Fix You

10 Don't Panic


Notas iniciais
Olá gente! Sei que paramos em uma parte tensa da fanfic, então achei essa uma boa (péssima, depende do seu ponto de vista hahaha) hora para um capítulo flashback! Mas não se preocupem, sexta a noite ou sábado de manhã estarei postando o próximo que dará continuidade a fanfic. Boa leitura!

Capítulo 10.: Don't Panic

"Cause everybody here got's somebody to lean on..."

Londres, 9 anos atrás.

Rose Weasley não sabia o que os três estavam fazendo com o carro estacionado na rua do Casarão dos Malfoy. Mas sabia de uma coisa:

A culpa era toda de Dominique.

Ela era materialista, pensava em dinheiro, fama, popularidade, namoros e festas. Ao descobrir que Rose havia sido convidada para a festa de um dos bairros mais chiques da cidade, não tardou a insistir sua companhia. Tinha arrastado Rose para o corredor no fim da aula e pedido com toda a sua dignidade.

“Eu vou junto. Você não consegue sobreviver sem mim por lá.”

“Eu sobrevivi os últimos dezoito anos”, Rose disse tranquila. Dominique e ela nunca tinham se entendido como toda prima deveria se entender, porque uma era completamente diferente da outra.

Rose curtia rock. Dominique curtia Beyonce.

“E foram os anos mais infelizes da sua vida, pode admitir” garantiu Dominique com um sorriso.

Mas realmente tinham vezes que as duas precisavam uma da outra.

Então, na dita noite de sábado, Rose, Albus e Dominique se viram com suas cabeças erguidas, admirando o casarão da família Malfoy com as expressões abobadas. Como alguém conseguia ser tão rico?

“Eu não vou entrar lá não” disse Al depressa, num dos bancos de trás do carro. “Me lembre por que eu também tenho que ir, afinal de contas?”

“Porque eu amo sua companhia, Al”, disse Rose por falta de resposta melhor.

“E me lembre também por que você aceitou o convite do Malfoy?”

“Dominique não parou de me encher o saco.” A ruiva mais bonita da família já estava ultrapassando o jardim do casarão, ajeitando a saia curta e agarrada do vestido dourado, empolgada para apertar a campainha de dez mil libras. Rose olhou para o rosto aflito do melhor amigo ao seu lado. “Só vamos ficar um pouco, tá bom?”

“Bom, nesse caso, eu espero aqui.”

Albus perdia sempre a discussão. Quando deu por si, estava sendo arrastado pelo braço até a porta de entrada. Os três ficaram esperando.

Um mordomo abriu a porta para eles e Dominique já começou causando ao passar por ele sensualmente, meio desfilando. Rose entrou logo atrás, girando os olhos, acompanhada por Albus. Não precisaram alcançar muito o perímetro da casa para ficarem ainda mais impressionados com tamanha sofisticação.

A arquitetura era moderna. Paredes de vidros separavam os aposentos, mesas e murais eram de madeiras polidas, e os aparelhos eletrônicos eram de última geração. Tinha um ar elegante e agradável, num conforto de tirar o fôlego. Diversas plantas eram espalhadas por cantos da casa assim como algumas telas de arte abstratas que chamaram sua atenção na parede de uma das salas. O comentário de Albus era o que resumia a casa dos Malfoy:

“Eles materializaram isso do The Sims?”

Rose riu, imaginando alguém como Scorpius passando uma tarde de sábado como aquela jogando The Sims.

A concentração da festa estava mais para o fundo da casa, onde a batida do mix de músicas eletrônicas ficava mais audível conforme se aproximavam da área externa, passando por uma sala com sofás brancos ocupados por casais. A piscina cercava o perímetro de tão extensa, e tinham uma dúzia de pessoas se refrescando nela. Outras estavam nas cadeiras de piscinas ao redor, sentadas, aproveitando as bebidas, beijando, conversando e fumando. Outros grupos de pessoas dançavam perto da casa da churrasqueira que mais lembrou a Rose um restaurante.

Rose sentiu imediatamente uma vontade incontrolável de estar usando calças jeans para guardar as mãos nos bolsos, mas usava um dos vestidos que considerava o mais propício para aquela festa. Era preto, sem alças, e o único problema, pela visão de Dominique, era que não estava curto o suficiente.

