Fix Me
60 Amor nada Platônico
Notas iniciais
Após muito esforço para comer, voltei para o quarto e olhei algumas roupas que minha mãe e Amélia mandaram para mim. Escolhi algo leve com um vestido curto branco, shorts preto e um sapatinho. Deixei meu cabelo solto coloquei os óculos escuros para sair com Thomas e conhecer a cidade enquanto ele tirava minhas dúvidas. Desci e o encontrei no minibar que havia debaixo da escada.
— Você bebe?
— Acredite, é novidade para nós dois.
Me aproximei e fiquei ao seu lado o encarando. Ele percebeu e levou o copo com a bebida para perto do meu rosto.
— Quer experimentar?
Aquele cheiro era bem forte e me fez perder um pouco o equilíbrio. Thomas me segurou com a outra mão pela cintura.
— Você está bem, Alice?
— Não é muito cedo para beber?
O encarei séria.
— Não mude de assunto. Você está enjoada deste que acordou e fica com a mão na barriga sempre desde o sequestro. Será que ela... te envenenou?
Ele falou preocupado e logo me puxou para a porta.
— Vamos para o médico.
— Ei, Thomas. Fala comigo! Você não acha que se fosse veneno eu não estaria morta?!
Falei e ele parou em seguida.
— Até que você tem razão. Mas o que pode ser?
Dei de ombros.
— Talvez a falta de comida e depois comer tanto não foi uma boa ideia. Vou tomar cuidado com o que comer e beber muita água. Assim você para de se preocupar um pouco.
Falei batendo de leve em seu rosto e abrindo a porta. Ele passou a mão em seus cabelos enquanto respirava fundo e em seguida me seguiu para o elevador.
Entramos e fomos até o subsolo. Eu estava totalmente perdida, então apenas o segui até uma ranger preta. Ele abriu a porta para mim e eu entrei.
— De quem é esse carro?!
Falei enquanto colocava o cinto.
— Meu, lógico.
Falou sorrindo e fechou a porta, dando a volta e entrando no banco do motorista.
— Então, senhor riquinho. Para onde vamos?
— Você vai ver.
Ele começou a dirigir e depois de 40 minutos de viagem, nos encontramos em um canto de uma montanha que havia ali. O clima, as árvores e o lugar em si dava uma atmosfera tranquila e romântica. Ao abrir a porta do carro, andei um pouco e pude ver a cidade todo daqui de cima.
— Tommy, é lindo!
— Obrigado, eu sei que sou.
Falou sorrindo.
— Estou falando do lugar, senhor humilde!
Falei rindo.
— Ah, ele também é. Minha mãe me deu o endereço e falou para eu vir hoje neste horário. Só não sei o porque.
Ele olhou em volta e percebeu que não tinha só nós. Ficou sério e pegou em minha mão.
— Tudo bem?
— Tem alguém aqui.
Ele levou sua outra mão para as costas em um movimento devagar. Olhei para o carro e em volta até encontrar uma senhora saindo no meio das árvores.
— Amélia?
Perguntei e ela se aproximou com um sorriso elegante.
— Oi, minha querida. Há quanto tempo! Está melhor?
Ela logo me abraçou forte. Respondi ao seu abraço.
— Melhor agora.
Sorri.
— Oi, mãe.
Thomas se aproximou com uma expressão calma e bela e a abraçou. Amélia ficava bem pequena perto de Thomas, por ela ser um pouco baixa e ele muito alto.
— Oi, meu filho. Está melhor?
— Sim. O que houve?
— Querem saber a boa ou a má notícia primeiro?
— A má.
Falamos juntos. Nos sentamos no gramado e começamos a conversar.
— Dragon está furioso por causa do que houve com sua filha.
— Cameron? O que houve com ela?
Perguntei e Amélia se assustou, encarando logo Thomas.
— Não contou a ela?
Ele ficou sério e desviou o olhar.
— Não é necessário.
— A mulher que infernizou minha vida, me sequestrou e me torturou sumiu e você quer que eu não saiba? E se ela voltar?!
— Ela não vai voltar.
Thomas falou olhando para mim com um olhar frio.
— Como pode ter certeza?!
— Por que...
— Ela morreu, Alice.
Amélia respondeu e Thomas voltou a olhar para o horizonte.
— C-como assim... morreu?
— Houve uma explosão por causa de um vazamento de gás na casa onde ela estava e todos acham que ela e vocês dois morreram.
— P-por que?
— A casa onde ela estava era onde ela escondeu vocês para proveito próprio. Nem o pai dela sabia de vocês dois. Mas assim que ele soube do corpo da filha e de vocês dois naquela casa, decidiu não sequestrar mais os herdeiros, mas caçá-los.
Senti minha barriga revirar e eu a apertei.
— E alguém além de você sabe onde eles estão?
— Não, nem James. Quero que permaneça assim. Mas vocês dois precisam resolver logo isso. Aproveitar que não existem mais como Thomas Cameron e Alice Wayne. Usem seus nomes novos, nomes de casados para se misturarem e terem uma vida normal.
