Fix You

4 Casamento


CAPÍTULO QUATRO — CASAMENTO

Apesar da conversa problemática com aquele homem insuportável, Sakura, na manhã seguinte, caminhava pela rua com um sorriso que ia até as orelhas, pois passou a noite inteira pensando em Sai. Ele disse era bonito. Ele sabia seu nome. Isso significavam muita coisa!

Assim que chegou ao portão da escola, percebeu que Ino não havia chegado, então ela se sentou num banco do pátio, esperando por ela.

Enquanto escutava música, ficou pensando no que iria acontecer amanhã. Realmente iria se casar? Com aquele homem desprezível? Seus planos de vida não continham esse detalhe, ainda estava chateada com os pais, não comia ou falava com eles e só comia quando eles iam dormir.

Não podia aceitar essa traição tão facilmente.

Sentiu seus fones serem retirados e rapidamente gritou:

— Ino, sua porca, você demorou.

— Não precisa se preocupar, eu já cheguei, mas não sou a Ino.

A rosada olhou para cima e viu Sai sorrindo para ela.

— Olá. — Disse ele, se sentando no banco ao lado dela.

— O-oi… — Gaguejou, dando um sorriso bobo a ele.

— Se recuperou de ontem?

— Ontem? Ah sim, eu não me machuquei não!

— Eu não estava falando desse tipo de recuperação e sim do seu problema.

A Sakura o olhou meio que impressionada por ele se lembra da conversa de ontem, mais não sabia se deveria contar a ele que iria se casa como um homem de vinte e tantos anos, o que realmente seria uma situação constrangedora.

E anormal.

— Pode se dizer que o meu problema aumenta a cada vez mais e amanha vai ser o começo de um problema bem maior.

— Se quiser eu posso te ajudar com ele — Ofereceu Sai se sentando um pouco mais ao lado de Sakura — Me diga o que é? Matemática?

— Quem dera ser apenas matemática — Forçou sorriso — Mas você vai descobrir logo, amanhã, assim como todo mundo. Acredito tudo tem um motivo e espero que você entenda ele através de mim.

Sai olhou para Sakura sem entender do que ela falava, porém compreendia que era algo doloroso pelas suas palavras, assim ele pegou na mão dela e isso a fez olhar para ele com um olhar assustado misturado com surpresa.

—Sakura! — Gritou Ino fazendo os dois soltarem as mãos rapidamente — Desculpa a demora, mas meu pai não parava de…

A loira parou de falar assim que chegou perto do banco e viu Sai ao lado da amiga, ela ficou paralisada olhando para eles com os olhos arregalados. Sai se levantou e antes de ir embora ele se virou para ela

— Até mais Sakura, a gente se vê depois.

Depois que Sai se foi à loira ficou enchendo ela com várias perguntas, mas Sakura respondia com palavras curtas, seu ânimo havia sumido, pois amanhã seria uma mulher, ou melhor, uma garota casada.

~*~

Sasuke estava na grande empresa Uchiha que trabalhavam com prédios, escolas, petróleo e tudo mais. A companhia era uma das melhores de Tóquio e Coréia do Sul, mas também estava em formação para se tornar a melhor do mundo, Sasuke é incrivelmente ganancioso e desejava isso mais que tudo.

O Uchiha estava tão distraído fazendo os balancetes da empresa que nem percebeu quando Naruto entrou no local.

— Teme! — Gritou o loiro assim que se sentou na cadeira que ficava de frente a mesa de Sasuke — Recebi sua mensagem e fico muito honrado de ser seu padrinho, apesar de não ser novidade.

— Não venha com graças, Naruto. — Disse o maior sem tirar os olhos do computador.

— Por quê? Na verdade, eu fiquei muito perplexo de saber que vai ser amanhã o casamento. Parece que alguém está ansioso para a vida de casado.

— Estou vibrando de alegria.

— Estou vendo, mas não vamos fazer nenhuma despedida de solteiro?

