Five of Witches
23 Capítulo 23- Ódio
Notas iniciais
Engoli seco- Nossa... Sério? -Tentei mostrar surpresa, só que eu já sabia sobre a maldição. Não podia mentir... Uma das regras inúteis de ser um anjo.
-Por que eu tenho uma sensação de que você já sabia? -Perguntou ele cruzando os braços.
-Ahan... Por que... -Dava para ver no meu rosto que estava mentindo. -Por que eu já sabia.
Realmente entendo porque meu irmão decidiu trocar tudo o que o transformava em anjo pra ser um vampiro. Vampiros não seguem regras, na verdade não existe regras para serem seguidas... Já um anjo, se fizer qualquer coisa “errada” as penas de suas assas escurecem, a fúria te consome e você se torna um Anjo Caído... No caso, um demônio.
-Como?! -Oliver descruzou os braços e franziu a testa novamente.
-Vamos dizer que eu conhecia alguns de seus familiares...
Sua expressão que antes era de raiva agora mudou para espanto. -Conheceu meu pai?
-Não só seu pai, conheci seu tio, sua tia, sua mãe...
Oliver não disse nada, parecia tentar processar tudo. Tentei ler sua mente, mas seus pensamos estavam todos bagunçados, imagens e frases o rodeavam. Como se tentasse me encaixar em algum lugar na vida de mãe ou na sua própria.
-Pare de ler minha mente! -Gritou ele.
-Já descobriu pra que serve essa maldição?
-Diz você. -Oliver voltou a cruzar os braços, não parecia nada feliz.
-Sei muito pouco. Seus avós amaldiçoaram todos que tem seu sangue nas veias... Para serem mais fortes, mais rápidos. Só que para isso acontecer a raiva e o ódio se tornam seu principal sentimento.
-É muito injusto!
-Sim, todos os resto são lobisomens normais e...
-Não tô falando disso. -Disse Oliver me interrompendo. -Quem é você para saber sobre isso de mim?! Eu deveria saber disso muito antes de você!
-Oliver... A raiva que você está sentindo não é de mim.
Não teria o por que dele ter ódio de mim, só queria ajudar. Na verdade aquela raiva toda poderia ser da sua mãe por ter escondido isso ou do seu pai por nunca ter aparecido.
-Você não esta dentro de mim Matheus! Não se sinta no direito de me julgar! -Falou ele por fim dando de contas e saindo do quarto.
Bufei.
“Obrigado Dereck Burkhartd, por fazer um filho igual a você”.
Samuel apareceu na porta do meu quarto, ainda estava com raiva dele... San deixou que “roubassem” Hale de debaixo de seu nariz, literalmente! Não sabíamos em que condições ela estaria quando a achássemos. Isso realmente me preocupava, e se ela não fosse mais a Hale que eu conhecia?
-Alice a achou. -Disse Samuel mais como se fosse um suspiro.
Pov Hale.
Não sabia quanto tempo estava presa naquele lugar, podia ser horas, dias, semanas... Sem comer algo que realmente me sustentasse, sem beber nada e vivendo torturas diferentes a cada minuto.
Já havia perdido as contas de quantas vezes Blue havia entrado em minha mente e manipulado tudo... Meu cérebro não conseguia mais diferenciar realidade de ilusão, meus braços doíam por causa da algemas... Meu corpo doía por ficar na mesma posição por horas.
-Amorzinho. -Disse Blue aparecendo dentre as sombras com um copo d'agua nas mãos. -Trouxe algo para você.
-A única coisa que eu quero de você é distância. -Respondi cerrando os dentes.
Vê-la me dava ódio, respirar o mesmo ar que ela me enojava, deixa-la entrar em minha mente e não poder fazer nada me dava vontade de mata-la. Normalmente quando alguém fala que quer matar outro não levamos tão a sério, principalmente se conhecemos a pessoa e sabemos que ela só está falando isso por causa de uma raivinha passageira, mas o que eu sentia não era uma “raivinha passageira”. Não me reconhecia mais, pensaram tantas vezes por mim que já não sei se vou conseguir ser como antes, como a garotinha inocente e indefesa que tenta dizer foda-se para tudo.
-Não seja mal criada, sei que seu pai de da muita educação. Opa.... Dava muita educação. -Continuou ela rindo.
Blue colocou o copo em minha boca e forçou com que a água entrasse. Mas não queria beber aquilo, não queria nada que viesse dela. Cuspi tudo em seu rosto, agora seus cabelos estavam molhados e sua maquiagem começara a borrar.
-Nunca fale do meu pai.
Blue passou a mão pelo rosto para tirar o excesso de água, sorriu com seu sorriso maligno de costume e me deu um tapa na cara.
Nunca havia levado um tapa na cara, não tive expressão, por alguns segundos meu cérebro não pensou em simplesmente nada...
-Quem você pensa que é? -Perguntou ela se aproximando de mim.
-Blue, Blue, Blue... Deixe a garota ter seus últimos dias de vida um pouco feliz. -Disse Bianca entrando na cela, era muito difícil ela vir falar comigo, normalmente só dava ordens.
