Fix You
10 Capitulo 10 - Uzumaki - Usuratonkachi - Naruto
Notas iniciais
Fix You!
Escrito por Mary
Revisado por Lally
Capitulo 10 – Uzumaki – Dobe – Naruto.
Uchiha Sasuke estava puto!
Não, puto não estava nem perto do que ele se sentia naquele momento. O moreno desacreditava o que via. Nunca, em seus dezessete anos, imaginou ver o cara por quem nunca pensou que iria se apaixonar dançando em cima do capô de um carro sob os olhares atentos de tantas pessoas.
Enquanto Naruto elevava a barra da camiseta para descobrir o tórax, os demais amigos do Uzumaki riam e aplaudiam — Amigos da onça–, as garotas gritavam em euforia vendo o rapaz arrancar a camiseta branca estampada que usava e girá-la ao som de Applause da Lady Gaga.
– Nunca esperei vê-lo assim depois daquela comemoração por ele ter entrado no time. – comentou Shikamaru para Sasuke. O Uchiha ficou surpreso, nem havia notado o rapaz aproximar-se de si; era como uma sombra.
– Ele já ficou assim? – questionou, ainda olhando o rebolar desajeito que os quadris do Uzumaki faziam enquanto seu dono começava a desatar o cinto da calça.
Que anta! – pensou ele. O moreno estalou a língua nos dentes, não gostando de ver os olhos verdes de Sabaku No Gaara, que estava encostado em um automóvel estacionado no gramado, fitarem o loiro enquanto bebericava sua cerveja na garrafa.
Filho da puta!
– Você se surpreenderia se soubesse o que ele já fez. – Shikamaru balançou os ombros em descaso. – Precisamos de quase o time todo para cuidar dele naquele dia, Kushina quase o matou. Eu recomendo que o tiremos dali enquanto ainda é tempo. – comentou, vendo Naruto ameaçar tirar as calças, voltar a vesti-las e rir de forma escandalosa quando ouviu o gemido de desapontamento das garotas.
– Eu concordo, Sasuke-kun. A tendência agora é piorar... – comentou Hinata, ficando vermelha ao ver o garoto por quem um dia foi loucamente apaixonada dançar de forma desengonçada — que devia ser considerada sensual — e seminu sobre o carro.
– Tsk! – o moreno passou as mãos pelos cabelos pretos, buscando paciência para aquela cena. Não que ele tivesse algo a ver com Naruto, mas não gostava do que via.
Como aquele imbecil podia se expor daquela forma?!
Após notar a descida rápida do Uzumaki para o andar inferior da casa, o Uchiha estranhou. Ao menos esperava que para o quê o de olhos azuis foi fazer com a Haruno no andar superior, ele fosse mais... Demorado.
O Dobe não pode ser tão rápido! – pensou ele naquele momento.
Ao mesmo tempo, notou que o outro vinha em sua direção com um ar determinado, no entanto, este sumiu no mesmo instante em que uma garota de cabelos vermelhos e olhos cor de avelã veio ao seu encontro, fazendo o loiro travar no meio do caminho, olhar para os lados de forma constrangida e seguir para junto de seus colegas.
Fora naquele momento em que o ruivo, o tal Gaara, foi falar com Naruto, lhe ofereceu uma garrafa de cerveja e passou a conversar com o rapaz de sorriso iluminador, fazendo Sasuke irritar-se profundamente enquanto a garota ainda tagarelava em seu ouvido. Quando o Uchiha conseguiu finalmente dispensar á ruiva — Karin, se ele não estava enganado — voltou-se para procurar o rapaz de cabelos loiros, mas já era tarde.
Sasuke se perguntou como alguém poderia entrar em um estado alcoólico tão rápido, pois ele tinha certeza que fazia menos de cinco minutos que havia visto o rapaz e, quando tornou a vê-lo, ele já estava subindo sobre o carro de forma desengonçada e passando a acompanhar as batidas fortes de uma musica eletrônica, a qual o Uchiha não conhecia.