“Onde nós vamos sentar?” perguntou Al tentando encontrar algum espaço vazio com o olhar.

“Sentar? Não me ofendam” disse Dominique, imediatamente colocando o olho em um rapaz alto e moreno. “Vamos aproveitar a festa, e isso é sério. Nosso último ano no colegial tem que ser épico.”

Domi sabia se encaixar em qualquer tipo de festa. Em menos de dois minutos, já estava se divertindo e tinha largado os dois para trás.

Rose também pretendia se divertir, mas viu a expressão de Albus e deu um suspiro meio irritado.

“Você quer que eu te apresente a alguma garota? Garoto? Não? Ok.”

“Merda, Rose, eu estou usando a minha cueca dos Vingadores. Eu não achei que eu ia ser arrastado para essa festa.”

“Até parece que eu estava apontando uma arma para você. Relaxa, Al. Vem dançar comigo, então.” Os olhos pidonhos da prima eram seu ponto fraco e ele fez uma expressão de que estava se rendendo. Sorrindo, Rose o puxou para a pista de dança perto da piscina.

As bebidas estavam passando por moças de biquíni com as bandejas. Albus agarrou dois copos e entregou um a Rose, para depois dar grandes goles do dele. Al reclamava e reclamava, mas no fim acabava sempre sendo o último a querer ir embora.

Rose gostava de dançar e estava curtindo o momento quando Dominique apareceu de supetão, cochichando no ouvido dela:

“Olha quem tá lá em cima.”

Obedeceu a prima e olhou para a sacada do segundo andar. Scorpius Malfoy estava com a bebida na mão, tendo o privilégio de observar sua própria festa lá de cima.

“Ele estava te olhando agora. Eu vi. Deve ser por isso que ele te chamou.”

“Por isso o quê?” se fez de desentendida.

“Não se faça de desentendida. Você também quer. Que outro motivo teria vindo?”

“Você me trouxe até aqui.”

“Não é como se eu tivesse apontado uma arma na sua cabeça!” riu Dominique, muito feliz por ela. Rose olhou para Albus que ergueu as sobrancelhas numa expressão de ela está certa. “Aproveite, Rose! Quantas vezes teremos dezoito anos, hein? E Malfoy é uma delicinha. Se você não quiser, tem quem queira!”

Depois do acidente que sofreu e Scorpius a ajudou, eles tiveram outros encontros não muito propositais. Um deles foi na biblioteca e, na segunda vez, esbarram-se no corredor do jeito mais clichê que existia, com a diferença que ela derrubara os livros dele. Tinham sempre duas ou três trocas de palavras rápidas, mas Rose não era tapada. Não esteve sentindo o olhar dele porque ele era um maníaco e ele realmente não a chamou para ficar à toa ali na festa.

Mas Scorpius tinha uma namorada. E Rose conhecia sobre sua reputação. Não seria ela que chegaria até ele, mas, aparentemente, Scorpius não pretendia investir tão cedo também.

Avisou Albus que precisava ir ao banheiro, mesmo sem saber onde ficava o banheiro. Quando a abriu a primeira porta dentro da casa, surpreendeu-se por flagrar um casal transando em cima da pia. Ter visto Rebeca com as pernas arreganhadas ao redor do quadril pulsante dele, fez com que fechasse rapidamente a porta, com uma súbita sensação de enjoo.

Idiota. Babaca. Se estava pensando em fazer alguma coisa com Rose, Scorpius podia tirar a merda do cavalinho da chuva. Talvez ele fosse mesmo um maníaco que estava esperando apenas matá-la. Faria mais sentido.

Então estranhou ter visto o loiro descendo as escadas do segundo andar, usando uma camiseta preta de mangas compridas, diferente da do cara que estava transando com Beca no banheiro. Quando Scorpius viu Rose dentro da casa, abriu um sorriso subindo as mangas da camiseta e é bem desnecessário Rose achar atraente quando garotos fazem isso.

“Apareceu.”

Rose fez as contas e pensou: “aaaah”.

Ele tinha ideia de que estava sendo chifrado?

Pensou em contar, mas aquilo não tinha nada a ver com ela.

