Fix You

22 A Message


Notas iniciais
Olá gente! Esse capítulo saiu mais cedo mesmo, não é uma alucinação hahaha Depois de uma série de capítulos grandes, agora Fix You respirou um pouco. Espero que gostem desse capítulo. Não podia deixar de ter um exclusivo para a despedida do Lucius na fic. E só por curiosidade, se vcs quiserem responder: https://polldaddy.com/poll/8838664/

Capítulo 22.: A Message

"Your heavy heart
Is made of stone
And it's so hard to see clearly
You don't have to be on your own..."

Narcissa Malfoy observava ao redor com visível desaprovação em seus olhos de luto. As flores não estavam corretas. As malditas das flores não estavam corretas. E isso a incomodou com tanta impetuosidade que seus saltos pretos tilintaram pelo piso da própria casa quando ela se aproximou do sofisticado, polido, brilhante caixão de Lucius.

Bruscamente, Narcissa arrancou as flores que uma mulher trazia na mão.

– Ele odiava orquídeas. Tire essas orquídeas imundas daqui.

Quando a mulher fez o que ela mandou, Narcissa soltou um longo suspiro, suspiro que esteve preso desde o momento em que o médico anunciou a inevitável morte de seu marido. Ela estava tensa entre ser viúva, mãe, avó e anfitriã. Muito trabalho para uma pessoa só. Como alguém conseguia? Sem derramar uma lágrima?

Ela conseguia. Odiava chorar perto das pessoas. Era desastroso.

As pessoas comentavam. Narcissa não chorava nem no velório do marido. Mas ela precisava erguer a cabeça e foi desse jeito que Scorpius a viu quando ele atravessou a casa para se aproximar dela.

– Não olhe para mim – ela pediu com os olhos fechados e as mãos na cintura, o rosto virado na direção oposta. – Eu estou horrorosa. Eu não dormi, eu não comi, eu nem sequer fiz a maquiagem esta manhã.

Scorpius beijou levemente o rosto dela e garantiu:

– Está linda, vó Cissy.

– Cadê Draco?

– Eu ia perguntar o mesmo.

Ambos se entreolharam. Negando com a cabeça, Narcissa parecia inconformada. Inconformada que seus pressentimentos estivessem corretos.

Ligue para ele – mandou Narcissa irritada, antes de se afastar para receber as condolências de um grupo de pessoas que chegavam com flores. Por sorte, não eram orquídeas.

Scorpius tirou o celular do bolso interno e ligou para o número de Draco. Apertou o osso do nariz, aparentando exaustão e frustração, quando não obteve resposta para as chamadas. Estava tentando compreender que isso era muito para o pai suportar sóbrio e sentiu uma espécie de incômodo que fez o rapaz desligar o celular.

Apertou a mão de inúmeros advogados, juízes e amigos da família. As secretárias da empresa, Elisa e Ursula, ambas seguravam um pano para cessarem as lágrimas que caíam. Ele recebeu o abraço de cada uma. No entanto, foi Emily Zabini que, quando chegou, o beijou no rosto. Um beijo suave, de ex-namorada que, apesar de todas as coisas, estava lá para dar apoio. Ele merecia isso?

Alexis também estava no velório, uma vez que sua consideração por Lucius era gigantesca. Ele a tirou do desemprego quando ela saiu de Oxford. Quando Scorpius e Alexis se entreolharam, foi Scorpius quem adiantou os pés para ficar ao lado dela.

– Oi – ele cumprimentou. Estavam perto da piscina; olhavam para a água transparente.

– Oi. Muitas pessoas. – Ela parecia genuinamente surpresa. Scorpius suspirou.

– A maioria veio para brindar.

– Seu avô era um grande homem – retorquiu Alexis em tom de defesa. – O tipo de homem que fará falta. A presença dele é... inspiradora. Era. Eu sinto muito. Especialmente pela sua avó.

– Ela brigou pelas orquídeas?

