Fix You
38 Adventure of a Lifetime
Notas iniciais
Capítulo 38.: Adventure of a Lifetime
And if we've only got this life
Then this adventure, oh than I
Wanna share it with you
***
Rose sabia que era uma questão de tempo até Zoe realmente ficar curiosa para saber como um bebê começava a crescer na barriga. Ela se preparou algumas vezes para explicar a filha de onde os bebês vinham. Já não era fácil esconder a verdade e Rose achou que não precisaria, porque Zoe era uma criança esperta demais e ela obviamente detectaria qualquer explicação falsa. Já detectava muitas vezes.
— É tipo planta — ela disse. E depois começou a falar sobre sementes, mas Zoe já sabia disso e a interrompeu.
— Mas como? Eu sei que não é só com beijos, né? Porque vocês dois beijam toda hora, então se fosse mesmo só com beijos mamãe teria ficado grávida milhares de vezes.
— Não, Zoe, beijos realmente não engravidam uma mulher. O que engravida uma mulher... O que me engravidou...
Zoe esperou. Rose tentou explicar do jeito menos detalhado possível, quando Scorpius parou de fingir que o relógio dele estava quebrado para intervir:
— Você foi feita com amor. Quando você ama uma pessoa, se ela for homem e você mulher, as vezes acontece da mulher engravidar.
— Scorpius — interrompeu Rose. — Não iluda ela. Olha, querida, eu entendo sua dúvida. É totalmente normal. Às vezes adultos fazem sexo. E isso é normal, quando você crescer você vai entender melhor. Claro que você ainda é muito nova. Mas quando ficar mais velha...
— Mais velha sua mãe quer dizer em torno de uns trinta anos...
— Ele está exagerando. Mas assim, Zoe... para ter um filho... normalmente é como seu pai disse. Você tem que estar preparada. Mas não somente amar, sabe? Estar madura, com as coisas da vida pronta. Não tão cedo. Geralmente depois de casar.
— Hum — disse Zoe, pensativa. — Você ficou grávida de mim antes de casar, né, mamãe?
— Sim — suspirou Rose, notando como ela não era o melhor exemplo para as próprias palavras de seus ensinamentos. Ela ficou um pouco desconsertada, porque ela nunca conversou com Zoe a história que ela tinha com Scorpius e o por que de tudo ter acontecido do modo como aconteceu. — Nós dois éramos... nós dois não tínhamos...
Como dizer o que aconteceu sem Zoe achar que ela foi um erro?
Scorpius acrescentou:
— Nós dois não tínhamos as coisas da vida pronta.
— Isso — concordou Rose. — Mas definitivamente você foi a melhor coisa que aconteceu em nossas vidas, mesmo elas não estando exatamente prontas.
— Então agora ela está pronta — concluiu Zoe. — Vocês vão casar!
Rose não tinha parado para pensar nisso. Olhou para Scorpius, sorrindo.
— É. Acho que agora estamos prontos.
Nesse momento, o celular de Scorpius tocou e ele precisou se afastar para atender na sala, deixando Rose com Zoe na cozinha. A mãe se aproximou dela, sentando-se ao seu lado.
— Você pode me perguntar o que quiser, está bem? Não fique com dúvidas.
Ela não queria que Zoe se sentisse desconfortável com suas dúvidas, não queria que ela crescesse achando que não podia conversar com Rose sobre todas essas coisas. Prometeu a si mesma que seria sincera com sua filha independente de qualquer situação. A última coisa que queria era perder a confiança dela em algum momento quando ficasse mais velha e Zoe achasse que precisava ficar mentindo ou escondendo. Elas eram melhores amigas.
Por isso Rose passou horas navegando em sites de mamães para saber como não errar. Ela precisou se preocupar com a gravidez e incluir Zoe no processo de todas as formas. Fazê-la entrar em contato com o fato de que teria um irmãozinho ou uma irmãzinha em alguns meses, sem excluí-la de nada.
Sensível como estava naqueles dias, tanto pela ansiedade de ver Zoe melhorar dos ferimentos do acidente de carro quanto pelo nervosismo de Scorpius em correr atrás de aprisionar Rookwood por conspirar com o sequestro de sua filha, Rose saiu com Dominique para fazer compras e não contou a prima que estava grávida até o momento em que, na loja de roupas da sessão de crianças, ela perguntou:
— O que acha dessa camiseta para Zoe?
Dominique leu o que estava escrito. Eu vou ser irmã mais velha!
— Não faria muito sentido. Você não está... — Ela tampou a boca, assustada. — Meu Deus! Não.
— Sim.
— Não! Você não está...? DE NOVO? Rose Weasley!
E depois disso, Rose mostrou o anel que Scorpius colocara em seu dedo. Isso fez Dominique surtar mais um pouco.
— Não serei Weasley por muito mais tempo agora — disse Rose, sem esconder a felicidade.
