Fix Me
61 Deveres
Acordei sem encontrar Thomas na cama. Virei para o criado mudo e olhei para o relógio. 3:27 da manhã. Encontrei uma luz fraca vindo do lado de fora do quarto. Respirei fundo, levantei, peguei um roupão vermelho e coloquei indo para fora do quarto. Desci as escadas e encontrei Thomas encarando a televisão desligada enquanto paparicava o copo com whisky.
— Tommy?
Ele deu um pequeno pulo e sorriu para mim disfarçando seu cansaço.
— Oi, Minnie. Te acordei?
— O que houve?
Perguntei sentando ao seu lado e colocando a mão em seu rosto, que estava gelado.
— Nada.
— Thomas, você está gelado, acordado no meio da madrugada tomando algo que você não bebia antes. O que está acontecendo?! E se mentir para mim, vai se arrepender!
Ele respirou fundo e abaixou a cabeça afastando minha mão.
— Não consigo dormir.
— Dragon de novo?
— Cameron.
— Oi? Como assim? Está tendo pesadelos com sua ex namorada?
Ele riu fraco.
— Sabia que pensaria besteira. — Respirou fundo de novo. — Mas não é o que você imagina. É que o dia em que fugimos foi terrível. Eu fiz algo terrível que não fazia há muito tempo.
— O-o que você fez?
Ele me encarou sério com um olhar frio em seus olhos azuis.
— Eu a matei.
Meu corpo congelou na hora e eu logo encolhi os braços.
— Po-por que você fez isso?
— Ela iria te matar, e nunca desistiria dessa ideia. Ela mostrou o quanto estava insana. Até eu fiquei com medo. Assim que ela virou a arma para você, eu corri e — Ele levantou a blusa mostrando um curativo recente e de tamanho médio, que eu não havia prestado atenção antes. — ela deixou uma lembrancinha em mim.
Passei a mão devagar.
— Thomas...
— Não fale que foi preciso, ou que era necessário, pois sei que era. Mas a consciência pesa. Como posso ser um pai, se sou um assassino?
Falou abaixando a blusa, se inclinando para frente e escondendo o rosto na mão livre do copo.
— Você é da máfia, Thomas. Desde pequeno foi treinado para isso, você vai saber conviver com suas escolhas. E se precisar de ajuda, estarei ao seu lado sempre.
Falei pousando a mão em seu ombro. Ele se inclinou, colocou o copo na mesinha em nossa frente e deitou no meu colo, como uma criança assustada. Comecei a cantarolar a música de minha mãe e senti algumas lágrimas de seu rosto cair em minhas pernas. Passeei os dedos em seus cabelos e ele logo dormiu.
— Não vou deixar mais ninguém te destruir. Vou te proteger com todas as minhas forças, e nossos inimigos irão se arrepender de ter mexido conosco.
Sussurrei enquanto o encarava, até o sono me atingir.
***
Acordei com um flash na minha cara e logo abracei Thomas, que estava deitado ao meu lado. Estamos abraçado no sofá enquanto David tirava foto de nós.
— Qual seu problema, garoto?
Thomas perguntou enquanto esfregava os olhos.
— Mamãe disse para eu tirar foto de tudo que era fofo e poderia revelar e fazer um álbum para seu futuro neto. Avisando que estou sendo pago para isso.
Falou sorridente. Levantei e me estiquei até minha barriga roncar.
— Você vive com fome, Alice?
— Agora como por dois, David. Não reclame!
Falo e riu e ele, sem entender, me acompanhou por educação.
— O café está pronto, vamos?
Falou e me esticou a mão. Logo encarou seus olhos azuis parecido com o de Thomas e me perdi por um segundo neles. Estiquei a mão e aceitei.
— Vai mesmo me abandonar?
Thomas falou levantando as mãos.
— Perdeu, cara.
David falou e passou o braço no meu ombro. Eu comecei a rir.
— Você sabe que é mais fácil eu te adotar do que namorar com você, não sabe?
Sussurrei.
— Deixa eu me divertir um pouco com o velho.
Sussurrou e eu ri mais.
— O que os dois estão sussurrando aí?
Thomas se levantou e se aproximou de nós.
— Corre!
David gritou e me puxou para trás da ilha da cozinha. Assim, começamos a brincar de pega pega no apartamento. Até eu desviar de Thomas e ir para sala de novo e atacar uma almofada nele e tudo ficar silencioso.
— Você não fez isso!
