Fix You

24 What If


Notas iniciais
Milhões de desculpas! Eu sei que eu preciso ainda responder aos incríveis e inspiradores comentários do capítulo passado, eu sei que eu atrasei, sei que esse capítulo está minúsculo perto do que vocês merecem, mas espero que compreendam que eu estou escrevendo o máximo que posso, da maneira que eu consigo com o tempo que eu tenho. Não quero ser apressada com as coisas (Rose e Scorpius que os digam), Fix You tem muito o que rolar. Apesar de todas as coisas, espero que aproveitem essa semana o 24o capítulo e que continuem gostando e tendo paciência com esse casal tão (propositalmente) enrolado :) Boa leitura!

Capítulo 24: What If

"Every step that you take
Could be your biggest mistake..."

– Você vai o quê?

Albus se escondeu atrás do pilar para carregar a arma de tinta e não ouviu direito o que Rose, do outro lado do campo, disse para ele. Os dois vestiam coletes a prova bala, Al com uma mancha de tinta vermelha no pescoço e outra azul no braço. Rose observou se estava seguro para se aproximar e correu até ele.

– Sair com ele. Cuidado!

Atirou no adversário que corria atirando para todos os lados jatos de tintas coloridas, e salvou a pele dele.

– Presta atenção da próxima vez, Al.

– Desculpa. Não é todo dia que você me conta que vai sair com o pai da sua filha.

Descansaram quando a área ficou limpa, sentados no chão, as costas contra a trincheira de feno, recarregando as tintas.

– Nós... sabe.

– Não, não sei. O quê?

– Fomos à praia, ele está mais presente na vida da Zoe...

Ouviram passos contra o chão da pequena floresta. Ficaram silenciosos para apurarem os ouvidos. Os passos cessaram.

– Então... – continuou Al e fez a besteira de ver o olhar de Rose. – Tem mais coisa aí. Não foi só isso, foi?

– Não.

– Não? Não tipo "nós nos beijamos mais uma vez" ou um não tipo...

Albus conhecia Rose o suficiente para entender a expressão dela. Mas, antes que pudesse exclamar qualquer coisa perante tal confirmação de que ela tinha ido para a cama com Scorpius, um homem e uma menina surgiram em lados opostos da trincheira, atirando com as arminhas de tinta. Rose sentiu as tintas atingirem suas costas e, gargalhando, se protegeu enquanto Zoe ria maldosamente e atirava.

– Finalmente! Pegamos vocês!

Michael atirava em Albus e, Luke, sentado como um filhote de canguru com o apoio de uma sacola no peito do rapaz, mirava uma bexiga neles, mas ainda não tinha força para atirar muito longe então acabou errando o seu alvo.

– Sobrou mais uma, Zoe?

– Sim!

Ela tirou da bolsa dela uma bexiga e entregou na mãozinha de Luke.

– Aaaah – o garotinho exclamou e Albus se aproximou com a cabeça para sentir a bexiga estourar em sua cabeça. Luke gargalhou.

– Vencemos eles, eu disse que eles não seriam páreos para nós, Zoe.

Michael e Zoe fizeram um high-five.

– Muito, muito, muito engraçado – disse Albus, rindo sarcasticamente porque ele era do tipo que levava essas brincadeiras muito a sério. Só para ajudar, Michael acompanhou a dancinha da vitória com Zoe. – Muito maduro, vocês dois. Tudo bem, a Zoe tem sete anos. Mas você, Michael, eu esperava mais profissionalismo de você.

– Luke é o meu amuleto da sorte, não é, Luke?

– Aaaaah!

– É o nosso grito de guerra – traduziu Zoe.

– To muito suja? – quis saber Rose. Ela estava literalmente azul.

– Você tá parecendo um smurf! Olha, mamãe, eu não fui atingida nenhuma vez.

– Convencida você, não? Parabéns. Eu devo reconhecer que vocês fizeram um ótimo trabalho. Vem cá me dar um abraço, querida.

– Nãão!

Zoe correu imediatamente para Rose não alcançá-la. Mas os passos da mãe foram mais rápidos. Rindo, as duas caíram na trincheira e Zoe se rendeu, quando começou a se sujar com a tinta azul também, presa nos braços de Rose. Estavam registrando uma foto juntas quando Michael, Al e Luke se aproximaram.