Dominique agarrou a mão dela para analisar o anel de perto como se quisesse ter certeza de que era autêntico.
— Isso... isso... é maravilhoso. Rose... Como isso aconteceu tão depressa?
— Depressa?
— Você não aceitou só porque agora você se encheu de filhos com ele, né?
— É uma parcela da razão — admitiu Rose. — Mas eu o amo. Ele é...
— Bom na cama.
— Mais do que isso. Eu não acho que um dia vou ser capaz de achar alguém que me faz sentir do jeito que Scorpius me faz sentir. Eu sei que é bobo, mas é a verdade. Passamos por muitas coisas juntos.
Elas foram até o caixa para pagarem suas compras. Quando saíram pelo corredor do shopping segurando as sacolas, pararam em uma sorveteria onde se acomodaram na mesa. Dominique sorriu para Rose, empolgada, mas Rose percebeu que tinha algo que a deixava preocupada. Imaginou que ela falaria com Rose sobre isso se estivesse com vontade. E não demorou muito:
— Eu pensei sobre o que você me falou aquele dia. Sobre eu ter o problema de terminar com alguém no primeiro defeito que encontro.
— Você está saindo com alguém?
Ela negou com a cabeça.
— Eu desisti oficialmente. Só vou viver minha vida, viajar e conseguir contratos. O problema é que eu dormi com a minha agente.
Rose deixou a colher do sorvete na boca.
— Acredite, eu fiz a mesma expressão quando percebi.
— Domi... Eu achei que sua coisa com mulheres era lance de faculdade.
Ela ergueu os ombros.
— Eu não deixei de gostar de homens. Sabe, eu me contentei. Eu nunca vou ser de alguém. E eu gosto disso. E eu só quero ter filho se alguém me garantir que ele será exatamente igual a Zoe, porque eu percebi que só gosto da sua filha. Crianças de outras pessoas são insuportáveis. Outro dia um moleque grudou um chiclete no meu cabelo. Eu quase perdi trinta centímetros de cabelo e ele quase perdeu aquele dente mole. Viu? Eu serei uma mãe horrível.
Rose riu.
— Mas você está feliz?
— Sim — disse Dominique. — Nunca admiti a mim mesma, sabe? Agora faz mais sentido. Eu deixarei a parte de filhos para Victoire e Louis. Minha mãe nem vai notar. Por falar nisso, preciso passar comprar alguma lembrancinha para Victoire.
A prima mais velha de Rose estava para fazer o chá de bebê com as amigas. O tempo havia passado tão depressa que em poucas semanas o filho de Victoire e Teddy finalmente viria ao mundo. Victoire enviou convites para todo mundo e Rose decidiu que seria lá onde ela contaria a sua família inteira sobre a novidade de que Scorpius e ela iriam se casar. A parte do bebê poderia esperar mais um pouco, embora sua mãe e suas tias não fossem tapadas e notariam assim que a visse.
***
Cada vez que chegava em casa e escutava a risada de Zoe, era sinal de que sua filha estava finalmente melhorando. Scorpius foi recebido por Cupcake quando voltou de mais um dia de trabalho — semana muito tranquila depois de tudo o que aconteceu —, e viu Rose, Zoe, Al, Michael e Luke entretidos em um jogo de tabuleiro com muita risada.
— Luke, não é para você mostrar a carta!
— Tá bom, tá bom!
— Como Al fez mesmo, Zoe?
Ela imitou uma cara engraçada e Rose gargalhou junto com Michael.
— Suas imitações estão ficando excelentes — elogiou Michael.
— Você me imita melhor do que eu mesmo — admitiu Al.
— Oi, papai!
Scorpius sorriu para eles, aproximando-se para cumprimentar Al e Michael com um aperto de mão. Despenteou o cabelo de Luke, como costumava fazer quando encontrava o garoto, e finalmente beijou o rosto de Zoe para depois encontrar os lábios de Rose.
— Não parem por minha causa.
— Não íamos — garantiu Albus. — Aliás, parabéns aos noivos.
Zoe se levantou e mostrou sua nova camiseta com os escritos “eu vou ser irmã mais velha!”. Foi assim que Al e Michael também ficaram sabendo.
— No ritmo que estão, vocês terão que comprar uma casa ou não caberão mais crianças — Albus comentou com sinceridade.
Scorpius riu, mas Albus nem sabia que ele realmente estava considerando aquilo. Ele gostava do apartamento de Rose, mas naquela madrugada, depois de um sexo para tirar problemas e preocupações da cabeça, Scorpius ficou olhando para sua noiva ao seu lado. Ele andava bastante pensativo naqueles últimos dias. Rose achou que era por outro motivo:
— Nenhum avanço sobre Rookwood?
