Fix You
17 Trouble
Notas iniciais
Capítulo 17.: Trouble

"So I turned to run
The thought of all the stupid things I've done..."
***
Scorpius desceu as escadas, apressado, passando sem olhar para a cozinha.
“Vou sair. Não me espera.”
Astoria bebericou um pouco do seu chá preferido. A família na casa era sempre assim. Nada de ‘boa noite’ ou beijinhos na bochecha quando a mãe chega do trabalho.
“Com quem você vai sair?”
“Que diferença faz saber disso?”
“Não responda minhas perguntas com outras perguntas. Sabe que odeio isso.”
“Que resposta você quer?”
“Uma que não tente me enrolar.”
“Tchau, mãe.” Ele se aproximou dela, amenizando a expressão, e a beijou no rosto. Ela estranhou isso.
“Não venha com beijinhos pra me enrolar. Não quero saber que tem andado com aquele Evan. Ele não é uma boa influência para você.”
“Não vou sair com Evan. Vou sair com a minha namorada.”
“Que deve ser uma piranha igual todas as outras. Nem apareça com ela aqui em casa, já te falei o que penso sobre suas namoradas.”
“Essa é diferente, mãe”, garantiu abraçando o ombro dela.
“Diferente como?” Foi nesse momento que Scorpius reparou na vó Cissy, lendo o jornal na mesa, com os óculos de leitura na ponta do nariz. Ela ergueu os olhos para o neto. “A garota tem boceta de chocolate dessa vez, por acaso?”
Scorpius gargalhou e Astoria deu um suspiro.
“Lindo, Cissy. E deixa o seu celular ligado” mandou para o filho. “Não quero ver que anda me ignorando.”
Scorpius mostrou o celular ligado para a mãe.
“Tchau, mãe, não fica se preocupando. E, tchau, linda deliciosa vó Cissy.”
Segurou o rosto de Narcissa para também dar um beijo no rosto dela.
Astoria e Narcissa se entreolharam quando ele foi embora. Desde quando ele se despedia com beijinhos?
“Deve ser um chocolate de boa qualidade, pelo visto” comentou Narcissa, rindo. Viu a expressão preocupada da nora. “Deixa de se preocupar, Astoria. Seu filho é igual a todos os garotos. Eles só querem aproveitar nessa idade, conheço o tipo. Tenho o Draco pra comparar.”
Astoria olhava distraída.
“Às vezes acho que não dei atenção que ele precisava.”
“Ele está acostumado.”
Não foi uma resposta que fez Astoria se sentir bem. Não era para um filho se acostumar com a ausência da mãe. Mal conhecia Scorpius agora. Não sabia do que ele gostava, não sabia o que ele queria para a vida, e não sabia se ele uma vez já se apaixonou por uma garota. Não sabia qual eram os planos dele, nem mesmo as notas na escola. Scorpius estava simplesmente apagado, agora. Era como se ele não a deixasse entrar na vida dele, como se ele a castigasse por ela nunca ter estado lá. Sempre trabalhando, sempre preocupada.
“Ei, você está bem?” Já estava tarde, e ela e Draco se preparavam para dormirem. Astoria tirava os brincos das orelhas, com muitas coisas na cabeça. Preocupações, ansiedade, medo.
“Perdi o caso hoje. A garota não confiou no Júri. Preferiu o acordo de dez anos na prisão e, no fim, nem culpada ela era.”
Draco admirava que Astoria se preocupasse com os outros, mesmo profissionalmente.
“Vem cá.”
Os dois se abraçaram, aconchegados na cama. Ele acariciava o ombro da mulher, distraído.
“Você tem conversado com Scorpius?” ela perguntou.
Draco soltou um riso lamentoso.
“Mereço um prêmio se eu conseguir tirar alguma coisa dele ultimamente” respondeu.
“Ele não pode excluir a gente pra tudo a vida inteira.” Depois de um tempinho calada, apoiou o queixo no peito dele e perguntou. “Sou uma péssima mãe, não?”
“Por que diz isso?”
“Estou pensando. Ando cheia de clientes na firma, preciso diminuir minha carga de trabalho. E podemos fazer uma viagem em família. Há quanto tempo não fazemos?”
“Para onde você quer ir?” riu Draco. “Já passamos por todos os lugares do mundo, querida.”
“O que acha de Dubai? Você que gosta de arquitetura, lá é perfeito.”
“Dubai? Diferente. Acho que nunca fomos pra Dubai.”
Ela sorriu.
“Então será nosso próximo destino.”
“Sim” ele concordou. “O próximo.”