– Eu tive a melhor das intenções.

– É apenas o jeito dela – ele explicou quando viu Alexis pousar um dedo na testa, falhando no tom de voz. Narcissa não era a sutileza em pessoa, e ainda conseguia fazer outras pessoas se sentirem culpadas, achando que cometeram erros terríveis.

Alexis se afastou para beber alguma coisa. Nesse instante, duas novas pessoas entravam pela porta e cruzaram o belo hall de entrada. Zoe soltou a mão de Rose e passou depressa pela sala onde estava o caixão para chegar até Scorpius e se grudar nele. Quando Rose se aproximou também, Scorpius disse:

– Ela não precisava vir... o clima é muito pesado para ela.

– Era o bisavô dela – respondeu Rose. – E Zoe não iria ficar sossegada se não estivesse com você hoje, eu não podia...

– Sim – ele disse, entendendo. Por isso, agradeceu internamente. Zoe estava estranhamente quietinha ao seu lado. Não assustada, apenas quietinha. Scorpius segurou a mão dela quando Narcissa voltou.

– Srta. Weasley.

Rose olhou para Narcissa com educação. Ambas não se viam há anos.

– Meus pêsames, sra. Malfoy.

– Mãe – cochichou Zoe depressa, alarmada. – Não pode chamar a vó Cissy de senhora.

Não deu tempo de Rose ter reação alguma, pois Narcissa acrescentou:

– Me chame de Cissy. Só não diga que trouxe orquídeas também.

Zoe achou que Narcissa estava falando com ela. Scorpius viu a filha segurando uma folha dobrada com as duas mãos.

– Eu trouxe um desenho, vó Cissy.

– Por quê?

– Para o vovô Lucius.

– Ele está morto, criança. Ele não verá isso.

Scorpius precisou seguir Narcissa quando ela deu as costas ao dizer aquilo. A pior coisa, para Scorpius, era ver alguém machucar Zoe e, quando viu a menina piscar os olhos para tentar conter o choro – após falhar, apertar cabeça contra a barriga de Rose para abafar os soluços –, ele não conseguiu se segurar e entrou com a avó na cozinha.

Quantas vezes eu tenho que dizer

Scorpius interrompeu a bronca que ela estava dando na chefe do buffet do velório.

– Nos dê licença – Scorpius mandou rispidamente para a mulher que, sem pensar duas vezes, saiu às pressas.

Se o clima de velório já era pesado, com a maneira que Narcissa estava encarando isso não ajudava em absolutamente nada. Uma das características que sempre prevaleceu na família Malfoy era a sinceridade, e a falta de tato para isso. Scorpius e Narcissa eram parecidos, por isso Scorpius não teve dificuldade em dizer:

– Meu avô morreu, mas isso não justifica você estar sendo uma vaca. Principalmente com a minha filha!

– Um desenho... o que irá ajudar agora?!

– Nada – concordou Scorpius. – Não ajuda em nada, mas é o que ela faz para a gente se sentir bem. É o presente dela pras pessoas que ela gosta, é o jeito dela de mostrar que ela se importa com a minha família, apesar de tudo!

Narcissa estava impossivelmente fria, calada, abrindo uma garrafa de uísque.

– Família – crispou a palavra, enchendo o copo até o gargalo. – E o que se entende de família? O meu próprio filho ainda não apareceu no velório do pai. Não sabe encarar sóbrio. E quem saberia? Não posso culpá-lo. É o segundo velório dessa casa em menos de uma década. – Suspirou, arrastando os olhos pelo ambiente. – Lembre-me de queimar essa casa. O que irá sobrar agora que ficarei completamente... sozinha?

Scorpius olhou para ela.

– É por isso? Tem medo de ficar sozinha?

– Medo? Isso não é medo. – Narcissa andou até o neto e sibilou, num sussurro: – É pavor.

A mulher passou por ele bebendo a taça do uísque forte. Quando alcançou a porta, Scorpius disse:

– Não vai ficar sozinha. Não está sozinha.

