Five of Witches
16 Capítulo 16- Aprender, saber...
Notas iniciais
O que eu estava fazendo na cozinha? Não estava nem com fome. Por algum motivo toda a dor que estava sentindo havia sumido, e mesmo que isso seja bom, uma parte de mim acha que estava faltando algo. E isso me incomodava.
Eu ainda não tinha falado com a minha mãe depois de tudo, não conseguia olhar nos olhos dela... Sentia-me culpada por tirar alguém que ela amasse tanto. Mas agora eu estava bem, seria um novo recomeço e acho que minha mãe também precisava disso.
Sai da cozinha em direção ao quarto da minha mãe, mas antes que eu pudesse subir as escadas Samuel apareceu na minha frente. Ele me olhava com um olhar de pena, como se disse-se “Sinto muito”. Eu fui uma idiota por culpar ele.
-Eu e o Matheus vamos falar com uma Bruxa que pode trazer seu pai de volta. –Informou ele olhando em meus olhos.
Eu devia ficar feliz com isso, mas não estava. Queria meu pai, queria muito, mas o que iria adiantar eu trazer meu pai de volta á vida se ele teria que viver nesse mundo sobrenatural? Talvez meu pai esteja melhor onde ele está, quem sabe ele tenha seguido a luz e encontrado um mundo melhor... Seria muito egoísmo trazer ele de volta.
-Obrigada por tudo que vocês então fazendo por mim. –Falei sorrindo.
-Eu não quero que você agradeça, quero que você seja feliz... Independente da sua escolha. –Disse ele passando por mim e indo em direção à porta.
-Samuel. –Virei em sua direção. –Você não é um monstro.
Ele estava de contas para mim então não pude ver sua expressão, mas espero que tenha sido um sorriso.
Continuei em direção ao quarto da minha mãe, Matheus disse que ela estava péssima, precisava ver com meus próprios olhos. Quando a vi ela me parecia à mesma mãe de sempre, tirando um detalhe... Ela me odiava agora.
-Mãe? –Perguntei a olhando nos olhos.
Ela me fuzilou com o olhar, parecia com ódio... Ódio de mim.
-O que você está fazendo aqui? Eu não te quero aqui.
-O que? –Perguntei sem entender. –Sou eu mãe, sua filha.
-Você não é minha filha. –Essas palavras foram como se alguém tivesse me atingido com uma faca. –Você é um monstro. –E mais uma vez meu coração tentava caber numa caixinha. –Você é O monstro que matou seu pai Hale.
Não era mais uma facada, eram várias ao mesmo tempo e em lugares diferentes. Não foi só ela que perdeu alguém, eu também perdi! Ela não era minha mãe, minha mãe nunca faria isso... Nunca me culparia.
Sai de seu quarto batendo a porta com força, queria chorar... Mas não conseguia, como se algo me impedisse, não sentia nada em relação ao meu pai, nenhum tipo de dor, simplesmente nada.
E isso me incomodava, eu deveria ficar triste, mas não ficava. A única coisa que me magoava era minha mãe me culpar por algo que eu não fiz... Ou eu fiz? Eu que coloquei todos nisso, ninguém me forçou a nada, minha decisão minha punição.
De tanto uma pessoa falar algo que é mentira você acaba duvidando da verdade.
Precisava falar com alguém, saquei meu celular do bolço e digitei o primeiro número que me veio na cabeça.
-Oliver? –Perguntei quando ouvi alguém atendendo.
-Olá Hale eu não... –Ele tentou dizer, mas eu o interrompi.
-Oi, eu preciso conversar... Onde você está? Estou indo para ai. –Informei indo em direção à escada.
-Não! –Falou Oliver autoritário. Parei bruscamente. –Quero dizer... Hale, eu estou meio ocupado, depois a gente se fala.
-Oliver? –Perguntou uma voz feminina do outro lado da linha.
-Quem está ai? –Minha curiosidade era maior.
-Depois Hale. –Disse ele por fim desligando.
Guardei meu celular e fiquei parada por alguns segundo... Ele foi grosso comigo. Revirei os olhos com meus próprios pensamentos. Não existe só você no mundo Hale, o Oliver tem mais amigas... E elas não têm esses problemas bobos que você tem, pare de ser egoísta! O Oliver não é seu, ninguém é.
