Fix You

34 Parachutes


Notas iniciais
Eu nem sei como começar essa nota, então apenas digo que nem eu acredito que consegui chegar até o final desse capítulo para postar! Muitas coisas acontecem nesse capítulo, como podem perceber, através dessas muitas palavras. Pensei em repartir ao meio, mas não faria sentido. Não vi como isso daria certo no contexto. Espero que não esteja ZzzzZZzzzzZZzz, pelo menos HAHAHA Queria agradecer pelos incríveis comentários do capítulo passado. Eu fiquei muito aliviada por ver muitos de vocês por aqui de novo!!! É só o que eu preciso para continuar Fix You, então obrigada mesmo! Peço desculpas pela demora imensa. Mas vocês não querem ler desculpas né? Então vejo vocês lá embaixo. E boa leitura!!!

CAPÍTULO 34

Parachutes

Here I am and I'll take my time
Here I am and I'll wait in the line always
Always...


***

Após a intimação, Scorpius teve paciência para esperar Michael explicar tudo e poder começar a desenvolver sua defesa. Afinal, o rapaz estava envolvido em um assassinato que ocorrera há três anos e a polícia ainda se manifestava para encontrar o culpado.

Uma coisa Michael tinha certeza:

— Eu não o matei.

Scorpius não estava interessado nisso.

— Sua palavra pouco importa, se o caso for levado ao tribunal. Preciso saber dos fatos e do que aconteceu para acreditar em você.

— Eu costumava frequentar um lugar chamado Queens — contou com a voz baixa. — Você sabe, aquela boate. Minha vida um tempo atrás era resumida a não me importar com minha vida. Eu só queria diversão. E algumas vezes só dançar não era divertido o suficiente.

— Resumindo, você comeu esse Leon Riley naquela noite.

— Colocando dessa maneira, sim.

— Isso te coloca aqui. — Scorpius elevou a mão pouco acima da cabeça. — No topo da pirâmide de suspeitos. Na primeira vez que investigaram a morte dele, você contou isso a polícia?

— Eles não me abordaram. Pouco se importaram ao encontrarem um rapaz morto, enforcado, dentro de um lixão, perto da Queens. Não encontraram suspeitos, deram como caso encerrado. Deixaram para lá, era só mais um gay fora do mundo, certo?

— As evidências demonstram ataque homofóbico — concordou Scorpius. — Mas você ter se envolvido com a vítima horas antes o torna um principal suspeito e um novo interesse para fecharem o caso. Você é um suspeito sólido. Última pergunta. Vocês estavam sob o efeito de alguma droga?

— Preciso mesmo responder?

— Óbvio que estavam. Você se complicou, Michael. Não se lembra de nada daquela noite?

— Eu não sabia o nome dele até vê-lo no noticiário na manhã seguinte. — Michael coçou a nuca. — Minha vida era... não conte ao Albus. Ou Rose. Se eles souberem...

— Isso é profissional, não um desabafo que você está me contando porque viramos melhores amigos. Eu não tenho nada a ver com sua vida, o que fez ou por que fez. Mas se quiser um conselho... se você não matou ninguém, você não tem nada a esconder. Mas às vezes um erro pode comprometer sua vida inteira. Eis o que você se precisa se preocupar. — Scorpius foi muito direto, sem enrolações, para jogar a real contra Michael: — Assistente social.

— Merda.

— Sim. Eu tenho certeza que você mentiu quando, ao ficar responsável por Luke, respondeu que nunca usou drogas. Você ainda não é acusado como suspeito para levarem você ao tribunal porque eles não têm motivos e nenhuma evidência concreta para jogarem contra você. Por isso está aqui, na sua própria casa, e não preso. Mas quando a assistente social vier aqui, isso vai deixar de ser um caso criminal.

— Eu posso perder Luke? Tenho essa chance?

— Não vou mentir, Michael. Você tem chances de muitas coisas. – Ele parou um pouco e pensou. — Alguém está querendo você longe de Luke?

— Não que eu saiba. Quero dizer, às vezes o pai biológico liga. Mas ele não pode chegar perto de Luke. Está até assinado.

— Certo... Escute, o que posso te ajudar agora é em me certificar de que você continue demonstrando o que é, e não o que foi. Eles vão ficar de olho em você por um tempo, sim, investigando. Então um passo em falso, se eles descobrirem alguma coisa que está escondendo agora, você vai se encrencar.

— Eu não tenho nada para esconder agora. Minha vida se resume a comprar roupa minúscula na seção de crianças do shopping e algumas HQs porque Albus me viciou em Vingadores. Só isso.

Nesse momento, a porta do apartamento de Michael se destrancou e Albus apareceu segurando algumas sacolas. Ele se deteve por um instante quando viu Scorpius e o motivo de estar ali, lembrando-se dos últimos acontecimentos.

— Bom, eu já vou — disse Scorpius silenciosamente, sem querer atrapalhá-los. Era óbvio que os dois tinham o que conversar. — Sabe onde me encontrar se precisar de algo.

— Obrigado, Scorpius — disse Michael, estendendo sua mão à Scorpius, que a apertou.

Albus encarou Scorpius e perguntou pouco antes de vê-lo ir embora do apartamento de Michael:

— É um daqueles casos fáceis e entediantes para você?

— Não tem ideia — tranquilizou-o.

— Certo — soou mais aliviado. — Nos vemos na exposição.

— Até.

Scorpius despenteou o cabelo de Luke quando passou pelo sofá, onde o menino estava vidrado em seu vídeo game, e se afastou até a porta.

Após fechá-la e ficarem sozinhos, Albus percebeu que Michael se ocupou em levar os copos de água para a cozinha afim de não precisar encará-lo.

— Escute — começou Al, seguindo-o até a cozinha. — Você está escondendo algo de mim. Deve ser algum podre seu que provavelmente vai tirar essa visão de que você é perfeito. Vamos brigar e vamos discutir nosso relacionamento como héteros fazem. Legal. Normal. Posso lidar com isso. Mas não esconda de mim algo que provavelmente é tão importante. Quero dizer, uma hora estamos pensando em morarmos juntos e no outro segundo, você contrata Scorpius Malfoy para ser seu advogado. Você sabe que quem o contrata é porque está fodidamente fodido. E não do jeito bom.

— Al. Como você espera que eu conte o que está acontecendo se você nunca fecha a sua boca? É melhor sentar.

***

Rose estava linda e ela tentou não pensar no fato de que iria a sua primeira e importantíssima exposição do museu onde trabalhou nos últimos dois anos, com a perna quebrada, muletas e, provavelmente, submetida ao remédio que tomava. A última coisa que ela precisava era pagar o mico de dormir no meio de seu próprio discurso.

Seria uma noite importante para ela e sua carreira. Tão importante que não teve como seu médico impedi-la de sair, pelo menos, por algumas horas. Quando Scorpius chegou da casa de Michael e Albus, ele se adiantou até o corredor e quase tropeçou em uma apressada Zoe saindo do banheiro com uma toalha no corpo e outra na cabeça.

— Oi, pai. Tchau, pai. Eu preciso me trocar, mamãe viu que eu enrolei e está uma fera.

— Você enrolou no dia mais especial para ela?

— Foi sem querer.

— Corre, então.