— Não estou com tempo.

— Ah, qual é! Eu sempre sonhei que iríamos encher a cara e ir pra Vegas, igual naquele filme.

— Meu pai quer que a gente acelere isso o quanto antes. — Os dedos ágeis do Uchiha digitavam no teclado com extrema rapidez.

— Você escuta seu pai demais.

Sasuke suspirou.

— Vai por mim, eu só quero acabar com isso de uma vez por todas.

~*~

No dia seguinte a rosada acordou com um barulho tão irritante que não podia distinguir o que era e quando viu o que estava no seu quarto deu um grito fazendo se encolher na cama.

— Quem é você? E o que faz no meu quarto?

— Bom dia, noivinha! — Disse uma mulher de cabelos roxos que estava super animada — Me chamo Guren e hoje é seu grande dia, então não temos tempo a perder!

— Eu não quero que você toque em mim!

— Mas como vou fazer meu trabalho?

— Não fazendo! Quem mandou você?

— Seu marido, o senhor Uchiha.

— Aquele desgraçado. — Murmurou entre dentes.

— Querida, se vocês tem problemas, resolvam depois, mas temos hora e o tempo está correndo.

Guren chamou várias mulheres que estavam do lado de fora do quarto.

Elas levaram a pequena para um banho completo, arrancaram cada pelo do seu corpo, esfoliaram cada centímetro da sua pele, somente três pessoas cuidavam do seu cabelo, outras quatro da mão e do pé e Guren mandava e desmandava.

Parecia um caos.

Sakura estava quieta, seus olhos apenas acompanhavam cada movimento. Não sentia nada enquanto olhava no espelho, até mesmo o coque mais lindo, deixando duas mechas de lado, e uma pequena tiara no topo, junto da maquiagem glam, nada disso a deixava animada.

Quando chegou na vez do vestido, quis chorar.

Era bonito, simples, estilo de alcinhas. Acentuava seu corpo, principalmente os seios, mas no fundo, não considerava seu.

— Esta linda! — Guren exclamou com os marejados.

Sakura engoliu a seco e deu um longo suspiro fazendo seu coração se apertar.

“Eu não quero fazer isso” pensou.

Quando deixou o quarto, viu seus pais, devidamente trajados, a esperando.

“Eu realmente não quero fazer isso!”

~*~

O caminho até a igreja foi em silêncio absoluto e isso era o bastante para trazer uma situação constrangedora.

Assim que o carro parou na frente da enorme igreja, Sakura teve uma vontade de sair correndo, mas sabia que não chegaria longe com aqueles saltos.

Sentiu seu pão entrelaçar seu braço com o dele assim que ouviram tocar a música de entrada tocar e as portas então se abriram.

Pode ver Sasuke no altar em um smoking preto e uma flor rosa na lapela. Havia uma expressão de desdém em seu rosto.

— Me perdoe, Sakura. — Sussurrou Shio para a filha, visivelmente abalado.

— Devia ter pensado nisso antes. — Rebateu, sem desviar seu olhar do altar, aquela sensação era terrivelmente dolorosa.

Havia poucas pessoas na igreja, praticamente ninguém, se não fosse por alguns familiares da família Uchiha e apenas os pais de Sakura do outro lado.

— Eu não quero que isso acontecesse, que fosse desse jeito.

O sonho de toda garota é ser levada ao altar acompanhada do pai, o sonho de casamento perfeito, sonho esse que não pertencia a Sakura naquele momento.

— Não se preocupe comigo.

— Eu sou seu pai, como não poderia me preocupar?

— Do mesmo modo que não pensou duas vezes antes de me vender aquele homem. — Disse a rosada com a voz amargurada e fria.

Assim que Shio chegou ao altar ele a entregou para Sasuke, este que lhe deu um sorriso debochado em retribuição.

Sasuke e Sakura, ambos lado a lado, diante do padre. Ele ficou impressionado como Guren aprontou a garota, ela não parecia mais ter a idade que tinha, até aparentava ser mais velha.