— Não — ele disse. Ela sentia a mão dele suavemente acariciando seu quadril. — Não acharam nada acusador nos registros da ligação. Para a polícia, Archner realmente agiu sozinho. Mas não é isso o que eu estou pensando...
— O que está pensando?
— Na minha avó.
Rose fez uma expressão impagável.
— Oh, muito obrigada. Acabamos de transar e você me fala que está pensando na sua avó. Isso é realmente... romântico.
Os dois começaram a rir. Ficaram até preocupados que acordassem Zoe no outro lado do apartamento. Scorpius se recompôs para explicar melhor:
— Estou querendo dizer que estava pensando em como contar a ela que vou ter outro filho com você. A última vez que contei, achei que ela me daria um tapa.
— Eu acho que seu pai e sua avó ficarão felizes. Eles amam Zoe. Eles amam você.
— Eu também estava pensando sobre... voltar.
— Voltar?
— Sim, voltar. Com vocês. Para aquela casa. É maior. E tem piscina.
— Piscina — ela ecoou. — Eu gosto daquela piscina.
— Eu também. O que você acha disso?
Rose ergueu o dorso e subiu em cima dele. Ele deslizou a alça de sua camisola para beijá-la no ombro.
— Eu acho que é uma ótima ideia — ela sussurrou seriamente.
Ele ergueu o corpo para ficarem sentados. Rose sorriu para ele, roçando um dedo em sua barba. Ela o beijou nos lábios, sendo imediatamente correspondida. Às vezes Rose não acreditava que, anos depois, ele ainda olhava para ela daquele jeito. A diferença era que Scorpius olhava para ela não como mais uma próxima conquista e sim como a mulher com quem ele estava disposto a passar a vida casado.
Tal notícia foi recebida de uma forma mais tranquila do que teria sido há uns dez anos. Era importante notar que o sr. e a sra. Weasley confiavam nas escolhas de Rose. Scorpius ainda não parecia, aos olhos deles, o melhor candidato para um genro, especialmente pelo perigo que o trabalho dele tem oferecido, mas eles foram otimistas o bastante para acreditarem que o que ocorreu a Zoe não se repetiria. E ficaram felizes pela novidade recebida em um almoço tranquilo entre Rose, Scorpius, Zoe e os pais de Rose.
No final daquele almoço, Hermione sugeriu conhecer a família de Scorpius.
Foi a primeira vez.
— Nós adoraríamos conhecê-los. Seu pai, sua avó... Se eles não se importarem, é claro.
No dia seguinte, Scorpius passeou com Zoe e a levou até a Casa de Teatro onde a peça As Noites de Clarisse seria estreada ao público no próximo mês. Cissy estava dedicando todo o seu tempo nos últimos ensaios. Draco esteve se queixando por isso tirar o tempo livre que Serena tinha com ele, obrigando-o a ficar presente nos ensaios. Foi a primeira pessoa que Scorpius viu em uma das poucas poltronas ocupadas.
Os três assistiram naquela tarde Cissy dando bronca no elenco inteiro. Quando finalmente encerrou o ensaio, Scorpius foi até sua avó para falar com ela sobre o convite dos pais de Rose. Ela estava verificando cuidadosamente o tecido de uma das roupas do figurino quando o viu.
— Um jantar? Com os Weasley?
— Os pais e o irmão dela.
— Alguma ocasião especial?
— Eu pedi Rose em casamento.
Cissy abaixou o braço que segurava o vestido, fixando os olhos em Scorpius de uma forma um pouco surpresa.
— Nunca achei que ouviria isso de você. Eu acompanhei o garoto que você era e casamento sendo a última coisa que estava em seu plano.
— Eu também achava isso. Mas...
— Mas quando um Malfoy ama, você sabe que é para sempre. Não é algo que simplesmente desaparece. Então é bom você fazer as coisas certas.
— Estou fazendo dessa vez. É o que eu quero. O que eu preciso.
— Ótimo. Acho que essa é a melhor notícia que já recebi. Olhe para mim, Scorpius... — Cissy segurou os braços dele. — Você não é o único que errou quando teve Zoe. Eu não deveria ter deixado você se afastar dela.
— Vó...
— Desde o dia em que sua mãe morreu, eu me esquivei. Eu achei que deveria ter cuidado de você do jeito que sua mãe faria, mas eu nunca consegui.
— Não precisava cuidar de mim. A responsabilidade era toda minha.
— Você está certo. Ainda bem que reconhecesse isso. E sim, talvez eu tenha um tempo sobrando para jantar com a família da sua noiva.
Scorpius sorriu e se inclinou para beijá-la no rosto, carinhosamente.
— Obrigado. Vou recompensar aparecendo para ver o que tanto está aprontando por aqui.