– Sua garota leva jeito pra isso, Rose. Eu e Luke fizemos uma ótima equipe com ela.

– Quando vamos poder brincar de novo? – perguntou Zoe, ansiosa.

– Quando essa tinta sair do meu ouvido – respondeu Al fazendo-a rir.

– Mas por hoje já chega – disse Rose, só para estragar com a alegria de todo mundo. Acrescentou: – Temos que ir, não é, filha?

– Ah é! Mamãe vai sair com meu papai hoje.

– Por que não anuncia para o jornal também, Zoe? Ela está contando para todo mundo.

– É uma longa história – contou Albus quando viu a expressão de Michael. – Entre os pais dessa menininha aqui.

– Entendo – disse Michael. – Família é sempre uma longa história.

– Rose quer saber como você tem um filho – disse Albus diretamente, quando Rose começou a gaguejar uma pergunta.

– Luke não é o meu filho – contou Michael. – Mas é como se fosse. Minha irmã morreu há alguns anos, o pai biológico dele desapareceu e eu, como tio e padrinho, consegui a guarda do Luke.

– E seus pais?

– Era somente Samantha e eu. Ela era mais velha e cuidava de mim. Minha mãe faleceu no meu parto, então nunca a conheci. Nosso pai, bem, nosso pai não é a melhor pessoa do mundo.

Os problemas que Rose enfrentou pareceram banais perto dos dele, o que fez ela admirar o novo namorado de Albus. Afinal de contas, o cara tinha o sorriso mais brilhante, sempre de orelha a orelha, apesar das dificuldades que enfrentou. Rose teve quase certeza que tudo isso era culpa do pequeno Luke. Toda essa força.

– E você realmente é dono desse lugar?

– Alguns investimentos aqui e ali. E tem lugar para festas de crianças também. Al me contou que a Zoe vai fazer oito anos daqui algumas semanas... Se quiserem arrumar uma festa por aqui, é só falar comigo e fazemos o orçamento agora mesmo.

Rose não respondeu a ele. Mas cochichou para Albus, alto o suficiente para Michael também ouvir:

– Casa com ele?

Albus deu um empurrão de brincadeira na prima, mas acabou sorrindo e acompanhando eles de volta para a recepção do clube. Michael era um talentoso empreendedor. Com menos de trinta anos já era responsável pelo nome de várias redes de entretenimento pela região e, sinceramente, conseguiu convencer Rose a aumentar a festa de aniversário para Zoe.

Durante aqueles sete anos da vida da filha, apenas havia um bolinho aqui e ali para assoprar as velas. A quantidade de vezes que Rose queria ter a chance de dar uma grande festa de aniversário para Zoe era incontável, mas com as correrias com as contas foi quase impossível. No entanto, seu trabalho em Londres estava rendendo um bom salário. Sem contar que Zoe estava em uma ótima idade para fazer uma festa com todos os seus novos amiguinhos na escola. O espaço que Michael mostrou a ela era o suficiente para as crianças e a família inteira de Rose aproveitar a noite, e deixar Zoe imensamente feliz.

– Meu aniversário vai ser aqui!? É tão graaaaaaaan... – a voz dela foi sumindo quando correu pelo espaço do ginásio. Luke tentou acompanhá-la e tropeçou com o joelho. Al o ajudou a levantar e, enquanto as crianças faziam folia, Rose e Michael apertavam a mão, prontos para negociarem.

– Filha! – chamou Rose e Zoe voltou correndo, ofegante. – Filha, Michael falou que eles fazem festas com temas... qual você quer?

A menina tomou fôlego e respondeu, sem pensar.

***

– Deixe-me adivinhar. Frozen.

Nove horas da noite. Os pratos ainda estavam vazios, mas as taças de vinhos, até o gargalo. Rose tomou um pouco do dela quando Scorpius, sentado elegantemente a sua frente da mesa para dois, adivinhou certo. Ele abriu um sorriso.

– Ela quer o vestido – continuou Rose. – Mas eu pesquisei por toda a internet, e só encontrei em um site. Iria demorar meses para chegar um igualzinho o que ela quer.

Podia-se dizer o que fosse sobre Scorpius, mas ele tinha os melhores ouvidos. Rose se lembrava de Dominique sempre se queixando sobre caras que nunca paravam de falar um segundo sobre eles mesmos em um encontro. Scorpius nunca foi assim. Ele sempre ouvia e, pelo olhar dele, ele sempre prestava atenção. Quando, é claro, ele queria.

