Fix You

25 Don't Let it Break Your Heart


Notas iniciais
Lindos! Postando capítulo novo numa segunda-feira mesmo. Achei que não ia dar tempo, por isso não prometi nada. Espero que aproveitem o capítulo dessas duas semanas de hiatus! Não viajaria sossegada sem deixar esse capítulo com vocês. Boa leitura!

Capítulo 25.: Don't Let It Break Your Heart


Though heavily we bled
Still on we crawl

Um dos sentimentos que mais prevaleceu durante aquela época era dúvida. Rose estava em dúvida. Tinham passado a noite transando depois de uma briga feia. Parecia que tinham terminado, mas o que estava acontecendo? Ela o acusou de mentira, ele a chamou de paranóica, sem contar os palavrões e as vozes impossivelmente alteradas, e depois, sem Rose realmente entender a reviravolta, os dois tinham parado na cama. Eles não estavam bem, e Rose sabia que isso não deveria continuar assim. Scorpius, mesmo que também notasse que as coisas não estavam certas, ele não conseguia pensar na hipótese de perdê-la. Não seria ele a terminar tudo.

Rose não tinha dormido, deitada ao lado de Scorpius na cama do dormitório dele na universidade. Seus olhos estavam bem abertos, direcionados a janela fechada onde apenas alguns brilhantes raios de sol saíam para iluminar a pouca parte da cama desarrumada e dos lençóis jogados sobre eles. Não parou de pensar na briga, na reconciliação e em tudo o que andava acontecendo.

Doía pensar em terminar. Mas, provavelmente, era o certo a fazer. Para os dois.

“Ei” ele murmurou, apoiando a cabeça em seu ombro, com a voz baixa e sonolenta. Beijou levemente sua bochecha e enrolou os braços ao redor dela. Rose sentia a respiração quente dele em seu ouvido. Como alguém, praticamente frio, tinha o aperto mais aconchegante e confortável do mundo? O abraço dele era bom. “Você está bem?”

Ela girou o corpo de modo que os dois pudessem se encarar. Rose acariciou o rosto dele, distraída.

“Não. Você está bem?”

“Não”.

Rose olhou para ele. Não seria possível ele terminar tudo enquanto enrolava o dedo no cabelo dela, seria? Rose não duvidava de nada àquela altura.

“Sou um idiota. As coisas que eu disse ontem...”

“Eu também.”

“Estou cansado de brigarmos.”

“Eu também...”

“De machucar você.”

“Estou machucando você também” ela disse baixinho. “Talvez...”

“Talvez” ele compreendeu. “Talvez...”

“Não está mais dando certo.”

Era como se fosse a voz de outra pessoa. O mais louco de tudo era que os dois estavam muito perto um do outro ainda. A mão direita dele roçava levemente a pele do quadril dela, enquanto ela brincava com o colar dele no peito. Scorpius concordou com ela, mas nenhum dos dois queria isso.

“Está uma bagunça do caralho. Tudo.”

Silenciaram-se. Ela o abraçou, de repente, murmurando com os lábios pousados na clavícula dele.

“Não quero terminar tudo, Scorpius.”

“Eu também não. Eu te amo.”

“E esse negócio de dar um tempo nunca existe.”

“Eu sei. O que você quer fazer?”

“Quero organizar essa bagunça. O que você quer fazer?”

“Continuar acordando com você.” Ele sussurrou, perdido: “Me dá mais uma chance.”

E ela deu mais uma chance, porque ela também achou que deveria ganhar uma chance. Não era um problema de um lado só. Eram de dois, e os dois precisaram mudar.

Eles se beijaram e Scorpius sentiu que, em sua cabeça, os problemas acabaram naquele instante. Rose enrolou os braços ao redor do pescoço dele quando ele se adiantou para, embaixo do lençol, deitar entre as pernas dela. Rose sempre gostou da forma como ele transava com ela nas manhãs. Era mais suave, mais romântico e mais carinhoso. Beijava-a no pescoço e se empurrava dentro dela com estocadas fortes e precisas, e ela, que costumava reagir com gemidos altos, mordeu os lábios e olhou para o ventilador do teto, apertando os dedos contra os cabelos loiros de Scorpius.