***
Rose acordou Zoe um pouquinho mais cedo no domingo seguinte, não para fazê-la tomar um remédio, mas para combinarem de assustarem Scorpius em seu aniversário. Ele completou vinte e nove anos naquela manhã e não parecia nem um pouco contente com isso. Domingo era um dia em que ele tinha total liberdade para dormir até a hora que quisesse, mas claro que sua noiva e sua filha não deixariam isso acontecer tão fácil. Especialmente naquela data.
As duas se aproximaram dele. Scorpius estava dormindo profundamente, quase babando, mas Zoe chegou perto de seu ouvido para sussurrar... gritando:
— Feliz Aniversário, papai!
E Rose ligou o celular perto do outro ouvido de Scorpius, na música mais alta que tinha em sua playlist.
Scorpius não pulou de susto, mas abriu lentamente os olhos. Sério?
Ele olhou para cada uma das duas e pegou o travesseiro. Zoe achou que ele tacaria nelas, mas na verdade jogou sobre o próprio rosto.
— Nós trouxemos um cupcake para você — disse Rose, segurando o Cupcake e colocando-o sobre a cama. O cão subiu em Scorpius para começar a morder o travesseiro.
— Abre o meu presente, pai! — Zoe pediu colocando o pacote em frente a Scorpius. Ele sentou na cama para olhar para elas.
Scorpius ficava muito mal humorado em seus aniversários depois que passou dos vinte e cinco anos, mas foi meio impossível não sorrir quando Zoe se ajoelhou esperando ansiosamente para ver a reação dele quando visse seu presente.
Era um livro. Mas um livro feito por ela com a ajuda de Rose. Tinha capa e tudo, com direito às ilustrações e letras bem caprichadas.
— É a história sobre um urso que vai ter um irmãozinho. Que nem eu.
— Ficou ótimo, coisinha. Vai ser meu livro de cabeceira. Vou ler todas as noites.
— Agora abre o presente da mamãe!
Foi Cupcake quem trouxe o presente em sua boca. Era uma caixa pequena e embrulhada em um pacote verde escuro. Scorpius recebeu o embrulho em seu colo para pegá-lo e abri-lo. Quando revelou a caixa de um relógio prateado, Scorpius olhou para Rose.
— Gostou? Eu sempre tive um sério problema em conseguir te dar um presente certo.
— Que relógio incrível — exclamou Zoe se aproximando para ver também.
Scorpius não soube o que dizer, porque o relógio não era algo barato. Scorpius não acreditou que ela pudesse ter usado uma parte de suas economias para agradá-lo com isso em seu aniversário. Ele abriu a caixa, observou a corrente e os ponteiros. Era algo que Astoria costumava dar de presente para Draco. Scorpius sorriu para Rose e a beijou. Demonstrou sua gratidão trocando o antigo relógio pelo novo e ficando mais humorado.
— Vinte e nove anos não é tão ruim assim — dizia Rose enquanto comiam o café da manhã e Zoe brincava com Cupcake na sala. — Você se acostuma.
— Quando eu me acostumar já vou ter trinta. É o fim dos meus vinte anos.
— Eu não sabia que você era tão dramático com isso. — Ela estava achando engraçado.
— Pare para pensar, Rose. Eu vou entrar nos meus trinta anos com uma filha de nove e um bebê. E casado.
— Meu Deus, você fala como se isso fosse péssimo.
— É só que parece que eu estou entrando nos meus quarenta, na verdade.
Rose deixou a risada de lado para se levantar e sentar no colo dele, abraçando seu pescoço e explicando:
— Não é por causa de Zoe ou da minha gravidez, muito menos do nosso futuro casamento que você tem essa impressão. É porque você é mau humorado para caralho, Scorpius. E isso faz você parecer uns dez anos mais velho.
— Obrigado.
— Se bem que eu sempre tive uma quedinha por coroas.
— Cala a boca, Rose.
Ela gargalhou da expressão dele, voltando a guardar as coisas da mesa na geladeira.
— Por favor, não continue com esse humor maravilhoso até o jantar.
— Por quê? O que temos para o jantar?
— O que temos para o jantar? Você se esqueceu do jantar que combinamos com nossas famílias?
Sim, ele tinha se esquecido completamente.
— E por que fazer isso no meu aniversário?
— Não sei, talvez para celebrá-lo? — respondeu sarcástica. — Você mesmo disse próximo domingo quando perguntei o dia para combinar com meus pais.
— Se eu lembrasse que o próximo domingo seria meu aniversário, não teria falado isso.
— Scorpius, pare com isso, sério. Que insuportável. Não é o fim do mundo. As pessoas crescem! Isso é natural!
— Papai — disse Zoe voltando para a cozinha. — Eu acho muito injusto você reclamando de fazer aniversário enquanto eu estou tendo que esperar um tempão para o meu. — E acrescentou: — Sério.
— Você que se atreva a crescer mais um pouco — ele disse, fingindo estar bravo. Zoe abriu um sorrisinho.