Ela obedeceu. Scorpius continuou o caminho e antes mesmo de entrar em seu quarto, viu as costas nuas de Rose. Ela estava sentada na margem da cama, virada para o espelho do armário. Ela colocava os brincos nas orelhas quando abriu um pequeno sorriso para o reflexo de Scorpius entrando no quarto.

Ele disse, tirando a gravata:

— Vestido maravilhoso. Gosto das suas costas aparecendo.

— Obrigada. E você está pronto?

— Preciso de um banho — ele comentou. — Conversei com Michael.

— Sigilo entre advogado e cliente? Estou preocupada.

— Sim. Mas não é um caso difícil. Já vi pessoas em piores situações. Ele vai ficar bem, se a sorte correr a favor dele.

— Espero que corra. — Suspirou e Scorpius estranhou o modo como Rose estava quieta. Não era para ser um grande dia? Ela, em outras circunstâncias, estaria correndo apressada pela casa fazendo os dois se trocarem logo.

Ele se ajoelhou na cama e se inclinou para beijar uma área despida de sua coluna. Subiu os lábios até o ombro dela, afastando os cabelos ondulados para o lado.

— Está ansiosa?

— Nervosa, acho. Eu preciso que tudo corra bem.

— Pessoas importantes por lá?

— Sim — ela disse. — Muitas. E eu sou só o quê? Um girino perto do que aqueles especialistas são. Mas fiz tudo o que eu podia. Dei meu sangue para trazer artistas e obras de diferentes países para essa exposição. Espero que tenha sido o suficiente.

— Quebrar a perna é o suficiente. Você deu tudo de si. Se sua curadoria não for o suficiente, mande esse críticos especialistas se foderem. Não é isso o que artistas fazem?

Rose riu, virando o rosto para ele. Scorpius sabia o que dizer, às vezes. Ou aprendeu. Ele a beijou, deixando-a mais tranquila, e depois se levantou para ir ao banheiro tomar banho. Rose estava repassando em sua mente todas as palavras que pretendia usar para fazer seu discurso na abertura. Seria um passo grande para ela. Seu reconhecimento dependeria do resultado da exposição, então precisava que tudo ocorresse bem.

A exposição exigia um tipo de formalidade. As roupas deveriam ser elegantes e chiques. Era uma exposição para a sociedade elevada de Londres no ramo das Artes Plásticas. Haveria coquetel e poucas crianças. No entanto, não era proibida a entrada de uma, ou duas, no caso de Zoe e Ralph Thomas. Zoe insistiu que Ralph Thomas fosse com eles. A avó do garoto o trouxe para o apartamento dez minutos antes de saírem, quando todos já estavam prontos e Scorpius calçava os sapatos.

No quarto, ele tentou ajudar Rose a se levantar, mas ela disse depressa conseguindo alcançar as muletas:

— Não precisa, amor, obrigada. Pode atender a porta? Deve ser o Ralph Thomas com a avó dele.

— Eu atendo a porta! — a voz de Zoe fez um efeito Doppler enquanto corria do quarto até a sala.

Ela fez o conhecido toque de introdução da música de Frozen ao bater na porta.

Você quer brincar na neve?

— Não — respondeu Ralph Thomas do outro lado da porta.

Ele estava com uma expressão entediada quando Zoe a abriu. Vestia uma camisa social branca e calça jeans preta. Parecia um homenzinho, especialmente com o cabelo todo penteado com gel e dividido ao lado em um topete. Com certeza a sra. Thomas ainda ajeitava o menino.

— Chato. Oi, sra. Thomas!

— Olá, Zoe. Cuida para esse garoto não dar muito trabalho?

— Cuido sim. Ele vai ficar bem comportado, não vai?.

— Essa é a Cupcake? — perguntou Ralph para o cão que se ergueu com o apoio das patas dianteiras e se apoiou nele, latindo.

— É o Cupcake! — corrigiu Zoe. — Meu pai me deu ele no Natal do ano retrasado, acho. Ele já tem um ano! Você quer ver minha coleção de bonecas?

— Eu não, credo!

— Ninguém vai ver boneca agora, filha — disse Rose, tranquilizando Ralph Thomas do possível pesadelo que Zoe o colocaria. — Nós já precisamos ir até a galeria. Boa noite, sra. Thomas. Como vai?

— Preocupada em deixar esse garoto sozinho na galeria! Não tem problema mesmo, Rose? Sua perna...

— Está tudo bem. Não gostaria de ir com a gente? A entrada não é cara.

— Tenho muitas coisas para resolver. Mas se precisarem de alguma coisa, se meu neto der algum trabalho, me ligue imediatamente.

— Pode deixar.

Scorpius apareceu na sala, segurando o ombro de Ralph Thomas, paralisando-o imediatamente.

— Eu tenho certeza que ele vai se comportar, não é, Thomas?

— Uhum — ele mentiu.

— Vamos para o carro. Chegaremos atrasados.

Scorpius ficou por último para fechar o apartamento. Enquanto isso, os três caminharam até o elevador com a sra. Thomas. Somente no estacionamento, a mulher se despediu do neto com um beijo bem forte na bochecha e o abraçou.

— Ai, vó! — ele se incomodou com o afeto, mas a sra. Thomas pouco ligou. Afinal, quase teve que suportar a péssima notícia de que ele não sobreviveria quando sofreu o acidente de bicicleta.

Zoe estava guardando o riso para si. Somente quando os dois se acomodaram – longe um do outro – no carro, Rose e Scorpius escutaram Zoe comentar:

— Você tá com a marca do batom da sua avó na bochecha.

Ralph Thomas esfregou a mão na bochecha. Zoe provocou:

— Ainda não saiu. Acho que vai ficar marcado pra sempre.

— Mentirosa. Não vai não. Batom não fica marcado pra sempre.

— Fica sim.

— É mentira.

— Não é verdade que fica marcado pra sempre, mamãe? Viu? Ela falou que sim.

— Falou nada.

— Falou sim.

— Falou nada.

— Falou sim.

— Falou nada.

— Falou sim.

Scorpius olhou meio frustrado para Rose, que correspondeu o olhar, rindo.

— Eles não param? — ele perguntou em meio aos “falou sim” e “falou nada”.

Era engraçado como as crianças mudavam de discussão abruptamente. Quando Scorpius percebeu, durante o caminho até a galeria, Ralph Thomas estava mostrando para ela a cicatriz que tinha ficado em sua cabeça depois de se recuperar do acidente de bicicleta.

— Eca — ela comentou. — Não dói?

— Não — ele disse bravamente. — E eu nem chorei quando caí.

— Você disse que não lembra de nada, como que sabe que nem chorou?

— Sabia que se passar muito a mão, os pontos que o médico fez pode sair e minha cabeça pode partir ao meio e aparecer o meu cérebro?

— Que nem zumbis?

— Pior que zumbis.

— Uau. Você mente pior do que eu! Acha que eu acredito nisso, Ralph Thomas?

— Mas é verdade!

— É nada.

— É sim.

— É nada.

— É sim.

Scorpius sinceramente deu graças a Deus quando chegaram ao estacionamento da galeria. Nesse momento, Ralph e Zoe estavam competindo para ver quem conseguia ficar mais tempo sem piscar os olhos. A acirrada disputa foi interrompida quando precisaram atravessar a rua. Scorpius estava ajudando Rose a sair do carro quando ela disse às duas crianças:

— Segurem a mão um do outro para atravessarem a rua.