Draco era bom em planejar toda a viagem com apenas um movimento – passar o cartão na máquina. Nos últimos dias, Astoria cumpriu sua promessa de diminuir a carga horária na firma para passar mais tempo com a família. Fez um jantar de aniversário para ela mesma no final de semana, caprichando nos pratos. Narcissa e Lucius participaram, incluindo também a irmã dela, Daphne, o marido e Roran, o filho e brilhante estudante de medicina.
“Scorpius passou em Oxford. Estudará direito” contava Astoria orgulhosa.
“E ele virá para o jantar essa noite? Não vejo o rapaz há tanto tempo” dizia Daphne.
“Ele não perderia o aniversário da própria mãe” convenceu Draco, a mão apoiada na de Astoria sobre a mesa.
Mas, de qualquer maneira, Scorpius estava atrasado. Não era à toa. Sexta-feira à noite era seu tempo de curtir o que a semana inteira que as provas finais privaram ele disso. O som alto, as bebidas, os amigos e a namorada. Não queria nem saber do celular e da mãe ligando para ele a cada maldito segundo. Pulava pelo efeito do álcool, gargalhando, se divertindo, beijando Rose, abraçando Rose, virando-se ora ou outra para o amigo, dividir o baseado, tragando, e voltando a dançar no meio da multidão de novo.
Era uma época de rebeldia, para ambos; logo sairiam de casa para viverem suas vidas na universidade e não podia fazer as escolhas dos pais para sempre. Rose o apoiava completamente nisso.
Ela era sexy. Ou timidamente confiante; Scorpius não tinha certeza. Mas de qualquer maneira, ela era adorável. Ele nunca gostou do adorável até conhecer Rose Weasley. Era a combinação de dois lados extremos. Ou era o efeito dele contra ela? Talvez. Ela queria ser atrevida quando estava com ele, e demonstrava isso quando precisavam terminar a noite.
Scorpius a admirava, sentada em seu colo no banco do carro. Estava estacionado na rua escura, um quarteirão longe da casa de Rose. Scorpius sorria, um sorriso leve e verdadeiro. Beijavam-se. Beijos quentes. E, só um pouco, Rose sentia a ereção dele contra a calcinha dela. E se movia, para provocar. Ambos bêbados. Só precisando disso. Irresponsáveis, mas com a certeza de que não iriam se arrepender.
Ele observou com os lábios entreabertos a namorada tirar o sutiã, despindo aqueles seios incríveis. Sem enrolar muito, Scorpius beijou o mamilo eriçado, e com a outra mão entrava com os dedos na calcinha dela. Rose se contorcia, os olhos cerrados, gemendo.
“Devemos terminar?” ela ofegou quando fez aquela pergunta.
“Quê?”, Scorpius olhou preocupado. “Por quê?”
“O que seremos depois da formatura?”
“Namorados.”
“Você quer?”
“Quero. Quero você, Rose. O tempo todo. Não vai mudar.”
“E Oxford não fica muito longe daqui.”
“Não. Não fica.”
“Vamos fazer isso dar certo...”
“Sim.”
A boca dele não se desgrudava do pescoço cheiroso dela. Ela sentiu gotas de suor no rosto dele quando o apertou para voltarem a se beijar. Scorpius afastou a cueca e trouxe o membro para fora, massageando. Rose tirou a camisinha do bolso dele e rasgou o pacote com os dentes, apressada. Não demorou muito e o carro começou a balançar freneticamente, os dois corpos adolescentes sempre em sintonia, muito embora Scorpius tivesse gozado primeiro. Mas não era problema; ele ajudou Rose a finalizar com os dedos no clitóris dela, e ela mordeu o ombro dele, forte, ofegante.
“Eu te amo pra caralho” ele murmurou no ouvido dela, apertando suavemente sua bunda.
“Depois que gozou desse jeito, claro que ama.”
Ele sorriu, divertido.
“Acredite em mim. Não falaria isso pra qualquer uma.”
Ela se rendeu. O sexo era bom demais.
“Eu também te amo.”
E mal sabiam o que isso significava.
Scorpius estacionou no jardim quando voltou, quatro horas da manhã, para a casa. A dianteira do carro beijou a caixa de correio, mas ele nem notou direito. Estava exausto, com sono e precisava tomar banho, já imaginando a ressaca que teria que enfrentar de manhã. Mas tinha valido a pena.
Tropeçou no vaso de flor da sala quando caminhou até lá. Ocupando uma das poltronas brancas e perfeitamente alinhada com a outra do lado, Astoria segurava uma taça de vinho.