Desci as escadas e fui em direção à sala de jantar, Kenna estava na minha frente sentada em uma das cadeiras com uma garrafa em mãos.
-Oi princesinha. –Disse sem nem olhar para mim.
Aproximei-me dela. –Passa uma garrafa.
Kenna me olhou, provavelmente lendo a minha mente. –Quer desabafar? –Perguntou me dando uma das garrafas.
-Você me odeia. –Afirmei me sentando ao seu lado.
-Verdade, mas posso esquecer esse fato por algumas horas. –Disse sorrindo, o primeiro sorriso verdadeiro que eu vejo nela, eu não contive meu sorriso. –Então vamos falar sobre o que?
-Você já leu minha mente, não precisa que eu fale. –Dei um gole na cerveja, ela passou pela minha garganta rasgando tudo, eu odiava beber.
-É não posso dizer que não fiz isso... Por que eu fiz. Olha sua mãe foi hipnotizada por alguém, ela não queria ter dito isso.
-Serio? Então você pode hipnotizar ela! Fazê-la esquecer!
-Na verdade não posso... Quando uma coisa é feita não pode ser desfeita, sinto muito. –Kenna não me olhava, como se ela não conseguisse.
-Tudo bem. –Falei dando mais um gole. –Vamos mudar de assunto! Como você e o Samuel se conheceram?
Ela sorriu como se amasse essa pergunta. –Eu morava em Miami, numa casa beira mar, mas vivia no bar da região, eu conhecia todo mundo no bar e todo mundo me conhecia, me chamavam de “Garota Misteriosa”, por que eu não falava muito com ninguém. Até que um cara muito gato apareceu no bar, nos conversamos... Ficamos, ficamos, conversamos e viramos melhores amigos até hoje. Acho que isso aconteceu por volta de 1919...
-Ele já era um vampiro? -Não sabia que eles já haviam ficado, na verde sempre suspeitei um pouco.
-Sim. –Respondeu ela bebendo.
-Às vezes eu não acredito que o Oliver ficou tão normal por ser um sobrenatural. –Disse encarando o nada.
-Mas o Oliver não é um sobrenatural. –Kenna franziu a testa.
-Como não? Ele é um lobisomem. –Franzi a testa também.
-Meu Deus! –Ela esfregou a mão no rosto. –Eu tenho que explicar tudo?! Oky! É assim, existem dois tipos de seres os seres da natureza e os seres sobrenaturais. Os seres da natureza são as bruxas e os lobisomens, eles não foram criados por ninguém, sempre foram assim. E por mais forte que sejam eles não tem um poder específico, não podem se curar, só se for um lobisomem transformado, aí ele se cura, e também não podem ser imortais. Agora os sobrenaturais são serem criados por bruxas há muitos anos atrás, todos viram imortais com 18 anos, menos os anjos... Tem as sereis que podem se reproduzir, leem mentes, hipnotizam, e só existem sereias mulheres. As fadas que são um tipo de bruxas só que elas tem assas, se reproduzem e são felizes até de mais, chega a ser irritante. Os anjos podem ler mentes e se reproduzir, só viram imortais quando então preparados, possuem assas e são certinhos de mais. Por ultimo os vampiros. –Vi um sorriso se formar no canto de sua boca. –A pessoa só vira vampiro quando morre com sangue de vampiro no organismo, vivem de sangue, são automaticamente imortais, eles tem o dom da persuasão e são foda-se para todos. A um detalhe eles queimam no sol, mas existe um anel que as bruxas fazem para isso não acontecer. Cada sobrenatural tem uma “função” — Kenna fez aspas com os dedos. –Tipo fadas para diversão, sereias para a sedução, anjos para a proteção e vampiros para destruição. Também tem outros seres que são muito raros talvez ate extintos... Como os elfos, dragões e sei lá mais o que.
Pisquei algumas vezes. –Muita informação.
-Sim. –Disse ela dando mais um gole na bebida.
-Você sabe o porquê do San ter virado um vampiro?
-Não, ele nunca toca nesse assunto.
Por algum motivo eu tinha medo de saber o porquê do Samuel ter virado o que ele é, não que seja algo ruim... Tenho medo por ele, pelo o que ele passou. Sinto que ele foi muito magoado e por isso tomou algumas decisões.
Se magoar é como vários cortes na pele, eles podem até cicatrizar. Mas nunca curaram de verdade.
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