Ela não acreditava nisso agora.

– Já preparou o discurso? Estou curiosa para ouvi-lo.

Quando ela saiu para receber mais pêsames das pessoas, Scorpius voltou a procurar Rose e Zoe. As duas estavam na sala, Rose tentando consolá-la de alguma forma, sentada ao lado dela no sofá. Scorpius sentou do outro lado e agora Zoe estava entre seus pais. Ela tinha parado de chorar e estava com os braços cruzados, embora os olhos vermelhos indicassem que ainda estava chateada.

– Eu falei para ela que seria importante deixar um presente para homenagear as pessoas quando elas se vão – explicou Rose. – E ela escolheu fazer um desenho.

– Cadê o desenho, coisinha? – perguntou Scorpius, calmo e baixo.

Zoe não respondeu, apenas movimentou o braço para tirar a lágrima do rosto. Rose, então, ergueu vários papeis amassados e Scorpius não precisou ser um gênio para descobrir que aquilo era o que sobrou do desenho após Zoe rasgá-lo.

Ele pegou os papeis da mão de Rose e andou até as escadas para o segundo andar, onde entrou em seu antigo quarto pela primeira porta do corredor. Pegou a fita adesiva sobre a escrivaninha e colou de volta os papeis como se fossem quebra-cabeças. Pelo menos, tentou.

A porta se abriu durante o processo. Scorpius estava tão concentrado em juntar novamente o desenho que não percebeu a aproximação da filha ao seu lado. Sem dizer nada, Zoe apenas enrolou o braço no de Scorpius, encostando a cabeça no ombro dele, e o observou juntar os papeis até que o desenho se formasse novamente, mesmo que rasgado e amassado.

– A vovó Cissy não gosta de mim, não é?

– Ela ama você – disse Scorpius com firmeza. – Ela só não sabe demonstrar isso. Aqui está. Sua nova obra de arte.

Foi indescritível fazer a garota sorrir depois de ter chorado. Scorpius se sentiu... bem quando ouviu a risada que saiu da garganta de Zoe. Scorpius não era o tipo de pai que a fazia rir; geralmente era o contrário.

Scorpius apenas se preocupou em juntar os papeis e não viu que isso poderia prejudicar um pouco o desenho.

– Papai, você colou tudo errado! – exclamou Zoe. – Era para ser um avião e agora está... um desenho que o Ralph Thomas faria.

– Por que você fala tanto desse Ralph Thomas?

Ela ignorou ou não prestou atenção na pergunta incomodada de Scorpius, porque ainda estava olhando com um sorriso para o papel todo desorganizado e feio, e ainda concluiu:

– Eu gostei. O que é isso?

Zoe tinha mania de se distrair com outras coisas rapidamente. Ela apontou para os papeis que estavam sobre a poltrona no outro lado do quarto.

– É o meu discurso. Algumas palavras para dizer como despedida ao vô Lucius.

Ele pegou os papeis de volta e começou a andar de um lado para o outro, relendo.

– Lê pra mim?

– Está ruim. Péssimo, para falar a verdade. Ainda bem que ele não vai chegar a escutar esse bando de porcarias que eu escrevi.

Sentou-se na ponta da cama, frustrado. Zoe sentou na cadeira giratória e girou até ele. Pai e filha frente a frente. Como a cadeira giratória era alta, a menina estava na altura dos olhos de Scorpius. Idênticos.

– Por que você escreveu então? Por que você não diz sem precisar ler?

– Como? – Ele realmente queria saber.

– Com o coração.

– Coração? – Até parecia que Scorpius nunca tinha escutado tal palavra na vida dele. Zoe girava e girava com a cadeira, e ele estava parado, pensativo.

Ele queria ser capaz de seguir esse conselho tão genuinamente bom.