Ralph Thomas e Zoe se entreolharam, de repente muito tímidos. Mas nenhuma expressão ganhava da de Scorpius.

— É só pra atravessar a rua, Scorpius.

— Eu sei. — Controlou-se muito bem. Zoe não gostava quando Scorpius era antipático com o garoto.

Ralph Thomas se recusaria a pegar a mão de Zoe, se ela não tivesse sido mais corajosa e segurado a dele.

— Não precisa, Zoe — disse Scorpius, ficando entre os dois. — É só não andarem rápido. Sincronizar os passos, assim, dá no mesmo. Tentem.

Esperaram a sinalização dos pedestres. Zoe andou ao lado de Ralph Thomas sem segurar a mão dele e Scorpius esperou Rose mancar para ficar ao lado dela. Ela estava com a expressão divertida.

— Você faz isso pra me provocar, não é? – ele perguntou enquanto andavam em direção à entrada da galeria seguindo o fluxo das pessoas bem vestidas.

— São só crianças. Mas faço pra te provocar mesmo. Você é fofo com ciúmes da Zoe.

— Não é ciúmes, é só... preocupação.

— Certo. Por que ela vai ter milhares de namorados daqui alguns anos e você se preocupa com isso.

— Para, Rose.

— Ela vai passar o dia esperando para sair à noite e encontrar o namorado que você vai proibi-la de ver. E você se preocupa com isso.

— Eu não vou mais falar com você.

Rose não se conteve e apoiou a mão no ombro dele para inclinar o rosto e beijá-lo na bochecha, perto dos lábios, rindo. Scorpius não gostava de pensar nisso, então ele tinha fechado a cara.

— Acho que mereço. Vou pagar por todos os pecados.

Uma voz estridente surgiu na calçada do museu, chamando por Rose e atrapalhando o momento. Logo eles viram que o dono da voz era uma moça desesperada, tinha óculos enormes e trajava um vestido rasgado – de propósito. Cumprimentou Rose com um beijo rápido no rosto e disse:

— A dançarina não poderá vir na abertura, Rose.

— O que aconteceu?

— Acabou de me ligar. Está com... sabe... dor de barriga. Passando mal.

— Dor de barriga? Nós pagamos ela!

— Eu disse que o pagamento deveria ter sido feito depois, mas ninguém me escuta.

Rose respirou, tentando manter a calma. A moça disse:

— Estão nos chamando lá dentro para organizarmos a abertura. Já estamos atrasados e estão começando a reclamar que não abrimos a exposição na hora. Temos que correr. Quero dizer, você... — olhou o pé esquerdo enfaixado de Rose e fez uma cara exasperada. — Por que tinha que quebrar a perna justo essa semana?

— Acha que não me condeno o dia inteiro por isso? Pode ir, Sam, eu já acompanho.

— Venha rápido. Estamos desesperados e precisamos de você.

Sam corria muito bem de salto.

Rose virou-se para Scorpius.

— Eu preciso ajudar. Não vamos demorar tanto, mas... fica de olho neles até abrir a exposição?

Scorpius olhou para Zoe e Ralph Thomas. Zoe estava brigando com o garoto depois que o viu pisotear em uma formiga sem nenhum motivo aparente.

— Você vai me recompensar.

— Vou, prometo.

— Então vai lá. Eu fico com eles.

Não deve ser tão difícil cuidar de duas crianças.

Eles ficaram bem quando entraram no saguão do museu depois que Scorpius pagou a entrada deles. O rapaz pediu para Zoe não correr e os dois ficaram sentados ao lado de Ralph Thomas em um dos bancos.

As grandes portas estavam fechadas, embora fosse possível ver, pelas paredes de vidros, a organização do espaço artístico lá dentro. Uma equipe de jovens e senhores se postaram a frente do portão e observaram o aglomerado de espectadores que esperavam, com seus trajes formais e alternativos, o início da exposição. As vozes unidas e desorganizadas, aos poucos, se calaram. A atenção foi dada para a equipe da curadoria da exposição. Rose estava entre eles e ela quem começou a falar.

Muito desconfortável segurando suas muletas, mesmo assim. Diferente de Scorpius, falar em público era um grande desafio para ela. Algo que a fazia suar frio, mas ela melhorara muito desde que se formara na faculdade. Em meio ao seu discurso sobre as obras, o esforço e a dedicação da equipe, Scorpius não viu que Zoe tinha se levantado e corrido até os avós maternos para abraçá-los. O sr. e a sra. Weasley acabavam de entrar na galeria, chegando a tempo para continuar ouvindo as palavras de Rose. Ela não estava lendo; ao menos escreveu alguma coisa. Scorpius podia imaginar que estava seguindo aquele conselho muito bom de Zoe – falar com o coração.

— Nós sempre encontramos inspirações nas pessoas que a gente ama. Eu lembro que comentei a ideia de uma nova exposição depois que minha filha me perguntou por que ela não podia colocar a mão em um quadro. Ela tinha visto uma pintura em que a tinta estava tão espessa que dava a ela vontade de puxá-la da tela. Eu a levo para ver exposições e visitar museus desde o dia em que ela nasceu, provavelmente. E ela sempre se incomodou com o fato de, algumas vezes, ser obrigada a apenas olhar, quando na verdade tem vontade de interagir com as obras. Então é isso o que a exposição representa. A sua liberdade em interagir com as obras expostas aqui. Então é só aproveitarem e se divertirem.

Aplaudiram, curiosos e animados quando dois homens afastaram as portas, dando caminho para que finalmente as pessoas entrassem na galeria. Ralph Thomas correu até Zoe para os dois andarem juntos pelo salão e mexerem nas obras e instalações que estavam expostas. Scorpius foi até os pais de Rose para cumprimentá-los com apertos de mão, mas a sra. Weasley se adiantou mais um pouco para cumprimentá-lo com um beijo no rosto.

— Rose me contou o que fez pelo amigo da Zoe. Foi muito nobre de sua parte, Scorpius.

— Fiz o que estava ao meu alcance.

— A tia avó de Ronald não para de perguntar sobre você — disse Hermione, sorrindo. — Então... sinta-se bem vindo por lá novamente.

Ele não deixou de sorrir.

— Obrigado.

O sr. Weasley se aproximou de Scorpius, dizendo:

— Ouvi dizer o que ocorreu na prisão, com o cara que ordenou tirar sua vida.

— Sr. Weasley, com todo o respeito — ele o interrompeu. — Não vamos falar do meu trabalho. O de Rose é o que importa, certo?

Ron ficou um pouco ofendido.

— Essa é a minha tentativa de arrumar um assunto contigo, rapaz.

E isso fez Scorpius se sentir idiota. Mas antes que pudesse consertar ou continuar com o assunto, Ron apressou-se a dizer:

— Certo, não vamos forçar.

Os dois finalmente concordaram com alguma coisa, mas quando virou o rosto para outro lado, Scorpius estava tentando não rir.

Ron viu Rose e se esqueceu de Scorpius para poder se aproximar dela, que estava conversando com um grupo de artistas. Interrompeu-se da conversa para receber o beijo e o abraço dos pais.