Logo a multidão circundou o veículo com euforia. Gaara também, porém ficou mais afastado da multidão, preferindo olhar o espetáculo de um lugar mais privilegiado e sorrindo com a atitude daquele Baka. Divertia-se com o estado de Naruto.
– Vamos tirá-lo de lá. – Sasuke decidiu, deixando sua garrafa d’água sobre o acento de sua moto e seguindo até o lugar onde o Uzumaki, que expunha parte de sua bunda redonda coberta pela boxer vermelha e agora voltava a escondê-la, rindo de forma escandalosa para os céus, alegre sem causa.
Sasuke tentou ignorar a cena e se focar no que realmente importava, negando com a cabeça e sendo seguido por Hinata e Shikamaru. A multidão de pessoas que rodeava a Ferrari 408 laranja do Uzumaki gritava e aplaudia em aprovação.
– Tira, tira, tira! – Kiba gritava junto à multidão, aplaudia e ria. O Inuzuka era o que sempre ficava bêbado primeiro, visto que não tinha uma namorada que pegasse em seu pé como Temari e Tenten implicavam com Shikamaru e Neji. O rapaz de braços fortes vestido em uma regata preta teve sua atenção desviada, agora fitando o olhar de Shikamaru.
– Por que está deixando ele ir tão longe com isso? – Shikamaru falou puxando o rapaz de cabelos castanhos para afastá-lo daquela bagunça toda. – Vou deixar a ressaca dele para você cuidar amanhã. – declarou.
– Puft! – riu com deboche. – Não se preocupe com isso. Naruto sabe se virar, e mesmo que não conseguisse, aposto que o Uchiha iria cuidar dele, né Sasuke? – riu o de longas presas. Sasuke franziu o cenho e ergueu uma das finas sobrancelhas negras. – Além do mais, ganhamos, temos direito de comemorar.
– Sim, Kiba, comemorar. Não fazer o idiota beber como se o mundo fosse acabar amanhã! – declarou o Nara fitando o amigo com irritação, intensificando a força do aperto que mantinha no pulso do de cabelos castanhos.
– Vixi, você consegue ser pior do que a Kushina quando quer, não é?! – questionou irritado. Puxou o braço do alcance de Shikamaru. – Neji! – chamou.
Os cabelos longos e lisos do Hyuuga se mexeram quando este virou a cabeça na direção de quem o chamava, ele seguiu para o grupo de amigos, não podendo mais curtir a diversão que estava sendo a palhaçada do amigo loiro.
– O que?! – questionou com calma.
– Vamos tirar a striper dali de cima. – declamou o Inuzuka em um tom resmungado enquanto massageava o pulso dolorido da pegada que recebeu de Shikamaru.
– Por quê? – questionou o de cabelos longos. – As garotas estão se divertindo tanto. – apontou para as namoradas que riam entre elas, trocando comentários indecentes sobre o rapaz de cabelos loiros e olhos azuis.
– Exatamente por isso, Neji-nii-san! – Hinata retorquiu em um tom teimoso, porém ainda tímido, chamando a atenção do rapaz de olhos perolados. – Ele não pode se expor assim, imagine o que todos irão dizer depois!
Neji apertou os olhos para a bronca que recebeu e a cara brava da prima fê-lo soltar um grunhido de irritação. Hinata era a única que conseguia lhe tirar do sério e fazê-lo ceder aos seus pedidos.
– Hn! – resmungou mal humorado. – Vamos logo.
Assim, os três — Shikamaru, Kiba e Neji — foram ao encontro da Ferrari laranja onde o loiro continuava sua dança desengonçada, agora ao som do remix do Dj Tiesto de “Somebody That I Used To Know” de Kimbra e Gotye.
– Hey! – chamou Shikamaru. Vendo que o Uzumaki não parava, puxou a barra de sua calça, os olhos azuis fitaram os colegas e ele lhes sorriu, fazendo um maneio com a cabeça para mostrar que estava ouvindo. – Estamos caindo fora!