“Fique à vontade” ele falou perto do ouvido dela, tocando levemente seu braço, mas continuou caminhando para fora da casa com o mesmo impulso que teve ao ficar tão próximo dela.

“Scorpius”, quando se deu conta já tinha disparado o nome dele em voz alta. Ele girou o corpo e ela teve que pensar rápido. “Sua casa é... muito... incrível. Palmas para o arquiteto.”

Ela poderia ter falado qualquer outra coisa mais ridícula do que palmas para o arquiteto? Provavelmente não.

“Obrigado” ele disse, sorrindo. “E a casa é do meu pai.”

“Ele?” apontou para um retrato em família pregado na parede perto deles.

“Esse mesmo. A expressão dele não é sempre assim. Minha mãe adora arrastá-lo para fotos em família, então ele fica com essa cara de quem está amaldiçoando o fotógrafo.”

Rose riu, porque a expressão de Draco era exatamente essa.

“Se bem que...” Scorpius inclinou o rosto analisando melhor. “A cara dele é sempre essa mesmo.”

Rose riu duas vezes em menos de trinta segundas. Opa.

Ela tomou um pouco da bebida para perguntar:

“E onde eles estão agora, os seus pais? Provavelmente em uma viagem que só voltarão na semana seguinte e não fazem ideia que essa festa está acontecendo agora?”

“Acertou a parte de que eles estão viajando. Mas como é meu aniversário, eles basicamente deixaram.”

Rose tossiu engasgada com o álcool. Sentiu o sangue subir para o rosto e queimá-la.

“Eu... eu... é seu aniversário? Eu não trouxe nenhum presente e-”

“Ei, relaxa. Não era para trazer nada mesmo.”

Os dois ficaram se olhando, o sorrisinho de Scorpius indicando que ele não ligava para esse tipo de coisa. Rose encheu o pulmão de ar e sorriu, realmente muito sem-graça:

“Eu vou voltar pra festa, então. Eu só estava procurando o banheiro.”

“E achou?”

“E achei, sim.”

Nesse momento, coincidentemente, a porta do banheiro se abriu atrás deles. Ouvindo as vozes de Rebeca e Evan falando baixinho, Scorpius não se virou para vê-los. Ficou olhando para Rose, embora também tivesse feito as contas e entendido o que estava acontecendo.

“E aí, cara?” disfarçou Evan, fechando o zíper da calça, enquanto Rebeca tentava se afastar o mais rápido possível. “Não te vi ainda na festa, onde você tava?”

“O papel higiênico foi suficiente?” perguntou Scorpius, e Rose olhou para os pés, mordendo os lábios para disfarçar o sorriso depois de identificar a piada por trás do comentário sarcástico.

Sem esperar resposta de Evan – não que ele tivesse alguma em mente –, Scorpius pousou a mão nas costas de Rose, daquele jeito que tenta ser nada intencional ao mesmo tempo em que era, e muito. Ele a conduzia para a festa perto da piscina.

“Você está de biquíni pra nadar?”

“Nope, nada.”

“Nada? Melhor ainda.”

Ela deu um tapa nele, fazendo-o rir.

A mão dele escorregou um pouco, mas antes que ela chegasse a fazer algo em relação a essa mão boba ali no seu quadril, Scorpius afastou o braço para tirar a camiseta com um movimento rápido. Mergulhou na piscina só com a calça e Rose se exasperou com aquilo.

Ok. Merda. Que gostoso. Merda. Merda.

Começou a ter necessidade de conversar com Al, mas viu seu primo discutindo sobre Os Vingadores com um garoto que jurava que a Liga da Justiça era bem melhor. No momento que ele foi contrariado ao constatar que o Hulk quebraria o traseiro do Superman, Albus começou a fazer uma dissertação pro cara. Rose nem quis se aproximar mais. Por outro lado, quando foi procurar sua prima Dominique, ela já estava ocupada dançando e se esfregando com um rapaz moreno como se o mundo fosse terminar ali mesmo.

Rose achou um lugar sobre a beirada da piscina para se sentar e molhar os pés descalços na água morna. Viu a cabeça de Scorpius emergir na água e ele se aproximou dela, molhado e com cheiro de perfume masculino.

“Achei que você não apareceria” ele disse.

“Oi?” O som estava alto.