E, para ele, não é difícil. Rose estava especialmente linda. O cabelo liso preso em um coque alto e as orelhas com brincos. Rose estava usando brincos. Ela nem acreditou que achou necessidade de usar acessórios para um simples jantar como aquele.

Exceto que não era simples. Scorpius a levou para um restaurante italiano. Novo em Londres. Nenhum dos dois havia frequentado o local antes e estavam esperando a comida para ver se iriam se arrepender. Por enquanto, estavam satisfeitos. A música suave, o ambiente, as pessoas. E Scorpius era exigente quando a coisa se tratava de agradar.

– Me avise se eu estiver falando demais sobre a Zoe – ela disse depressa. – Eu costumo... fazer isso. Muito.

O garçom chegou com os pratos. Enquanto saboreavam a comida do novo restaurante, Scorpius disse:

– Eu gosto do jeito que você fala dela e, sinceramente, eu poderia escutar a noite toda. Mas eu quero ouvir sobre você.

– O que quer ouvir sobre mim?

– Tudo o que eu mereço saber. Pelo menos essa noite.

Ela pensou um pouco. Delineando o círculo da garrafa de vinho com o indicador, distraidamente, Rose disse e sua voz era baixa, mas estava perfeitamente audível para Scorpius:

– Estou feliz que você me chamou para jantar. Que você não se escondeu. Que você atendeu meu celular quando liguei. Que você não está fugindo.

Ele recostou-se à cadeira ao ouvir aquilo.

– Agora é sua vez.

De alguma forma, ele esperou por tal desafio. Foi com mais um pouco do gole do vinho que Scorpius reuniu as palavras que saíram a seguir:

– Eu estava nervoso para esse jantar. Não quero foder tudo de novo.

Rose não esperou que ele fosse dizer tanto. Um pouco surpresa, não com a quantidade, mas com as escolhas das palavras, ela ergueu os olhos para ele e abriu um pequeno e desacreditado sorriso.

– É isso o que mereço saber hoje?

– Merece saber mais – admitiu ele. – Mas quero reservar para os próximos jantares.

Isso a fez rir.

– Muito esperto, Malfoy.

– Isso é um sim?

– Calma aí. Ainda nem terminamos esse.

– Sim, é um sim – disse para si mesmo, sorrindo. Ergueu a taça para mostrar ao garçom que precisava de um pouco mais.

Rose não iria se sentir ruim se ele decidisse levá-la a uma lanchonete para comerem pizza ou hambúrguer. Rose era do tipo que se importava com a companhia e Scorpius, apesar de tudo, sabia ser uma boa.

***

Cupcake estava olhando para as duas, sentadinho no tapete da sala. Zoe de um lado do sofá, com as mãos juntas no colo, e Narcissa sentada do outro, com as pernas cruzadas. Ambas assistiam a um programa aleatório na televisão. Narcissa queria assistir programas sobre jóias, mas Zoe queria ver desenhos.

– Pode colocar no desenho agora que está passando o comercial? – a menina perguntou com educação.

Narcissa apertou o botão do controle e trocou de canal, com má vontade.

– Você gosta disso? – perguntou Cissy inconformada. – As piadas não têm o mínimo de humor. E desde quando um ornitorrinco é capaz de salvar o mundo?

– É só um desenho, vó Cissy. As coisas não precisam ser reais em desenhos.

– Quem disse?

– Todo mundo disse.

– E você acredita nessas baboseiras?

– Eu me divirto bastante. Sabia que eles estão de férias em todos os episódios? Phineas e Ferb nunca vão à aula.

Apoiando a mão na cabeça, Narcissa teve que aturar o desenho nos próximos três minutos. Quando ela piscou de sono, a risada alta de Zoe a acordou de supetão.

– Estou entediada – anunciou Cissy enquanto Zoe se recuperava das gargalhadas com o desenho.

Zoe parou de rir quando Cissy se levantou. O olhar da menina seguiu os passos da bisavó para a cozinha, um pouco decepcionada.

– É minha vez de tirar do desenho, vó Cissy. Olha. Eu coloco no canal que você estava assistindo...