Falou sério. Coloquei as duas mãos na boca para tentar não rir, mas era difícil. Thomas correu em minha direção e pulou o sofá vindo me pegar e caímos no chão. Ele logo começou a fazer cócegas. David se aproximou e tirou uma foto, até Tommy dar uma rasteira nele e começar a fazer cócegas nele também.
— Você não vai fugir, pirralho.
Falou enquanto torturava o garoto. Eu me acalmei e peguei a câmera e tirei foto dos dois, mas o flash estava ligado e os dois me olharam. Depois se entre olharam e sorriram vindo me atacar. Após alguns minutos de tortura, os três estavam ofegantes e deitados no meio da sala rindo como bobos. Peguei a câmera e tirei uma foto de nós três, que estavam vermelhos. Ouvimos a porta de entrada ser destrancada e Amélia logo apareceu e ficou surpresa ao nos ver deitados. Estávamos cansados e não saímos do lugar.
— Oi, mãe.
Os irmão falaram juntos.
— Oi, Amélia.
— Bom dia, meus queridos. O que houve?
— Uma guerra de cócegas.
Falei enquanto ria como criança. Os meninos me olharam e riram juntos. Ela sorriu feliz e olhou em volta.
— Percebi que uma guerra passou por aqui. Olha como essa casa está bagunçada! — Falou e colocou uma mão no rosto. — Você irão tomar banho enquanto eu arrumo isso.
— Eu ajudo!
Falei enquanto levantava, mas perdi o equilíbrio por causa da fraqueza e cai sentada, rindo de novo.
— Thomas, leva essa menina para o banho. Ela é muito teimosa.
Ele estava rindo que nem eu e David, mas logo nós três obedecemos ela.
— Assim que eu voltar eu ajudo.
Falo enquanto subia as escadas. David foi para seu quarto com o rosto vermelho e eu fui para o meu com Thomas. Me estiquei e arrumei a cama enquanto ele arrumava uma roupa leve para nós dois. Fomos tomar banho juntos para adiantar o tempo e nos arrumamos. Ao descer encontramos Amélia no fogo fazendo waffles e David com camisa azul marinho fina que mostrava os seus músculos e cabelos molhados.
— Chegamos.
Falei e fui logo para a pia lavar a louça de ontem. Os meninos ficaram sentados nos olhando silenciosamente.
Assim que Amélia acabou todos nós sentamos na ilha e começamos a comer.
— O que vamos fazer agora?
Perguntei encarando meu prato.
— Você vai ficar aqui sem nenhuma preocupação e fazer o pré natal com minha mãe e a sua também. Eu e David vamos resolver as coisas na empresa com meu pai e tentar encontrar Dragon.
— Ah, claro. Você quer que eu fique tranquila na vida mansa enquanto você trabalha sem parar e ainda corre risco de vida atrás de um psicopata?! Claro, lógico que NÃO vou fazer isso!
Falei e me levantei, sentindo meu músculo abdominal doer um pouco e eu fazer careta de dor.
Thomas se aproximou e deu um leve tapa na minha testa.
— Ei!
— O médico disse para você não ficar preocupada que pode atingir o bebê.
— Você acha mesmo que não vou ficar preocupada pensando em você lá fora no perigo enquanto eu fico sozinha?!
— Você não vai ficar sozinha, minha mãe. ..
— Eu disse sozinha SEM VOCÊ!
Falei com os olhos fechados e a dor aumentou mais um pouco.
Soltei o ar pela boca e me encolhi na cadeira. Ouvi Thomas respirar fundo.
— Querido, eu entendo Alice. Vocês todos já passaram por muita coisa juntos e acho que ela não se importaria em trabalhar, viver uma vida normal e te ajudar a encontrar Dragon ao mesmo tempo. Certo, Alice?
Assenti ainda com a cabeça baixa. Thomas pegou em meu queixo e levantou.
— Você quer mesmo isso?
— Sim.
Falei sério enquanto enxugava as lágrimas. Ele respirou firme de novo.
— Vou falar com Mark e você vai começar a trabalhar com ele de manhã; estudar de tarde o curso de contabilidade aqui em casa com um professor particular e de noite vai descansar. Sem protestos!
Levantou o dedo como se estivesse brigando comigo.
— Está bem.
Falei séria e levantei o dedinho. Ele logo cruzou seu dedinho com o meu fazendo o pacto.
— Hoje é sábado então vamos apenas visitá-lo para você conhecer o ambiente em que vai trabalhar. Depois vamos para a empresa do meu pai e de noite voltamos para o jantar. Combinado?