Scorpius levantou o dorso da água e se inclinou para muito perto do ouvido dela; Rose quase se contorceu com o arrepio.

“Eu disse que eu achei que você não apareceria. O que mudou de ideia? Até algum tempo atrás você abominava o fato de fazer alguma coisa que envolvesse a ideia de me ver.”

Ela ficou ligeiramente preocupada que fosse gemer se chegasse a falar, porque Scorpius sussurrou aquelas inúmeras palavras sem se afastar do ouvido dela.

“Foi a minha prima!” ela exclamou, a voz saiu estrangulada, tanto que precisou pigarrear. “Ela é interesseira!” sorriu. “Ela só veio porque você é rico e ela me ameaçou se eu não trouxesse ela!”

Ela sentiu como se estivesse gritando como uma idiota. Preferia mil vezes um lugar mais tranquilo e silencioso para conversar.

“Entendi. Tem certeza que...”

“Oi?”

De novo aquela sensação de que estava literalmente derretendo, quando sentiu o ar quente da respiração dele no seu pescoço. Por que tinha quer ser malditamente sensível ali?

“Tem certeza que não quer entrar na água?” disse, a voz baixa dele apagando todos os sons ao seu redor.

“De vestido? Não, obrigada!”

“Numa próxima então” ele disse, passando a mão no cabelo. Rose se viu gostando do fato de ele não ser insistente.

“Numa próxima.”

Apesar de não ter surgido mais nenhum assunto, Scorpius continuou com a mesma proximidade.

Rose fechou os olhos, porque de algum modo se antecipou para o beijo que ele deu em seu rosto. Sentia sua perna direita formigar, a sensação vinha da mão de Scorpius; ele tinha pousado ela bem ali. Suave como a maneira que grudou os lábios em seu maxilar. Ele arrastou a mão até a base de seu vestido, os dedos começando a brincar com o tecido. A boca dele deslizou centímetros da pele macia na bochecha dela, para desviar até o canto da boca vermelha e úmida pela mesma vontade que ambos tinham, mas se reprimiam.

Ela tentou dizer que isso era uma péssima ideia, mas a boca queria se ocupar com outra coisa.

Segurou o rosto dele quando ele a beijou. Inclinou a cabeça, dessa vez entreabrindo os lábios para finalmente se beijarem mesmo. Acomodaram-se na sincronia dos movimentos de suas línguas. Scorpius teve a necessidade constante de afundar os dedos longos na nuca dela. Ele, por outro lado, sentiu as unhas femininas roçarem por suas costelas até o abdômen exposto, molhado e contraído pelo arrepio. Como estavam na área rasa da piscina, Scorpius podia ficar em pé na altura de Rose, que estava sentada. A garota mal tinha percebido que suas pernas estavam afastadas e o quadril de Scorpius fazia pressão entre elas. Quando percebeu, ficou imediatamente preocupada, e Scorpius parou o beijo, mas não tirou os lábios

Os dois abriram os olhos e Rose sentiu a inclinação da boca dele, uma indicação de que ele estava sorrindo.

“Isso foi rápido” ela disse, abafada pelos lábios dele. “Sua mão.”

Estava dentro do vestido dela, chegando muito perto de sua bunda. Scorpius franziu a testa ironicamente:

“Como é que foram parar aí?”

“Mágica” ela adivinhou, fazendo-o rir e soltá-la. Pigarreou. “Eu, hum, vou pegar umas bebidas e...”

Ela não deveria ter feito isso. Tentado se levantar depois de ter beijado daquele jeito. A beirada estava escorregadia, por isso Rose sentiu o corpo dela deslizar para baixo. Soltou um gritinho. Aquele tombo entrou para o top 10 maiores micos da história. Sentiu a água penetrar em seu nariz e ouvido quando caiu dentro da piscina. Não deu tempo de sentir muita vergonha, porque se afastou depressa da mão que a segurou e nadou apressada para a escada da piscina. Não quis reparar muito, mas tinha gente dando risada e ela pegou seus saltos para caminhar em alguma direção que fosse o mais longe possível dali. Péssimo dia para escolher um tomara-que-caia! Péssimo dia, Rose Weasley! Levantou o decote do vestido com raiva, mas a água fazia o tecido pesar umas cinco toneladas e seus peitos não eram pequenos!