Também notou como sua mão tremia.

A cerimônia começou e por longos minutos se ouviram preces e mais preces do padre.

— Caros noivos — E finalmente chegou na parte principal — Estamos hoje aqui, na casa de Deus, para firmar este matrimônio com essas duas pessoas que se amam, se respeitam e desejam construir uma vida juntos. Porque, a partir de hoje, Deus irá trazer a alegria para vossa casa e assim como amor.

Amor? Sakura olhava de canto para ele se perguntando onde teria amor naquele homem?

Ela hesitou quando sentiu ele pegar na sua mão.

— Sasuke Uchiha e Sakura Haruno, vocês perante a casa de Deus vieram celebrar a união e assim pretender fazê-lo?

Sakura sentiu a sua garganta fica presa e abaixou a cabeça aceitando o fardo.

— Sim. — Responderam ao mesmo tempo

— As alianças, por favor. — Naruto se aproximou trazendo as duas alianças onde entregou a Sasuke e deu uma piscada a rosada antes de se afastar — Repita depois de mim… — O padre se virou para Sasuke — Eu, Sasuke Uchiha, aceito Sakura Haruno como minha legítima esposa.

— Eu, Sasuke Uchiha, aceito Sakura Haruno como minha legítima esposa, e prometo amá-la e respeitá-la, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza.. — Falou repetindo as palavras do padre — Até que a morte nos separe.

Ele pegou o anel e deslizou o anel pelo anelar esquerdo dela, percebia o quão trêmula ela estava.

— Aceite esse anel como símbolo do meu amor.

O padre se virou para a mesma que engoliu a seco na hora de pegar a aliança e segurar a mão rígida de Sasuke. Por breves minutos ficou encarando o brilho de ouro do anel. Estava casando, estava casando, aquilo era real!

— E-eu, Sakura Haruno, aceito Sasuke Uchiha como meu legitimo esposo, e prometo amá-lo e respeitá-lo, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza — Disse, repetindo as palavras do padre mesmo sem vontade, sua voz embargada tornada nítido seu desgosto — Até que a morte nos separe.

Ela pegou o anel e colocou o anel em sua mão esquerda

— A-aceite esse anel como símbolo do meu … Amor.

Foi como passar por carvão em brasa, descalça.

— Se tem alguém contra esse casamento, fale agora ou cale-se para sempre. Após alguns segundos de silêncio — Eu os declaro marido e mulher, pode beijar a noiva.

Sakura sentiu seu corpo tremer com as palavras do padre, nunca havia beijado ninguém e não desejava que seu beijo fosse com aquele idiota no qual tanto odiava.

Quando olhou para Sasuke, rapidamente sentiu ele segurar sua cintura de forma gentil, franziu o cenho, e assim os lábios dele pressionaram contra os seus. Era bruto e frio. Seu primeiro beijo não continha emoção alguma ou muito menos amor, então ele logo afastou quase a deixando cair.

Houve flashes de algum lugar, ela não sabia de onde, estava zonza demais para prestar atenção, apenas deixou ser conduzida por ele para fora da igreja.

Pétalas de rosas caiam sobre eles, palmas vazias e sem vontade preenchiam seus ouvidos, ela não jogou o buquê e esse pequeno ato a deixava feliz. Quando entraram no carro, o silêncio caiu brevemente.

Sasuke olhou para sua esposa ao lado.

— Arrependida?

— Ainda mais por não ter fugido.

Ele deu uma gargalhada debochada.

— Você pode até fugir, mas eu mandaria te caçar até no inferno… — Se aproximou, puxando com a ponta dos dedos o queixo da menor, encarando seus olhos verdes e trêmulos — Mas não tente esses jogos comigo, porque agora, você é a minha esposa e tem que me aceitar “na alegria e na tristeza”, minha bela flor.



Notas finais
XOXO Allera