Ouviu os gemidos roucos dele, e fechou os olhos para aproveitar o que seria a última vez que estariam transando – mas ainda não sabiam. Ela sentiu a mão dele arrastar embaixo da camiseta que ela vestia, estimulando-a, chamando-a para o sexo que mudou a vida deles.

***

Tudo estava bem quando Scorpius Malfoy olhou para a filha. Seus longos cabelos loiros e encaracolados estavam trançados e brilhantes. Era uma pequena princesa e Scorpius não conseguia entender como o tempo passou tão malditamente rápido.

Os olhares estavam sobre ela. Sorrisos genuínos e elogios de todos seus pais e amigos. Scorpius respirou profundamente e entrou no salão, com a mão apoiada no presente sobre o bolso interno do casaco. Tinha resolvido que usar um terno era desnecessário para uma festa de criança e ele só não passou despercebido por Zoe porque a menina acendeu o maior sorriso do mundo quando viu o pai ultrapassar a entrada do salão. Ela até berrou “PAI!”, como se não acreditasse no que estava vendo.

As crianças a seguiam para todos os lugares, afinal, aniversariantes tinham toda a atenção do mundo e eram como ídolos. Por isso, quando Zoe correu receber o abraço de Scorpius, três meninas e dois meninos, o pequeno Luke e Ralph Thomas, estavam perto deles.

– Pra você – ele disse depois de soltá-la.

Zoe, que tinha um batom clarinho nos lábios, fez um espantado “O” com a boca, porque ela não precisava tirar o embrulho para já saber o que era. O jogo que ela tanto pediu e queria, mas não achavam mais em nenhuma loja.

Tão eufórica ficou que arrancou sem cerimônia o embrulho. Ela quase perdeu o fôlego e ergueu a cabeça para Scorpius.

– É o jogo que eu pedi! Muito muito obrigada, papai, mil vezes obrigada! Eu amei.

Abraçou a cintura de Scorpius bem forte, mas não por muito tempo porque ela não queria perder a chance de ver todos os detalhes da febre entre as crianças, o console com inúmeros joguinhos infantis para brincar a qualquer momento.

Ele teve uma sensação estranha quando ela se virou para Ralph Thomas:

– Olha só o que eu ganhei, é mais bonito que o seu porque é rosa.

– Posso ver, Zoe? – o garoto perguntou sorrindo.

– Só um pouquinho. RALPH THOMAS! – o berro da menina foi escutado por todos os convidados nas mesas quando Ralph Thomas pegou o presente dela e correu pelo salão segurando ele. Zoe saiu em disparada com as outras crianças para alcançar o arquiinimigo, deixando Scorpius ali, plantado sozinho no salão da festa infantil, ouvindo a música quase estourar as caixas de sons e se afastando dos balões.

A mão de Rose apoiou em seu braço gentilmente, chamando-o para o presente uma vez que ele estava pensando no dia que Zoe nasceu. Ela percebeu a expressão do rapaz.

– Ele só quer saber de brincar agora, mas, acredite, você fez o dia dela.

Beijou-o no rosto e ele olhou para ela.

– Você está linda – ele elogiou, coisa que nunca foi difícil para Scorpius fazer.

– Obrigada – sorriu. – Sua avó não pôde vir?

– Ela não tem sido muito... social ultimamente. Mas mandou o presente dela para Zoe, só não deu tempo de entregar agora. Por que ela convidou o garoto se eles se odeiam?

– Eles não se odeiam. Viraram amigos.

– Quê? Como assim, amigos? Ninguém vira amigo de uma hora para outra.

– Crianças viram. – Rose riu quando Scorpius bufou, procurando Zoe com o olhar, que agora estava mostrando o novo brinquedo para os amigos.