Sentiu uma ardência na parte inferior da coxa, pouco abaixo do glúteo, e soube que também tinha se machucado. Estava trêmula de frio quando ouviu seu nome; Scorpius andava depressa atrás dela quando alcançou a varanda da casa, onde parecia ser o local mais vazio. Ele trazia uma toalha na mão.

Rose se enrolou depressa com ela, passando o tecido no rosto. Quando abriu os olhos, viu Scorpius encarando-a.

“Você pode rir, se quiser. Tem a minha permissão.”

“Não quero rir. Escute, tem um roupão em meu quarto, se você quiser...”

Não soube dizer se era o estresse do mico que pagou na festa, mas Rose riu com gosto. Riu tão alto que se assustou. Scorpius ergueu as sobrancelhas, botando uma mão no bolso, esperando ela terminar de rir.

“Uau!” ela exclamou. “Uau. Funciona mesmo? Isso dá certo?” Observou-o bebericar a tequila de sua outra mão, inconformada. “Quero dizer, dá mesmo certo? Você só precisa dizer uma ou duas palavras que se resumem a subir no seu quarto... e aí, acontece a versão proibida para maiores de dezoito anos nessa festa de filme colegial?”

“É, é exatamente assim que funciona” ele respondeu. “Mas eu não forço ninguém a subir. Você faz o que quiser.”

Ele era tão estupidamente direto nas palavras. Não ficava se abalando e, com certeza, não ia ficar insistindo. Rose reconheceu que ela estava tentando manter os seus princípios de não ir pra cama com um cara da reputação que ele tinha. Com certeza, Rose era substituível. Se não conseguiria comer Rose naquela noite, tentaria com qualquer outra interessada. E aquela festa estava cheia delas. Rose sabia como a coisa funcionava.

Scorpius ia embora, mas se virou como se tivesse se esquecido de dizer alguma coisa.

“Olha, eu quero você. E se me disser como isso funcionaria para você, eu adoraria saber.”

“Como funciona para mim?”

“Sim.”

“Nós conversaríamos. Eu preciso saber do que você gosta, e eu preciso gostar de falar sobre mim para você. Na minha versão dessa noite, eu teria que fazer você rir. Não caindo na piscina”, acrescentou.

“Você está descrevendo amizade, Rose.”

“Sim. É como funciona para mim. O que está fazendo?” ela perguntou quando o viu sentar no gramado do jardim. Disposto, ele apalpou o espaço ao lado dele.

“Vamos conversar, então.”

“Você realmente quer me levar pra cama” notou.

Os dois sentaram-se lado a lado, observando a movimentação da festa animada. Porém, não encontraram nenhum assunto que perdurasse. O que tinham em comum? Ele gostava de carros; ela gostava de Arte Contemporânea. Ele queria estudar Direito; Rose assistia Law & Order. Ele gostava de filme de ação; o preferido de Rose era um estrangeiro que ele nem sabia pronunciar o nome. Não chegavam a concordar com nenhum gosto musical que tinham. E descobriram isso em dois minutos. Nos próximos minutos aqueles dois ficaram em um silêncio que só era preenchido pela incontrolável vontade de se beijarem e deixar todo o protocolo social – e os princípios – de lado.

Ela se levantou e Scorpius teve a impressão de que ela ia desistir dele, porque, sinceramente, não tinham o que conversar. Se conversarem, as opiniões sobre diversas coisas eram diferentes e eles discordariam de tudo o que o outro dissesse.

Mas ela segurou a mão dele.

“O que foi?”

“O roupão está no seu quarto, não está?” ela perguntou. “Eu preciso dele.”

Trocaram as mãos e ele, entendendo, subiu a escada até o segundo andar da casa com ela.

Dessa vez, Rose pouco se importou com os detalhes da arquitetura do lugar. Somente viu a porta fechada, onde Scorpius prensou o corpo contra o dela, quando se entretiveram em mais um beijo. Os lábios pressionando suavemente os dela, Scorpius girou a maçaneta e, no momento que entravam no quarto aos beijos, Rose tinha achado um caminho com os dedos até o botão da calça dele e desceu o zíper. Atracaram-se em um canto do quarto, perto do estéreo, onde Rose esbarrou o braço e sem querer ligou o som.