Amélia falou como se estivesse implorando.
— Não podemos até ter certeza que nossos amigos tenham um lugar seguro para voltar. Alice irá para o novo refúgio com você e eu irei encontrar Dragon.
Thomas falou decidido, sem perguntar para mim. Aquilo me deixou mais irritada.
— Já chega, Thomas! Para de decidir as coisas por nós dois! Eu também tenho direito de opinar.
Ele me encarou sério e frio.
— Não, não tem. Você vai ficar segura no refúgio e não vai negar isso.
Eu levantei brava.
— PARA DE DECIDIR AS COISAS POR NÓS E SOFRER SOZINHO! EU SOU SUA ESPOSA E TENHO SIM DIREITO DE OPINAR! EU VOU FICAR E...
Senti as coisas escurecerem e Thomas ficar preocupado e logo levantar.
— Alice!
Amélia gritava meu nome, mas parecia estar tão baixo e logo apaguei.
***
Acordei num quarto de hospital. Típico. Olhei em volta e encontrei Thomas dormindo ao meu lado, com a mão sobre a minha. Amélia estava descansando numa poltrona no canto do quarto e eu sentia meu corpo pesando. Respirei fundo e mexi um pouco a mão para me afastar, mas Thomas logo acordou e me encarou com aqueles olhos azuis.
Tentei levantar mas tudo ardia e meu marido logo me impediu.
— Onde pensa que vai?
— O que houve?
— Você desmaiou enquanto dava um ataque de nervosismo e trouxemos você para o hospital da família de Charlie.
Respirei fundo e senti minha mão tremer.
— Estou com fome. Quanto tempo eu apaguei?
— Dez horas.
Deitei no travesseiro revoltada. Estou cansada de perder meu tempo apagando deste jeito. Logo alguém bate na porta e Amélia acorda. Um senhor parecido com Charlie aparece, porém com cabelos castanhos claros e olhos negros como de meu amigo.
— Boa noite, senhor e senhora Cavallieri. Boa noite senhora Cameron.
— Boa noite, Lincoln. Já tem os resultados dos exames?
Ele respirou fundo e me olhou.
— Tenho uma boa e uma má notícia. A boa é que a causa de seus desmaios e enjôos é porque você está grávida de duas semanas.
— GRÁVIDA? !
Todos perguntaram juntos. Thomas se sentou na cadeira e passou a mão na cabeça para espantar o nervosismo e Amélia começou a festejar e veio me abraçar.
— Vou ser avó! Imagine a cara dos meninos!
— M-mas e a má notícia.
Perguntei preocupada.
— Você tem que ficar mais calma. Thomas falou que você já desmaiou duas vezes depois de discutir com ele. Isso pode ser nervosismo. Ou seja, — Ele apontou para mim. — nada de passar nervoso durante sua gestação. Isso pode atingir o bebê.
Passei a mão na cabeça, como Thomas e assenti enquanto suspirava.
— Vou pedir para a nutricionista te ajudar com a dieta e quero te ver mês que vem para acompanhar esse pequeno. — Falou apontando para minha barriga com a caneta. — Terá alta em breve. Meus parabéns família. Boa noite.
Falou e foi embora fechando a porta atrás de si.
Amélia logo pegou e celular e começou a discar.
— Vou fazer um jantar em sua casa amanhã e chamarei a família. Finalmente algo bom nesta vida! Preciso ir. Tenho que comprar os ingredientes para a janta e resolver um horário. Vejo vocês amanhã de tarde. — Cantarolou e me deu um beijo. Logo deu a volta na cama e olhou para Thomas que ainda estava pasmo. — Thomas, cuide se sua mulher. E vê se seja cuidadoso e carinhoso as vezes, como você era quando criança, ou vou te deixar de castigo.
Falou e logo ri. Ela beijou sua testa e foi embora. Eu estava olhando para a porta quando senti sua mão pousar na minha. Olhei para ele, que estava com a cabeça apoiada na outra mão e com os olhos fechados.
— Por que agora?
— O que?
Perguntei sem entender.
— Justo agora, quando você iria embora, quando Dragon finalmente não está atrás de nós. Justo agora, você fica grávida!
Ele falou como se estivesse decepcionado. Como se não quisesse esse bebê. Afastei minha mão e me encolhi um pouco.
— Você não quer fazer isso?
— Agora não. Mas não dá para voltar atrás.
Suspirou. Aquelas palavras me atingiram fortemente e eu me encolhi mais.
— Então vai embora.
Falei baixo e virei para o outro lado deitando.
— Não vou embora. Você é minha responsabilidade. Preciso cuidar de você e, agora dele também.
Falou friamente e aquilo me irritou. Me levantei e o encarei enquanto chorava.
— Vai embora. Se é isso que você não quer, você não é obrigado a ficar. Eu vou para o refúgio, fico longe de você e cuido da minha saúde. Mas não quero te ver todos os dias e saber que você não queria esse filho. Eu quero! Ele é fruto de um amor que já tivemos algum dia, mas parece que não existe mais esse amor. Não precisa se preocupar, eu vou embora e não volto nunca mais e..
