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21 Entre possibilidades - Penúltimo Capítulo


CAPÍTULO VINTE E UM — ENTRE POSSIBILIDADES

A luz do pôr-do-sol invadia aquele quarto de hospital, dava uma sensação de melancolia quem olhasse para a garota sentada na cama encarando as próprias mãos. Naquele momento, Sakura se sentia completamente vazia, se sentia tão confusa que com o comportamento de Sasuke que não conseguia ter pensamentos concretos que determinasse aquela ação. Foi despertada de seus pensamentos pela porta do quarto que se abria para Itachi que entrava no recinto.

— Olá. — O Uchiha cantarolou indo até a rosada dando um beijo sobe a testa da mesma — Como esta se sentindo?

— Esquisita. — Revelou dando ombros — Como esta Sasuke?

O Uchiha ficou calado por algum tempo encarando o chão e então quando voltou a encarar Sakura deu um sorriso fraco.

— Ele foi para casa, está cansado — Itachi dizia tentando encontra as palavras certas, mas não conseguia — Eu estaria mentindo dizendo que ele esta bem.

Sakura concordou sentindo uma sensação estranha, talvez fosse culpa? Ela não conseguia decifrar e nem entender por que se sentia tão preocupada com ele. Havia outras perguntas a ser feita.

— Então é verdade que perdi a memória — A rosada comentou — Então é verdade que se passou cinco meses desde que estive em Boston?

Itachi concordou pacientemente, para o mais velho seria bem melhor que Sakura soubesse o que havia acontecido, mas com o pedido de Sasuke era impossível, Itachi ainda ouvia as palavras do irmão ecoar pela sua cabeça.

“Eu peço que não conte tudo a Sakura, não quero causar mais dor. Vamos deixar como as coisas estão… É melhor para ela.”

— E sobre Sasuke e eu? — A rosada não encontrava palavras certas para sua perguntar, sendo o bastante para o Uchiha entender.

— Sinto muito Sakura, não posso falar nada pelo bem da sua saúde.

Sakura não rebateu, apenas concordou lentamente, era estranho saber que havia acontecido entre ela e Sasuke, pois tudo que lembrava é de quando eles viviam brigando.

~*~

Eram quatro da tarde e por todo dia, Sasuke havia ficado dentro do quarto que havia se tornando um refúgio. Quem olhasse para aquele lugar poderia sentir todas as tristezas do mundo, o Uchiha havia desarrumado todo o quarto pelo seu excesso de fúria, sua mente culpava qualquer pessoa mesmo sabendo que nunca haviam feito nada. Não, ele não se contentava com a idéia de sua amada ter perdido todas as lembranças que cultivaram juntos, não aceitava essa ideia, pois era tão torturante saber que ela não se lembrava das palavras de amor, das noites de amor e todos os momentos que passaram juntos.

Agora estava ali sentado no canto do quarto, tentando não enlouquecer igual a um louco. Mas a todo instante lembrava-se do acontecido, mais ele sabia que tinha todo o apoio de sua família, o que não preenchia a dor que sentia, não adiantava.

“Vamos prometer de mindinho, ficar juntos para sempre”

“Eu te amo”

Essas palavras ecoavam pela cabeça de Sasuke, e tentar não chorar se tornava uma missão tão difícil. Em um impulso ele se levantou indo até a cômoda da rosada abrindo uma gaveta onde continha lembranças de tudo que faziam e foi ali que pegou fotos de quando eles estavam no restaurante italiano que a prometeu levar, o seu favorito. A foto trazia todo o amor do casal: estavam ambos sentados na cadeira e Sakura agarrava o pescoço do marido enquanto beijava a face do mesmo.

A outra foto era de quando eles estavam em um campo onde estavam somente eles e mais ninguém, a foto foi tirada pela mesma enquanto eles estavam deitados na grama e a rosada repousava a cabeça ao lado do Uchiha que a olhava pelo canto do olho.

Sasuke não conseguia mais olhar aquelas fotos, então as deixou de lado e mais ao ver um caderninho a sua curiosidade foi despertada. Ele pegou o caderninho e o abriu vendo vários desenhos de roupas desenhados pela mesma ao chegar à última folha ele sentiu uma dor tão forte ao ver uma foto onde tinha ele e Sakura, na cozinha e completamente sujos de farinha, sorrindo para a câmera e do lado estava escrito com uma caligrafia perfeita e caneta colorida.

Eu te amo, Sasuke-kun.