Ele ia desligar, mas Rose sussurrou surpresa:

“Eu gosto dessa, não desliga.”

“Gosta?”

“Gosto. Eu fui ao show deles. O melhor dia da minha vida.”

“Onde?”

“Manchester.”

“9 de junho?”

“Como você sabe?”

“Eu também fui.”

Foi um daqueles momentos raros em que duas pessoas opostas finalmente encontram algo em comum. Don’t Panic do Coldplay misturava com a batida eletrônica da festa longe daquele quarto.

O beijo ficou mais forte e urgente, resultando com as costas de Rose acomodadas no colchão da cama dele. Scorpius pressionava o peso do corpo em cima dela, calmo e confiante. Trocaram de posição e ele ia reclamar quando ela parou o beijo, mas os protestos morreram na garganta ao ver Rose erguer o vestido lentamente e o retirar de seu corpo.

Os seios da ruiva balançaram a sua frente. Scorpius nem acreditou que ela estivesse tão decidida a fazer isso que não se importou em ficar nua na frente dele.

Ela já fez isso.

Sexo? Sim. Rose já havia transado com dois garotos até então. Perdera a virgindade aos dezesseis, com o primeiro namorado. O segundo foi resultado de um relacionamento que durou dois anos. Transara mais de uma vez com este, mas, no fim, terminaram por mensagem no celular.

Estava inevitavelmente se lembrando do ex enquanto deixava Scorpius Malfoy tirar sua calcinha. Depois deixou a mente trabalhar só para dar atenção ao loiro beijando cada pedaço do seu peito e descendo com a língua até os mamilos eriçados dos seios dela. Não parou no caminho. Rose, que antes estava olhando para o teto, desceu os olhos para a cabeça de Scorpius em sua barriga. Os cabelos loiros despenteados estavam se distanciando cada vez mais para baixo, até a ponta do nariz dele começar a roçar a parte interna de sua coxa.

Rose nunca recebera sexo oral antes, por isso a sensação a pegou de surpresa. Não escutou mais nenhum som. Tudo estava silencioso. Ela fechou os olhos e pensou em como ela iria agir depois que tudo isso acabasse. Lá estava ela, sendo apenas mais uma de Scorpius Malfoy. E ela deixou isso acontecer. Deixou, porque ela queria. Foi uma escolha sua. Ela poderia negar a si mesma nos próximos anos, mas, sinceramente, não conseguiu resistir.

Scorpius era uma ideia perigosa.

Gemeu. Baixo, rouca. Scorpius se afastou para tirar a calça e a cueca. Tirou a camisinha do pacote e a vestiu. Nos próximos segundos, Rose se viu mordendo os lábios e o encarando, enquanto ele manuseava o corpo dela em cima do seu colo. Estava escuro, mas ainda podia ver a expressão séria do rosto dele, como de alguém concentrado somente no corpo dela contra o seu. Rose apoiava uma mão no peito suado dele, e a outra na cabeceira da cama, embalando os movimentos que ela tinha esperanças de que fossem sensuais. Ela quis ser sexy para Scorpius. Ela quis ser boa.

O coração dele bombeava contra o tórax e Rose sentia isso pela palma de sua mão. Scorpius não precisava encostar as mãos nela para saber que ela estava sem fôlego também. A respiração alta e os gemidos demonstravam tudo.

Eram tão diferentes, mas estavam em um ritmo perfeito.

Ela sentiu a aspereza da barba rala do maxilar de Scorpius quando acariciou seu rosto. Inclinou o dorso e o beijou. Scorpius nunca sentiu alguém fazer isso por ele. Rose era doce e qualquer toque seu dava mais certeza de que ele estava sentindo alguma coisa por ela.

Abriu um sorriso para ela; não era triunfante, como Rose teria julgado que fosse, já que ele estava se dando bem. Qualquer sorriso que um cara dá quando está transando parece safado, e era, por um lado, bem safado, mas Scorpius sorria porque aquilo estava sendo melhor do que achou que seria.

Para os dois.