– Ok, boa viagem! Digam às tias que eu dei um ‘Oiiii’ – cantarolou alegremente e de forma embolada, juntamente com a música e voltou a dançar, virando de costas para os companheiros. Sasuke viu, neste momento, Gaara rir da cena e negar com a cabeça.
– Não tem essa de ‘Oi’, você vem com a gente. Agora! – declarou o Hyuuga, mostrando que não aceitava “não” como resposta.
– Blééh! – o loiro respondeu, balançando as mãos em descaso. – Não nascemos grudados, nascemos? Vão sem mim! Porra!
Naquele momento, eles tiveram certeza de que o teor de álcool do loiro estava alto, era muito difícil ouvir o amigo soltar palavrões. Talvez Shikamaru estivesse certo e fosse hora de ir embora.
– Vamos embora, Naruto. – foi a vez de Kiba insistir, puxando a mão do de olhos azuis para este descer do carro e acabar com aquela palhaçada. – Imagine o que a Kushina vai dizer, e pense que teremos aula na segunda. – avisou.
O loiro girou os olhos antes de se agachar para ficar a altura dos colegas. O Uzumaki estalou a língua nos dentes com um quê de irritação.
– Qual é a de vocês, hein?! Até você Kiba! – o loiro apontou com indignação, pois o Inuzuka era seu melhor amigo e o acompanhava onde quer que fosse e nas situações mais idiotas e incabíveis. – Não precisam ficar pegando no meu pé, merda! Não preciso de babás! Acho que o tempo que passaram com o Uchiha Teme Bastardo – fitou Sasuke –, fez de vocês uns bundas moles iguais a ele. – elevou a voz, chamando atenção dos demais convidados.
– Você está bêbado Naruto! – o Hyuuga argumentou. – Vamos! A gente te leva. Você pode dormir lá em casa hoje, Kushina não vai gostar de te ver nesse estado.
– Eu já disse que vou ficar! – declarou – Estou me divertindo, ok! Vocês deviam largar a mão de serem chatos e fazer o mesmo.
– Deixem-no, ele já disse que não quer ir, eu cuido dele depois. – declamou uma quinta voz, intrometendo-se na conversa dos amigos. Gaara surgiu. Sasuke quase saiu do lugar que estava para tirar o Uzumaki dali.
– Você não tem nada a ver com isso, Sabaku, deixa com a gente. Nós somos amigos dele. – declarou o Inuzuka com escárnio fitando o rosto do ruivo de olhos verdes.
– Ora, estou apenas sendo gentil, qual o problema? O Uzumaki quer aproveitar a festa; festejar a vitória, vocês deveriam apoiá-lo. – retorquiu dando de ombros, e tocando o ombro do Uzumaki, este sorriu em aprovação ao apoio que recebia do ruivo.
– Viram? Até o perdedor do Sabaku – Gaara franziu o cenho com o “elogio” –, está do meu lado, que tipos de amigos são vocês? Hein?! Hein?! – disse cutucando incessantemente o peito de Kiba com o indicador.
Sasuke girou os olhos e passou a palma da mão no rosto, cansado daquele vexame estúpido do Uzumaki. Hinata lhe tocou o ombro, e sorriu de leve para apoiá-lo, quando o moreno ergueu os olhos para agradecê-la pelo apoio, algo quente acendeu-se em seu interior.
Os braços amorenados de Naruto enlaçavam o pescoço pálido do ruivo em um abraço amigável. O copo de paciência de Sasuke transbordou quando os lábios de Naruto encontraram a bochecha de Gaara dando-lhe um beijo estalado.
Ele marchou até o grupo sem meias palavras para com Hinata e em um único puxão dado no ombro, o Uchiha fez o loiro, molenga pelas bebidas, soltar o rapaz de olhos verdes e sair de cima do capô do carro, deixando-o de pé da maneira mais firme que pôde e de frente para si, segurando seus ombros com firmeza.
