Five of Witches

2 Capítulo 2- Segredos


Notas iniciais
Oii genty, um novo capítulo para vocês. Espero que gostem.

Acordei no outro dia com um raio de luz solar nos meus olhos, fiquei cega por alguns minutos... Tudo a minha volta virou um borrão em tons vermelhos e marrons, até que finalmente minha visão ficou nítida. Arrumei-me colocando uma calça jeans e uma blusa qualquer, não estava frio nem calor, era um tempo agradável, como se fosse outono.

Desci as escadas, a casa parecia vazia. Minha mãe deveria ter me avisado aonde iria! Por que claro vamos deixar nossa única filha sozinha na casa de um familiar que nem conhecemos, aí depois que a filha é morta ninguém sabe por que.

Peguei meu celular e olhei as mensagens, não tinha nada de tão importante, então as ignorei e voltei a prestar atenção em cada detalhe da casa. A cena de ontem não saia da minha mente, como se eu estivesse apertando replay de cinco em cinco segundos. “Você não deveria ficar passeando pela casa a noite” essas palavras ecoavam pela minha cabeça de uma forma tão “estranha” que parecia varias vozes me dando avisos.

E isso só me dava mais vontade de saber... O que ele escondia?

Senti alguém tocando em meu ombro, estremeci com o toque. –Mãe, que susto.

—Desculpe, eu vou para o centro. Quer vir? Vou aproveitar e te matricular na escola.

Tentei esboçar um sorriso, eu sabia o quão importante isso era para ela... Mas era um sacrifício muito grande para mim. Estava tentando levar isso numa boa e ignorar o fato de que eu ainda preferia minha casa.

Decidi ir, afinal não tinha nada a mais para fazer ali. O centro era como qualquer outro centro de cidade do interior. Era bem aconchegante e organizado, com uma praça no meio. Todos me olhavam como se já soubessem que eu era nova na cidade, isso me deixava um pouco desconfortável. Mas também tentei ignorar isso.

Acho que estava ignorando coisas com que eu realmente me importava.

—Filha eu vou à escola oky? É ali na frente.

Concordei com a cabeça e voltei a olhar uns vestidos em uma das loja, mas nada me chamava atenção. Comecei a andar pelas ruas em busca de alguma coisa que realmente achasse bonita... Às vezes sou muito chata, não gosto de nada, implico com tudo. Revirei os olhos com meus próprios pensamentos.

As ruas eram todas feitas de paralelepípedo, o que deixava a cidade com um ar de anos 60. Se eu visse uma carruagem ao invés de um carro não estranharia, essa cidade parecia estar perdida no tempo.

Olhei para trás para ver se estava muito longe da escola, mas não via mais escola alguma. Entrei em desespero, tentei voltar... Mas não sabia se tinha virado para direita ou esquerda, se tinha seguido reto ou virado. Senti meu coração pulsar mais rápido, por que tudo sempre acontece comigo? Quanto mais eu andava, mais eu me perdia.

Tentei ligar para minha mãe, mas estava sem sinal. Isso que dá morar no fim do mundo.

O pior de tudo não é estar perdida, é se sentir perdida. A sensação de não saber onde esta deixa qualquer um louco, principalmente se você não conhece a cidade.

Parece que cada rua que eu entrava estava cada vez mais longe de onde deveria estar, mordi o lábio inferior com força, meu estômago borbulhava, como se nele passasse ácido ao invés de sangue.

Sentia-me em um labirinto, meus olhos se encheram de lágrimas, não deveria ter saído de casa... Não deveria ter saído de perto da minha mãe.

—Hale? -Uma voz conhecida me chamou.

Virei em direção a voz... Matheus me encarava de longe, ele estava saindo de uma loja que eu não conseguia definir do que era. Senti aqueles olhos azuis entrarem na minha mente, de algum jeito ele sabia exatamente como eu tinha chegado ali. Estava começando a duvidar dele... Ele não me parecia tão inocente assim... Parecia-me um pouco estranho, como se soubesse de tudo e fingisse não saber de nada. Eu não o conhecia, mas algo nele não era nem um pouco “humano”, e isso dava para perceber muito bem.