“Cacete, que delícia” ele sussurrou, subindo as mãos para os seios dela, massageando-os conforme ela rebolava em seu pau. Rose concordou com a cabeça, mesmo sem necessidade alguma disso já que estava gemendo e isso já era a confirmação de muitas coisas. Os cabelos curtos e enrolados estavam espalhados pelo rosto dela em um claro sinal de prazer. Scorpius bombardeou mais rápido; deslizavam, molhados e suados. Rose jogou a cabeça para trás e esse foi o ponto alto da noite.

Ela não se reconheceu.

Mudaram a posição e Scorpius gozou beijando a boca dela. As pernas dela se enrolaram ao redor dele, quando seu corpo derreteu pelos espasmos de prazer. O pescoço dela estava cheiroso e ele ficou roçando os lábios na pele cheia de sardinhas minúsculas, enquanto se recompunha.

Rose abriu os olhos e, ironicamente, a primeira coisa que viu foi o roupão pendurado na porta, que provavelmente dava para o banheiro.

“Então... você não estava mentindo. De fato... tem um roupão aqui.”

Sentiu a vibração da risada dele em seu ombro.

Os dois ficaram se olhando por um tempo até que Rose, incapaz de ficar calada, precisou perguntar:

“Essa é a parte que você pede com educação para que eu saia daqui agora?”

“Por que eu faria isso?”

“Já conseguiu o que queria.”

Ele estava acariciando um pedaço do cabelo dela.

“Você não sabe o que eu quero” ele informou.

“Você disse que me queria. E conseguiu.”

“Consegui?”

Ela franziu a testa.

“Não conseguiu?”

“Eu não sei. Você me diz.”

“Tudo bem” analisou, virando-se de lado e apoiando o cotovelo no travesseiro. “O que você quis dizer quando disse que me queria? Não era pra me levar para cama e depois contar para os seus amigos?”

“É assim que você me vê?”

“Conheço sua reputação.”

“E mesmo assim... está aqui.”

“Mesmo assim estou” disse Rose sem dramas.

“Por quê?” perguntou curioso.

“Prefiro tirar minhas próprias conclusões.”

“Um jeito meio arriscado de fazer isso.”

“Depende. Não se estou preparada. Nem todas precisam ficar obcecadas por você depois” ela provocou abrindo um sorrisinho. Scorpius sempre foi bom em debates, não era a toa que seria uma excelente advogado, mas Rose sempre soube deixá-lo sem palavras. “Eu preciso usar o banheiro.”

Ele apontou para a porta e Rose se levantou, recolhendo suas roupas. Lavou-se no chuveiro com a água mais deliciosa que ela já sentiu em toda a sua vida. Torceu o vestido molhado para tirar o excesso de água nele. Tirou o que sobrou da maquiagem e prendeu os cabelos em um coque alto.

Quando saiu, Scorpius não estava mais no quarto. Rose não podia ficar surpresa. Como disse: estava preparada. Procurou os saltos em algum lugar embaixo da cama. Assim que os colocou nos pés, xingando baixinho pela dor nos dedos, a voz dele a sobressaltou:

“Isso não vai dar certo.”

Rose não tinha visto ele, pois estava em pé na sacada do quarto. Vestia o casaco do time de futebol da escola com a gola até o pescoço. Começava a esfriar e ventar lá fora.

“Nós dois. Não vai dar certo.”

“Por quê?” ela perguntou andando até ele.

“Porque quando você voltar pra sua casa e essa festa terminar, tudo vai voltar ao normal.”

“Isso não foi normal, então?”

“Não. Vivemos em mundos diferentes. Amigos diferentes. Vidas diferentes. E misturar tudo isso...”

“Não dá certo.”

“Não” concordou.

“Então é melhor que tenha sido só uma noite mesmo.”

“Sim.”

Ela era alta, então seus olhos ficavam quase na mesma altura.

“Sabe o que eu acho, Scorpius?” ela perguntou num sussurro, tentando ler através da expressão dele. Não estava zangada, nem chateada, mas era como se ela soubesse de alguma coisa que ele ainda não sabia. E falou o que era: “Eu acho que você tem medo do que você está querendo. E essa é só uma desculpa.”

Dizendo isso, ela o beijou no rosto como um tipo de despedida.

E saiu, deixando-o sozinho.

