Five of Witches
1 Capítulo 1 - Talvez não tão inocente
Notas iniciais
Quando seus pais decidem sair da cidade que você morou desde pequena, fazendo com que você deixe tudo e todos para trás, apenas para morarem na casa de um parente distante em uma nova cidade onde ninguém nem sabe onde que fica... Pode ter certeza, você irá se sentir a garota mais azarada de todas. Principalmente se o seu parente distante é um primo que parece ter nascido na década passada.
Eu olhava para minha nova casa em estilo vitoriano, mas minha cabeça estava em outro lugar. Estava na minha casa que deixei, no meu quarto recém-formado e nos meus amigos que nunca mais verei. Isso já me dava um aperto enorme no coração, como se ele estivesse se desfazendo em vários pedaços.
Oky... Podia estar sendo um pouco dramática de mais, só que ninguém perguntou para mi se eu queria mudar, ninguém se importou como iria me sentir... Nós apenas mudamos, sem mais sem menos.
Vejo a porta da casa se abrir, acabo acordado da minha transe, a pessoa que saiu da casa... Não era uma simples pessoa, é... Como posso dizer? Era a pessoa.
Ele me encarou por alguns minutos até que pude ver um pequeno sorriso se formar no canto de sua boca, ele parecia um anjo... Um anjo em corpo de mortal... Seus olhos azuis penetraram em minha cabeça, como se ele conseguisse ler meus pensamentos.
—Prazer, sou Matheus. –Ele estendeu a mão e eu a apeguei sem medo o cumprimentando, era frio... Não conseguia tirar meus olhos dos dele, como se o mundo a minha volta não existisse.
—O prazer é todo meu. –Sorri. –Meu nome é Hale.
E por quase um minuto eu pude esquecer que fui obrigada a vir morar aqui.
—Hale! –Gritou minha mãe. –Ajude-me com as malas.
Nem pude concordar, estava em estado de choque... Os olhos desse cara era um azul tão intensos que fazia você perder os sentidos. Quando meu cérebro voltou a fazer a função dele, pude levar as malas para dentro da casa. Meu pai só chegaria no domingo, e hoje era sexta-feira a tarde, escolhi um dos quartos da enorme casa e tentei deixá-lo com a minha cara, o que era uma tarefa meio difícil.
Meu novo quarto era em tons avermelhados, já os móveis eram de um marrom cereja, uma cama de casal em um canto, com um guarda-roupa em sua frente, também tinha uma escrivaninha na janela e a suíte. Tudo parecia do século passado, não que fosse feio, era lindo... Mas não combinava comigo.
—Você prefere carne ou frango? –Perguntou uma voz a trás de mim.
Levei um susto, como alguém chega atrás de você sem fazer barulho algum? Virei bruscamente e o encarei. Matheus estava perto de mais de mim, podia sentir sua respiração, era calma, como se ele nem precisa-se do ar para viver.
—Na verdade eu sou vegetariana. –Respondi me afastando um pouco, afinal... De um jeito ou de outro esse anjo em forma de humano era meu primo.
—Sério? Desde quando? –Ele encostou-se ao pé da cama e me encarou, esse cara não podia ser um humano, era perfeito de mais.
—Desde que eu quis virar vegetariana. –Respondi como se fosse óbvio.
—Eu acho uma perca de tempo. Qualquer tipo de carne é uma delícia...
—Que nojo, isso é canibalismo sabia?!
—Melhor do que ser uma coelha. –Matheus deu as costas e falou enquanto ia embora.
O observei descendo as escadas... Devo afirmar. Ele era um problema disfarçado de solução...
Desfiz minhas malas e tomei um banho quente, minha pele ficou com manchas vermelhas... Não me importei com isso, coloquei um pijama qualquer, não pretendia sair do meu quarto aquela noite, nem para jantar. Estava frio, e eu estava debaixo das cobertas, não sairia da li tão cedo.
Acabei dormindo sem nem pensar duas vezes... Não lembro muito bem do meu sonho... Na verdade nem lembro se sonhei. Acordei no meio da noite com uma sensação estranha, como se eu estivesse sendo vigiada. Um vento gelado passou por mim fazendo com que me arrepiasse inteira.
Levantei-me calmamente tentando ignorar o fato de estar com medo, olhei pela janela ainda estava escuro, devia ser umas quatro da manhã. Sai do meu quarto em direção a cozinha, não estava com fome, mas iria comer... Como se a comida fosse um remédio para meu medo. A casa toda estava muito escura, sem contar com a pouca iluminação que a lua fazia.
Entrei na cozinha e fui direto abrindo a geladeira como se a casa fosse minha, afinal eu iria morar aqui... Então tecnicamente ela era minha. Queria muito estar na minha casa, na minha cama, abrindo a minha geladeira. Terei que estudar na escola desse fim de mundo, onde todo mundo se conhece e se você fizer uma merda todo mundo vai ficar sabendo.
Ouvi algo atrás de mim e me virei rapidamente. Não conseguia enxergar nada... Só a escuridão, fechei meus olhos por alguns segundos não sei ao certo porque, era como se fosse uma mania, me sentia mais segura assim. Senti minhas pernas ficarem bambas, pensei em gritar, mas... E se não fosse nada? Eu ia pagar uma de idiota que grita do nada.
Vi algo se aproximando, minha garganta fechou, eu suava frio... Nunca devia ter saído do meu quarto, da minha cama quentinha... O que raios eu vim fazer aqui em baixo?! O pânico tomou conta de mim. Até que as luzes se acenderam.
—Por que está aqui? –Perguntou Matheus me encarando de cima a baixo.
Pude sentir meu pulmão desacelerando a cada segundo que passava. –Vivim pegar uma água. –Gaguejei, ainda estava em estado de choque.
—Você não deveria ficar passeando pela casa a noite. –Continuou ele friamente.
Engoli seco e concordei com a cabeça, ele não parecia mais tão “inocente” assim. Como se Matheus escondesse algo, um segredo talvez... Passei por ele em direção ao meu quarto, mas deu uma última olhada nele.
O que um garoto tão inocente pode esconder?
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