– Não se incomode, criança – disse Narcissa fazendo um gesto rápido com a mão. – Preciso voltar a trabalhar na minha peça.

Zoe pulou do sofá, assustando Cupcake.

– Posso te ajudar?

– Não. A peça não é pra crianças. Se bem que... – ela olhou para Zoe como só tivesse visto a garota naquele momento. – Se bem que eu estou trabalhando em um flashback. A personagem principal está com a sua idade. Cinco anos você tem, certo?

Por alguma razão, Zoe a olhou bem brava.

– Eu vou fazer oito!

– Oito? Você puxou o meu lado da família, então, por parecer tão jovem. Imagine aos sessenta, vai parecer com vinte. Continue assim, Zoe.

Zoe se confundiu. Cissy estava sendo legal com ela? Por fim, a mulher fez outro gesto com a mão.

– Venha, tem algumas falas que eu preciso ouvir em voz alta.

***

Era como uma programação que nunca saía como o programado. Enquanto saíam do cinema, depois do jantar, os dois estavam discutindo.

– Mas qual era o plot, afinal de contas? – ela perguntou. – Não teve enredo algum.

– Bem. Eu comprei um ingresso para um filme qualquer. Mas você presta atenção em todos os filmes. Mesmo que você não goste, você presta atenção em todos.

– E não era para eu prestar atenção?

– Não. A finalidade do cinema não é para ver o filme, Rose. Até parece que depois de anos, você ainda acha que é para ver filmes.

– Para qual finalidade seria então?

O sorrisinho dele respondeu tudo.

– Se eu pago para ver um filme, minha expectativa é de assisti-lo! É irritante ter um casal a sua frente enfiando a língua na boca um do outro. Eu quero prestar atenção no filme e eles estão lá quase transando na minha frente. Não, obrigada. Prefiro um lugar...

– Mais calmo e vazio. Eu sei.

Ele segurou a cintura dela para encostá-la na parede da calçada em que caminhavam. Sussurrou:

– Eu já estava me esquecendo como tem coisa que eu não suporto em você. Essas manias, essas frescuras.

– Desculpe por fazê-lo lembrar o pior de mim. – Ela acabou sorrindo, mesmo assim, como se o irritasse de propósito. Mas ela não o irritava.

– É incrível como isso não muda nada.

Ele inclinou o rosto para tocar os lábios dela, fraquinho.

– Eu quero você do mesmo jeito.

Beijaram-se mais uma vez. Os corpos próximos a ponto de tirarem qualquer espaço entre eles.

– E eu espero só um pouco... – desceu os lábios quentes até o pescoço dela – que você ainda me queira... apesar de todos os meus problemas.

– Você precisa se dar um pouco mais de crédito, Scorpius.

Ele se afastou um pouquinho para dizer.

– Toda a minha vida eu bloqueei as pessoas. É mais fácil machucar do que ser machucado. É mais seguro. Mas eu não quero ficar mais seguro. Quero ficar... bem. Você me faz bem. Sempre foi assim.

Ele confessou mais do que Rose esperava. Ela o beijou, apertando-o no rosto, sentindo a barba mal feita roçar os dedos. Sem dar tempo de o rapaz retribuir com a mesma intensidade, ela o empurrou, mas não o suficiente para afastá-lo. Sorrindo e puxando-o pela mão, atravessarem a rua.

– Eu sabia que tinha algo familiar por aqui.

Ergueram os olhos para o letreiro brilhante e azul. Firefly. Às vezes não tinha como escapar. O passado perseguia, mesmo que na forma de um local que ambos frequentaram durante tanto tempo.

– Quer ver como está lá dentro? – ela perguntou curiosa. – Em dez anos alguma coisa deve ter mudado, certo?

– Vamos ver.

Quando atravessaram a porta de entrada, surpreenderam-se por não ouvirem a batida da música eletrônica ou das bandas desafinadas no palco. O único som que podiam ouvir eram murmúrios e uma voz masculina citando alguns números pelo microfone.

Rose e Scorpius saíram gargalhando.

Eu não acredito.

– Quem era a pessoa mais jovem de lá?

– Provavelmente alguém com cinquenta anos.

– Desde quando a Firefly foi substituída por uma casa de jogos de bingo?

– Deixem aquelas senhoras saberem o que os jovens aprontavam naqueles banheiros.

– Ou atrás do palco.

