Fix You
3 Conversas
CAPÍTULO TRÊS — CONVERSAS
Sasuke tamborilava os dedos na mesa enquanto bufava com impaciência com a demora do seu melhor amigo, Naruto Uzumaki, e como sempre ele estava atrasado. Naruto conhecia o Uchiha desde criança e era um tipo de amizade cheia de brigas, mas também de afetos, Naruto morava em Londres trabalhando como agente de modelos. Quando vinha a Konoha era para fazer negócios com a empresa do Uchiha.
Quando percebeu o loiro entrando no restaurante, fez um sinal com a mão para que ele percebesse onde estava.
— Teme, que bom te ver! — Disse Naruto dando um grande sorriso — Você não mudou nada.
— Não faz nem um ano que a gente se viu.
— E ainda assim, sempre demonstro mais felicidade quando a gente se vê. — O loiro fez um sinal para o garçom, indicando que trouxesse uma garrafa de vinho para mesa. — Aliás, fiquei sabendo que vai casar, meus parabéns! Quem foi a leoa que conseguiu seu coração?
— Está mais para um papagaio do que uma leoa. — Sasuke ainda podia ouvir os gritos da rosada enquanto estavam no hotel.
— Isso é jeito de falar da sua futura esposa?
— Ela é uma pirralha de dezessete anos. — Revirou os olhos.
Naruto olhou para ele com os olhos arregalados.
— Nossa, que gosto… peculiar. Isso é considerado pedofilia, sabia?
Sasuke observou o loiro rindo da situação, conhecia aquele homem desde que era criança para estar acostumado com o seu jeito de não se importar com assuntos importantes. Durante o jantar, explicou toda a situação para ele, contou tudo que seu pai disse, Naruto comia silenciosamente prestando atenção ao que o outro falava.
— Isso vai ser muito interessante. — No fim, disse apenas isso, limpando a boca com o guardanapo.
— Interessante? Eu vou me casar com uma pirralha e você acha interessante?
— Sim, eu acho. — Afirmou bebendo mais um copo de uísque — Pensa bem, antigamente era normal esse tipo de casamento. Meus avós por parte de pai também casaram assim… Ou foi por parte de mãe? De qualquer forma, pode ser o destino unindo vocês.
— Enlouqueceu? Eu não quero ter nenhum destino com aquela garota, definitivamente, não vamos ter nada além do papel.
— Que legal vocês terem um relacionamento aberto, é bem maduro. — Naruto riu mais uma vez — É legal da sua parte, já que se ela arranjar um namoradinho, não vai ter qualquer tipo de problema
— Não mesmo! Isso pode até ser uma dívida, mas o casamento é real e eu não vou ficar levando chifre bem na minha frente. — Sasuke jamais seria traído por uma mulher e muito menos por uma garota que nem saiu da escola.
— Será que ela pensa assim? Quando eu tive essa ideia só pensava em namorar.
— Não inventa, Naruto, tenho coisas demais para me preocupar.
— Mas eu só estou dizendo…
— Eu sei bem o que você está querendo fazer.
— Que mau-humor, hein. Imagina quando garotinhas rodear sua casa querendo sair com a sua esposa?
Naruto deu mais uma gargalhada, pois com certeza seria muito interessante aquele casamento, apesar de achar uma covardia do pai de Sasuke ter feito isso com ele.
— Estou ansioso para conhecê-la.
~*~
O dia estava quente, a rosada passou grande parte do seu tempo trancada no quarto, ainda evitando falar com os pais. Assistia varios filmes apenas para preencher o barulho da sua mente. Não aguentando mais o calor, saiu para comprar sorvete, e enquanto voltava para casa, acabou sendo atingida por algo, ou melhor, por alguém.
— Esta tudo bem?! Caramba, me desculpe, eu perdi o controle do skate. — Falava a voz de um rapaz, se desculpando.
Ele aproximou de Sakura e ajudou a se levantar, também pegando o picolé ainda dentro da embalagem que ela trazia. A mesma mantinha sua atenção em limpar a poeira dos joelhos e assim que olhou para a sua frente e viu quem era, seu coração quase parou.
— Sai…
— Como você sabe meu nome? Pera aí, eu conheço a cor desse cabelo… Você é a Sakura.
Pronto! Ele sabia o nome dela e isso a deixou nas nuvens, pois achava que ele não sabia de sua existência, mas lá estava ele, o garoto de quem gostava, dizendo seu nome.
— Sim, esse é meu nome. — Ela sorriu bobamente.
— Me desculpa pelo que aconteceu, eu perdi realmente o controle do skate. — Sai se explicava novamente olhando para ela que balançava a cabeça — Eu até tentei de avisar, mas você não me escutou.
— Sério? Eu não ouvi.
— Eu notei que não. — O sorriso dele era muito bonito.
— Foi mal, eu estava pensa em muita coisa.
Sai observou pela expressão dela que esse “muita coisa” parecia estar a deixando visivelmente preocupada.
— Sabe, garotas bonitas não deveriam ficar tristes. — Disse enquanto colocava o skate no chão novamente.
E assim a rosada viu fogo de artifícios com aquelas palavras e se isso fosse um sonho não era para acordar ela, pois era o melhor sonho da sua vida.
— Te vejo na escola, Sakura. — Se despediu, subindo no skate e descendo a rua.
Sakura ficou alguns segundos parada no mesmo lugar e começou a dar pulinho de felicidade por aquele incrível acontecimento. O garoto de quem gostava falou com ela. Não ligou nem para o picolé escorrendo da embalagem, voltou para casa saltitando de alegria.
Coisa que durou até a porta de entrada e encontrou Sasuke Uchiha.
— Urgh, que droga. — Murmurou fazendo uma cara de desgosto — O que faz aqui?
— Sakura, querida… — O pai da mesma tentou explicar.
— Não tenho direito de visitar minha querida noiva? — Mas o Uchiha o interrompeu e se levantou indo em direção a Sakura — Aliás, precisamos ter uma conversa de casal.
Ele puxou a rosada pelo pulso levando-a até a cozinha e assim que ele a soltou a olhou com um olhar severo.
— Que tal sermos claros?
— Do que esta falando? — A rosada perguntou revoltada, sempre revirando os olhos com a presença dele.
— Sabe que horas são?
— Sei, são 18:30. — Deu de ombros.
— Não pode sair à noite nessa hora, se for ser minha esposa tem que o ter mínimo de decência ou pensa que quando for morar comigo vai achar que é um bordel?
Aquilo a pegou desprevenida, o modo como ele falava consigo sugeria que a mesma havia feito algo, não podendo ficar magoada.
— Você é o que? Meu pai? — O desafiou, empinando o nariz.
— Não, sou o seu noivo. — Sasuke pontou firmemente, se aproximando ainda mais dela.
— Grande merda.
— Olha como fala, garota. Se seus pais não te deram educação, eu mesmo terei de impor algumas coisas e uma delas é não ficar até tarde fora, seja lá o que esteja fazendo. Estamos entendidos?
— Não, porque nunca vamos nos entender!
— Verdade, porque nessa sua fase é normal ter que culpar alguém — Ironizou — Mas eu sugiro que controle seus hormônios até o fim do casamento.
— E quando vai acabar esse inferno? — Perguntou à rosada percebendo que ele estava saindo da cozinha.
— Quando completar vinte anos. — Ele se virou e dando um sorriso para ela.
— Vinte? — Gritou Sakura, indignada.
— E até lá, é melhor ser uma boa esposa.
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