara de novo-

Abriu a porta de supetão e, com um susto, se deparou com Zoe chorando no travesseiro. Rose se recompôs e ficou calada, observando o corpo da filha trêmulo de soluçar.

– Ele disse que vinha! – a voz saía abafada pelo travesseiro em sua boca.

Nesse exato momento, alguém estava batendo na porta.

– Você tá de brincadeira comigo.

Mais batidas.

Bufando, Rose saiu do quarto da filha e no instante em que atravessou a sala, Paul tinha atendido a porta. Scorpius não esperou nenhuma permissão, entrou apressado. Sua mão estava vazia, não trazia presentes, e procurou a porta do quarto de Zoe. Como não conhecia o apartamento, estava abrindo qualquer uma menos a dela. Rose tentava acompanhá-lo.

– Cadê ela?

– O que você está fazendo agora aqui? – perguntou Rose diretamente. – Por que não avisou que não apareceria no aniversário dela, Scorpius? Por que ao menos disse que viria?

– Eu preciso conversar com ela. Cadê ela?

– Você não vai conversar com ela.

Sua afobação foi interrompida ao ouvir aquilo. Ele parou, respirando pesadamente. Rose não estava calma dessa vez.

– Você vai ter sempre um argumento. Uma explicação. E Zoe vai aceitar suas desculpas, porque ela ama você. E é injusto que você continue enganando ela.

– Enganando?!

– Ela não esperava você nos outros aniversários, esteve acostumada a ouvir sua ligação, ver sua imagem pelo notebook, mas você disse que viria hoje. Ela estava te esperando. Você sabe o quanto é decepcionante para uma criança não ver o que ela estava ansiando ver o dia inteiro na festinha dela? Ah, é verdade, você não tem a mínima noção!

– Não a afaste de mim, Rose!

– Nunca precisou da minha ajuda para isso!

– Eu estou aqui agora, não estou? Eu cheguei e estou com um presente... – ele apalpou o paletó, buscando pelo presente. – Merda, eu esqueci a merda do presente! Eu vou buscar, está no carro, eu...

– Pai?

Scorpius estava com a mão na maçaneta quando ouviu a voz dela. Virou-se e se deparou com a baixinha saindo da porta de seu quarto, segurando o walkie-talkie em sua mãozinha. Ele estava quase abrindo um sorriso aliviado – de que sua filha não estava chateada –, mas Scorpius, naquele momento, foi mais ingênuo do que uma criança.

Zoe entregou o walkie-talkie na mão dele.

– Você nunca deixou o seu ligado. É inútil.

– Zoe.

A menina deu as costas e voltou para o quarto. Scorpius se sentiu perdido. Simplesmente perdido. Ele depressa seguiu Zoe até o quarto, falando atrás da porta dela quase num sussurro:

– Zoe, por favor... eu não fiz de propósito. Eu queria vir mais cedo, mas...

Vai embora...

– Não diga isso. Não pede uma coisa dessa para mim.

Silêncio. E, para piorar, Scorpius sentiu a aproximação de Paul.

– Cara, tá tarde, é melhor sair.

– Não encosta sua mão em mim – ele disse de uma forma desprezível, quando o rapaz tentou afastá-lo com um puxão pelo braço. Scorpius recuou ajeitando o sobretudo. – Eu sei onde é a saída.

Procurou o olhar de Rose e se aproximou dela para dizer, quase ofegante:

– Se eu aparecesse ia ser pior, você sabe disso, não sabe?

– Pior do que decepcionar sua filha?

Ele passou a mão no rosto, incapaz de convencer a si mesmo de que fez alguma coisa certa. Foi um covarde. Um miserável idiota que machucava todo mundo ao seu redor por ser um covarde que sempre tentou fugir e evitar as coisas, especialmente confronto em família.

Inacreditavelmente, a sensação de que tinha decepcionado sua filha era pior do que o soco que ganhara de Ronald Weasley naquele mesmo dia, sete anos atrás. Na verdade, naquele momento, Scorpius merecia outro.

Notas finais
E essa foi a gota d'agua. Decepcionar a Zoe foi a gota d'agua. Mas esse é o momento mais importante da fanfic. O momento que Scorpius decide se vai continuar fazendo merda ou vai aprender a lição e mudar. Como acha que vai ser? Veremos no próximo capítulo. Até lá!