***

Draco chegou uma hora depois. Scorpius o viu parado com as mãos no bolso ao lado do caixão do pai, despedindo-se. Tirou do bolso a moeda que ele ganhara do próprio avô anos atrás, e a colocou com o corpo do pai. Muitas pessoas prestaram homenagens no velório.

Zoe estava um pouco preocupada, mas teve força o suficiente para acompanhar Scorpius até o caixão. Ela não disse nada, apenas pediu com carinho para que Scorpius colocasse o desenho dela também e, depois, ao invés de voltar depressa para Rose, ela também tirou uma moedinha da bolsinha e imitou o que Draco fez. Ao ver isso, Draco olhou para a baixinha ao seu lado.

– Olá, Zoe.

– Oi, vovô.

– Belo desenho.

– Obrigada. O papai me ajudou a estragar ele.

Draco conseguiu sorrir. E perguntou:

– Quer dar uma volta pela casa?

– Quero!

Scorpius, no entanto, segurou os ombros de Zoe. Percebendo a suspeita do filho, Draco disse:

– Estou bem, Scorpius.

Precisou acreditar em Draco, porque Zoe imediatamente apertou os dedos em volta da mão do avô e se afastou pela sala com ele, conversando sobre moedas. Scorpius não sabia que era possível ter inúmeros assuntos sobre moedas.

***

Rose ouviu duas moças falando sobre Narcissa perto da mesa das comidas. E não de um jeito bom. Era impossível se aproximar dela sem que levassem algum escoro, sem que a mulher descontasse a dor contra as pessoas que estavam tentando ser gentis. Teve um momento, porém, que Narcissa se sentou na poltrona e, de lá, não saiu tão cedo. Ficou apenas esperando o tempo passar e não dirigiu palavras a mais ninguém. Acendeu um cigarro e fumava. Os corajosos iam até ela agora.

A família de Scorpius era peculiar. Não que não houvesse sentimentos, mas a dificuldade de cada um deles em transmitir qualquer sinal de afeto era tremenda. Foram acostumados a tal educação. Algo de milênios. Gerações. Um contraste imenso com a família de Rose. Zoe ficava entre dois mundos completamente diferentes. Por um lado, ela tinha os abraços, beijos e carinhos dos pais, dos tios e dos primos. Por outro lado, os Malfoy não abraçavam.

– Rose, não precisa ficar.

Ela girou o corpo quando ouviu a voz dele. Scorpius, que estava tomando conta de quase tudo no velório do avô, conseguiu um tempo para ir até ela. Estava sério e comprometido com essa responsabilidade.

– Quero dizer, não se sinta na obrigação. O enterro será apenas no final dessa tarde.

– Não é uma obrigação – apressou-se a dizer. E olhou para o aposento com certa expressão no olhar. – Eu não vejo essa casa há muito tempo. Não mudou muito. O quadro da família continua no mesmo lugar.

Eles estavam perto da foto na parede.

– Nem a expressão do meu pai – percebeu Scorpius, fazendo-a sorrir.

– Amaldiçoando o fotógrafo.

– Você lembra? – ele perguntou surpreso.

– Evan e Rebeca estavam transando no banheiro enquanto tínhamos essa conversa.

– Ah sim, e ele acabou com todos os papeis higiênicos da casa.

Claro que eles se lembravam das coisas boas. Scorpius abriu um fraco sorriso. Sem esperar por tal aproximação, Scorpius sentiu o perfume dela quando Rose o abraçou. Sussurrou um cauteloso “sinto muito” perto do ouvido dele. Quando foi soltá-lo, ele prolongou um pouco mais.

Os Malfoy não abraçavam.

E talvez por isso eles precisassem tanto.

Quando eles se soltaram, Scorpius segurou uma parte do rosto dela e pensou na noite que tiveram. Como era possível ter tantas coisas sentindo ao mesmo tempo? Estava no velório do avô, mas não se sentia miserável. Sentia-se triste, mas não perdido.

Por essa razão, ele disse:

– Obrigado. Por ficar aqui.