– Vamos para casa. – seu tom soou como uma ordem e não aceitaria ser contrariado. O loiro, que até o momento mantivera um bico emburrado nos lábios, riu escandalosamente.
– Te-me! ... Hic! – sibilou, brincando com a ponta fina do nariz de Sasuke com o indicador. – Uchiha Nerd veio querer me dar ordens também?! – riu.
– Você bebeu demais, Usuratonkachi. – o moreno falou em um tom baixo, diferente do de olhos azuis, que parecia querer ser o centro das atenções naquela noite.
– Eu bebi uma ou duas latinhas, Teme... Hic! Nem fez cosquinhas aqui! – apontou para a cabeça. Logo após agarrou a face pálida entre as duas mãos, amassando as bochechas do Uchiha com a pegada. – Pare de se mexer enquanto falo contigo! – ordenou a um Sasuke que estava parado frente a si, sem mexer-se um milímetro sequer.
Naruto já estava vendo coisas.
– Eu estou parado, Dobe. – alegou o Uchiha, segurando os punhos que lhe esmagavam a face. – Você é que está bambeando de um lado para o outro. Anda, – pegou a camiseta que estava sobre o carro, colocando-a nas mãos do loiro. – se vista e vamos para casa.
O Uzumaki não segurou a camiseta que era dada por Sasuke, apenas encarou o moreno, sentindo seu estomago revirando. Ele engoliu a saliva diversas vezes, abrindo e fechando os olhos mais vezes ainda.
– Está me ouvindo, Naruto? – questionou o moreno, vendo os olhos azuis fora de foco. O loiro piscou algumas vezes recuperando a consciência e tentando não ceder à vertigem que se apossou do seu corpo, sorriu.
– Me lembrei de uma coisa, teme... Hic! – deu leves tapas no peitoral do rapaz de tez pálida. – Eu quero te dizer uma coisa. – soluçou, e Sasuke sentiu um tremor percorrer o corpo que segurava; isso o fez franzir o cenho. – Sabe você é um igiota... Idio... – o xingamento parou no mesmo instante em que os olhos azuis se arregalaram, o moreno imitou o gesto e Naruto tapou a boca...
– Naruto em mim não...! – ele tentou empurrá-lo, mas já era tarde.
No mesmo instante, Hinata tapou os lábios em uma expressão horrorizada, enquanto Sasuke fechava os olhos tentando ignorar - Como se fosse possível ignorar o que acabou de acontecer!– o liquido que agora escorria pela sua roupa até chegar aos seus pés.
– Acabo de me dar conta, Dobe... – resmungou em resposta ao que o loiro havia dito antes de vomitar em cima de si. Definitivamente, ele não queria acabar sua noite com o vômito de Naruto em suas vestes. O rapaz agarrou a camiseta que o Uchiha usava como forma de apoio, sentindo sua cabeça girar e latejar.
– Urgh! – ele resmungou, agarrando a cabeça para que a maldita dor passasse e tudo parasse de girar em sua volta. Por que Sasuke não parava de movimentar os pés? Aliás, desde quando o Teme tinha quatro pés?
O rosto dos demais colegas de Naruto, inclusive Gaara, se contorceu em um misto de nojo e desprazer pelo que viam.
– O que o Baka está fazendo? – questionou uma voz feminina chamando a atenção de Hinata, que olhou para o lado e viu os fios cor-de-rosa um pouco bagunçados, olhos inchados e roupa amassada.
– Parece que o Naruto-kun bebeu demais. – comentou Hinata. A fala fez a rosada bufar em irritação e uma aura escura quase pôde ser vista em volta o corpo pequeno e magro.
Ela detestava ordenar e não ser obedecida.
Os passos pesados da Haruno pelo chão fizeram Sasuke, que rapidamente percebeu a movimentação da garota de cabelos cor-de-rosa, e Hinata se espantarem, até mesmo por perceberem as marcas do tênis da garota pelo gramado afundado.