– Ou nas cadeiras.

– Ou embaixo do balcão das bebidas.

No momento em que chegaram ao carro de Scorpius, os dois ainda estavam inconformados pela mudança que presenciaram. Rose até chegou a pesquisar na internet do celular o que aconteceu com o lugar. Enquanto Scorpius dirigia de volta para o apartamento, Rose contou:

– Aqui diz que eles tiveram que trancar o local devido ao grande número de vendas de drogas.

– Ótimo. Um mundo melhor para a Zoe, então.

Ela concordou.

Chegaram ao prédio alguns minutos depois. Atravessaram a recepção, onde Scorpius fez um rápido oi para Portia, ocupada no telefone que acenou com a cabeça, e chegaram até o elevador. Por sorte, estava vazio quando Rose entrou com ele.

Sorriram um para o outro. Elevadores eram silenciosos.

– Foi bom – ela disse, cortando o silêncio que, dessa vez, não era tão ruim. Scorpius estava a sua frente, com aquele tipo de olhar que a deixava sem saber onde fixar a própria atenção. Mesmo que eles se conhecessem há anos, ainda pareciam dois adolescentes inexperientes.

– Eu só espero que, enquanto isso, minha avó não tenha tentado cozinhar com a Zoe dentro de casa. Seria um desastre.

No momento que Scorpius abriu a porta e deu passagem para Rose entrar primeiro, os dois tiveram uma leve surpresa com a cena que viam entre Cissy e Zoe.

Scorpius teve certa preocupação por deixar a filha com a avó, uma vez que Cissy nunca se demonstrou assídua por crianças. Não tinha paciência para programações bobas que crianças exigiam, como desenhar, assistir a filmes, ver desenhos e brincar. No entanto, a ideia de deixar Zoe com Cissy enquanto ele e Rose saíam, fora ideia da própria Rose. Ela poderia deixar a filha com os avós maternos, mas por uma consideração maior, Rose sugeriu:

"E se elas passassem mais tempo juntas? Sua avó se acostumaria com ela."

Cissy não negou. Scorpius tinha se virado com um desafio para Zoe antes de sair com Rose:

"Cuide da vó Cissy por mim, ok?"

E Zoe nunca dispensava grandes desafios.

Quando Scorpius e Rose chegaram do encontro, viram as duas na mesa de jantar. Zoe com uma peruca preta que era maior do que sua cabeça, segurando uma taça do que parecia ser vinho, e Narcissa, em pé, segurando uma folha, lia:

– Então Clarisse levanta a taça de vinho.

Zoe levantou a taça de vinho, teatralmente.

– E brinda: "Eu serei a melhor."

Zoe disse:

– Eu serei a melhor!

– E Clarisse se degusta com o gosto do vinho. – Vendo que Zoe não fez nada, Cissy disse impaciente: – É para tomar o vinho agora, Zoe.

Zoe tomou o vinho.

– Espera aí! – exclamou Rose, interrompendo o ensaio das duas. Scorpius estava tão estupefato que nem saiu do lugar. Rose se aproximou depressa para arrancar a taça da mão de Zoe. – Narcissa, o que... Vinho? Ela só tem SETE anos ainda – acrescentou como se fosse novidade.

– É suco de uva! – contou Zoe.

– A dela é suco de uva – piscou Narcissa bebericando um pouco da outra taça.

– Nós estamos ensaiando o ato número dois da peça, mamãe – disse Zoe, empolgada. – Eu sou a personagem principal!

– A personagem principal é uma prostituta! – exclamou Scorpius estupefato, andando até elas. Não sabia se ria ou se brigava com a avó.

– O ato número dois é antes das desgraças da vida dela acontecer, querido – explicou Cissy. – E para falar a verdade, Zoe estava fazendo uma ótima encenação até vocês nos interromperem.

– Estava? – Zoe arregalou os olhos.

– Claro, claro. Quando você tiver dezoito anos, poderá fazer o ato número dezesseis, que é sobre-

– Vó – disse Scorpius com a testa na mão.

– É brincadeira. Meu Deus, como vocês são... Relaxem! Eu não vou corromper a filha de vocês. Já foi corrompida suficientemente com essa falta de juízo que vocês tiveram quando engravidaram.

– Desculpe por isso, Rose – disse Scorpius aos cochichos, depressa, coçando a sobrancelha.