— Isso foi uma pergunta? — perguntei cruzando os braços e irritando um pouco ele, que cerrou os olhos para mim. Sorri e respondi. — Combinado.
— Vocês estão brigando muito desde o casamento, hein?
David mostrou estar presente.
— Um dia você entenderá.
Falou Thomas me abraçando de lado.
— Espero que este dia esteja longe.
— Espera, você sabia que eu estava grávida, David?
— Minha mãe não sabe disfarçar, é incrível como seus pais e meu pai não tenham percebido ainda.
Falou neutro enquanto apoia a cabeça na mão que estava na mesa.
— Você é mesmo incrível.
Fiz careta e todos riram. Após o café fui me arrumar. Coloquei uma calça, camisa e bota pretas e uma casaco branco rendado por cima que ia até a coxa. Thomas colocou um conjunto de terno e calça, com sapato social, camisa branca e gravata azul claro para descontrair. Descemos e encontramos David do mesmo jeito, porém,sem terno e gravata, com os cabelos úmidos para trás num topete, como seu irmão.
— Estão todos prontos?
Amélia perguntou e abriu a porta fazendo todos saírem e pegarem os carros no subsolo. Ela estava numa Captiva prata e levou David enquanto eu e Thomas fomos em seu ranger preto.
Após uns vinte minutos chegamos em um prédio enorme com janelas de vidros espelhados. Sai e Thomas se aproximou pegando em minha mão enquanto o motorista estacionava o carro.
— Alice, fecha a boca. Um dia essa empresa será sua.
Minha boca abriu mais ainda e ele riu.
— Esta bem. Já me recuperei. — Respirei alto. — Vamos?
Entramos na recepção e os funcionários começaram a nos encarar surpresos e espantados. Apertei a mão de Thomas e me encolhi um pouco. Fomos até a mesa da recepcionista, que estava distraída, e Thomas limpou a garganta para ela nos atender. A loira alta logo pulou da cadeira e olhou para nós com a boca aberta.
— S-s-senhor Cam...
"Acho que ela sabia de nós."
— Diga ao Wayne que o Senhor Cavallieri está aqui com a esposa.
— C-Cavallieri?
"Por acaso ela é gaga?"
— Sim. E estamos com pressa. Estaremos subindo já, esta bem? Obrigado.
Ela olhou a gente ir até o elevador e assim que a porta estava se fechando ela pegou o telefone com desespero e começou a discar.
Estava umas três pessoas, duas mulheres e um homem trocando olhares espantados. Minha mão começou a suar e Thomas apertou.
A porta se abriu no quinto andar e logo o homem e uma mulher saíram deixando apenas uma morena de corpo bem cuidado e cabelos lambidos de saia curta conosco. Ela logo olhou para Thomas e piscou para ele na cara dura. Abri a boca indignada e Thomas riu baixinho. Afastei a mão de propósito e cruzei na frente do peito.
— Por acaso já nos conhecemos?
A morena virou e se aproximou de Thomas como se eu não estivesse ali.
— Acho que não.
Ele falou sorrindo e logo uma raiva surgiu do chão e me consumiu.
— Prazer, Milene. Mas pode me chamar de Mel.
Ela esticou a mão e piscou para ele, que respondeu ao aperto.
— Thomas Cavallieri. — Fiquei assistindo e eu sabia que meu rosto estava vermelho de raiva. — E essa é...
— Sua irmã? Que fofa.
Falou se inclinando, por causa de seu enorme salto e riu de mim. Olhei para ele com fogo no olhar e ele riu junto.
— Você acha? Ela é terrível em casa.
Logo ela sorriu de um jeito malicioso para ele.
— Se quiser, algum dia eu posso ir lá ver vocês. Se aproximou mais ainda e estava chegando bem perto de seu rosto, quando deu um sinal que estava no andar dela. 14° andar.
— Espero te ver mais vezes. Tommy.
Quando ela falou isso eu quase explodi e antes de dar na cara da safada, a porta se fecha e Thomas começa a ri.
— Qual é a graça?!
— A sua cara de ciúmes não tem preço.
Logo o elevador se abre no andar 15 e eu saio de lá batendo os pés. Encontrei Mark em pé apreciando a paisagem até me ver e sorrir.
— Oi, minha Prince. ..
— Fala logo o que eu vim fazer aqui, pois estou a fim de ir para casa logo. Antes que eu mate alguém hoje!
Ele se assustou e encarou Thomas que estava vindo com um sorriso.
— O que você fez desta vez, moleque?
Perguntou cruzando os braços.
— Nada.
Respondeu dando de ombros.