—Matheus...?

Ele se aproximou de mim sem falar nada. –O que faz aqui?

—Eu me perdi. –Respondi encarando o chão, isso era idiota de mais para admitir.

Pude sentir que ele sorriu. –Vamos... Vou te levar para casa.

Entrei em seu carro. Fomos o caminho todo calados... Um silêncio constrangedor. Matheus deveria ter uns 18 anos e eu tinha 16... Mal o conhecia, ele era um completo estranho, então como eu confiava tanto nele?

—Sua mãe sabia que você estava perambulando pelas ruas? -Perguntou sem olhar para mim.

—Não sou mais uma criança, sei andar em uma cidade sozinha. –Eu também não o encarava, a vista estava me chamando atenção.

Nós morávamos um pouco longe da cidade, para chegarmos em casa tínhamos que passar por um pequeno “bosque”, a noite esse bosque deve ser bem assustador, igual aqueles filmes de terror que por algum motivo a protagonista aparece do nada em uma floresta.

—Sabe tanto que se perdeu não é mesmo? –Continuava ele prestando toda a atenção na rua vazia.

—Matheus o que podia acontecer?! A cidade é minúscula!

Ele me encarou como se eu fosse a criança mais inocente do mundo. E aqueles olhos quase me convenceram disso...

—As aparências enganam. Não é porque você acha que é verdade que realmente seja às vezes as mentiras são mais certas do que a própria verdade. –Falava enquanto estacionava em frente à casa.

O olhei franzindo a testa. –Você é um cara estranho... Já te disseram isso?

—Você não imagina quanto. –Disse Matheus por fim.

Sai de dentro do carro batendo a porta com um pouco de força, ele me tratava como se eu fosse uma criança e não soubesse nada do mundo. Eu não sou idiota, sei o suficiente para andar pelas ruas sozinha. Todo mundo se perde alguma vez, por que eu não posso?!

Entrei na casa e um vento gelado me atingiu, mas todas as janelas estavam fechadas... Olhei em volta, por algum motivo estava escuro, como se já fosse noite. Arrepiei-me inteira, essa casa é muito sinistra.

Tentei não demonstrar medo, afinal seria ridículo eu sentir medo do vento. Mas não era só o vento, parecia que ele trazia algo a mais.

Ouvi a porta se abrir a trás de mim, dei um pequeno pulo.

—Que susto Matheus! –Gritei, agora que ele vai achar que sou uma criança mesmo.

Mas ao invés dele rir como qualquer outra pessoa faria, ele observou minha expressão e voltou a olhar envolta do cômodo. Nós estávamos na sala de visitas e a nossa frente existia uma escada de madeira que daria nos quartos... E outras salas que eu não sabia quais eram.

Ouvi algo se quebrando acima de mim, estremeci com o barulho. Não havia ninguém na casa além de nós dois... Pude sentir todos os membros do meu corpo implorando para eu sair correndo dali, mas minha curiosidade era maior.

—Fique aqui. –Informou Matheus enquanto subia as escadas.

O olhei incrédula, ele realmente achava que eu iria ficar ali feito uma estátua enquanto ele vai ver o que fez o barulho?! Quem é o inocente agora?

Subi as escadas fazendo o mínimo de barulho possível, eu tinha que saber qual era o segredo que Matheus tanto escondia! Não podia ser tão ruim assim... Ou podia?

O vi entrar em meu quarto e o segui.

—Filho da puta! -Falou Matheus entre os dentes, olhando ao redor do quarto.

Tentei entender a quem ele estava se referindo... Mas nada parecia fazer sentido.

—Não entendi. –Falei mais para mim do que para ele.

Matheus virou se rapidamente em minha direção, seus olhos não eram mais azuis... Eram brancos, como se ele fosse cego. E por algum motivo ele meio que estava brilhando, como se emitisse luz própria.

O encarei... Agora eu tinha certeza... Algo nele não era humano.

Notas finais
Se gostaram eu preciso saber para poder continuara... Então por favor comentem, favoritem e etc. Obrigada.