“Boa noite, filho. Você se esqueceu ou você apenas não se importa?”
“Ei, mãe” ele disse com um aceno. “Que pergunta é essa?”
“Você não apareceu.”
Ela o deixou beijá-lo no rosto. Ela não sabia repelir Scorpius, embora tivesse tido vontade. Ele estava cheirando a álcool, maconha e perfume feminino.
“Não apareci pra quê? Oh porra!” ele exclamou, finalmente se dando conta. “É hoje?”
“Eu te avisei que era.”
“Merda, mãe, merda, desculpa. Eu totalmente esqueci.”
“Sua tia estava aqui. E o Roran.”
“Ooh caralho. Desculpa. Eu... mãe, por que você não me lembrou?” Agachou-se para ficar na altura da poltrona e segurar a mão dela. Astoria bebeu o vinho, lambendo os lábios, calma, fria. “É sério. Me perdoa. Eu não lembrei... esqueci totalmente do jantar... caramba. Desculpa.”
Ela riu.
“Poupe esse fingimento para suas namoradas, Scorpius. Eu sou sua mãe.”
“Fingimento?”
“Sim, fingimento. Você sempre diz o que eu quero ouvir. Mas hoje, não quero ouvir desculpas. Cancelei tudo para termos um jantar em família, para poder me gabar com a minha irmã de que meu filho entrou em uma das melhores faculdades do país. Para poder compartilhar essa alegria e esse orgulho que eu tenho de você. E você não apareceu.”
“Mãe. Eu não quero te deixar chateada.”
“Não deixou, querido” ela murmurou. “Só estou... desiludida. Você está bêbado.”
“Eu só estava me divertindo.”
“Valeu à pena?” perguntou levantando-se.
Ela se levantou, depois do silêncio entre eles.
“Vou pra cama. Não faça muito barulho. Seus avós estão passando a noite.”
Ele se odiou por magoá-la.
Ela subiu as escadas, elegantemente, sem perder a compostura, embora Scorpius merecesse um tapa.
Foi a última imagem que teve da mãe.
***
Rose Weasley
Mensagem enviada as 22:44
Vamos sair? :)
Evan Smith
Mensagem enviada as 01:04
Vc perdeu a gostosa da Sam me chamando pra ir a festa dela... tem umas duas primas aqui! ta perdendo uma surubinha rapaaaaaaz
Rose Weasley
Mensagem enviada as 02:30
Atende a merda desse celular, Scorpius.
Albus Potter
Mensagem enviada as 17:40
O capitão disse pra você aparecer no treino hoje. Só passando o recado. Falou.
Rose Weasley
Mensagem enviada as 17:55
Me liga. Por favor.
***
Scorpius fez um perfeito nó na gravata, sem ao menos precisar olhar para o acessório. Uma expressão indecifrável em seu rosto era refletida pelo espelho de seu quarto. O celular, na escrivaninha, vibrava constantemente por atenção as chamadas e as mensagens.
Ajeitou a gola da camisa preta, colocou o paletó preto e, finalmente, atendeu a chamada de Evan.
“Você perdeu, Scorpius, você perdeu. Três gurias. Três. Onde é que você foi parar ontem, hein? Ah, já sei. Tava com a namoradinha, né?”
“Minha mãe morreu” respondeu calmo, e, então, a linha caiu. Scorpius, depois daquela ligação, não soube de Evan por um longo tempo. O rapaz estava drogado demais para se importar. E nunca foi um amigo.
Procurou o celular de Rose com o polegar e ela atendeu ao primeiro toque.
Ambos ficaram em silêncio. Ele andou de um lado para o outro, olhando para seus pés.
“Amor...” Rose começou. “Eu vi sobre o acidente. Eu não consigo acreditar.”
“Pode vir aqui?”
“Claro” ela disse. “Só não... não some de novo. Fiquei preocupada. Estou preocupada.”
“Te vejo mais tarde então.”
Ele desligou depressa. Queria evitar o contato com o celular a todo o custo. A última ligação de Astoria ainda estava registrada nele.
Rose ficou com ele durante aqueles dias sombrios, e seu apoio era indescritível. Scorpius estava estranho. Estranho por não parecer afetado. Não chorou no velório, não chorou no enterro. Não chorou nos próximos dias. Não chorou. Convenceu-se de que tudo ficaria bem. Manteve-se calmo, elegante, firme.
Era só um pesadelo.
Quando não acordou do pesadelo, culpou-se inteiramente por tudo.