— Se ajudar saber, não acho você velho. Todo mundo da minha turma não acredita que você é meu pai. Nem a mamãe.
— Ajudou, Zoe. Obrigado.
— De nada!
Antes que a filha voltasse para a sala, Scorpius mudou o tom de voz para mais sério e a chamou:
— Zoe, vem cá um pouco.
Ela obedeceu e se aproximou dele na mesa.
— Como está se sentindo? Conseguindo dormir melhor?
— Uhum — ela respondeu. — Melhor do que antes.
— Sente alguma dor?
— Só quando alguém aperta aqui. — E pousou um dedo nas costelas. — Mas estou bem.
— Eu sinto muito pelo que aconteceu — ele disse baixinho. — Você não merecia nada disso.
— Tudo bem... eu vou ter um irmãozinho.
Ela abraçou Scorpius, garantindo não ficar pensando sempre nas coisas ruins. Crianças eram simples, às vezes. Scorpius, no entanto, não parava de pensar um minuto nisso. Zoe não tinha que passar pelas consequencias de seu trabalho, nem mesmo Rose, que também estava preocupada, embora agora muito otimista que Zoe melhoraria e falaria melhor sobre o ocorrido quando estivesse preparada.
Por enquanto, ela só falava sobre ganhar um irmão. Ou irmã.
Durante o dia em que Scorpius completava seus vinte e nove anos, eles fizeram absolutamente nada. Ficaram sentados na sala falando sobre coisas sem importância, brincando com Cupcake, ouvindo algumas pérolas saindo da voz de Zoe. Apesar de passarem o tempo no ócio, com a família nunca era perder tempo. Eles riam bastante. E Zoe se ocupava sempre em tentar sentir a presença do novo bebê na barriga de Rose.
Narcissa ligou para Scorpius às cinco horas para confirmar o jantar entre eles e a família de Rose. Eles começaram a se arrumar a partir daquele horário, Scorpius com uma vontade maravilhosa. Mas às vezes se casar exigia muitos sacrifícios então não reclamou.
O jantar ocorreria no casarão dos Malfoy. Narcissa havia se encarregado do jantar, uma coisa que preocupou Scorpius, porque ele não se lembrava de ver sua avó usando o fogão da cozinha para nada. Quando chegaram por volta das oito horas, Scorpius se sentiu mais aliviado por ver que Narcissa quis dizer “vou contratar um cozinheiro” quando falou sobre se encarregar com as coisas do jantar. O aroma estava tomando conta dos perímetros da casa maravilhosa e a barriga de Zoe roncou imediatamente quando ela entrou em seu lugar preferido. A menina abandonou a mão de Scorpius para caminhar até a cozinha e ver o que estavam fazendo para o jantar. Ela já se estabeleceu em uma conversa sobre temperos com o chefe da cozinha quando Cissy surgiu.
— Sra. Malfoy, a senhora não precisava se dar ao trabalho... — começou a dizer Rose, mas Narcissa interrompeu, descendo os últimos degraus da escada.
— Não mesmo, por isso contratei um cozinheiro para o jantar essa noite. Não queremos causar uma má impressão aos seus pais. Eles não voltariam se comessem a minha comida.
Ela se aproximou de Scorpius para beijá-lo no rosto e abraçá-lo, desejando-lhe parabéns.
— Aqui está o meu presente.
Scorpius percebeu que sua avó estava segurando um envelope branco. A princípio Scorpius achou que Narcissa estivesse lhe dando dinheiro, o que seria um absurdo. Mas quando abriu o envelope, encontrou dentro dele uma chave. Ele trocou um breve olhar com Rose, que pareceu ter entendido o mesmo que ele.
— Vó...
— Eu sei que iriam pedir. Ninguém espera que criem duas crianças em um apartamento tendo esse lugar tão vazio. Podem se mudar quando quiserem.
— Não sei o que dizer, Narcissa — disse Rose, meio emocionada. Não era todo o dia que você ganhava uma casa assim.
— Aceito um “obrigada” e a informação do sexo do bebê.
— Oh! Nós ainda não sabemos o sexo do bebê — ela disse depressa pousando automaticamente a mão no abdômen. — Mas assim que descobrirmos, você será a primeira a saber.
— Eu não esqueço promessas, ouviu?
— Eu sei. Se quiser, pode me acompanhar aos exames. Quero dizer, seria muito importante ter seu apoio.
— Então seremos melhores amigas de agora em diante.
Rose pensou um pouco, mas sorriu depois de considerar.
— Não tenho nenhum problema com isso.
— Ótimo. Venha, vou lhe mostrar uma coisa que todas as mulheres da família Malfoy precisam conhecer antes de serem da família.
Scorpius ficou curioso. Depois de voltar do segundo andar com Cissy, Rose fez mistério sobre essa tal coisa que ela viu a noite inteira e nos próximos anos da vida deles, porque ela prometeu que nunca contaria a ninguém sobre o que tinha visto.