Sabe muitas pessoas são fortes, aguentam todos os desafios da vida, todos os problemas familiares sem derramar uma lagrima, pois querem se sentir forte para lidar com tudo isso, mas quando se trata da pessoa amada, todas aquelas barreiras, todas aquelas restrições se roupem. As lagrimas desceram freneticamente pelo rosto alvo do Uchiha que não conseguiu mais aguentar calado, as lagrimas desciam desenfreada pelo seu rosto em direção ao caderno, manchando a folha.

~*~

Anko não se arrependeu assim que desceu do táxi, parando em frente ao hospital onde Sakura se encontrava. Havia largado seu horário de serviço para vim ver a menina e também Sasuke não daria falta da ausência da empregada, pois passou parte do dia e da tarde trancando naquele quarto onde ocasionalmente a empregada ouvia vidro se quebrando ou algo pesado cair. A empregada foi até a recepção e pediu pelo número do quarto de Sakura e teve sorte que ainda estavam no horário de visita e assim seguiu para lá.

Assim que ficou frente com a porta do quarto de Sakura a abriu sem mais delongas encontrando a rosada deitada na cama do hospital lendo um livro, ela tinha uma face corada e estava bela com aquela trança que ficava deitada no ombro.

— Sakura. — Anko a chamou com um sorriso enquanto entrava e fechava a porta do quarto.

O rosto de Sakura se iluminou ao ver a empregada que era uma pessoa por qual tinha muito apresso.

— Anko, que bom que veio— Disse a rosada deixando o livro de lado.

E assim se passou o resto dos minutos onde Anko e Sakura começaram a conversa sobre assuntos aleatórios o que era ótimo para Sakura que não conseguia deixar de sorrir com a presença da empregada, ao mesmo tempo, tinha tanta curiosidade de pergunta sobre Sasuke o que antes de Anko chegar haver se tornado uma mania, pois se pegava pensando nele.

Talvez fosse um sentimento de pena?

— Anko, se eu perguntasse algo, você me contaria, não é mesmo?— A rosada indagou a encarando profundamente — E peço que não leve o meu estado em conta.

— Quer saber sobre você e Sasuke, não é?

— Eu preciso saber a verdade.

Anko levou alguns minutos tentando imaginar como começaria, era um assunto que mexia com a saúde da rosada, pois teria certeza que ela tentaria se lembrar, o que agravaria sua situação, também queria ajuda seu chefe que se encontrava em um momento difícil.

— Digamos que a relação de vocês foi cheia de altos e baixos.

— Devo imaginar — A garota ironizo — O que aconteceu depois da festa de Mikoto?

— Bem, vocês voltaram para casa e faltou luz, então eu decidi ir até seu quarto para ver se precisava de algo. — Anko falava naturalmente — Percebi que Sasuke já estava lá e não pude deixar de ouvir a conversa de vocês.

— Que conversa? — Sakura perguntou com o rosto corado.

— Pelo que você me contou depois, ele se declarou para você, Sakura. Foi aí que as coisas começaram a mudar. Sasuke fazia de tudo para te conquistar, o que não foi diferente com você.

— Eu o amava?- Sakura perguntou sentindo um nó em sua garganta

— Sim, ele lhe amou primeiro e não vou mentir dizendo que ele não sofreu por sua causa — Anko deixou claro, pois teve atos que Sakura fez que Anko não concordasse — Você se encontravam com Itachi deixando Sasuke furioso e até brigaram feio por isso. Sakura, vocês estiveram muitos momentos de ida e vinda mais eu quando eu via vocês rindo juntos era algo tão belo, digno de pintura, eram muito felizes juntos.

Sakura se sentia tão estranha de um jeito que não sabia explicar e a culpa vinha no mesmo pacote e a curiosidade para saber mais do seu passado era tão grande que fez o máximo de esforço possível para lembrar o que fez a dor voltar, fazendo a sua respiração ficar ofegante e a dor aumentar.

— Sakura?

A rosada fez o máximo para gritar mais a dor era tão incomoda que não conseguiu segurar, eram dores terrivelmente forte que se comparava a levar vários socos em sua face sem ter algo para lhe proteger. Talvez fosse melhor assim, se tudo aconteceu assim teve seus motivos. Esses eram os pensamentos da rosada que sentia que não aguentaria sofrer assim.

~*~

Passaram-se semanas até Sakura receber alta do hospital.

Sasuke não havia mais aparecido no hospital, o que deu bastante tempo para rosada pensar. Assim que voltou para sua casa recebeu várias visitas, mas nada foi tão importante quanto Ino que veio acompanhada de Sai e Shun.