Scorpius se viu próximo a uma das mesas da família de Rose. Ele fez um breve aceno a todos, mas inacreditavelmente, Ronald se levantou e Scorpius teve a impressão de que, com sua presença, o homem se afastaria dali, mas tudo o que fez foi estender o braço para ele.

– Boa noite, sr. Weasley – disse Scorpius quando apertaram a mão. Foi por breves segundos.

Albus, que estava ao lado de Dominique e Michael, levantou-se.

– Podemos conversar, Malfoy?

Scorpius não esperava confronto logo de cara. Mas, sem desavenças, ambos se afastaram da mesa e foram até o balcão da cozinha onde os doces e os salgados estavam saindo. Sentaram no balcão um ao lado do outro quando Albus começou:

– Zoe pediu uma coisa muita interessante para o meu tio. Ela pediu para ele não brigar com você hoje, por isso o aperto de mão. E, também, não há motivos, certo?

Scorpius não disse nada. Albus continuou:

– Rose tem falado que você está mais presente.

– Estou tentando – ele admitiu. – Eu não tive muita chance quando elas estavam nos Estados Unidos.

– Ela não iria, sabe? – disse Al de repente. Scorpius não estava compreendendo como eles podiam conversar assim depois de tantos anos sem trocarem quase nem uma palavra. Parte de Scorpius tinha um mau pressentimento, mas a outra, a maior parte, sabia que isso era ele fazendo as coisas por Rose. – Para os Estados Unidos. Ela decidiu em última hora seguir com o plano de morar com Zoe por lá. Posso apostar que os Falcons perdem essa temporada que Rose diz a você que foi por sua causa.

– Ela diz que foi por ela mesma.

– Foi pelos pais – ele contou, dessa vez aflito. – Meu tio meio que a sufocou muito naquela época. Você sabe o quanto ele tentou fazê-la distanciar Zoe de você. Quis até tirar seu sobrenome de Zoe.

– Conseguiu.

– Besteira. – Foi a palavra que fez o corpo de Scorpius gelar. – Você se lembra de ter assinado alguns papeis?

– Sim. Rose os rasgou.

– Rose nunca os rasgou. Então quando o pai dela descobriu... foi desastroso, e eles brigaram.

Scorpius não acreditou que Zoe tinha o sobrenome dele. O tempo todo.

– Por que está me contando isso?

– Sei o que está rolando entre vocês dois. Espero que não estrague as coisas dessa vez.

– Eu também. – Por algum motivo, Scorpius se sentiu ansioso para saber. – Rose me colocou na certidão da Zoe? Ela disse que não...

– Disse?

Parando para analisar tudo, parando para pensar em tudo, parando para recapitular tudo, Rose nunca tinha dito palavras que comprovassem que Scorpius não estava registrado na certidão de Zoe. Claro que o fez pensar o contrário durante anos. Ele nunca parou para refletir que isso fazia uma diferença imensa nas coisas. Entendeu porque Rose nunca o impediu de ficar com Zoe quando ele podia. Ele era o pai de Zoe, não só de sangue, mas legalmente.

– Tive raiva dela por ter me avisado que ia embora uma hora antes – confessou Scorpius. – Não pude provar nada, fazer nada, mesmo que eu quisesse impedir.

– Todo mundo teve, acredite. Eu também não fiquei muito feliz pelo que ela fez.

– Ela também te contou em cima da hora?

– Só ela sabe os motivos dela.

Ficaram um tempo em silêncio quando Scorpius disse:

– Zoe me contou uma coisa muito interessante. Você está namorando.

– É, eu superei você – brincou Al, tomando o gole do refrigerante. Scorpius o mandou calar a boca, mesmo que abandando a cabeça e disfarçando a risada. – Bem, Michael é...

– Nerd.

Geek.

– Qual a diferença?

– Ei, se até hoje você não sabe, nunca vai entender, então.

Não riam juntos há anos. Al parou de rir aos poucos para dizer:

– Rose me contou sobre o seu avô. Sinto muito. Tenho essa lembrança dele entrando no nosso dormitório quatro horas da manhã para te preparar para o seu teste. Deve estar fazendo falta.