Quando Sakura chegou perto do grupo de amigos que debatia sobre a volta do Uzumaki para casa, a garota de olhos verdes se enfiou no meio dos homens, fitando o loiro que estava quase de joelhos.
– Baka Naruto! – gritou ela.
– O quê que é?! – berrou de volta. Sua cabeça já latejava, não precisava de um grito histérico ecoando na sua cabeça. – Alguém manda essa testuda calar a boca!
Um silêncio instalou-se por quase dois minutos, até mesmo a música que saia em abundancia da caixa de som do carro de Suigetsu foi abaixada e os olhos de todos os convidados encaravam a cena.
Naruto, mesmo em seu estado de embriaguez, notou que havia feito a maior merda de sua vida – quase tamanha quanto responder Kushina quando era criança –. Suou frio. Sabia que não era hora de enfrentar os olhos verdes da garota, que estavam praticamente em chamas depois da resposta e do xingamento grosseiro que recebera dele.
Um sorriso recheado de maldade se formou no rosto delicado, fazendo o medo correr pelos corpos dos garotos que estavam próximos; exceto pelas íris negras de um dos jogadores do time de Suna que fitava Haruno Sakura com extrema fascinação e lábios abertos.
Os olhos azuis de Naruto se viraram para a Haruno com um ar de quem suplicava por piedade, enquanto seu corpo se encolhia para trás.
– Você me chamou de que?! – questionou ela entredentes, seu interior se consumindo em raiva. A garota de olhos cor de esmeralda acertou um soco na palma da própria mão e apertou os nódulos de seus dedos, estalando-os.
O Uzumaki engoliu em seco.
(***)
– Itte! – reclamou, recebendo um saco de gelo relativamente pesado no topo de sua cabeça. – Eu já recebi um soco hoje sabia? Não pode usar um pouco da sua gentileza? – resmungou o Uzumaki com um bico.
– Eu guardo minha gentileza e educação para quem não vomita em mim. – retorquiu o Uchiha, ainda limpando sua camiseta com um pano úmido, enquanto segurava a sacola gelada no topo da cabeça do Uzumaki até que o próprio segurou-a com suas próprias mãos.
O moreno afastou-se e caminhou até o banheiro, molhando o pano que tinha em mãos e voltando a esfregar a sujeira de sua roupa.
– Então... Está doendo? — questionou o Uchiha com um sorriso prepotente a postos, ouvindo o loiro resmungar algo que ele não soube identificar e estalar a língua nos dentes.
– Não, imagina. – ironizou – Eu recebi uma avalanche na minha cabeça e você pergunta se está doendo. – aumentou bico de irritação.
– A Haruno realmente pegou pesado. – declarou Gaara, entrando em seu quarto com mais um saco de gelo em mãos, este sendo posto na bochecha do Uzumaki. – Quem diria que uma mulher pudesse ter socos tão potentes. – comentou rindo de leve.
– Isso é porque você não conhece a Okaa-san. – retorquiu mal humorado. – Eu posso segurar. – declarou, segurando o saco de gelo que o de olhos verdes mantinha junto a seu rosto. O Sabaku deu de ombros, vendo o loiro contorcer o rosto. – Mulheres são loucas ou o quê?
– Acho que são ‘ou o quê’ – respondeu o ruivo. – O que você fez hein, Uzumaki? A Haruno parecia bem irritada. – comentou. Gaara levantou-se de sua cama e direcionou seu olhar para Sasuke, que estava na frente da penteadeira que tinha em seu quarto, esfregando a camiseta que usava com força e o fitando pelo reflexo do espelho.
– Eu não fiz nada! – defendeu-se, com a voz manhosa, como uma criança que estava sendo acusada pelos pais.