— Estamos muito orgulhosos de você, filha! Parabéns pela exposição. Está incrível e eu só vi de longe.

— Obrigada, mãe!

— Você está bem? — perguntou Ron depressa. — Sua perna. Explique isso direito.

— Junte pressa e escada. É isso o que acaba ganhando. Mas eu estou bem, juro, pai. Só o gesso que não está combinando com o vestido.

— Nós já podemos entrar para ver as obras? — perguntou Hermione.

— Claro. Zoe e o amigo dela já estão mais à vontade que vocês. Então fiquem também.

Os pais de Rose entraram, deixando-a sozinha com Scorpius.

— Então... está morrendo entediado? — brincou Rose. — Sei que não gosta desse tipo coisa, então obrigada por estar aqui mesmo assim.

Tudo o que Scorpius fez foi sorrir. Os dois também entraram na exposição, Scorpius acompanhando os passos de Rose, que não eram longos.

— Lembra a primeira vez que me levou a uma galeria? – perguntou Scorpius, relembrando esse momento com clareza.

— Como esquecer você sendo o cara mais insensível do mundo? Sério, eu não sei como eu quis ficar com você naquela época. Mas então eu percebi que existe uma diferença entre se incomodar com arte e não se importar com ela. Você se importava, pelo menos.

— Minha mãe amava isso — contou Scorpius, registrando os aspectos da galeria com o olhar. Todas as obras estranhas, bonitas, feias, o faziam pensar e sentir. — Ela iria amar esse lugar.

Mas não teve tempo de se sentir ruim, porque Scorpius avistou um homem conhecido pouco a frente deles. Sorrindo com uma mulher mais jovem, bonita, sofisticada e loira. Scorpius reconheceu primeiro Serena, professora de teatro e dança da turminha de Zoe, para depois entender que quem estava com ela era seu pai.

— Rose, está incrível — disse Serena quando os viram. — Todo o esforço que teve está valendo a pena. Que galeria maravilhosa. As crianças estão se divertindo.

— A intenção é fazer os adultos se sentirem à vontade. Existe aquela coisa que faz a gente ficar contido, hesitante, se pode ou não brincar. Vai demorar até todo mundo se soltar aqui, como as crianças fazem.

— Interessante.

— Sr. Malfoy, eu fico feliz por vê-lo aqui também — disse Rose, não escondendo um sorriso.

— Scorpius me chamou para prestigiar o seu trabalho, Rose. Não pude recusar.

Ela agradeceu e depois foi interrompida por mais pessoas importantes se aproximando para falar com ela. Scorpius percebeu que não teria sua companhia constante, então se ocupou em não perder Zoe de vista. Observou as obras de arte expostas e tentou interpretá-las, ter a mesma visão que Rose tinha das coisas. Mas, para ele, era sempre difícil. Draco o acompanhou, tentando achar uma forma de começar a contar as novidades.

Mas Scorpius foi mais rápido na iniciativa.

— Então... Serena?

— Eu sei que ela é treze anos mais nova, mas...

— Mas ela te arrastou aqui — disse Scorpius, bebericando um pouco da bebida que estava sendo servida. — Merece um prêmio quem consegue isso. Minha avó também veio?

Ele apontou para Narcissa isolada em uma área pouco movimentada da galeria e Scorpius caminhou para vê-la. Ela observava uma escultura pequena, que Scorpius não conseguiu decifrar seus aspectos. Era abstrato e havia hipnotizado a avó.

— Rose ficou feliz por vê-los aqui. É muito importante para ela.

Cissy ainda olhava intrigada para a escultura. Scorpius achou que ela estaria pensando em coisas profundas, mas comentou:

— Isso parece um pênis. Olá, Scorpius. — Beijou o rosto do neto, carinhosamente. — Devo confessar que estou impressionada. Um trabalho de profissional. Já fui a muitas exposições, então sei do que estou falando.

Foi uma noite muito boa para Rose. Estava aliviada agora que as coisas saíram melhores do que esperava. Ainda teria que lidar com as críticas duras nos jornais dos próximos dias, mas estava preparada. Pela recepção que estava tendo dos visitantes pelo menos podia ter certeza de que não tinha sido um desastre.

Ela convidou seus pais para terminarem a noite com um jantar no restaurante preferido deles e, junto à esse convite, Scorpius acrescentou seu pai, sua avó e a namorada de seu pai. Dominique finalmente havia voltado para Londres, então ela e Rose tinham muitas coisas para conversarem. Entre um dos assuntos, o novo namorado da moça. Ela estava enjoando dele.

— Achava que dessa vez iria para frente.

Dominique estava desesperada. Já entraria para os trinta anos e não havia se estabelecido em um relacionamento sério. Ela seria tia em poucos meses, graças a Victoire, então essas responsabilidades ficavam atormentando ela.

— Olha, pare de pensar nisso — disse Rose enquanto caminhavam para fora da exposição, depois que encerrou o seu primeiro dia. Zoe estava segurando a mão de Scorpius para atravessar a rua. — Você vive só pensando em achar o cara certo. Não existe o cara certo.

Dominique não disse nada.

— O que quero dizer é que você termina com seus namorados logo no primeiro defeito que você encontra — comentou Rose. — Porque você procura pelo cara perfeito, e isso não existe.

— É por isso que está com Scorpius?

— Eu estou com ele por muitos motivos.

Foram interrompidas com a chegada do amigo de Rose, Adam. Ele estava se esquentando com a jaqueta de couro quando a chamou e perguntou:

— Seu primo veio hoje? Eu não o vi na exposição.

— Ele foi embora mais cedo. Está resolvendo algumas coisas.

— Ele está me evitando? Ou ele é só tímido?

— Adam, ele namora. Um relacionamento de verdade. E você acabou de sair do banheiro depois de transar com o transportador das obras. Então... não sei se vai dar muito certo. Só avisando.

— Eu não estou interessado nele — ele exclamou estupefato. — Ok, Rose, você me conhece. Eu acho homens bonitos, mas não quer dizer que quero comê-los. Seu primo é o que eu procuro para o meu projeto de fotografia. Eu queria saber se ele gostaria de ser o modelo. Quando eu o vi no hospital, tive um insight. Pode dar certo.

Rose conhecia Adam por suas fotografias. Eram fantásticas. E ele ganhava dinheiro em cima disso. Incontáveis foram as vezes que seus ensaios apareceram em revistas famosas. Mas Rose não via Albus aceitando isso nunca.

— Eu falo com ele. Não prometo nada.

— Obrigado, Rose. É muito importante para mim.

Ele se afastou com os amigos quando disse aquilo. Dominique e Rose continuaram o caminho até o estacionamento, onde se despediriam até chegar ao restaurante e jantarem.

Zoe não se lembrava a última vez que viu seus avós, paternos e maternos, em uma mesma mesa de jantar. Talvez ela nunca tivesse visto, porque nunca aconteceu antes. Apesar das conversas serem internas entre as duas famílias diferentes, não foi um jantar desagradável. Zoe observou sua mãe olhando para as pontas de ambas as mesas, para Draco e para Ron, com um olhar feliz e isso deixava Zoe feliz também.