— É um segredo entre você e minha avó, então?
Rose não respondeu, irritando-o.
— Viraram mesmo melhores amigas? Tudo bem — ele analisou o sorrisinho dela escondido pela taça de vinho que já bebericavam. — Posso só ficar desconfiado até perder meu interesse por isso.
Os pais de Rose e o pai de Scorpius chegaram quase no mesmo horário, apenas cinco minutos de diferença. Quando Zoe estava abraçando Ron, Draco chegou e a neta foi até ele com a mesma intensidade. Ele estava acompanhado de Serena, que já conhecia Ron e Hermione devido às apresentações de teatro que ela organizou com Zoe tendo um papel importante nelas, então dispensaram outras formalidades.
Cissy sempre foi uma ótima anfitriã – exceto em velórios –, independente de quem estivesse presente em sua casa. Mas, naquela noite, Scorpius percebeu que sua avó estava um pouco diferente. Melhor. Mais acessível. E também tentando achar algum assunto que perdurasse com a família de Rose. Embora ela claramente parecesse entediada em alguns momentos, ela sorria e se esforçava com as conversas. Estava fazendo isso por Scorpius.
Os Weasley e Malfoy eram completamente diferentes, mas agora eles tinham algo em comum: Zoe.
Talvez o acidente com Zoe tivesse feito Cissy abrir os olhos, depois de tantos anos errando ao ignorar o que Scorpius havia aprontado na adolescência, como se fosse possível esconder a poeira embaixo do tapete. Zoe não era poeira alguma. O tempo que Cissy passou sem ouvir a tagarelice de sua bisneta quando ela esteve no hospital foi desastroso. Por sorte, ele ocupou-se com sua peça para não sofrer tantas saudades.
Cissy falou sobre sua peça e os preparos dela a noite toda. Claramente se orgulhava do que havia feito.
— Então... Quando será a peça, sra. Malfoy?
— Vovó, não pode chamar a vó Cissy de senhora — disse Zoe imediatamente para Hermione. Ela nunca se esquecia desse ensinamento.
— Não tem problema, Zoe — interrompeu Cissy. — Por hoje, estou me sentindo uma senhora. Afinal, com mais um bisneto no caminho...
As expressões de Ron e Hermione foram idênticas, mas só Hugo não parecia surpreso. Cissy percebeu que tinha bebido vinho suficiente no jantar, porque claramente os pais de Rose não haviam sido informados de tal notícia e ela deveria ter imaginado que o jantar era para revelar no tempo que Rose se sentisse melhor.
— Rose — disse Hermione. — Você está grávida? De novo?
— Que situação constrangedora. Eu não fazia ideia que eles não tinham ideia — explicou-se Cissy. — Minhas desculpas, Rose.
— Tudo bem — respondeu Rose, sem saber o que fazer com o guardanapo que segurava na mão. — Eu deveria tê-la avisado antes. Então, mãe... e pai...
— De novo? — Ron não estava acreditando.
— Sim, pai, de novo. E só para não deixar nem uma dúvida solta no ar, é do Scorpius.
— Então o que nos contaram semana passada... — Ron pigarreou — que vocês estão noivos... que vocês vão casar...
— Já enrolamos demais para não agirmos logo e estamos prontos para sermos uma família.
— Não foi do jeito que eu imaginei que seria também — acrescentou Cissy na tentativa de tranquilizar a gafe que havia cometido. — Acreditem, eles pegaram a todos nós de surpresa.
— Então vocês estão planejando quantos filhos, mais ou menos? — perguntou Hugo. — Sei lá, só para a gente já se preparar.
— Oh, Rose! — foi Hermione quem exclamou de repente, sem conter sua emoção. Rose já estava se preocupando que não fosse receber uma boa reação de seus pais na revelação dessa gravidez também, mas os dois se levantaram para abraçá-la. Ron ainda estava meio desnorteado, mas sorriu. Ele tinha Zoe para saber que filhos de Rose e Scorpius não trariam tantos desastres assim. — Você tem nosso apoio em tudo. Parabéns você também, Scorpius.
— Obriga-
Hermione sempre o pegava em um abraço que ele não estava esperando. Mas ele retribuiu o aperto, agradecido mesmo.
— Parabéns para a lindinha que vai ter um irmãozinho também! — ela disse a Zoe, que acrescentou:
— Ou irmãzinha!
Zoe recebeu o abraço deles, entusiasmada também. Quando a agitação acalmou, foi percebido na mesa que Draco não havia esboçado nem uma reação. Estava sentado na ponta da mesa, cutucando distraidamente o gargalo da taça de vinho vazia. Olhava para Scorpius com um certo desapontamento na expressão. Serena estava muito feliz por eles e tinha um grande sorriso em seu rosto jovem, mas Draco não. Draco não esboçou absolutamente nada. Scorpius tirou o reflexo de seu próprio sorriso quando se deparou com a expressão do pai. Draco disse à mesa:
— Com licença.