***

Nos próximos dias, no colégio, Rose cumpriu sua promessa de não ficar obcecada por ele, então não foi procurá-lo nenhuma vez. Scorpius estava tendo algumas dificuldades. A cabeça ficava projetando imagens dela involuntariamente. E com mais frequência do que antes, ele pensava em procurá-la de novo. Ao invés de sanar seus constantes desejos, fazê-lo esquecer e partir pra outra, sexo só aumentou sua vontade por mais.

E ela estava certa. Scorpius temia esse tipo de coisa, quando uma garota tinha poder sobre os próprios feitiços dele. O perfeito exemplo de que o feitiço foi contra o feiticeiro. Tentou não refletir muito sobre isso, ou acabaria descobrindo o pior.

Só faltava estar apaixonado.

Rebeca se encontrou com ele no vestiário depois do treino de futebol. Costumava surpreendê-lo com a iniciativa de chupá-lo ali mesmo, quando o lugar esvaziava. Mas, naquela noite, ele não estava afim e demonstrou isso ao afastar o rosto quando Beca quis beijá-lo.

“Você tá zangado que eu transei com Evan? Aquilo não foi nada, Scorpius. E até parece que você não fez coisas piores. É muita hipocrisia estar bravo comigo agora.”

“Não tô. Só tranca a porta depois que sair, beleza?” Saiu do vestiário girando a bola no dedo.

Rebeca deixou o queixo cair. Não era todo dia que Scorpius Malfoy recusava um boquete despretensioso, ainda mais depois do cansativo último treino antes da semifinal do campeonato regional. Tudo bem, ele ocupava a posição de goleiro, nem era o capitão, não precisava correr, mas mesmo assim. Os treinos eram puxados e o colégio fazia muita pressão para cima do time.

Como um sinal de brincadeira do destino, Rose Weasley estava saindo da oficina de pintura que tinha no final daquela tarde. Guardava algumas telas em branco e pastas cheias de tintas dentro do porta-mala de seu Dodge vermelho, agora novinho em folha depois do acidente.

Ficou tão surpreso por vê-la no estacionamento da escola que ele se viu falando:

“Oi.”

Um oi que fez Rose bater a cabeça na quina da tampa do porta-mala, de susto.

“Merda, ai, oi. Oi. Ai.”

Ela massageou a nuca quando olhou para ele. Scorpius trocou a mão que segurava a bola.

“Tudo bem?”

“Sim, eu só estava guardando as coisas... não achei que ainda teria alguém aqui essa hora.”

“Treino” lembrou, mostrando a bola. “A semifinal vai ser na sexta. Vai assistir?”

“Não me leve a mal” a garota disse, fechando o porta-mala. “Mas não vejo a graça que é vinte e duas pessoas correndo atrás de uma bola.”

“E eu não vejo a graça de pintarem quadradinhos e chamarem de arte.”

“Você não entende. E eu não vou explicar para alguém que aparentemente só tem a mente virada para a beleza das coisas. Arte não se trata apenas das belezas das coisas.”

“Então estamos empatados. Eu posso ir a uma dessas galerias de artes e, em troca, você assiste ao jogo na sexta. Como vai ser?”

Ela foi virar para responder que ia ser do jeito dela, mas se interrompeu com a aproximação repentina dele. O clima irônico mudou para um mais sério quando Scorpius não sentiu resistência da parte dela. Scorpius segurou a cintura dela e, lentamente, Rose se encostou no carro com ele perigosamente perto.

“Você estava certa” ele sussurrou.

“Em qual das vezes?”

“Eu quero você. E de um jeito que dá medo pra caralho.” Scorpius tirou uma mecha do cabelo ruivo no rosto dela.

“O que vai fazer em relação a isso?” perguntou Rose desafiadoramente.

Agora, eu vou te beijar”, avisou.

“E depois?” Quando Rose perguntou isso, já tinha a boca dele pressionada levemente contra a dela, entreaberta, abafando o som da voz.

“Nós conversamos.”

Notas finais
Mais um capítulo flashback finalizado! E agora temos um pouco da informação de como começou a relação entre eles: atração física. Outra coisa que eu achei legal mostrar nesse capítulo: o motivo pelos capítulos terem os nomes das músicas do Coldplay. Bom, espero que tenham gostado! E saberemos mais sobre os nossos Rose, Scorpius e Zoe do presente nos próximos capítulos. Espero vocês lá!