Minha barriga começou a doer novamente, assim como a cabeça. Thomas se aproximou e eu o empurrei.
— Sai daqui!
— Não!
Ele falou sério e com a voz grossa e firme.
— Você não me quer assim. Não quero viver num amor platônico! Me deixe sozinha que é melhor.
Eu já soluçava e Thomas segurou meus pulsos e me abraçou forte enquanto eu o batia nas costas.
— Pode bater. Eu mereço. Não sei me expressar muito bem e isso causa sofrimento para você. Uma coisa que eu prometi desde a primeira vez que te vi: Não deixaria ninguém te fazer chorar e eu a protegeria pelo resto da vida. Mas parece que eu quebrei essa promessa, não é?
Ele riu baixo e meus socos diminuíam aos poucos.
— Eu te amo, seu idiota. Não consigo te odiar. Mas isso dói. Dói saber que você não quer um filho comigo.
O Abraço se apertou.
— Eu quero. Sempre sonhei em ter uma família com você. Mas os tempos estão difíceis. Não quero me preocupar em ele se machucar ou se ferir por causa de Dragon ou qualquer outro inimigo. Eu tenho medo de me apegar demais, perder vocês e sofrer. Tenho medo de ficar sozinho de novo.
Os soluços me atrapalhavam, mas eu não desisti de falar.
— Eu nunca te deixaria, idiota! Eu te amo.
— Eu também te amo. Só não sei como expressar isso.
Me afastei e limpei o rosto.
— Primeiro, você vai aprender a perguntar as coisas para mim antes se decidir sobre algo. Segundo, você vai tomar cuidado com suas saúde e não esconder segredos de mim. Terceiro, vai me amar e amar NOSSO filho, seja ele menino ou menina.
Ele riu e beijou minha testa.
— Combinado.
Me beijou e cuidou de mim até a alta. Fomos para casa e ao entrar minha barriga reclama alto.
— Está com fome, não é?
— Depois de um dia inteiro com apenas bolacha e suco de caixinha na barriga, com certeza!
— Vou preparar algo enquanto você vai tomar banho, tudo bem?
Assenti e ele me deu um selinho antes de ir para para a cozinha.
Entrei em um cômodo pensando que era o meu, não lembrava de malas no canto do quarto, mas logo ignorei deitando um pouco na cama bagunçada e puxando as cobertas, que logo descobriu um garoto de cabelos pretos que estava dormindo. Comecei a gritar e ele se assustou e ambos caíram da cama. Thomas logo apareceu quase derrubando a porta e apontando a arma para o garoto que se levantou e esfregou a cabeça. Thomas ligou a luz e guardou a arma.
— David?
Olhei para frente enquanto Tommy me ajudava a se levantar.
— Sabia que você se casou com uma mulher barulhenta?
— Sabia. Mas o que você está fazendo aqui?
— Mamãe pediu para eu ficar de olho em você, para não magoar a Alice e dar um piripaque nela. Só não entendi direito o motivo. Ela disse que eu descobriria amanhã de noite.
— Legal. Muito legal da parte da sua mãe, mas... o que você está fazendo no meu quarto?
Ele cruzou os braços e deu aquele olhar frio, igual ao Thomas.
— Esse quarto é meu, moça.
Thomas riu.
— Verdade, nosso quarto é a última porta, Minnie.
Abri a boca algumas vezes mas desisti de falar. Sai de lá revoltada enquanto os irmãos riam de mim.
Fui para meu quarto e corri para o banheiro botando tudo para fora. A cada força que eu fazia, doía minha cabeça. Ao acabar a crise, dei descarga, lavei a boca e fui tomar banho. Quando senti a água quente no meu corpo, lembrei da vez que fiquei com Thomas, no refúgio e senti vontade de estar grudada nele novamente. Meu corpo logo se esquentou com aquele pensamento mas depois tentei me focar no banho. Só tentei. Desliguei o chuveiro, me sequei e fui para o closet. Ouvi a porta se abrir e fechar e meu marido me abraçar por trás, enquanto eu estava de toalha.
— A comida está pronta.
Sussurrou em minha orelha e logo virei e comecei a beijá-lo com vontade. Ele me segurou e me sentou em uma mesa embutida de madeira que estava minhas gavetas. Fechou a porta do closet enquanto eu desabotoava sua camisa. Ele logo tirou a calça e penetrou em mim sem preliminares. Ele tapou minha boca para não gritar e David ouvir enquanto dava estocadas fortes e rápidas me deixando mais exitada. Logo nós dois chegamos ao ápice cansados. Sorri enquanto o encarava. Ele passou os dedos em meus lábios e me beijou de um jeito tranquilo e romântico.
— Eu te amo, Minnie.
— Eu também te amo, Bobo.
Sorri e fomos tomar banho para jantar.
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