E saiu. Serena observou a postura dele com preocupação.
— Ele está bem? — cochichou Rose à Scorpius, que acompanhou os passos do pai para fora do hall com o olhar. — Você devia falar com ele.
Scorpius sabia disso.
— Eu vou ver o que vovô tem — disse Zoe pronta para se levantar, mas Scorpius impediu.
— Eu vou, Zoe. Tudo bem.
Scorpius se afastou e encontrou Draco fumando perto da piscina, na área externa da casa. Quando ele viu Scorpius se aproximando, tirou o cigarro da boca e não enrolou para ralhar:
— Quando estava pensando em me contar, Scorpius? Eu teria que descobrir junto com a família de Rose? Eu não deveria saber que era essa a sua intenção antes de você se decidir?
— Pai...
— Você já é adulto. Já decide o que quiser na sua vida e eu não preciso palpitar. Mas não me incluir em nenhuma decisão sua é como se você não considerasse a minha existência.
— Não é nada disso.
— Então o que é? Perdi toda a credibilidade. Você acha que eu não tenho conselhos que eu gostaria de passar para você? Acha que casamento vai ser fácil? Com dois filhos agora? Acha que simplesmente é se ajoelhar e esperar que tudo dê certo? Não. Não é nada fácil e você vai querer desistir em algum momento.
— Não pode apenas ficar feliz por mim? — Scorpius perguntou cansado.
— Eu estou. Mas eu estou puto com você, Scorpius. Puto. Porque você não me coloca na sua vida. Eu teria dado o endereço do joalheiro que fez a mesma aliança que coloquei no dedo da sua mãe. Você nem sequer me deu essa chance.
Scorpius não tinha parado para pensar nisso. Esse era o problema. Muitas vezes, Scorpius não parava para pensar em Draco. E ele se sentiu culpado.
— Eu não fazia ideia, pai. Eu não sabia que iria ficar chateado.
Você também nunca fala nada sobre o que quer. Mas Scorpius não queria discutir com ele em seu aniversário. Muito menos em um jantar em família.
— Não estou chateado — ele retrucou, orgulhoso. — Não estou fazendo drama.
— Não — garantiu Scorpius. — Não está, eu sei.
Ele tentou não sorrir, porque dramático era exatamente o que Draco estava sendo e tentar disfarçar isso chegava a parecer cômico.
— Fora isso — Draco disse depois de um tempo silencioso — estou feliz por você. E por sua noiva. E principalmente por Zoe. Ela parece muito melhor com isso acontecendo.
— Está distraindo ela bastante — concordou Scorpius. — Quando ela sofreu o acidente, fiquei com medo que ela não fosse ser mais a mesma. Perderia aquilo que eu amo nela, que é essa espontaneidade e o jeito como nunca para de falar, sempre otimista com tudo. Eu fiquei com medo que isso traumatizasse tanto Zoe que ela deixasse essa parte criança desaparecer dela tão cedo. E então me ocorreu de que estava na hora. Precisava pedir Rose em casamento e ser uma família do jeito certo.
— Por Zoe?
— Sim. E chega a ser fácil porque amo Rose.
— Ela o ama também. Se tem paciência com minha mãe, só pode ser por sua causa.
Eles riram. Há muito tempo não riam juntos. Scorpius passou a mão na barba rala, hesitante, mas se aproximou mais um pouco do pai para abraçá-lo, finalmente. Rose, que estava observando a cena dentro da casa, ficou aliviada. Era bom ver que as coisas não estavam complicadas agora. Ambas as famílias , apesar de tão diferentes, pareciam entender que os dois precisavam desse apoio deles. As coisas poderiam ser mais fáceis, mesmo quando ficassem complicadas, se sua família estiver apoiando.
***
O jantar acabou mais tarde do que esperavam, então Zoe dormiu no carro enquanto voltavam para casa. No silêncio do carro, Scorpius observava o caminho a sua frente, mas desviou o olhar para Rose ao seu lado. Ela estava descansando a cabeça no banco. Havia se queixado de enjoo pouco antes de se despedirem de suas famílias, então ele perguntou:
— Melhorou?
— Uhum.
— Se precisar que eu pare o carro...
— É só um enjoo. Coisa da gravidez. Normal.
— Certo... Escute. Não vai me dizer o que minha avó mostrou para você?
— Não, amor. Ela me fez prometer não te contar.
— Mas ela não precisa saber que você me contou.
— Está mesmo curioso? Você é o cara menos curioso que eu conheço.
— Algumas coisas me interessam, tipo a minha noiva escondendo de mim um segredo.
— Eu sei o que está fazendo. Aquele jogo psicológico para me deixar com a consciência pesada, não é? Pois pode parar com isso, não está funcionando.