Scorpius deixou Ralph Thomas em sua casa antes dos três voltarem. No momento em que chegaram no apartamento, Zoe foi direto para a televisão assistir a algum filme, mas já passavam da meia-noite.

— Não, querida, agora você vai dormir. Já está tarde, ok? E eu estou exausta...

Rose desabou no sofá, largando a muleta no chão, para pousar a perna e a cabeça. Nem se deu ao trabalho de colocar pijama, tomar um banho ou escovar os dentes. Ela dormiu quase no instante em que fechou os olhos, então acabou sobrando para Scorpius insistir que Zoe fosse para a cama.

— Gostou da exposição hoje? — ele perguntou enquanto ela se agitava para colocar o pijama.

— Sim! E você? Você viu que meu avô Draco está namorando?

— Aham. Mas não podemos papear muito. Você já está com sono. Boa noite.

— Boa noite, pai.

Ele a beijou no rosto quando ela se enfiou no cobertor e se virou para dormir. Scorpius voltou para a sala, onde viu Rose também dormindo, e sentou no outro sofá para assistir a televisão. O apartamento ficou silencioso e ele se sentiu bem por não ter a necessidade de pensar tanto em seu trabalho e nas coisas insignificantes que antes ele tinha em sua vida. A mente dela estava silenciosa nos últimos tempos. Não costumava ser assim. Mas isso não era ruim.

***

Draco apagou o cigarro, olhando para a janela do apartamento de Serena. Ele não observava uma rua tão barulhenta e movimentada há muito tempo. Estava até um pouco incomodado. Queria silêncio.

Sentiu braços femininos se enrolarem ao redor do pescoço dele. Serena o beijou no rosto, um beijo de bom-dia, e ela comentou:

— Scorpius não é muito de papo, não é? Vejo isso desde o dia em que ele foi buscar Zoe nas aulas de teatro. Até que tentei ontem, sabe, conversar com ele...

— Não tente — Draco disse. Serena olhou para ele, um pouco chateada. — Quero dizer, tente. Mas não tente. Ele não gosta que as pessoas se esforcem com ele. Ele não gosta de algo forçado.

— Entendi. Ele é exatamente como você, então?

Draco riu.

— Um pouco. Mas essa coisa de não querer que uma pessoa force contato... Não veio de mim.

O silêncio dessa vez veio de Serena.

— Vou preparar um chá — Draco apressou-se a dizer. — Você vai querer?

— Sou um clichê, então amo chá.

— Ótimo.

Enquanto ele se adiantava na cozinha para prepará-lo, Serena colocava uma camiseta e calça. Ela não precisava ajeitar os cabelos, estavam sempre perfeitos, mesmo que bagunçados.

— Gostei que saímos ontem. Às vezes é bom sair um pouco do quarto, não é? — brincou.

— Gostou? Pensei que ficaria entediada.

— Não. Você não me deixa entediada.

Ele olhou para a moça, sentindo que as palavras dela eram sempre muito sinceras. Serena olhava para ele, tentando não transbordar, talvez, a paixão que ela tinha por Draco. Há mais tempo do que ele imaginava. Ela se apoiou ao balcão e o observou fazendo o chá, todo experiente.

— O que é isso? — ele perguntou, apontando para um convite em cima da mesa.

— Sua mãe. Ela me convidou para ser Clarisse em sua nova peça.

Draco gargalhou.

— Minha mãe não tem mais jeito. Escute... ela só está ocupando o tempo dela. Não leve a sério.

— Não deveria falar assim — repreendeu Serena. — Ela acredita nessa peça. E, sinceramente, eu estou considerando. O roteiro não é ruim, Draco. Aliás, sua mãe é muito talentosa.

— Você leu o roteiro?

— Ela me enviou por e-mail. Eu chorei no final.

— Certo. Sério?

— Sim. E é disso o que eu vivo. Teatro. Não é todo o dia que sou chamada para alguma coisa. Eu tenho sempre que correr atrás. E se sua mãe acha que eu seria uma boa Clarisse, eu estou lisonjeada. Quem não conhece Narcissa Malfoy e o quão exigente ela é?

Draco pensou sobre isso.

— Está certa. Fui duro com a minha mãe. Boa sorte.

— Mas não se preocupe — disse Serena, abrindo um pequeno e sarcástico sorriso. — As cenas calientes não serão autênticas.

***

A correria de sempre na empresa Malfoy, Zabini & Flinch acompanhou a rotina de Scorpius. No entanto, até o final do mês, ele foi responsável por demitir dois advogados. Ele nunca havia feito isso. Não era um trabalho fácil, mas Scorpius tinha frieza suficiente para fazê-lo com a postura de um profissional. Percebeu que, com o tempo, a tarefa ficava mais suportável.

Estava dando instruções à Portia quando uma mulher desconhecida apareceu no corredor da firma. Na verdade, ela não era tão desconhecida. Seu rosto era estampa de revistas. Era uma jornalista renomeada e que estava sempre de olho no próximo assunto de suas matérias. Keira Skeeter.

Naquele mês, ela esteve tentando entrar em contato com Scorpius para entrevistas e coisas insignificantes como “O empresário do mês”, mas esteve sendo enxotada pela falta de vontade de Scorpius. Só porque ele aceitara uma vez – há quatro anos, e apenas para conseguir transar com ela -, não queria dizer que ele estaria disposto de novo.

No entanto, quando a srta. Skeeter estava determinada, ela ficava tão pegajosa quanto um chiclete em seu sapato.

— Vamos, Scorpius... Você já foi mais legal.

— Eu já disse que não. Não há nada que sua revista idiota precise ficar sabendo.

— As pessoas precisam de inspiração hoje em dia. Com vinte e oito anos, quem chegaria tão longe como você chegou? Quem teria o dinheiro que você tem? Quem venceria tantos casos no tribunal como você venceu? Só algumas perguntas, Scor. Aqui mesmo, na sua sala.

Ela tinha mania de usar seu sex appeal para conseguir o que queria. Era uma mulher muito, muito gostosa. Não usava saias longas. Ela sorriu para ele, mordendo os lábios, apoiando as mãos na mesa dele e seu decote estava indiscretamente evidente. Ela inclinou as costas para frente, realçando a visão dos peitos siliconados.

— Ou você só está se fazendo de difícil?

— Por favor, Skeeter.

Skeeter não desistia tão fácil, mas respirou fundo.

— Publicidade faz bem para a popularidade da empresa, Scor, caso não saiba. Nós todos conhecemos a rivalidade entre a Malfoy, Zabini & Flinch e a Rookwood & Associados. Você não quer apimentar a disputa com uma ou duas fofoquinhas que saiba sobre Rookwood?

— Isso é infantilidade. Diga para Rookwood crescer.

Keira se aproximou de Scorpius, lembrando-se da tarde em que ele havia parado entre suas pernas no banheiro da empresa, depois da entrevista para “Solteiro do mês” há quatro anos. Scorpius também se lembrou do acontecido, porque abanou a cabeça em um riso exasperado – como se estivesse xingando, agora, aquele Scorpius de babaca.

“Ele tem entrado em alguns casos... peculiares... para ganhar dinheiro. Scorpius não é um bom profissional, uma vez que é dependente do dinheiro que vem de um tráfico de drogas na capital do País. Quem confiaria em um líder como ele?”