– Ela continuou a repetir em cada soco que você devia tê-la escutado, e que você fez o total contrário do que ela pediu para você fazer. – contou como quem nada quer. – Aliás, vocês, por acaso, não profanaram o quarto dos meus pais, não é? – questionou. A fala chamou atenção de Sasuke, que olhou para o Uzumaki.
Naruto ficou vermelho, olhou para Sasuke, que também aguardava uma resposta, e depois se virou rapidamente para o ruivo, abrindo e fechando a boca diversas vezes sem nenhum som sair.
– É claro que não! – rebateu com nervosismo. – Nós... Nós só... Conversamos.
– Conversa demorada e que deixou a Haruno toda desalinhada daquele jeito? – questionou Gaara com um olhar acusatório.
– Argh! Você é quem, meu pai? – o loiro reclamou, batendo o saco de gelo contra o colchão, irritado em ser investigado como se fosse um criminoso procurado em sete estados. – Vai querer meu exame de sangue antes de eu sair também?! – ironizou. – Já disse que não fiz nada, merda! Se não acredita vá ver o santuário dos seus pais. – cruzou os braços, virou-se para o lado de fora da casa com o nariz empinado para o alto.
Sasuke soltou um sorriso debochado para aquela atitude malcriada.
– Hn! Vou acreditar. Desde que eu saiba que usaram camisinha. – contou, como vocalizando seus pensamentos em voz alta.
– Gaara! – o loiro gritou com vergonha. Virou na cama e caiu sobre o travesseiro para esconder o rubor de suas bochechas. Para completar, sua cabeça doía e suas pernas estavam molengas; inicio de ressaca era uma merda mesmo.
O ruivo cedeu seu quarto a Naruto para que este se cuidasse depois da surra que tinha levado de Sakura, mas não contava que junto do Uzumaki viesse Sasuke também. O destino não estava á seu favor.
– Não me meto mais com a Sakura-chan, o que essa mulher tem na cabeça? – resmungou o loiro, fazendo uma careta de dor e voltando a devolver o saco de gelo ao lado da têmpora. – Ela é tão má quanto a Kaa-san! – reclamou com a voz abafada pelo travesseiro.
– Sua mãe vai querer comer o seu fígado quando chegar em casa, só para você saber. – declarou o Uchiha. Terminando de limpar sua camiseta o moreno caçou suas chaves em cima da escrivaninha de Gaara. – Acho melhor irmos agora.
– Eu não disse que ia embora contigo. Além do mais, você não tem de levar a Hinata para casa? – questionou o Uzumaki com um tom incomodado, virando o rosto para a lateral a fim de ver o Uchiha.
– Não, a Hinata vai com o Hyuuga e a Tenten no carro do Kiba, já que ele também não está lá essas coisas. – declarou referindo-se ao estado alcoólico do Inuzuka, dando de ombros em seguida. – É melhor vir comigo, porque no seu estado não vai conseguir dar três passos sem cair, quanto mais dirigir.
– Oras, deixe-o dormir aqui. – Gaara sugeriu. – De qualquer forma não acho que seria uma boa ideia levá-lo para casa. Pelo que o Inuzuka disse, acho que a sua mãe irá te matar, uma dose de socos já foi o suficiente por hoje, não? – questionou olhando para o loiro.
O de olhos azuis fez um maneio com a cabeça, pensando sobre a sugestão do rapaz de cabelos vermelhos.
– Não, se é assim é melhor que ele venha comigo, ele pode ficar na minha casa. – retorquiu o moreno tomando uma pose desafiadora para com o de olhos verdes. – Kushina-san não irá gostar de saber que ele dormiu na casa de um desconhecido.
– Não seja ridículo, Naruto me conhece desde primeiro ano do ensino médio. – rebateu.
– Mas Kushina-san não o conhece e é isso que importa. – refutou erguendo as sobrancelhas negras com um ar mais irritado.
– Ei! – interveio Naruto. – Parem de falar de mim como seu eu nem estivesse aqui e fosse incapaz de decidir por mim mesmo o que quero. – o loiro falou em meio a uma careta de dor.