Sakura ficou feliz em saber que era amiga de Shun, pois havia gostado bastante do castanho e ficou bastante chocada ao saber que o mesmo agora namorava Sai, o que fez a rosada ficar bastante perplexa, mas pelo jeito que os dois estavam felizes não pode deixar de ficar triste apenas chocada.

Teve momentos em que se sentia triste por esquecer coisas importantes que teve com seus amigos e às vezes se pegava pensando como terá sido a sua primeira noite, esses tipos de pensamento a deixavam triste.

Em um dia, os pais da rosada tomaram a ideia dela se separar de Sasuke para irem embora de Konoha para Okinawa, pois o pai da rosada havia conseguido um bom emprego que agora lhe deva belas oportunidades e também uma melhora para a filha, uma ideia que a mesma aceitou.

~*~

— O que é isto?— Sasuke perguntou quase soando em um grito.

Sasuke sentia uma dor enorme ao ler aquelas palavras.

Há dias estava tentar se encontrar com a esposa, mais era impedido pelos pais da mesma que diziam ser perigoso demais, sem ir ao trabalho ou qualquer tipo de atitude. A sua aparência estava longe de ser aquele homem de antigamente, pois tinha profundas olheiras e dava sinais de sua barba crescer.

Agora estava ali lendo o pedido de divórcio, tal ato que jamais imaginou acontecer, parecia que a havia conspirava contra ele. E assim como não muito longe dali estava Sakura no seu antigo quarto pegando suas roupas com ajuda de sua mãe.

— Eu sinto muito, Sasuke — Disse Shio, colocando a mão no ombro dele, como se pudesse confortá-lo. — Mas achamos que assim seria melhor.

— Melhor? Você não sabe o que esta falando. — O Uchiha gritou, estava completamente furioso.

— Sasuke...

— Precisamos de mais tempo até ela se lembrar. — Sasuke pediu com os olhos praticamente implorando.

— Não podemos força-la a se lembrar.

— Eu sei, mas se ela voltar pra cá e ver as coisas pessoais, passar mais tempo comigo, não sei, talvez possamos rever os locais onde iamos juntos, talvez isso ajude ela! Por favor, precisamos fazer algo!

— Sasuke, eu sei que também está sofrendo, mas devemos pensar na saúde de Sakura, desde o começo fui contra este casamento e sei o que fiz foi errado, fico feliz em saber que nasceu um amor entre vocês, porém…. — Shion deu uma pausa enquanto passava a mão pelo rosto — Ela tem apenas dezoito anos, terminou o ensino médio, vai fazer uma faculdade, igual a uma garota normal.

Aquelas palavras foram como uma faca perfurando a pela do Uchiha, sentia dor só de pensar que não a teria mais ao seu lado, sentia ainda mais dor só de imaginá-la ao seu lado sem se lembrar de tudo que passaram. Ele não queria mais por quer evitar o inevitável? Ele a amava demais e amar também significa abdicar desta pessoa para deixá-la feliz.

Logo se pode ouvi passos na escada indicando que Sakura estava se aproximando, o que fez o coração do Uchiha se apertar.

Sakura se aproximou vendo Sasuke olhando para o papel de divórcio e sentiu pena dele, podia ver que ele sofrendo com aquilo, acreditava que assim seria melhor para ambos por mais que pensasse que esse pensamento era tão bobo. No entanto, não podia fingir que poderia voltar para sua antiga vida com ele, não lembrava dela.

Não lembrava de uma vida onde o amava.

— Já pegamos tudo. — Aime declarou para o Uchiha— Vamos esperar as assinaturas dos papéis.

Sasuke não olhou para ela, não queria ver seu olhar e seus olhos verdes, não queria hesitar.

Os pais da rosada foram na frente enquanto a mesma continuou no lugar olhando o Uchiha, pois sentia que deveria fazer algo por ele, pois sentia uma culpa enorme em vê-lo daquele jeito. Aproximou-se carregando as malas e sussurrou.

— Eu quero que saiba que eu sinto muito.— A mesma se sentia tão pequena ao lado dele, pois de um jeito estranho sentia que ao estar ao lado dele lhe dava sensações tão boas — Por tudo isso, mesmo que eu não me lembre sobre o que aconteceu nesses meses, eu sinto muito. Mas se isso aconteceu, foi por uma razão.

Sasuke escutou todas as palavras da rosada que pareciam soar como uma melodia triste para ele. Uma razão? Ele também achou isso em algum momento, estaria pagando pelos pecados do pai? Queria achar uma razão.