— NADA?!
Perguntei com um tom "um pouquinho alto".
— Calma, princesa. Se quiser ficar comigo e sua mãe durante um tempo para pensar em seu casamento, as portas estarão abertas. Já que esse casamento aconteceu "sem querer", ainda mais com o filho de James.
Thomas logo tirou o sorriso da cara e os dois ficaram brigando por olhares enquanto eu me acalmava e ria da situação. Abracei Mark, que se assustou um pouco e o encarei.
— Obrigada, papai.
— De nada, princesa. — Ele sorriu e me deu um beijo na testa. — Agora deixa eu apresentar o lugar onde você vai trabalhar. Bem vindo ao escritório Wayne. A melhor empresa de advocacia.
— Deu para ver pelo tamanho do prédio que você tem.
Sorri. E ele me pegou no braço e deixando Thomas para trás.
— Vou ficar no mesmo andar que você?
— Sim, mas fico muito na sala e não vejo quase ninguém. Se precisar falar comigo vai ter falar primeiro com Ana, minha secretaria.
Ele me levou para o elevador onde descemos um andar e passeamos pelos corredores que era espalhado por mesas, computadores e contratos. Seguimos para o final do corredor onde havia uma porta comum como as outras, preta. Mark abriu e eu entrei encontrando uma sala rústica com janelas do teto ao chão de vidro mostrando a linda paisagem da cidade.
— Nossa, pai! Que lindo!
Olhei em volta e depois o encarei. Ele estava sorridente e com as mãos no bolso dando um charme a mais. Ele se aproximou e colocou a mão no meu rosto.
— Faz tempo que não vejo esse rosto de anjinho tão sorridente.
— Senti sua falta.
Eu o abracei e ele não se assustou desta vez, me abraçando de volta.
— Eu também. Muita. E soube que terá um jantar na sua casa hoje, certo?
— Sim, para juntarmos a família. -Apontei o dedo para ele ficando seria. — Não arranje briga com James!
Ele riu de um jeito verdadeiro, doce. Um jeito que só vi uma vez até agora.
— Vou tentar. Quer ver o que vai trabalhar?
— Sim!
Falei animada. Mark virou para trás sério e falou com Thomas que estava apoiado no batente da porta nos olhando.
— Pode fazer seus deveres, garoto. Que agora quem cuida dela sou eu.
Thomas riu de um jeito irônico.
— Volto as 18h para buscá-la.
Piscou para mim e foi embora. Eu ainda estava brava, então cruzei os braços e virei a cara, como uma criança mimada.
— O que houve, princesa? Nunca te vi brava com ele.
— Ele deu mole quando uma pulga viu ele e quase pulou em seu pescoço. Na minha frente! — Gritei brava. Mark tentou prender o riso. — Não é para rir! Aquilo me magoou.
Falei fazendo bico e olhando para baixo. Ele me abraçou forte.
— Já que esta cedo, vamos tomar café?
— Eu já tomei café em casa.
— Então que tal um chocolate quente com seu velho?
— Esta bem.
Respondi rápido e animada. Ele riu e me deu a mão. Fomos a uma cafeteria do outro lado da rua e tomamos café contando um sobre o outro. Depois voltamos para a empresa e ele ficou me ensinando o que eu iria fazer para ajudá-lo na empresa, que está com os níveis baixos.
P. O. V Thomas
Deixei Alice com Mark sem muita preocupação. Dirigi mais quinze minutos para chegar na empresa de meu pai. Ao chegar na recepção, passei direto indo para o elevador. Senti todos os olhares para mim, mas já estava acostumado por vir para cá desde pequeno.
Subi até o último andar e encontrei Marta, uma senhora elegante com seus cabelos curtos e platinados.
— Bom dia, Senhor Cameron.
Sorri, as vezes ela cuidava de mim e me ensinou muita coisa sobre a empresa. Tenho muito respeito por ela, que agora estava sentada digitando até me ver e falar comigo.
— Bom dia, Marta. Mas não sou mais senhor Cameron. Sou Cavallieri. Mas não gosto quanto você me chama de senhor, já disse isso.
Falei fingindo ser sério. Suas bochechas enrugadas ficaram um pouco vermelhas e ela ficou surpresa.
— Perdão, senhor... Thomas.
Sorri e baguncei seus cabelos.
— Vou deixar essa passar. O velho está aí?
— Sim. Esta no escritório te esperando.
— Obrigado.
Andei até as postas duplas de madeira, respirei fundo e as abri encarando o velho que chamo de pai.
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