***
Terminou com Rose pouco antes de morar em Oxford na universidade, por um motivo estúpido. Achou que ela só não conseguia terminar com ele porque a mãe dele morreu. O que era uma mentira tremenda. Rose o amava.
Reataram no mês seguinte, quando ele notou que não conseguia passar um segundo sem ela. Rose começou a estudar na aclamada Academia de Artes em Londres mesmo, mas participava dos finais de semana em Oxford, para rever Scorpius e matarem as saudades nas festas das universidades. Albus cursou Ciência da Computação em Oxford também, e isso tornou Scorpius e Albus colegas de quarto. Até amigos por um tempo, julgando pela façanha que Scorpius tinha de apresentar os caras certos para ele nas festas, e não ter o preconceito. Ensinou Albus a aproveitar o que queria ter. Ele o convenceu a sair do armário e dizer “foda-se” para o que a família pensava.
Scorpius trocou a maconha por apenas cigarros. Adquiriu o costume de acender um depois de transar; Rose não gostava, mas conseguia conviver com os defeitos dele.
No Natal, ele voltou para Londres para rever o pai e os avós. Os jantares não eram a mesma coisa sem Astoria. Ele passou a madrugada ao lado de Rose, perto da família dela, pois se sentia melhor com ela. Foi a única noite que ele conheceu os pais de Rose. E, para ser bem sincero, Scorpius conquistou eles. O sr. Weasley até podia não gostar que ele era o cara que estava transando com sua Rose, mas em geral Scorpius não fez nada para ser odiado por eles. Ainda.
O namoro deu certo por um tempo, mas as discussões começaram a ficar mais... constantes. Para piorar, era pelo celular. Scorpius amava Rose, sim, mas isso não impedia outras garotas de tentarem se aproximar. No começo de janeiro, Rose precisou se dedicar a um projeto em dupla com um colega da mesma Academia, e não passou o tempo com Scorpius por quase um mês. Quando se reencontraram, Rose viu trocas de mensagens de uma garota no celular dele.
Não estavam mais confiando. Ela não tirou satisfação na primeira vez que espiou, porque sabia que era errado fazer isso. Apesar de Scorpius ser namorado, ele tinha direito a privacidade.
Só que foi difícil, na próxima semana, não dizer nada, quando a foto de outra garota apenas de sutiã pipocou na tela do celular.
Brigaram. Talvez tanto que quase terminaram. Ele foi atrás dela, prometendo que ele não tinha como controlar o que a garota enviava para ele. Prometeu que ele não estava pegando, muito menos transando com outra. Mostrou, para provar, a conversa. Obviamente a vadia só queria provocá-lo porque Scorpius ainda não tinha se rendido.
Ele amava Rose.
Ela não acreditou nas promessas dele, mas deu mais uma chance. A briga foi substituída por beijos. Desesperados por se reencontrarem, precisaram mais uma vez sentir seus corpos, o calor do sexo que ainda era bom para eles. Transaram feito animais, contra a porta do dormitório dele, porque mal tinham tempo para se reverem na semana, então precisavam aproveitar o tempo perdido que usaram para brigarem. Nem camisinha Scorpius usou. Mesmo não tendo gozado dentro dela, Rose achou melhor tomar pílula do dia seguinte.
A próxima briga aconteceu por causa dela. Andava de papinho com um amigo novo, da Academia. Ele a ajudava em todos os projetos – Rose deixava de ir para Oxford por causa disso. Scorpius ficava puto, mas se controlava. Quando eles brigaram, foi pra valer. Palavrão um para o outro. Odiaram-se na manhã seguinte. Rose não fez nada com o cara, nada, mas Scorpius achava que sim. Rose quase terminou com ele.
Quase.
Scorpius ficou na dúvida se eles ainda estavam juntos.
Passado um tempo sem se falarem, Scorpius mandou mensagens.
Rose respondia, na dúvida se eles precisavam mesmo terminar.
Com a chegada das férias, finalmente teriam tempo para consertar todas as merdas feitas. Porque eles se amavam. E pessoas que se amam lutam para ter a outra, independente das dificuldades.
Só que Scorpius tinha bebido na festa daquela madrugada, e não estava esperando ser surpreendido por Rose logo de manhã em seu próprio dormitório na universidade.
A cama estava desarrumada e Scorpius abotoava a camisa depressa enquanto Rose entrava. Não tinha o que se preocupar, certo? Ele só estava acordando.
Claro que Rose não era burra, mas o coração dela recusou a desconfiar.
