Fix You.
10 Capítulo 10 - Fora de controle.
Notas iniciais
00h10 AM – O toque de recolher havia soado pelo campus da Eastern pela terceira vez. E lá estava eu, com meu sétimo copo de bebida. Desses copos coloridos e descartáveis usados nas festas de fraternidade. Não havia colocado uma gota de álcool sequer na boca, até o terceiro copo. Como a aluna politicamente correta da faculdade, achei que seria difícil beber algo que pudesse me deixar tonta, ou desobedecer o toque de recolher. Na verdade, foram poucas as vezes que quebrei minha regra pessoal de não beber vodka, ou algo do tipo.
- Está tudo bem, amorzinho? – Pude sentir o gosto do álcool, assim que Brooke encostou nossos lábios. – Quer mais alguma coisa?
- Quero ir embora. – Mordi os lábios, receosa. – Está tarde e isso está uma bagunça.
Sabia perfeitamente que Brooke Maxwel não estava tão conciente. O loiro não parecia ser do tipo de garoto que chama suas namoradas de “amorzinho”. Com certeza, estava fora de si.
- Sabe o que eu acho? – Me abraçou, me balançando delicadamente, no ritmo da música. – Que está divertido, baby. Aproveite! Sei que sempre há festas nas fraternidades, mas na minha fraternidade é raro. Nossas festas são históricas! – Acariciou meu rosto. – Prometo que hoje, você irá dormir como um anjo.
Assenti e devolvi o abraço. O loiro estava quente, tornando o seu abraço mais gostoso ainda. Ficamos por um tempo sentindo um ao outro no meio da bagunça de copos e pessoas suadas.
- Vai ficar tudo bem. – Beijou o topo da minha cabeça. – Já volto.
Antes mesmo que o loiro pudesse se virar, senti uma pressão sobre o meu pulso e logo em seguida, um puxão. Connor Hayes estava ofegante, os fios lisos estavam grudados na testa e ele parecia querer dizer algo.
- Por que seu namoradinho não está com você?! – Disse, grosso. – Quer dizer, passou metade da festa sozinha. Se estivesse comigo, isso não teria acontecido. – Soltou meu braço e seu dedo indicador fazia carinho na minha bochecha. – Está tão linda. Como aquele babaca te deixa sozinha, me diz?! Ah Lauren, não me faça perder o juízo, por favor... – Fechou os olhos e mordeu os lábios.
- Não estava sozinha. Eu só... – Antes que eu pudesse explicar, o loiro me puxou devagar pela cintura, me afastando do moreno.
- Estou vendo que não posso te deixar um segundo sequer longe de mim, não é?! – Ergueu a sobrancelha.
- Brooke, eu preciso conversar com o Hayes. – Murmurei. – Não vai demorar, eu prometo. – Suspirei. – Uma semana, lembra?!
Pude ver a expressão perturbadora de Connor Hayes. O moreno não entendia nada, mas eu devia ser cautelosa ao explicar como seria dali para frente.
- Tudo bem, baby. – Beijou a minha testa. – Aproveite, Hayes. Não vai ver a Lauren por muito tempo.
Suspirei. Como Brooke Maxwel estava sendo infantil! Connor pareceu ignorar e apenas segurou a minha cintura, mantendo uma distância considerável entre nós dois. Seu olhar cruzava com o meu, às vezes. Mesmo estando sobre o efeito da bebida, Connor Hayes ruborizava.
- O que ele quis dizer com “Não vai ver a Lauren por muito tempo” ?! – Perguntou, com a voz embargada. – Ele vai te sequestrar, por acaso? – Brincou.
- Não é bem isso. – Dei uma risadinha. – Estou indo por vontade própria. Sei que prometi não me afastar de você, mesmo mudando de dormitório, mas agora é diferente, Hayes. – Suspirei. – Antes de trocar de quarto, o loiro havia feito uma proposta para mim, mas eu nem cogitei aceitar. Parecia loucura. – Dei uma pausa. – Estou indo morar com o loiro no centro de Oklahoma, daqui uma semana.
- É loucura, Lauren! – Disse, irritado. – Vocês nem tem um namoro oficial! Brooke Maxwel tem medo de relacionamentos, sabe que é verdade. O que vai ganhar indo morar com ele?! – Cruzou os braços e suspirou. – Não seja idiota, garota! Maxwel nunca assumiu nenhuma namorada. Por que faria isso com você? – Fechou os olhos por alguns segundos. – Não me leve a mal, Vaughan. Só quero o seu bem! Quero que fique perto de mim, não quero te perder para um cara que mal sabe sobre você. Já pensou se realmente é isso que você quer?! – Afastou minha franja da testa. – Sei o quanto sonhou em estar aqui. Não quer acabar com isso por causa de um babaca, não é?! Deixa eu te ajudar. – Limpou as lágrimas rapidamente, para que eu não pudesse as notar.
- Por que está dizendo isso? – Recuei alguns passos. – Sabe que não é bem assim. Brooke pode ser meio complicado, mas eu gosto. Eu gosto de tudo nele. Ele me conhece como ninguém! – Suspirei. – Estou certa do que eu quero, Connor. Só peço que me entenda, como amigo. Achei que... – Fui interrompida.
- Está vendo?! – Mordeu os lábios. – É aí que está o problema, Lauren. Quer que eu te entenda, como amigo. – Deu uma risada irônica. – Amigo, amigo... Desde quando eu quero só a sua amizade, garota?! Não enxerga nada do que está a sua frente, não é mesmo? – Sua respiração ficava cada vez mais descontrolada. – Pare de me procurar e esfregar na minha cara o quanto está feliz com o Brooke. Não me machuque mais do que você já faz todos os dias.