Não se arrependeu de dizer isso. Rose sorriu para ele e, naquele momento, ele tinha tudo o que precisava.

***

– O que acontece depois?

Draco olhou para o rosto de Zoe e franziu a testa para a pergunta da menina.

– Depois que o vô Lucius for embora?

– Não faço ideia. É um mistério.

A tarde estava inacreditavelmente linda. As proximidades do campo do cemitério de Londres eram iluminadas pelos últimos resquícios do sol. Um grupo de pessoas caminhava até a capela. Nela, o funeral se iniciava. Zoe ficou ao lado de Draco, segurando a mão dele, quando um silêncio se formou na expectativa de verem Scorpius se aproximando de um pequeno palanque.

O rapaz teve a visão dos rostos das pessoas. E eram muitas pessoas. Lucius viveu tempo o suficiente para conquistá-las, mesmo com seu jeito. Além disso, ele fora professor de algumas universidades e os alunos que agradeciam pelos seus ensinamentos não eram poucos. Quando ele tirou os papeis do bolso interno do paletó preto, Scorpius encontrou o olhar de Narcissa. Ela esperava pelas palavras e ele desejou não decepcioná-la.

Leu os primeiros parágrafos para si mesmo antes de iniciar em voz alta. Estavam superficiais, palavras que ele escreveria para o funeral de uma pessoa qualquer. De uma pessoa que não foi importante para ele.

O silêncio estava incomodando-o e ele precisou fazer uma decisão rápida. Guardou os papeis novamente no bolso. Quando voltou a levantar o rosto, encontrou o da filha. Lembrou-se do conselho dela. Tomou fôlego e começou a falar:

– Eu poderia pegar uma caneta e escrever lindas palavras sobre meu avô, mas eu não... Não posso fazer isso. Vocês o conheceram. Meu avô adotava a política de que se você ama alguém, você precisa ser duro com ela. Então eu nunca soube o quanto ele me amava até o momento que ele me disse isso em nossa última conversa. Lucius era frio e sábio. Ele aprendeu com os próprios erros e isso é algo que eu admiro. Não é fácil. Cometemos esses erros e dizemos que vamos mudar, mas nos próximos dias, não mudamos. Não até alguma coisa bater em sua cabeça para te fazer perceber que você tem desperdiçado sua vida com coisa que, no final, não vai importar.

Scorpius fez uma breve pausa e olhou para o caixão. Entendeu o motivo de Lucius pedi-lo para discursar em seu funeral. Era cruel. Ele estava pensando em todas as merdas que ele fez durante seus poucos vinte e sete anos, e isso era cruel naquele momento.

– Lembro a primeira vez que ele me acompanhou para comprar o meu primeiro terno. Eu tinha oito anos. Eu lembro que ele... eu tenho essa lembrança nítida de quando ele brigou com o alfaiate por ter errado a altura do botão do meu terno. Foi desastroso. Mas eu percebi agora... que ele fez isso porque ele se importava comigo. Ele queria que meu primeiro terno fosse perfeito. Que eu ficasse bem com ele, e não poderia haver erros. Meu avô jamais tolerou erros. – Abriu um pequeno sorriso. – E eu me lembro de minha mãe dizendo que eu parecia uma miniatura dele quando vesti aquele terno. Eu fiquei feliz, porque... eu queria ser ele. Era isso o que eu queria ser quando criança. Eu queria ser meu avô. Ele era elegante, ele andava com confiança, as pessoas o idolatravam e ele nunca fingiu ser o que não era para agradá-las. Ele nunca deveu nada a ninguém. Sempre pagou suas dívidas. Ele era um advogado incrível. Um grande homem. Um grande marido.

Narcissa não olhava para o neto, mas escutava as palavras, que ainda não estavam acabadas.

– Não posso dizer adeus para ele com a elegância que ele merece em seu funeral. E eu estava hesitante, mas também agradeço, em poder dizer as últimas palavras. Ele me deu uma coisa que no fim irá importar e, para ser sincero, não tenho muitas em minha lista. Eu posso... garantir que Lucius viveu de uma forma que, no fim, importou. Para ele. Então não sintam por isso... apenas, continue andando. É o que ele faria.

