CAPÍTULO DOIS — ÓDIO

Sakura arregalou os olhos para o seu “noivo”, mas desviou, pois ele tinha um olhar que a deixava muito sem graça, naquele exato momento ela não estava acreditando que isso estava acontecendo de verdade. Não, isso é mentira por que um pai jamais apostaria a própria filha em um jogo. Quem faria?

A rosada engoliu a seco.

— Pai, isso é verdade? — A rosada o olhou quase implorando para ser mentira, ela deu um sorrisinho como se aquela situação fosse falsa — Não é verdade, né?

Shio sentiu seu queixo tremer diante do olhar suplicante da filha. O momento que mais temia, havia chegado, mesmo rezando todas as noites para que um milagre chegasse, nunca aconteceu.

— Infelizmente, é verdade, filha — Confessou — Eu sinto muito, esses dez anos foram os mais tortuosos da minha vida e eu juro que tentei de tudo, mas Fugaku não volta com sua palavra.

— É um dos nossos defeitos, nunca voltamos com a nossa palavra — Sasuke comentou dando uma risada, se orgulhando desse “defeito”.

Sakura engoliu novamente a seco enquanto escutava toda a história de seu pai e de repente tudo parecia girar ao seu redor, ela se apoiou no braço do sofá procurando ar. Seu pai se aproximou tentando ajudar, mas ela se afastou, enojada.

— Não toca em mim! — Gritou — Como pode? Como pode fazer isso comigo? — Sakura tentou se controlar, estava trêmula demais, confusa demais.

O silêncio naquela sala era terrivelmente agoniante. Ela encarou Sasuke e ele sustentou seu olhar com o queixo erguido. Novamente, brincou com os dedos nervosos, se aproximando de onde ele estava sentado.

— Não tem nada que possa ser feito? — Perguntou.

— Esta tudo legalizado.

— Mas…

— E devidamente assinado por seus pais.

Deus, como cada palavra, parecia uma punhalada no seu coração? Todos esses anos eles sabiam que esse momento iria chegar e jamais lhe disseram nada. A dor em sua garganta crescia a ponto de doer. Seus dentes tremeram diante daquele olhar do Uchiha.

— Por favor, reconsidere, eu não sabia de nada! — Tentou argumentar colocando a mão no peito.

— Eu também não sabia de nada até alguns meses atrás. — Mas o Uchiha era impossível!

— Por favor, eu estou te pedindo, eu tenho certeza que você não vai querer ficar com uma garota de dezessete anos e ainda mais casar comigo! Eu nem sei se isso é possível!

— Tem razão, eu não iria querer ficar casado com uma adolescente como você, mas dívida é dívida, e todo o trâmite foi oficialmente legalizado e segundo leis de Konoha, com o consentimento é permitido.

— Mas eu não quero fazer isso!

— Que pena para você… E também para mim.

Sakura começava a sentir tanta raiva daquele homem que só imaginava pular em seu pescoço e arranhar todo seu rosto perfeitinho.

— Eu não vou casar com você! — Exclamou entre dentes.

O Uchiha encarava ela de cima a baixo e de uma maneira extremamente assustadora, nenhuma mulher o desafiava daquela maneira e não iria ser hoje que uma adolescente iria fazer aquilo.

— Tudo bem, já que não quer casa comigo, então seu pai tem que pagar o que deve. — Sasuke se levantou da poltrona e olhou a rosada — Tenho certeza que ele tem um milhão de ryo.

Sakura arregalou os olhos quando o Uchiha disse o total da dívida, ela então sentiu seu coração se apertar que quase não dava para respirar, seu olhar se desviou para a sua mãe que estava chorando em silêncio e isso a fazia ela se sentir tão mal, odiava quando a sua mãe chorava.

Ela sabia que não tinha todo esse dinheiro para pagar o seu “noivo”.

— Não se acanhe, Sakura — Disse o Uchiha — Sei que quer o melhor para a sua família, você talvez já pensou se eles vão conseguir pagar uma faculdade de estilismo para você se pagarem essa dívida?

— C-como sabe sobre isso? — Perguntou se referindo a faculdade de estilismo.

— Sei tudo sobre você e até mais do que imagina, é para isso que servem os detetives e também os seguranças que já impediram várias vezes seus pais de fugirem. — Sasuke já estava frustrado com toda aquela demora — Então, garota, você vai pagar a dívida e deixar seus pais na miséria ou vai casar comigo de uma vez? Sabemos muito bem que só existe uma resposta para isso.

Não era preciso ser gênio para saber a resposta da rosada, ela olhou para Sasuke com olhos marejados e o coração na mão.

— Eu te odeio.

— Ok, eu posso aceitar isso.

Sasuke deu um sorriso de dever cumprido, podia ver que a mesma estava com um semblante triste e cheio de raiva, coisa que não se importava nenhum pouco. Ajeitou o paletó e caminhou em direção a porta.

— Dentro de três dias casamos — Avisou — Nós nos vemos no altar, Sakura.

~*~

— Por favor, alguém me diz que isso foi um pesadelo. — Disse a garota assim que acordou e olhou para o tato do seu quarto.

Ela se levantou, tomou seu banho, vestiu seu uniforme, se maquiou, pegou seu material e saiu do quarto e foi direto para a escola, pois não queria ver seus pais, mas sabia que teria que fazê-lo uma hora ou outra, mais seus pensamentos estavam em Sasuke Uchiha o seu noivo.

Isso a deixava com vontade de vomitar.