O riso sarcástico de Scorpius foi interrompendo. Sua expressão ficou seriamente alarmada.

— Palavras de Rookwood — sorriu Skeeter. — E algo em sua expressão me diz que isso não é uma fofoca.

— Saia da minha sala.

— Quanta educação.

A porta da sala dele se abriu, revelando Portia.

— Malfoy, ligação importantíssima na linha 4.

Scorpius esperou Keira se manifestar para ir embora. Ela olhou de Portia para Scorpius e de Scorpius para Portia, sem abandonar o sorriso otimista.

— Eu posso voltar a qualquer hora. — Ela ajeitou o nó da gravata de Scorpius. — Tchau, Scorpius.

Passou por Portia, olhando-a de cima para baixo, mas preferiu poupar seus comentários. Keira foi embora desfilando como uma cobra, atraindo todos os olhares. Tanto masculino quanto feminino.

— Eu não estava ciente de que tínhamos uma linha 4 – disse Scorpius para Portia.

— Não temos.

Ele não deixou de notar a ajuda que acabou de receber.

— Obrigado. Eu odeio aquela mulher.

Portia continuou no buraco da porta quando Scorpius voltou a se sentar para cuidar das papeladas. Ela lançou um olhar para o retrato de sua filha, em pé sobre a mesa perto do laptop.

— Sobre o caso de Yates... É mesmo fora do país?

— Sim. Aceitamos alguns casos fora de Londres. Meu avô me ensinou tudo sobre todas as cortes do mundo, então ninguém reclama por eu dar um jeito nisso. Por que a pergunta?

— Eu só... Bem, eu nunca estive em um avião antes. Então só queria dizer que vai ser muito interessante ter essa experiência. E agradecer pela oportunidade.

— Você vai gostar — garantiu, interrompido seguidamente pelo telefone. Foi a deixa para Portia voltar ao seu trabalho.

Na semana seguinte, a equipe da empresa viajaria com a tarefa de defender um de seus clientes de longa data fora do país, na America Latina. Portia não estaria cogitada em participar da viagem, pois ainda haveria muito trabalho para se fazer em Londres, se não tivesse o sangue latino nas veias, garantindo ser útil com o idioma espanhol para traduzir para Scorpius.

Ele contou para Rose que precisaria ficar quatro dias fora. Devido à atual condição da namorada, a perna quebrada e a expectativas das críticas de sua exposição nos jornais e redes sociais, ela não ficou exatamente feliz ao saber que Scorpius não estaria lá para ajudá-la nas tarefas diárias com Zoe, mas entendeu que seria importante. Scorpius carregava um grande peso dentro da empresa e ela não seria a pessoa que tentaria impedi-lo. Quatro dias passavam rápidos.

Difícil foi convencer Zoe de que quatro dias eram um piscar de olhos. A menina brigou com Scorpius antes do rapaz deixá-la na escola, dentro do carro.

— Você disse que ia participar da gincana comigo, papai!

— Zoe, eu não sabia que teria que viajar. Eu realmente não pedi e não esperei por isso. Zoe, olhe para mim.

Ela ficou olhando para a janela do carro, como se procurasse alguém entre as crianças que entravam na escola com seus pais.

— Vai passar rápido. E eu vou recompensar – prometeu Scorpius.

— Você sempre fala que vai recompensar.

— E eu não recompenso?

Zoe apoiou a mão na bochecha, sem olhar para Scorpius. Mal sabia ele o quanto era ruim para a menina ficar sabendo de uma notícia dessas. Saber que ela participaria da gincana entre pais e filhos sem o pai e sem mãe, uma vez que Rose estava com a perna engessada e o pai iria viajar, a deixava muito chateada.

— Quem vai ser a minha dupla agora?

— O tio Al pode ser.

— Eu queria que você fosse. Eu contei para todo mundo que você ia. Eu não vou mais querer participar.

— Você ama essas competições

— Eu odeio esses jogos. São idiotas!

Ele ficou um pouco temeroso que Zoe fosse tirar a mão dele quando ele tentou acariciar a maçã do rostinho dela, para acalmá-la, mas Zoe apenas piscou os olhos. Ela estava com os olhos aguados, tentando conter a raiva.

— Escute... não é como se eu fosse ficar mais seis meses fora, que nem antes. Lembra? Eu vou voltar em poucos dias. Quatro só. É só fazer a conta. Vinte e quatro horas vezes quatro dias. Quanto horas sem mim?

Ela pensou fortemente.

— Eu tenho que contar vinte e quatro quatro vezes? São muitas horas, papai!

Ele não deixou de rir, porque a expressão dela foi engraçadinha.

— Eu não te culpo por estar brava comigo. Mas lembra que eu disse que meu trabalho era importante?

— Por causa do vovô Lucius? Eu sei — ela suspirou. — Promete que volta?

— Promessa do dedinho.

Eles cruzaram os dedos e Zoe se inclinou para abraçá-lo. Depois, saiu do carro e caminhou até o portão da escola com sua mochila nas costas. Ela sempre costumava observá-lo por trás dos ombros, mas dessa vez não olhou para trás.

Scorpius achou que Rose também estaria chateada com ele, mas talvez fosse só impressão. Ela estava chateada com outras coisas, mas não era com ele. Na noite anterior a viagem, ele arrumava os últimos ajustes com alguns cliques no notebook quando Rose foi até ele na cama. Ele sentiu seu leve peso quando ela deitou sobre suas costas. Ela direcionou os lábios para o pescoço dele.

— Eu estou insuportável — ela declarou baixinho após abraçá-lo. — É essa perna estúpida. Estou mais parada do que eu gostaria e você sabe como eu fico quando não faço nada.

— Você pintou muitos quadros nessas últimas semanas — disse Scorpius. — Não está sendo inútil.

— Pintei — afirmou, suspirando. — Mas li uma crítica ontem. Não muito legal.

— É por isso que está assim?

Ela não queria confessar. Mas não aguentou.

— E também mais porque me acostumei demais com sua presença para ter que ver você pegar um avião... acompanhado com todas as suas ex-namoradas.

— Rose. — Ele não deixou de notar que ela estava escondendo sua preocupação interior soando apenas irônica. Por conhecê-la tão bem, ele teve que tranquilizá-la. — Eu amava você quando estava com elas. E sobre Portia, nada aconteceu e nada vai acontecer.

— Confio em você?

A pergunta foi tão baixa que pareceu um sussurro para si mesma. Scorpius levantou a barriga do colchão e ficou de um modo que pudesse encarar Rose de frente. Seriamente.

— Ainda te deixo dúvidas?

— Não — ela disse depressa. — É minha insegurança. Você me conhece. Esquece. Eu sei que isso está fora de cogitação. Não precisamos discutir.

— É o mesmo que você me disse noites atrás, lembra? Que se cometêssemos os mesmos erros, não adiantaria nem continuarmos juntos. E acho que isso aplica a você não precisar ser ciumenta também.

Ela nunca gostava quando apontavam seus ciúmes. Ela não gostava de seus próprios ciúmes.

— Você acha que vou comer outra quando eu estiver fora do país? É isso? Acha que tudo o que a gente passou foi pra nada?

— Não. Eu não disse isso.

— As vezes parece que você me olha assim. Como se eu fosse ser capaz de foder tudo de novo. Como se eu tivesse sido o único...