Ele terminou. Na verdade, ainda teria muito que dizer, mas o céu já estava escurecendo e, naquele momento, ele não teve certeza se conseguiria continuar. Saiu do palanque e se aproximou de sua avó. Falhou no último pedido de Lucius, de fazê-la chorar com o discurso, porque Narcissa continuava olhando fixamente para o caixão sendo devidamente, respeitosamente enterrado. Os Malfoy tinham um perímetro só deles no cemitério. Lucius fora enterrado ao lado da lápide de seu pai, Abraxas.

As palavras na de Lucius eram:

Pai
Marido
Avô
Bisavô

Ao ler a última palavra, Scorpius sentiu que tinha alguém o sufocando. Instantaneamente, virou-se para Narcissa surpreso:

– Você...

– Sim – ela disse em um tom orgulhoso, um tom de que era óbvio. Mas não, não era óbvio que ela incluiria Bisavô na lápide de Lucius.

Scorpius sentiu os dedinhos conhecidos enrolarem em sua mão e, quando olhou para baixo, encarou os olhos cinzas de Zoe. E ele quis mudar tudo o que aconteceu, para ter tido a chance de ser um pai melhor para ela desde o começo.

– Aonde vamos, pai? – ela perguntou curiosa quando Scorpius começou a caminhar com ela para outro canto do cemitério.

Não precisou de muitos passos para se aproximar da lápide de Astoria. Estava enfeitada de flores uma vez que ainda recebia várias visitas. Rose não se aproximou muito, mas observou os dois encostada à árvore perto deles. Sabia que aquele era um momento apenas entre Zoe e Scorpius, e não ousou atrapalhar.

***

Zoe foi embora com Rose, porque Scorpius precisava levar Narcissa embora e, a esse ponto, eram dez horas da noite. Draco estava por perto, mas confessou ter bebido antes do velório e não podia dirigir. Scorpius, com a cabeça estourando de dor, levou os dois até o Casarão novamente.

Narcissa não parecia com a menor vontade de entrar naquela casa novamente. Parou no meio da sala e a bolsa despencou de seus ombros. Scorpius estava tirando o paletó e desajustando a gravata quando ouviu um ofego profundo que o assustou. Ao confirmar o que era, ele e seu pai se entreolharam. Scorpius andou primeiro até a avó, e Draco observou a decisão do filho. O tempo todo ele era consolado, mas quando viu Narcissa desabar em um choro que não parou tão cedo, ele precisou fazer alguma coisa.

Ele a abraçou.

Notas finais
Porque crianças têm os melhores conselhos e são os melhores exemplos :P Eu preciso dizer que sou muito grata por comentarem, e seria o sonho ver mais de vocês por aqui para me contarem o que estão achando da fic! Por só saber como os capítulos estão através dos comentários de vocês, fico insegura e por isso é tão importante autor receber comentários. Eu estou tentando responder a todos e dando a vocês 1 capítulo por semana no meio de tantas tarefinhas diárias que preciso fazer, seria incrível conhecer mais leitores que estão acompanhando essa jornada do Scorpius para ser um bom pai. De qualquer forma, espero que tenham gostado desse. Foi curtinho, a vó Cissy está amarga, fria e calculista, mas é o que sempre pensei que ela seria. No entanto, não demoraria a desabar quando estivesse sozinha. Mas Scorpius estava lá por ela. Todo mundo nessa fic precisa ser consertado. E a complexidade dos poucos personagens que já temos me priva um pouco de explorar o outro lado, o lado Weasley, por enquanto. To esperando o momento certo. Já é muita informação e não quero encher vocês das que são desnecessárias. Obrigada por tudo e até o próximo, gente. Comentem mesmo, comentem e comentem! Estou precisando =)