Muita, Scorpius pensou em admitir mas os dois não tinham muito o que compartilhar. Estavam distantes. Mesmo assim, depois da conversa que teve com Albus, o clima da festa mudou. Scorpius não estava ali somente para fazer a vontade de Zoe. Ele precisava consertar algumas coisas, conversar com as pessoas, e não se distanciar.

Não que Scorpius tivesse sido aceito na família ou perdoado pelas coisas que aprontou com Rose, mas percebeu que não fazia mais sentido se condenar ou ser condenado por isso. Sentou-se à mesa perto da dos Weasley e teria ficado boa parte do tempo apenas vendo as crianças brincarem com os monitores e puxarem o saco de Zoe, sozinho, se não fosse por uma dúvida que um dos tios de Rose tinha sobre julgamentos. O assunto era sobre Direito, e se havia alguma coisa que Scorpius sabia falar, era sobre Direito. Por alguns minutos, ele sentiu como se os anos anteriores tivessem sido absolutamente vazios.

Quando o assunto da mesa deles mudou, Scorpius voltou a procurar Zoe com as outras crianças e não conversou com mais ninguém. A menina realmente só queria saber de brincar com os amigos naquele momento e, antes que Scorpius tentasse evitar sentir o ridículo sentimento de que ele estava sendo deixado de lado – não por culpa de Zoe, ela não tinha ideia do que Scorpius sentia –, procurou pela figura de Rose andando de um lado para o outro no salão para saber se todos estavam se divertindo.

Ele não queria admitir estar um pouco entediado. Só sabia que queria tirar o Ralph Thomas de perto da filha e, ao mesmo tempo, queria que Rose parasse de ficar dando bola para o Monitor das brincadeiras.

Acabou se levantando para ir ao banheiro quando viu a figura de seu pai na entrada do salão. Ele não acreditou que Draco estivesse ali.

– Você veio.

– Precisava vir. Zoe me convidou.

Mas, quando Draco passou por ele, Scorpius sentiu o cheiro de álcool do paletó. Forte.

– O que está fazendo? – Scorpius imediatamente apertou o braço dele, impedindo-o de continuar. Mas foi tarde. Zoe o viu e correu até ele.

– Vovô! O senhor veio!

– Olá, Zoe. Feliz aniversário.

Entregou uma caixa embrulhada para as mãos agitadas da neta. Zoe rasgou as folhas, revelando o belo baú de madeira, brilhante, polido, pequeno e sofisticado.

– Para você guardar seus tesouros.

– Eu adorei... Obrigada, vô Draco!

Ela o abraçou do mesmo jeito que abraçou Scorpius e andou depressa até a mesa dos presentes para guardá-lo com todo o cuidado. Nesse momento, Rose cumprimentava Draco com educação. Scorpius não se sentiu bem por saber que ele tinha acabado de sair de um bar para vir até a festa de Zoe, mas preferiu não fazer nada. Odiava confrontos, especialmente público.

Foi um erro. Draco não falou com mais ninguém. Zoe voltou para segurar os dedos de Scorpius e puxá-lo até a mesa de presentes para mostrar todos que tinha ganhado até então. Zoe estava ensinando ao pai como passava o esmalte na mão quando ouviram o tilintar de vidros.

Draco estava chamando atenção.

– Quero brindar – ele disse. – À minha neta Zoe. Pelo aniversário dela. Sei que não me conhecem, meu nome é Draco Malfoy, sou político, provavelmente vocês não votaram em mim, e sou pai desse rapaz ali. O pai dessa garotinha maravilhosa. O que me faz avô da Zoe. Queria apenas dizer que... eu me sinto... bem por estar aqui hoje, presenteando o... quantos anos mesmo, Zoe?

– Oito! – ela exclamou, fazendo o pessoal rir quando ela mostrou com os dedos energeticamente.