Ouvir os garotos discutirem era irritante naquele momento, parecia que a voz de ambos estava até mais alta.
Os três ouviram batidas leves na porta e o ruivo caminhou até ela, girou a maçaneta e abriu-a. Logo os três rapazes, amigos do Uzumaki, adentraram o quarto sem nem se importarem com o fato de que o lugar não era de um conhecido de nenhum dos três para terem aquele tipo de intimidade.
– E ai, vamos embora? – questionou Kiba, pulando na cama ao lado do loiro, empurrando a cabeça cheia de fios loiros contra o travesseiro pelo simples prazer de irritá-lo por causa da bebedeira e por saber que o inicio de ressaca já dava indícios.
– Me deixa, seu vira-lata imbecil! – Naruto agarrou a mão do Inuzuka, afastando-a de si e sentando-se para empurrar o rapaz, que tentou continuar o intento de aborrecê-lo a qualquer custo. – Me larga filho da puta! – Kiba riu da irritação do Uzumaki.
– É, vamos cair fora. – disse Shikamaru, olhando com desconfiança para fora do quarto diversas vezes, como se esperasse que alguém lhe viesse roubar um rim. – Serei morto se continuar mais alguns segundos aqui. – completou temeroso.
– E quem ia querer te matar? – o loiro questionou, parando com a briga infantil com Kiba, que tentava lhe tocar, mas Naruto segurava seus pulsos.
– Lembra que te falei sobre o irmão mais velho da Temari, que ele não sabia que ela saiu das fraudas? – questionou. – Pois é!
– E o que ele estaria fazendo aqui? – o de olhos azuis questionou, a cabeça cheia de fios loiros tombou para o lado, não entendendo nada.
– Estamos na casa da Temari, imbecil! – Shikamaru rebateu. – Agora anda, se veste e vamos cair fora daqui! – apressou, tacando a blusa do Uzumaki, que estava sobre a cadeira da escrivaninha de Gaara, para o dono.
Ele queria sair daquele local e Naruto queria ficar conversando!
– Se sabia que aqui era a casa da Temari, por que veio? – questionou, vestindo a camiseta. – Você não era o super gênio, metido a sabe tudo. – ironizou. – Mas... – pausa reflexiva. – Se aqui é a casa da Temari... – os olhos azuis fitaram Gaara e Shikamaru, trocando o olhar entre eles diversas vezes. – Você vai juntar a escova de dentes com o inimigo! Cara! Como não sabia que isso ia acontecer?
– Eu tive compromissos mais importantes no dia que seu amigo veio aqui. – Gaara interveio. – Lee precisava de ajuda... – resmungou. – Mas sei que Kankuro quase o jurou de morte. – riu de leve e de forma prepotente para o Nara.
– Pronto. Mistério resolvido. Agora podemos ir ou ‘tá difícil? – o rapaz de brincos passou a bater palmas para apressar os colegas que insistiam em permanecer no mesmo lugar.
– Não sei, ficar aqui parece uma ideia tão convidativa agora... – o Uzumaki brincou.
– Eu juro se você não levantar daí em três segundos eu vou sair daqui, com ou sem vocês. – ameaçou. Sendo assim, o de cabelos presos no alto da cabeça virou-se de costas e começou a caminhar para fora do cômodo, para voltar logo depois e fechar a porta atrás de si com os olhos esbugalhados. – Pensando bem, vamos ficar aqui mais um pouco.
– Gaara! – alguém do outro lado da porta chamou, a voz masculina fez uma onda de arrepios percorrer o corpo do Nara, que olhou para o dono do cômodo com os olhos suplicantes. – Nem adianta fingir! Sei que vi o cara com quem a Temari-nee-san está saindo entrar ai!
– Pela janela... – foi tudo que o ruivo falou, e Shikamaru correu para o parapeito, dando graças aos céus pelo quarto do ruivo ser no primeiro andar. O rapaz abriu-a e mais do que rápido pulou, andando rapidamente para afastar-se da casa.