Aquela última frase fez Rose se afastar um pouco dele.

— O que você quis dizer com isso?

— Bem. — Ele precisava desafabar aquilo agora que saiu de sua boca. — Eu não fui o único a foder tudo entre a gente antes. Você também teve sua parcela de culpa.

— E acha que eu não sei disso?!

— Naquela época você ficava com ciúmes de qualquer coisa. O tempo todo querendo saber o que eu estava fazendo. Era irritante!

— Tudo bem, ótimo. Eu não vou ficar fazendo perguntas então agora. É isso o que você quer? Eu não vou me importar com você longe daqui, então, Scorpius. Faça o que você quiser.

Ela saiu da cama e se dirigiu ao banheiro, tirando a blusa com raiva.

— Você vai ficar puta por causa disso, agora?

— Puta com o quê?!

— Reclama que eu não falo nada do que eu estou pensando e agora que eu estou desabafando você fecha a cara. Eu não te entendo.

Não queria ter discutido com ela algumas horas antes de pegar o avião para outro país e ficar quatro dias fora, mas às vezes as palavras escapavam. E ele sentiria falta dela nos quatro dias e lidar com isso, muitas vezes, era difícil. Uma parte dele sabia que Rose tinha motivos para desconfiar. Outra parte dizia “não seja ridícula, Rose”.

Eles ficaram um tanto frios um com o outro quando Rose voltou do banho e se arrumou para dormir. O avião sairia às cinco e meia da manhã e Scorpius tinha trabalhado muito na semana, então estava cansado. Rose quis dizer alguma coisa – depois do banho, a mente dela ficou mais calma e mais clara, ela percebeu que era ridícula sua insegurança. Você não tem mais dezessete anos. Mas Scorpius já estava dormindo e ela decidiu esperar a manhã seguinte.

***

Scorpius acordou com o despertador. Olhou para os lados e Rose dormia tranquilamente. No meio da noite, de alguma forma, eles se abraçaram, apesar do gelo que ficou desde a última discussão. Ele precisou de muito cuidado para tirar o braço embaixo do corpo dela. Acabou não acordando-a, então se ergueu da cama e esfregou as mãos no rosto.

Tirou o celular da bateria que o carregava antes de se levantar para ir ao banheiro. Fez seu típico ritual com o sobretudo e a gravata, alinhando o nó perfeitamente no colarinho. Olhou-se no espelho e penteou os cabelos molhados.

Fez tudo o que precisava com o silêncio de sempre. Somente quando estava pronto, ele se inclinou para beijar a boca de Rose, que estava acordando aos poucos.

— Hum?

— Eu já estou indo, amor.

Ela se espreguiçou, gemendo fraquinho, até entender as palavras de Scorpius. Quando entendeu, acordou de vez.

? Não vai comer nada?

— Não estou com fome.

— Espera aí.

Ela reuniu energia para levantar. Ela era teimosa o suficiente para andar pela casa, agora, sem as muletas. Já garantia que até podia tirar o gesso, mas claro que médicos sabiam mais do que ela. Rose andou até a cozinha para fazer o chá preferido dele.

— Rose, não precisa. Sério. Está muito cedo. Eu só vou falar tchau a Zoe e...

— Não, eu faço pra você. — Colocou um pedaço da mecha ruiva atrás da orelha. — Não tem problema pra mim. – E bocejou, dormindo em pé, preparando a temperatura do fogão. Isso fez Scorpius sorrir fraquinho. Ninguém nunca fez algo assim por ele antes de viajar.

— Obrigado.

Enquanto esperavam o chá ficar pronto, Scorpius disse:

— Nós precisamos parar de ficar comparando, sabe. Hoje com aquela época. Não faz mais sentido. Sobre você ser ciumenta, pode ser verdade ainda, mas não quer dizer que eu não goste disso as vezes e...

— Scorpius — ela o interrompeu. — A única coisa que eu estou preocupada agora é se o piloto do avião realmente sabe pilotar bem aquela coisa.

Ele riu alto. Ela também estava rindo, observando-o.

— É sério. Você que se atreva a me deixar sozinha com uma filha nesse mundo, seu idiota.

Ela empurrou o peito dele, só de brincadeira. Mas ele segurou o braço dela e a puxou para perto, seriamente, segurando as mãos na cintura fina para apertá-la em um beijo que foi além de uma rápida despedida. Usou a língua e a fez se lembrar do primeiro beijo deles na beirada da piscina.

Ela sentiu a barba mal feita em suas mãos e aprofundou o beijo com a expectativa de sentir as mãos dele em suas nádegas, firmemente. Ele afastou a base da camisola dela para cima, enquanto pegava o embalo para colocá-la sentada sobre a pia e tirar a calcinha.

— A perna — ele alarmou-se, preocupado. — Vai doer.

— Não vai. — Rose deu um jeito de abrir as pernas e trazer Scorpius para entre elas. Sussurrou no ouvido dele. — Me fode aqui mesmo.

Um comando que ele era incapaz de recusar. O sangue dele ferveu e ele precisou abrir a calça para liberar a ereção que foi rapidamente estimulada com as mãos dela. Habilidosa. Sem perder tempo. Sempre assim. Rose soltou a boca dele e jogou a cabeça para trás, sentindo a língua de Scorpius lamber seu pescoço inteiro até morder o queixo e voltar para a boca dela, devorando-a. Enquanto isso, ele apertava os seus seios por cima da camisola que acabou por ficar em seu corpo o tempo todo. Scorpius apenas abaixou a cueca, sem tirá-la totalmente, pronto para penetrá-la onde estavam.

Ela até aceitaria a rapidinha, mas não queria deixar Scorpius sair dali sem uma boa lembrança daquela manhã para os próximos quatro dias. Sendo assim, ela o afastou e o fez sentar na cadeira perto da mesa. Ele observou Rose descer a boca dele até seu pau extremamente duro e chupá-lo vagarosamente. Ele deu uma rápida olhada no relógio e pouco se fodeu para o fato de que poderia chegar atrasado. Não se importou com nada. Só com Rose e a função que sua boca estava tendo naquele momento.

Ele fechou os olhos, enlouquecido de tesão. E apreciou aquilo até o limite, quando Rose decidiu que também queria ser recompensada. Scorpius não sabia não satisfazê-la. Colocou-a de volta ao balcão da pia, onde ela podia se apoiar com mais firmeza, para beijar intimidade como se ela fosse a coisa mais deliciosa. De fato, para ele, ela era.

Depois de vestir a camisinha – não poderiam esquecer –, não tardou a se empurrar dentro dela. Ambos poupavam cerimônias e joguinhos de provocação nesse momento. Scorpius estocou forte todas as vezes, sem diminuir o ritmo. Aumentando. Gradualmente. Ela gemeu alto, mas ele tampou a boca dela com a mão, com o olhar penetrante preso contra o seu:

— Sh...

Rose sentia falta daquele desespero deles em acabar com isso quando não queriam acabar com isso. Ele observou a expressão dela enquanto deixava o movimento do sexo por sua conta. Gostosa. Ela fez movimentos circulares com o quadril, esperando que ele começasse a sentir o efeito e a gemer também. Scorpius era irritantemente calado enquanto fodia, até o momento em que ele estava para gozar.