– Exatamente. Oito. Aproveite bem a sua vida, Zoe, não vai durar para sempre. Nada dura pra sempre. E eu sinto muito que os filmes mostram o contrário. Você terá tantos anos para descobrir por você mesma...

A essa altura, Scorpius estava a frente de Draco, tentando afastá-lo de perto do bolo, uma vez que ele estava evidentemente cambaleante.

– Pai. Vamos conversar.

– Não. Eu não terminei. Zoe-

Scorpius o segurou, impedindo que ele caísse contra a mesa do bolo, dos enfeites e dos doces. Sem nenhuma expressão aparente, Scorpius o ajudou a se levantar, tirou o copo de suco de sua mão e o levou para fora, ignorando a pergunta de Rose. “Ele está bem?”

Ele não queria responder “Ele está bêbado” na própria festa da filha. Zoe até começou a segui-los, mas Scorpius teve que ser um pouco duro com ela.

– Depois, Zoe. O seu avô não tá bem.

– Ele precisa de alguma coisa?

– Volte para a festa.

Zoe percebeu que seu pai estava tenso e não tinha intenção de deixá-lo zangado se não obedecesse. Antes de voltar, disse baixinho:

– Obrigada pelo baú, vovô.

Draco passou a mão no rosto, exausto, quando ficou sozinho com Scorpius.

– É melhor voltar pra casa. Quer que eu o leve?

– O que deu em você? – retrucou Draco, zangado. – Está aí agora... preocupado comigo. Preocupado que eu estrague a festa da sua filha. Eu te conheço, Scorpius, não pensa em ninguém senão a si mesmo.

– Eu não vou brigar com você.

– Deveria. É melhor do que ignorar o próprio pai.

– De onde tirou essa ideia?

– Quando eu perdi a Astoria, onde você esteve? Quando meu pai foi enterrado, onde você esteve?

– Onde você esteve? – ele retorquiu. – Bebendo. E nem venha dizer que isso foi depois que minha mãe morreu. Você já saía de casa muito antes para fazer isso. Pensa que eu não sabia? Pelo menos minha mãe não morreu sabendo disso. Ela teria desgosto.

Draco respirou pesadamente.

– Você está bêbado, pai. Volte pra casa. E se quiser falar com a Zoe da próxima vez, vai ter que estar sóbrio.

Quando Scorpius deu as costas, ouviu o pai dizer:

– Você é um hipócrita. Pensa que é melhor do que eu...

– Eu não penso nada! Eu só quero que você pare de andar por aí como se o mundo tivesse acabado! Pare de usar minha mãe como justificativa pelos seus dias serem uma merda. Foi há dez anos e você age como se tivesse sido ontem!

– Acontece todos os malditos dias. Você nunca vai entender.

Scorpius olhou enfurecido para ele.

– Não me acuse disso. Uma coisa que eu entendo é como perder as pessoas que eu amo. Olha, pai, eu não quero dar uma de filho superprotetor, esse papel era para ser seu. Eu não vou impedir que você converse com a Zoe, ela gosta muito de você. Eu só peço... se você tiver um pouco de sobriedade para entender... não dê um exemplo ruim para ela. Eu já fui o suficiente. Então não apareça bêbado para estragar tudo.

Deixou Draco calado e levou o celular a orelha para chamar um táxi para ele. Ficou ao seu lado até ter certeza de que o táxi o levaria de volta para casa.

Scorpius entrou novamente no salão, sentindo-se estranho. Não falou muito quando Rose veio lhe fazer perguntas. Ele parou e ficou olhando para os lábios dela se movendo, a voz camuflada pelo som da música infantil. Scorpius afastou os cabelos longos dos ombros dela e subiu os dedos até sua bochecha, atrapalhando qualquer coisa que ela estava dizendo a ele. Só ouviu isso:

– Minha família vai fazer perguntas.

– Não me importo – ele murmurou, aproximando-se para beijá-la. Mas eles estavam em uma festa com crianças.

– Devolve o meu brinquedo, Ralph Thomas!