— Sakura! — Gritou Ino assim que a rosada chegou na frente do portão — Amiga do céu, você tem que conhecer esse gato nessa revista que acabei de ler!

— Quem é a nova paixão dessa semana? — Perguntou a rosada assim que as duas caminhavam pelo corredor em direção à sala.

Ino tirou da mochila uma revista onde Sasuke Uchiha estampava a capa. Até aqui aquela desgraçado a perseguia?

— Sasuke Uchiha, rico, super rico, mais que rico e é um gato! — Ino dizia eufórica — Bem não é à toa né, a família dele é uma das mais bilionárias do Japão. Eu queria ter metade da fortuna dele.

Sakura revirou os olhos com tudo aquilo, não ligava se ele era rico ou bonito, apesar de concordar que é atraente, mas o odiava de todas as formas e não aceitaria qualquer sentimento além desse.

Queria também contar a Ino sobre o que havia acontecido, mas queria continuar sendo uma adolescente normal e não quem iria se casar com o cara da revista. Queria que as coisas continuassem normal.

~*~

O dia passou voando, pelo menos, para Sakura, que caminhava ao lado da amiga até os armários onde colocou seus livros e se preparavam para ir embora. De relance, viu Sai, o que fez seu coração disparar imediatamente.

Lembrou da primeira vez que ele falou com ela, ele pediu para passar o ketchup e depois deu um sorriso que a fez sentir nas nuvens. Como gostaria que algo pudesse ir além.

— Ei, para de babar — Avisou a loira dando uma cotovelada na amiga.

— Eu não tava babando.

— Você sempre fica babando quando vê ele.

— Sério?

— Seríssimo.

— Será que ele percebe?

— Se não notar, com certeza é cego.

A mesma ficou envergonhada pensando que deveria usar a técnica de olhar por apenas três segundos, implementaria isso amanhã. Quando chegaram em frente a escola, as amigas se despediram e Sakura seguiu o mesmo caminho que fazia para ir para casa.

Se não fosse por um carro preto começar a também lhe seguir e parar ao seu lado, confusa, ela observou um homem de terno, saindo do veículo e parar na sua frente.

“Não acredito que vou ser sequestrada” pensou.

— Senhorita Haruno, venha conosco — Disse ele.

— Para onde?

— O seu noivo o aguarda.

Claro, tinha que ser aquele idiota.

— Ah é? Pois ele vai continuar esperando!

~*~

Sasuke abriu dois botões da sua camisa, servindo-se um copo de uísque, sentindo a queimação descer por sua garganta, gosto que no qual já havia se acostumado e isso ajudava a aliviar a frustração que sentia por seu pai e aquele adorável “presente”.

Casamento?

Tinha apenas vinte e três anos e a louca dezessete anos, não queria aceitar isso por um simples capricho do Uchiha mais velho. No mesmo instante, o celular no bolso tocou, o fazendo sair de seus pensamentos.

— O que quer? — Perguntou de um jeito rude e impaciente.

— Senhor Uchiha, a sua noiva fugiu.

— O QUÊ? — Gritou com tanta fúria que ecoou pelo quarto do hotel.

— Ela correu de nossos seguranças quando íamos trazê-la até o senhor como nos pediu.

— E pelo visto não fizeram o serviço direito! — Gritou mais uma vez, andando de um lado para outro, seu dia estava sendo horrível — Tragam aquela pirralha para cá! AGORA!

Sasuke jogou o celular na cama e chutou a cadeira ao lado. Isso só podia ser castigo. Pretendia conversar normalmente com aquela menina, mas ela tinha um gênio difícil de lidar.

Não demorou muito para o Uchiha saber que a rosada estava no hotel. E como ele sabia disso? Fácil, pelos gritos que vinha do corredor. Os seguranças seguraram o braço dela até o quarto de Sasuke e assim que entraram viram o Uchiha sentando bebendo que logo fez um sinal para que saíssem.

— Qual é o seu problema? — Ele perguntou de um jeito calmo, mas sombrio.

— Como se você não soubesse qual é o meu problema!

— Ah, por favor, me diga!

— Não se faça, você sabe muito bem que você é esse problema. — Ela revirou os olhos — Sinto que estou sendo castigada por todos os Deuses a me casar com você.

— E você acha que eu também gosto da ideia? — Sasuke se levantou da poltrona e colocou as mãos nos bolsos da calça, ele tentava manter a calma com aquela garota.

— Então se esqueça dessa maldita dívida.

— Infelizmente, seu pai fez esse desserviço para nós dois, rosinha.

— E você é apenas um idiota que só segue as ordens do papai?

Aquelas palavras fizeram o maxilar do Uchiha se contrair de raiva.

— Vejo que ainda reluta em casarmos. Mas, preciso te lembrar que, se não casar comigo, eu vou deixar a sua família na miséria e pegar o que resta deles, o que não vai me dar lucro nenhum.

— É isso que importa pra você? Lucro?

— O que me importa é fazermos logo isso. — Respondeu, seco.

A garota fechou os punhos com força encarando aquele homem na sua frente que não parecia se importar com nada além de negócios, nem mesmo suas súplicas faziam ele mudar de ideia.

— Não importa quantas vezes eu tenha que dizer isso, mas, eu te odeio.

— Cuidado, o ódio um dia pode se tornar amor.

Sakura forçou uma risada.

— Eu nunca vou amar alguém como você.

— Então, temos o mesmo pensamento, minha adorável noiva.

Notas finais
XOXO Allera