Ela sorriu quando o momento se aproximou. Scorpius ofegou e soltou um palavrão, empurrando o próprio quadril para bater contra ela em um constante contato extremo de peles e reconhecimento, fodendo-a ainda mais forte do que antes estava. Rose precisou se segurar nele. Scorpius não parou de penetrá-la, arfando contra o ouvido de Rose, enquanto ela despenteava os cabelos de sua nuca, gemendo, sem fôlego.

Ele parou alguns segundos depois de tê-la feito gozar depois da própria satisfação, constatando com um riso exausto:

— Vou precisar de outro banho agora. Me fez suar.

Mas não se afastou completamente, porque trocaram alguns beijos mais calmos. O coração de Rose martelava contra seu peito, tanto pelo esforço físico quanto pelo emocional que Scorpius a fazia passar. Depois se afastaram um do outro, limpando-se. Ela começou a raciocinar que poderia ter o perigo de Zoe acordar e pegá-los fazendo aquilo. Mas, porra... Rose atreveu-se a pensar que não transavam daquela forma há um tempão desde que começaram a morar juntos.

Precisaram se recompor rapidamente ou Scorpius realmente chegaria atrasado. Quando verificou o celular, depois de ter tomado café da manhã na companhia de uma sonolento, mas amável Rose, já tinham três ligações perdidas. Depois, Scorpius tomou uma ducha rápida e se vestiu depressa, acabando por deixar a gravata imperfeita. Mas Rose o ajudou.

Scorpius caminhou até o quarto de Zoe, para avisar que já estava saindo para o aeroporto. A menina estava dormindo e com muito sono, mas abraçou Scorpius e disse que iria sentir saudades. Sempre. Ele deu um beijinho na bochecha dela antes de vê-la voltar rapidamente a dormir, uma vez que estava muito cedo e Zoe não falava coisa com coisa a essa hora. Scorpius não pôde deixar de comparar que, antes, ao sair para viajar a outro país, ele nunca precisou se preocupar em falar tchau para ninguém.

Ele pegou as malas. Na porta, quando olhou para Rose, prometeu:

— Ligo quando chegar.

Beijaram-se. Scorpius estava para ultrapassar a porta quando um latido o impediu. Como pôde ser tão insensível? Ele voltou para acariciar a cabeça de Cupcake.

— Cuida bem das minhas garotas — ele pediu, enquanto Cupcake abanava o rabinho para ele. Rose viu o sorriso de Scorpius. Era evidente que também amava aquele cão.

Finalmente saiu do apartamento, arrastando sua mala com apenas alguns pertences na mão direita. A esquerda apoiava o celular, como sempre, na orelha. A voz pesada de Miles Jackson soou do outro lado da linha. Scorpius esteve, nas últimas semanas, acostumado com tal voz.

— Scorpius. Finalmente atendeu minhas ligações. Sua equipe está vindo?

— Sim. — Mas Scorpius não havia saído do estacionamento do prédio.

— Não me decepcionem. Tire aquele homem da prisão. Vou precisar dele.

Ele odiava que seus clientes lhe dessem qualquer ordem. Scorpius fazia tantos favores e ele já sabia qual era o trabalho a ser feito. Não precisava que o lembrassem a cada dois minutos. Era irritante. Só que Miles, diferente dos outros, não era mal agradecido. Scorpius não disse nada, apenas desligou o celular para ocupar as mãos no volante e dirigir.

Mas ainda tinha que pagar de motorista e dar corona a alguém.

***

Albus costumava acordar cedo quando Luke estava doente porque o menino não parava de chorar. A febre dele não passou durante a semana e isso preocupava Michael a ponto de não fazê-lo dormir a noite também. Al sabia que boa parte da preocupação eram os federais que estavam observando qualquer passo de Mike, desconfiados de que ele assassinara, por infortuno, outro homem em circunstâncias desconfiáveis há três anos, apenas esperando que ele demonstrasse a primeira evidência para ser o culpado e a promotoria finalmente conseguir prender alguém.

Por isso Albus levantou da cama, colocou uma calça e falou:

— Eu compro mais remédio. Acabou o outro, não foi?

— Não precisa. Eu faço.

— Você precisa dormir. Fica tranquilo.

— Eu to tranquilo.

— O cacete que está.

Depois disso, não deixou o rapaz impedi-lo e, sinceramente, Michael não estava com energias para ser orgulhoso. Acabou abrindo um sorriso pequeno, sentindo-se um cara sortudo. Porque Albus acreditava nele. Albus não fugiu de medo com a possibilidade de que Michael realmente era um assassino.

Porque essa possibilidade era ridícula.

Não passava das seis horas da manhã quando Al entrou na farmácia, vestindo sua camiseta do Darth Vader. Ele comprou o remédio que Luke precisava, sem muitas enrolações. No momento em que estava saindo do local, voltando para seu carro, ele viu o blindado e inconfundível de Scorpius, estacionado do outro lado da rua.

Quais as chances? O vidro da janela estava aberto o suficiente para Albus ver Scorpius, com os óculos escuros, esperando por alguém.

Ele viu uma moça saindo do prédio. Ela vestia saias curtas, salto alto e era extremamente bonita, loira e um pouco mais jovem. Parecia ter saído da universidade há pouco tempo. Albus se lembrava de Scorpius na universidade. Aquela era o tipo dele.

Antes de se precipitar com falsas ideias do que estava acontecendo, ele pegou a chave do próprio carro e entrou. Não vi nada. Com certeza, Scorpius tinha explicação. Com certeza, era coisa do trabalho. Ele iria passar quatro dias foras...

Scorpius mudou e ele não era idiota. Não como antes.

Mas Albus olhou para trás, de novo, como se ainda precisasse tirar essa certeza.

Notas finais
Antes de tudo, eu queria fazer a mesma pergunta que Rose fez a si mesma. Vocês confiam em Scorpius? Falei algumas vezes que Scorpius passa por umas provas. Então vamos ver se ele vai provar o que precisa nessa viagem longe da Rose e com a companhia de outra mulher. Claro que Albus viu Scorpius apenas passando na casa da Portia pra dar carona pra ela ao aeroporto, e claro que ele sabe que Scorpius não estava traindo Rose. Mas quem tem fama rola na cama, como diz minha vó. Não. O problema principal não é "oh meu deus será que scorpius vai trair a Rose?" Mas essas coisas devem ainda causar certas discussões entre os dois. E eu queria escrever discussões. Pra depois uma reconciliação e um smut. Bom........ Espero que tenham gostado! Por favor, me digam o que acharam! Eu queria que soubessem que me esforcei bastante para postar esse capítulo hoje. Eu passei o Natal com minha família e DAQUI A POUCO eu vou viajar, então... nossa, foi uma corrida contra o tempo!!! Eu não queria deixar o final de 2015 em branco. Então aqui está o último capítulo DE 2015! E que em 2016 eu não atrase tanto HAHAHA (rindo pra não chorar, porque 2016 vai ser osso com dois TCCs pra fazer. Quero nem ver.) Obrigada mais uma vez pelos comentários, queridos! Espero vocês lá nas minhas atualizações. Feliz Natal e Feliz Ano Novo a todos vocês! Deixo aqui o meu presente, despedindo-me de 2015! Beijos!