— É isso que você quer? — Perguntou com a voz rouca, quase sendo impossível de ouvir — Ir embora?

— É o melhor a se fazer.

— Melhor para quem?

Sustentar o olhar de Sasuke se assemelhava a olhar para o sol. Doía, era desconfortável de manter o contato por muito tempo.

— Até mais, Sasuke — Disse por fim indo em direção à porta e a fechando levemente.

~*~

Haviam se passado um mês desde do dia em que esteve na casa do Uchiha, a rosada havia se mudado para Okinawa em uma casa de frente para a praia, admitia que tudo era lindo, diferente de Konoha, seus pais pareciam tão felizes como se aquela divida jamais tivesse existido.

Mas estaria mentindo se não admitisse que sentia falta de Konoha, de seus amigos e até mesmo de Anko mais pensava diariamente no Uchiha e era difícil esquecê-lo, pois sempre tinha notícias dele através da TV.

As dores que ela tinha estavam sumindo, por vezes ela aparecia mais não era tão dolorosa como antes, o que era um grande alívio. Agora estava ali na beira de praia passeando trajando um short branco com um suéter rosa bebe enquanto seu cabelo estava voando com o vento, mesmo sabendo que ficaria bagunçado depois.

A rosada admirava o sol que logo estava se pondo e isso ajudava pensar em como se sentia, pois havia se tornando algo tão confuso e basicamente tudo se resumia a: Sasuke e suas lembranças.

Desejava saber o que havia feito, como era estar ao lado de Sasuke, como havia sido sua primeira vez e as declarações. Basicamente, tudo sobre ela e Sasuke.

Seus pensamentos foram tomados ao ver uma garotinha saindo do mar ao lado de seu pai, no qual Sakura ficou observando quando a menina começou a chorar. Ela dizia que queria ficar um pouco mais, suas mãozinhas coçavam os olhos, o pai tentava acalmá-la, mas a filha parecia querer continuar chorando. O observou se ajoelhar na frente dela, disse algo que fez as lagrimas pararem e então levantou o dedo mindinho na sua direção.

A rosada franziu o cenho.

A garotinha também levantou o mindinho, sorrindo, enquanto eles juntavam os dedos como num abraço. Sakura continuou olhando para eles até perceber que não estavam mais na praia, apenas ela, sentido um desconforto no peito a fazendo chorar. Franziu o cenho tocando o rosto e depois para a ponta dos dedos.

Lagrimas? Por que estava chorando?

E como a mesma sensação de levar um choque, Sakura, sentiu suas pernas enfraquecerem onde caiu de joelhos na areia, sentindo forte dores na cabeça. Dores que a fizeram gemer, segurando a cabeça para tentar amenizar a sensação.

“Vamos prometer de mindinho ficar juntos para sempre”

Estava ouvindo vozes! Não só uma, mas várias, cada uma delas flutuando pela sua mente em direção, reconhecia aquelas vozes, era de Sasuke. Lagrimas continuavam a descer pelo seu rosto como se tivessem sido presas por tempo demais a ponto de não precisa de Sakura para caírem, era automático.

— Ah! — Ela gritou de dor, se curvando no chão.

“Sakura!”

Agora via cenas, varias cenas dela com ele, essas cenas se misturavam desde estarem na cama conversando até em restaurante, cinemas e museus. O sorriso dele, cada momento em que ele segurava sua mão e beijos. Também se lembrava de Itachi. Lembrava de Shun. Lembrava do acidente e de voltar para a sala do hospital quando Sasuke estava a sua frente.

“Você precisa se lembrar!”

— Para! — Doía como se estivesse sendo partida ao meio.

Quando a dor finalmente parou, Sakura estava ofegante e com o rosto banhado em lagrimas, sentia que seu coração iria explodir, pois seus batimentos estavam foras do normal e não era para menos. Ela conseguiu se levantar com dificuldades, ainda contendo a mesma expressão assustada, voltando para casa em passos lentos.

Assim que chegou abriu a porta encontrando seus pais no centro da sala.

— Você chegou. Como foi o passeio? — Aime disse mais ao ver a expressão da filha, ficou assustada. — Aconteceu alguma coisa?

Um momento de silêncio se apossou do ambiente, deixando os pais bastante preocupados.

— Sakura, o que foi? — A mãe perguntou, novamente.

— Eu... Eu me lembrei de tudo.

Notas finais
Se fosse eu escrevendo agora, teria deixando uns quatro ou cinco capítulos a Sakura desmemoriada, mas... (pensamento atualizado de 2024 ) XOXO Allera