Rose mordeu os lábios depois de experimentar (ou apenas confirmar que era) o suco de uva na mão de Zoe. Um pouco mais tranquila, disse:

– Está tudo bem. Vocês... se divertiram, pelo menos?

– Sim! – disse Zoe. – A vó Cissy me ensinou um monte de coisa para a minha aula de teatro.

– Que bom, filha. – E Rose realmente tinha um pequeno sorriso genuíno, aliviado. – Obrigada por ficar de olho nela, Narcissa.

Cissy fez um gesto indicando que não tinha sido nada demais e se afastou para o banheiro. Porém, quando Scorpius foi dar boa noite a Zoe antes de a filha voltar com Rose para casa, ele agachou-se a sua altura – dessa vez, sem muitas dificuldades uma vez que Zoe crescera tanto em um ano.

– Obrigado por cuidar dela, coisinha.

Zoe enrolou os braços ao redor do pescoço dele, em um apertado abraço. Perguntou no ouvido do pai, confidencialmente, para que Rose não escutasse, embora ela estivesse escutando perfeitamente o cochicho que Zoe nunca sabia fazer baixo o suficiente:

– Pediu a mamãe em namoro?

Como resposta a essa pergunta, Scorpius apenas piscou o olho esquerdo e despenteou os cabelos dela. Percebeu que fazia tempo desde a última vez que Zoe usou aquele gorro rosa tão característico dela e se perguntou o que poderia ter acontecido para ela não usá-lo mais.

Ela está crescendo muito rápido.

– Obrigada pelo jantar, Scorpius – disse Rose. A mão direita segurando o ombro de Zoe e a esquerda apoiando no maxilar dele quando o beijou no rosto, perto dos lábios. Zoe olhou para cima e viu tudo. O carinho da mamãe no papai.

Zoe se despediu demoradamente do Cupcake antes de pegar a mão de Rose para irem embora. Pelo corredor, Scorpius ficou olhando para elas até que entrassem no elevador. Zoe deu um agitado tchau com a mão enquanto Rose apenas lançou-lhe mais um sorriso tranquilo. Um sorriso de "me ligue ou eu te ligo", um sorriso de "até amanhã", um sorriso de "boa noite". Scorpius quis passar a noite com ela, mas isso renderia inúmeras perguntas constrangedoras de Zoe. Entendeu que precisavam ir com calma. Quando jovens, a impulsividade reinava entre eles. Talvez ainda fossem impulsivos, mas, antes de tudo, agora eram pais.

Ele fechou a porta e caminhou até a sacada, sentindo a pequena brisa bater contra o rosto. Narcissa saiu do banheiro e viu as costas do neto, a postura pensativa que ela tanto via em Draco e que a lembrava de Lucius, além das mãos sempre guardadas nos bolsos.

Andou até ele.

– Weasley parou de usar aquelas roupas. Está uma moça apresentável agora.

– Onde foi parar os venenos dessas presas? – ele questionou erguendo uma sobrancelha. – Está aí, falando bem da minha ex.

– É mesmo sua ex?

Narcissa deixou essa pergunta com o ar retórico. Ela ia se afastar, mas decidiu acrescentar:

– Vê se usa camisinha agora, ouviu?

Restou apenas rir. A advertência quase fez Cissy parecer uma avó normal.

Notas finais
E aquele momento em que você percebe que já passou 1 ano na fanfic. Só um ano. Parece que até passou mais pelo jeito que Scorpius sossegou, não é? No próximo domingo, como foi comunicado, eu não estarei por aqui e só volto na segunda semana de Junho. Ficaremos um tempo em Hiatus, mas veja pelo lado bom: eu vou me inspirar na viagem. E vou trazer novos acontecimentos, novos personagens, uma nova fase de Fix You. Deixo aqui pra vocês um capítulo que pode dar um "closer" nessa parte da fic, embora ainda tenhamos muitas histórias dessa família! Vou começar a responder os comentários essa semana e, mesmo com o atraso nas respostas, espero que comentem nesse também! Obrigada por todos os comentários, todos os favoritos, acompanhamentos e recomendações. Vocês me ajudam a prosseguir com essa fic que é tão complexa mas tão gostosa de escrever. Até junho, pessoal! (Não se preocupem, @pokie_says não estará ausente nesses dias. É só seguir!)