Logo todos os garotos se manifestaram em sair, Neji saiu atrás de Shikamaru, logo depois foi Kiba. Naruto se pôs de pé, mas, diferente dos colegas, não foi em direção à janela, e sim até Gaara, andando de forma arrastada, um par de olhos escuros apertaram-se de maneira desconfiada.
O loiro ficou frente à frente com o ruivo, lhe tocou o ombro e sorriu de forma iluminadora, quase fechando os olhos de tamanha sinceridade que passava com aquela expressão.
– Valeu! Fico te devendo uma. – declarou. – Até que você não é de todo ruim, sabe, devíamos marcar um dia para sairmos, poderíamos reunir o time... Jogar boliche; seria legal! – divagou.
– Eu vou cobrar. – o ruivo retorquiu, sorrindo de forma mais tímida que o de olhos azuis. Sabaku retribuiu o gesto do loiro, repousando também sua mão sobre o ombro do amigo. – Agora vai, não quero Kankuro matando ninguém essa noite!
– Hn! – o loiro sorriu e caminhou até Sasuke – Você bem que podia me levar de cavalinho! – comentou, vendo a carranca do Uchiha não mudar, ele riu, lhe pegando pela palma da mão e lhe arrastando pelo quarto até a janela, onde saiu primeiro em um pulo e o moreno foi logo atrás.
Gaara ficou olhando pela janela ambos caminharem até os outros colegas, Sasuke ainda mantendo-se perto do loiro para que ele não tombasse e caísse pelo gramado e o loiro rindo de algo que Kiba falava. O rapaz de olhos verde-água sorriu com a cena, e teve de admitir para si próprio:
Talvez eu tenha perdido.
Ele ouviu mais três batidas na porta e foi até ela, até esqueceu-se que Kankuro estava ali do outro lado.
– Já vou... – avisou, puxando a maçaneta e tendo seu quarto invadido rapidamente pelo irmão mais alto. – Kankuro...
– Onde ele está?! – questionou. – Sei que ele está aqui, eu o vi caminhando para cá. Onde? Onde? – olhou em volta, indo até a porta do banheiro, escancarando a porta do box, voltando para o quarto, olhando embaixo da cama.
– Kankuro... – chamou com a voz neutra. Ele amava o irmão de todo o coração, mas essa obsessão do mais velho com a irmã era loucura, Temari perdera muitos namorados por este motivo.
– Eu vou achá-lo, e quando achá-lo... – ele calou-se quando se levantou e olhou para o outro lado da janela e viu os amigos reunidos perto dos carros, prontos para irem embora. – Nara!! – ele gritou quando viu Shikamaru do outro lado. O moreno arregalou os olhos, pois o grito conseguiu romper até mesmo o som das batidas de Rising Sun, de Aly e Fila. – Não saia daí, eu já estou chegando. – avisou entre gritos e linguagem de sinais.
Correndo para a porta que daria para fora do quarto, mas antes de sair brecou os próprios passos e avisou ao irmão mais novo:
– Ah! A vizinha que vive implicando a com a Temari, Taya... Tauya... Tayuya! – estalou os dedos ao lembrar-se. – Ela está te procurando. – voltou a correr pelo corredor. Se fosse rápido o pegaria a tempo.
Gaara fitou a porta aberta por alguns segundos antes de suspirar e sentar-se na cama, deitar-se e fitar o teto do próprio quarto, suspirando alto.
Ele passou a mão no rosto, cansado, sabendo que iria enfrentar a garota chata que insistia em chamá-lo para sair, mesmo sabendo que ele sempre negava o pedido.
Parece que ela não sabia o significado da palavra desistir. Isso o fez lembrar-se de um par de olhos azuis, tão determinados quanto ela.
Naquele momento, pela primeira vez, Gaara avaliou o pedido da garota.
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