- Só está dizendo essas coisas porque está bêbado! – Prendi as lágrimas. – Você não é assim. Não é esse o Connor que eu conheço! Vá para o seu dormitório e descanse. Está fora de si. – Me afastei. – Sei que nunca diria esse tipo de coisa para mim, se estivesse sóbrio.
- Ah, é?! – Bagunçou os fios castanho-escuro. – Estou totalmente sóbrio, Vaughan. Não acho que deva me dizer o que fazer, já que você não está qualificada para isso. Mal sabe o que fazer da sua vida e acha que pode me dizer o que fazer. – Deu uma risada. – Ah, por favor, não me faça rir. Só te peço que não me procure mais. Esqueça que um dia, essa amizade já existiu.
Estremeci. Não sabia o que dizer. Na verdade, eu não tinha mais nada para dizer e também, não foi preciso. Connor Hayes foi sumindo do meu campo de visão – e da minha vida – aos poucos. Sinceramente, não esperava que o moreno me apoiasse nessa decisão. Sabia que ele não faria e também sabia dos riscos que a nossa amizade corria. No fundo, eu sabia que boa parte do que Connor havia me falado, era verdade. Mas eu não ligava. Estava abrindo mão de tudo por Brooke Maxwel.
[...]
- Já podemos ir embora? – Choraminguei, ao lado do loiro. – Meus pés estão doendo, estou cansada.
- O quê?! – Deu mais um gole na bebida que segurava. – Nem pense nisso! Ainda está cedo. Quando disse que queria vir, achei que era para valer.
- Cedo? – Ergui uma sobrancelha. – Já são duas da madrugada, Maxwel. Mas quer saber?! Não vai me custar nada atravessar o campus. Posso ir para o meu dormitório sozinha. – Cruzei os braços. – Boa noite, loiro.
Antes que eu pudesse me mover, Brooke jogou o copo de plástico no gramado, derramando boa parte da vodka, misturada com alguma outra bebida colorida. Sua expressão indicava insatisfação. O loiro se colocou na minha frente, impedindo a minha passagem. O cheiro do álcool em sua respiração, me deixava tonta.
- Tudo bem, baby. – Suspirou, impaciente. – Se quer ir embora, nós vamos. Mas antes, vamos em outro lugar. – Sorriu, torto. – Bem rapidinho, eu prometo. Só quero que conheça a sua nova casa. Não quero que precise esperar uma semana.
- Mas tem que ser agora?! – Encolhi os ombros. – Não vê que está tarde? Temos aula amanhã bem cedo. – Mordi os lábios. – Podemos ir amanhã, depois do almoço. O que acha?!
- Péssima ideia. – Fez biquinho. – Dorme comigo hoje, Vaughan?! Só essa noite, até nos mudarmos. – Acariciou meu rosto. – Sei que é toda certinha, mas quebra essa regra por nós, vai? Juro que voltamos amanhã bem cedo e ninguém vai perceber. – Sussurrou. – Não vai precisar manchar seu histórico escolar e prometo que vai ser bem divertido.
Assenti. Talvez não fosse tão ruim assim. Brooke entrelaçou nossos dedos, me levando até o estacionamento da faculdade. Antes de sair do amontoado de pessoas dançando, dei uma olhada rápida por cima do meus ombros, para ver se encontrava Connor Hayes. Nada.
- Está tudo bem?! – Brooke perguntou, assim que entrou no carro. – Está esquisita.
- Vai ficar tudo bem. – Assenti. – Acha que consegue dirigir?!
O loiro tombou a cabeça para trás e afundou-se no banco. Fechou os olhos por um tempo e suspirou, como se estivesse tentando entender algo. Minha mão alcançou a sua e fiz carinho com o polegar sobre a sua mão. Brooke se mostrou resistente e continuou na mesma posição.
- Não acho. – Afastou sua mão da minha rapidamente. – Tenho certeza.
Assim que deu partida no carro, o loiro não disse uma palavra. Ficamos metade do caminho calados – e eu mal sabia o porquê.
- O que tanto conversou com Connor Hayes?! – Quebrou o silêncio, parecendo bravo. – Achei que já tinha deixado as coisas bem claras para ele. Quer dizer, conversaram por tanto tempo que parecia que não se viam há anos.
- O fato de morarmos juntos daqui há uma semana ainda não havia ficado claro para ele. – Olhei para as minhas mãos. – É complicado, na verdade. Não esperava uma reação tão negativa do moreno, mas também, não esperava algo positivo.
- E desde quando ele tem que aprovar alguma coisa?! – O vento forte bagunçava o cabelo dourado, fazendo os fios ricochetearem com força em sua pele. – Baby, você não deve satisfações para o babaca do Connor. Só nós sabemos da nossa vida.
- Não é bem assim, Brooke. – Suspirei, tombando a cabeça para trás e deixando o vento forte e gelado tomar conta da minha pele. – Alguma hora, todos vão saber. Vão nos julgar e eu só queria que alguém me entendesse. Um amigo. Mas parece que isso é tão errado. – Fechei os olhos. – É tão estranho porque, não estamos juntos oficialmente.
- O que quer que eu faça, Lauren?! – Gritou, aumentando a velocidade do carro. – Quer que eu me case com você, é isso? Já pensou o quanto é difícil para mim ter que abdicar das coisas que eu gosto por você? – Suspirou. – É, acho que ainda não pensou nisso.
A cada segundo que se passava, Brooke Maxwel fazia o ponteiro do velocímetro subir. Eu não conseguia mais pensar, só conseguia sentir o vento forte fazer o meu cabelo bater na minha pele.
- Pare o carro, Brooke! – Gritei, limpando as lágrimas. – Agora!
E depois disso, só vi uma luz forte e senti um impacto sobre o meu corpo.
Notas finais
Até a próxima, gatinhas ♥
Fale com o autor