— O que vai funcionar?
— Nada. Vai perder seu tempo tentando tirar essa informação de mim.
— Isso foi um desafio? Aceito.
— Já vamos começar jogando? Scorpius, amor é um jogo que se perde. Você sempre vai perder. Sempre perdeu.
— Você acha que venceu. Mas eu posso apenas ter feito você achar que venceu porque sei que você é competitiva. Já parou para pensar nisso? Eu vou descobrir o que você viu.
Ela reconheceu a determinação dele e decidiu:
— Nós somos muito maduros.
Depois espiou Zoe dormindo no banco de trás do carro. Costumava ouvir a voz dela o caminho todo até a casa, então não estava gostando do silêncio.
— São os remédios — suspirou Rose. — Estão fazendo ela dormir bastante.
— Sim. Ela vai ficar bem. Já está bem.
Rose voltou a olhar para frente, com uma expressão totalmente diferente no olhar. Foi quando sussurrou:
— Eu quero vê-lo pagar, Scorpius. Por tudo o que ele fez. Ele não pode sair assim ileso.
Scorpius não precisou que ela dissesse o nome para já saber a quem ela se referia.
— Não vai. — Ele pousou a mão na perna de Rose. — Vou dar um jeito nisso. Estou dando um jeito.
Mas não queriam terminar aquela noite importante pensando nas coisas ruins. Scorpius não teve coragem de acordar Zoe quando chegaram ao prédio, mas também não conseguiria carregá-la com facilidade, então Rose precisou ser calma e persistente para acordá-la sem que desastres acontecessem. Zoe foi como um zumbi acompanhando os pais de volta para o apartamento e imediatamente dormiu quando deitou em seu quarto, deixando o tempo da madrugada para Rose e Scorpius aproveitarem como eles quisessem.
Scorpius ia usar esse tempo para conseguir sanar sua curiosidade sobre o que ela e Cissy haviam conversado de tão misterioso, mas Rose tinha táticas de distração. Ela o chamou para perto e o segurou pelo pescoço para beijá-lo, sussurrante:
— Feliz aniversário.
— E vai ficar melhor — ele garantiu, agarrando-a pelas coxas e levando-a até o quarto. Durante essa ida, Rose sorriu após beliscar levemente o queixo dele e ter suas pernas levantadas e entrelaçadas ao redor do quadril de Scorpius.
— Você sabe que daqui alguns meses vai ser difícil me levar assim para o quarto.
Ela nunca o deixaria esquecer que ela estava grávida. Com isso na cabeça, eles deitaram quase que delicadamente na cama, Scorpius beijando cada pedaço favorito da pele de Rose. Os dois se encararam, sorriram mais um pouco e ele tirou a camisa preta de seu dorso delicioso. Sem perder tempo, Rose se inclinou para beijá-lo no peito e descer centímetro por centímetro até alcançar o cós da calça, onde seus dedos deslizaram o zíper lentamente para baixo.
Era uma visão perfeita.
A noite durou até Scorpius se render de cansaço e suor e deixar Rose cair ao seu lado. Eram assim. Mas já estavam tão íntimos e sabiam ler suas expressões, que Scorpius não precisava o tempo todo ouvir aquele elogio maravilhoso de uma Rose extasiada. Ela apenas disse depois, meio incomodada:
— Acho que quebrou uma mola do colchão. O barulho está me irritando.
— Está aí algo romântico para se dizer depois de transar.
Ela o abraçou, rindo e beijando seu ombro. Ele a apertou, confortável.
— Pode me fazer um favor? — Scorpius cochichou.
— Hum? — Rose estava quase dormindo.
— Não seja como aquelas grávidas que ficam preocupadas que estão ficando gordas.
— Eu não sou — garantiu Rose, bocejando. Era estranho pensar que ela já tinha de fato experiência com isso. — Meus peitos crescem bastante, aliás. Não reclamo. E você vai gostar.
— Ótimo.
— Boa noite, Scorpius.
— Boa noite. Rose?
— Huuuum?
— Acho que vai ser menino dessa vez.
Rose ficou um pouco calada. Não era todo dia que se tinha uma discussão assim com Scorpius. Ele queria falar sobre o bebê. Ela achou que estivesse sonhando.
— Você quer um menino, então?
— Alguém deve equilibrar as coisas. O que você acha que vai ser?
— Menina, claro.
— Por que tanta certeza?
— Porque você merece mais uma. Vai sofrer tanto.
— Isso me tranquiliza.
Rose riu, fechando os olhos.
— Boa noite, Scorpius.
Ele não estava com sono, não queria dormir, mas considerou que Rose não estivesse disposta para papear então não insistiu.
Ele querendo papear depois do sexo? O mundo virou do avesso?
Scorpius Malfoy estava mesmo pronto para casar.
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