“Ei” ela disse, baixinho, quando eles sentaram na cama para conversarem. “Toda aquela briga semana passada... Eu fui uma... eu nem sei dizer o que eu fui.”
Era tão irônico dizer isso agora. Ela estava se sentindo mal. Achou que deveria se desculpar por ter deixado Scorpius de lado nas últimas semanas para fazer um projeto com o amigo. Culpava-se pelo jeito que o relacionamento deles estava afetando tudo. Culpava seu ciúme desenfreado, seu medo de perdê-lo, e estava disposta a fazer as coisas melhorarem, se Scorpius estivesse disposto também.
Mas que idiota.
Ouviu a descarga no banheiro sendo acionada e isso interrompeu o que ela estava dizendo. O coração de Scorpius batia acelerado, como alguém que é pego em flagrante.
Naquela época, Albus estava no intercâmbio de seis meses na Suécia. Era impossível ser ele lá dentro.
Rose confirmou isso quando uma moça loira saiu do banheiro. Ela era linda. O tipo de garota que conseguia ficar com o cabelo maravilhoso de manhã. E o corpo... bem, o corpo digno para o tipo de Scorpius. Estava com uma calça jeans apertada e com o sutiã preto.
“Você está sentada...” ela apontou para o edredom desmanchado da cama, sem jeito. “Em cima da minha blusa e...”
Rose se levantou em câmera lenta quando notou que a moça estava falando com ela. Quando a loira se adiantou depressa para pegar a blusa de volta, Rose não teve uma reação drástica.
Scorpius fechou os olhos, acabado.
A loira olhou para Rose e para Scorpius, aleatoriamente.
“Eu vou... eu vou embora...”
Vestiu a blusa e saiu do quarto, deixando-o silencioso novamente.
“Rose...” começou Scorpius, desesperando-se com a expressão dela, que era muito pior do que se ela tivesse gritado.
“Ok” sussurrou baixinho. “Ok. Vamos...” pigarreou “podemos esquecer que eu alguma vez entrei aqui?”
Scorpius começou a jorrar explicações.
A cada palavra ele soava mais ridículo.
Ele teve o impulso de tentar segurá-la quando ela deu as costas e se dirigiu até a porta para ir embora. Ela fez um gesto brusco, afastando a mão dele. Empurrando-o.
A humilhação começou a crescer. O sangue estava fervendo. Rose xingou a si mesma, em pensamentos. Recusou-se, porém, a deixar as lágrimas nos olhos. Passou os dedos depressa contra eles.
Soltou um riso inconformado no meio das lágrimas.
“Eu estava sentada na blusa dela.”
Naquele momento, ela não conseguiu brigar. Pela primeira vez, foi incapaz de brigar com Scorpius. Tudo o que queria era evitar o olhar dele, evitar as desculpas dele, evitar as merdas dele. Precisou sair de lá.
Depressa.
Pretendia nunca mais vê-lo.
***
O pior de tudo? Al não estava lá para ajudá-la. Al estava na Suécia. Na merda da Suécia. Quem meio que a socorreu naquela época foi Dominique. Ajudava-a repetindo sempre Fighter da Cristina Aguilera. Era a única dos primos que estava por perto naquela época e acabou se tornando um grande suporte na separação dela com Scorpius. Dominique entendia Rose, já tinha passado por tudo aquilo com outros namorados e falava que só havia um jeito de melhorar. Fazer compras. Sentir-se linda. Ficar gata. Ser adorada pelo espelho.
O shopping estava movimentado em outubro. Rose se esforçou a seguir a filosofia de vida de Dominique. As vezes a vaidade poderia ajudar, mas ela estava desanimada. Desanimada com tudo. Queria ficar deitada na sala, assistindo Guerra dos Tronos (e imaginando a cabeça do Scorpius rodando pela tela de tanta raiva que ela estava), mas Albus a proibiu de assistir os novos episódios até que ele voltasse para os dois assistirem juntos. Rose ignorou as inúmeras ligações de Scorpius. Bloqueou o celular dele, não queria ouvir sobre ele. Estava farta. Aquele relacionamento desgastou suas energias.
E a deixou com... enjôos.
Dominique esperou ela atrás da porta do banheiro feminino do shopping.
“Rose, estou ficando preocupada. Tudo bem aí?”
Rose reapareceu segurando o teste de gravidez.
Ela estava atrasada, e ela calculava tudo perfeitamente desde o primeiro dia que menstruou aos doze anos. Sua mãe lhe ensinara.
Dominique deixou a alça da bolsa deslizar por seu braço, em choque.
Se tinha como ficar pior, ficou.
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