Zoe tinha voltado a correr atrás do garoto, furiosa. Scorpius precisou se afastar de Rose, com má vontade, para impedir que Ralph Thomas desse um passo sequer. Até segurou o ombro do garoto, que paralisou ao perceber quem era.

– Eu devolveria se fosse você, sr. Thomas.

– Aqui, Zoe. Desculpe.

Depois de devolver o brinquedo para Zoe, ele saiu correndo depressa. Zoe segurou uma risada exasperada e exclamou para o pai:

– Você assusta o Ralph Thomas, sabia?

– Ótimo. Bom saber – sorriu, com as mãos no bolso, sossegado. Zoe ia sair, mas deu meia volta para surpreender Scorpius com outro abraço.

– Adorei que você veio, papai!

Não deu tempo de o rapaz responder, Zoe voltara a brincar com os amiguinhos. Crianças não gostavam de perder tempo, e ele entendeu isso. Decidiu, então, voltar sua atenção a Rose. Ela sorriu para ele, ajeitando seu casaco distraidamente. Ele disse baixinho:

– Você não rasgou os papeis que eu assinei.

Ela demorou um pouco para compreender o sentido da frase. Quando fez, a expressão dela ficou levemente surpresa. Ele continuou:

– Por isso brigou com seus pais naquela época, não foi? Eles descobriram... Por mais que eles me odiassem, você me colocou na certidão dela.

– Meus pais não te conhecem. Não conhecem o que tivemos. Não conhecem a nossa história. Eles tiram as conclusões deles. Eu tenho uma filha com você e eu não vou esconder isso. Só iria piorar tudo.

– Obrigado – ele disse de repente. – Não seria nada sem ela.

Ela sorriu.

– De nada.

E Zoe precisava entender a sorte que tinha nesse momento. Seus pais estavam juntos. E, se pudesse ficar ainda melhor, eles tiraram fotos juntos. Os três. Como uma família.

Só não foram embora da festa como uma família porque Zoe insistiu que Rose a deixasse dormir na casa da Amanda naquele final de semana. As duas iriam nadar na piscina. Ela insistiu levar todos os presentes para a casa da amiga, mas eram tantos que não teria como. Zoe escolheu levar somente um ou dois, incluindo o presente de Scorpius que ela não se desgrudava. Depois de se despedir dos pais com um beijo no rosto, Zoe se adiantou para ir embora com os pais de Amanda.

Depois de se despedirem dos outros convidados e da família de Rose, os dois caminhavam na mesma direção até o estacionamento. Como estava esvaziando, Scorpius se empurrou até Rose, prensando-a com um aperto nos lábios, antes de se extasiarem com as línguas. Rose sentia-se apoiada pela porta do carro atrás dela do mesmo modo que sentia a intensidade aumentar.

– Você quer ficar? – ela perguntou quando os lábios ficaram milimetricamente distantes.

Aqui?

– Em casa. Essa noite.

– Sozinhos.

– Sozinhos – concordou.

– Parece bom.

***

Foi como um filme acelerado, porque, no próximo segundo, eles estavam no apartamento de Rose. Ela jogou a bolsa em algum lugar e Scorpius correspondeu ao beijo imediatamente apertando os braços ao redor do corpo dela. Caminharam até o quarto, onde os dois se enroscaram na cama, desesperadamente quentes, aos beijos que eles conheciam bem.

Ela jogou a cabeça para trás quando ele deu uma leve mordiscada em seu pescoço, seguido com um chupão que faria marcas. Seus olhos estavam fechados, mas ele decidiu abri-los para observar a verdadeira beleza que existia em Rose e que ele não enxergava em qualquer outra mulher.

Não foi suave, nem mesmo lento. Eles precisavam desse contato do mesmo modo que precisavam de ar. O coração de Scorpius batia acelerado, e Rose sentia pelos dedos que apertavam o peito dele. O casaco e a camisa já tinham sido abandonadas no chão da sala antes mesmo de estarem ali com Rose sentada em seu colo, o quadril de Scorpius entre suas pernas afastadas.