A sereia se levantou ainda me encarando com o aquele sorriso.
-Últimos dias de vida?! Se vocês acham que vão me matar estão enganadas! Samuel e Matheus estavam vindo me buscar! -Ainda tinha fé que isso aconteceria.
-Claro que vão, é esse o plano querida. -Continuou ela agachado e ficando a minha frente.
-Plano?
-Sim... Meu plano de início era matar seu pai e dizer que iria ressuscita-lo, então você trocaria de lado nessa guerra e seria minha aliada.
-Você matou meu pai? -Eu queria chorar, mas as lágrimas não desciam, como se algo as impedissem.
-Eu não, a Blue matou. Mas voltando para o plano... -Bianca se levantou e começou a andar em círculos. -Estava tudo esquematizado, iria dar tudo certo. Até que Matheus e Kenna decidir te hipnotizar e fazer você esquecer da dor que é perder um pai... Acho que não sabia disso não é mesmo? Em fim, quando eles fizeram isso eu perdi minhas chances de ter você ao meu lado, então decidi mudar tudo. E agora tá bem melhor, não acha?
Minha cabeça parecia que iria explodir... Eu não lembrava de nada disso, de Matheus e Kenna me hipnotizado, da dor... Da tristeza... Sentia um grande vazio no peito, como algo faltasse, eles me fizeram esquecer! Isso não era justo! Eu nunca iria querer esquecer algo assim! Nós aprendemos com a dor, se ela não existir seremos sempre inexperientes para qualquer tipo de problema.
-Ah e tem outra coisa. -Continuo Bianca parando de andar.
-O que? -Perguntei com certo medo.
-Mostre para ela Blue. -Seu sorriso me fez estremecer, não tive tempo nem de protestar.
“Não estava mais na cela, novamente Blue havia entrado na minha mente.
Tentei reconhecer o lugar... Era noite, havia um prédio a minha frente, estava na rua e não existia nenhuma alma viva perambulando pelo local.
De repente vejo um homem sair do prédio, agora que percebi... Não era um prédio, era um hotel e envolta dele havia casas menores. O homem que agora andava em minha direção era meu pai.
Meu coração acelerou rapidamente, senti uma felicidade por ele estar ali na minha frente, mas uma tristeza por saber que aquilo não passava de uma manipulação.
Achei que ele iria falar comigo, mas pelo contrário... Meu pai ignorou minha presença e entrou no carro ao meu lado.
Vejo minha mãe na porta do hotel. -Aonde você vai amor?
-Hale me ligou... Estou preocupado com ela, irei voltar para casa dos Monroe. Fique aí. -Respondeu papai abaixando o vidro do carro.
-Oky. -Respondeu voltando para dentro do hotel.
Entendi o que estava acontecendo... Aquela cena... Aquele hotel... Era a última noite do meu pai vivo...
Previ o que estava por vir, queria gritar para meu pai voltar para dentro do hotel mas nem conseguia me mexer. Blue apareceu ao lado do carro... não queria ver aquela cena, meu coração estava a mil, queria sair dali, queria salvar o meu pai.
-Posso ajudar? -Perguntou papai a Blue.
-Sou eu pai, Hale. -Disse ela o hipnotizado.
Arregalei meu olhos, precisava chorar, colocar meus sentimentos para fora de alguma maneira... Mas nada acontecia. Não conseguia sentir nenhum sentimento em relação a morte de meu pai.
-Hale! Esta tudo bem?! Você me ligou. -Falou ele abrindo a porta do carro.
Tentei fechar meus olhos para não ver aquilo... Mas não consegui, essa cena podia ser mentira... Poderia ser apenas uma manipulação... não queria acreditar naquilo. Meu pai morreu achando que eu o matei...
-Não papai... Não esta nada bem. -Afirmou ela cinicamente o puxando pelo colarinho e o jogando no meio da rua.
-Hale! -Gritou meu pai. -O que você está...
-Não é nada pessoal oky? Só preciso fazer isso. -Blue colou suas duas mãos em seu pescoço e o sufocou.
-Hale... Por favor... Pare... -Ouvi a voz do meu pai implorando.
Então aquela cena sumiu”
Estava novamente na cela... Só que aquilo já não me importava, nada me importava. Meus olhos estavam cheios de água mas nenhuma lágrima caia, não conseguia chorar, não conseguia sentir... Era como estar sem coração, como ter um buraco ao invés de qualquer sentimento.
Sabe quando você sonha que tem algo muito ruim acontecendo, como sua perna ser tirada a força, um leão vindo em direção, mas você não consegue se mexer? Você se sente um inútil, está vendo o que vai acontecer e simplesmente fica parado por não ter outra opção.
Eu me sentia assim... uma inútil, meu pai morreu por minha causa, minha mãe me odeia por minha causa e agora meus amigos estavam vindo diretamente para um enrascada por que eu fui idiota o suficiente para ser raptada...
-Sinto muito... Não desejei nada de mal para seu pai. -Falou Blue em defesa, mas aquilo só me dava mais motivos para querê-la morta.
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