Ela fez um movimento circular com o próprio quadril contra a calça dele, causando um arrepio contra cada célula do corpo de Scorpius. Ele reagiu ao movimento, estimulando para que ela continuasse e, em pouco tempo, ambos estavam ofegantes e gemendo.

Não pare.

As bochechas se tocavam quando ela mordiscou o lóbulo da orelha dele, sussurrando aos gemidos palavras e perguntas desconexas. Ele apertou bem forte as nádegas dela, arrastando a calcinha para fora de suas pernas antes mesmo de tirar o vestido que ela usava.

Quando ela fez o movimento para tirá-lo por cima da cabeça, sentada exatamente sobre o volume da calça dele, Scorpius prensou os dentes sem nenhum exagero no ombro dela, e depois apertou os cabelos cacheados para expor ainda mais o pescoço dela, beijando-o deliciosamente.

– Eu senti sua falta – ele confessou, buscando os lábios dela.

Ela abriu o zíper e desceu a calça dele. Rastreou um caminho pelo abdômen dele com os lábios. Scorpius pensou que era impossível ficar melhor, mas Rose sabia surpreender. Ele não se lembrava da última vez que sentiu a boca dela em sua ereção e isso o fez exasperadamente duro, mas ela já estava tomando conta daquilo, do mesmo jeito atencioso que Scorpius se lembrava perfeitamente bem.

Ele não merecia essa sensação tão maravilhosa, mas era egoísta demais para não chegar a aproveitá-la. Não existia nada além de Rose e os lábios dela naquele instante, e ele não queria que tivesse.

Precisou trazê-la para ele, ajeitando-a em seu colo de modo que ela ficasse confortável em sua posição preferida. Os lábios parcialmente abertos e molhados indicavam que ela só estava esperando pelo apoio dele. Scorpius tateou a mão até a calça, onde guardava a carteira com a camisinha que precisava. Ofegante, mas sem tirar os olhos de Rose, Scorpius abriu o pacote e a vestiu. Logo em seguida, Rose se perdeu na expressão de puro êxtase. Ele empurrou o quadril mais uma vez, forte, em tranco que a fez gemer alto. Mais uma vez. E mais outra. Sentia o tamanho de Scorpius penetrá-la até o limite, saindo e entrando com lentidão, mas destreza, e sentimentos. Ela segurou o rosto dele, intenso como os corpos quentes se movimentavam sobre a cama.

Ambos estavam sem fôlego e foi preciso muita experiência para que Scorpius pudesse levá-la ao orgasmo mais de uma vez. Ele conhecia tudo sobre Rose. Mas, agora, ele queria mais. Ela também.

Quando terminaram, exaustos, nenhum dos dois fez questão de se afastar. Scorpius estava sobre o corpo dela, suado e ofegante, preso entre as pernas de Rose ao redor de sua cintura. Ela acariciava distraidamente a pele quente das costas dele e, quando espiou, viu marcas de unhas. Foi impossível se controlar.

Ele deu um suave beijo no pescoço dela e Scorpius gostou do perfume. Gostou do cheiro do cabelo dela.

O celular dele começou a tocar bem na hora.

Os dois se entreolharam. Ao invés de pegar o celular, ele beijou a boca dela. Forte.

– Pode ser importante – ela disse, contra os lábios dele em sua boca, dando risada.

Com má vontade, ele esticou o braço para pegar o celular. Leu a tela e declinou a ligação do trabalho.

– Quem era?

– Não era você.

E era isso o que importava agora.

Notas finais
Essa semana foi um dilema. escrever em Fix You ou responder os comentários? Eu não queria deixar essa semana vazia e sem capítulos, então optei pela primeira opção! Quando eu voltar, todos os coments serão devidamente respondidos. Desculpem mesmo! Pelo menos, agora temos um capítulo para essa semana não passar em branco. Espero que tenham gostado e comentem sempre que puderem/quiserem, estarei esperando ansiosamente, como sempre. =)