Five of Witches
24 Capítulo 24- O medo da Morte.
Notas iniciais
“Estava na sala de visitas da minha casa, tudo em silêncio e muito calmo. Parecia estar normal... Normal de mais.
Meu cérebro travou por alguns minutos, aquilo era real? Era um sonho? Será que o Samuel e o Matheus me resgataram e eu realmente estava em casa? Isso seria possível?
Meu coração batia forte, minha respiração estava ofegante, queria tanto que aquilo fosse real que talvez meu próprio cérebro estivesse manipulando tudo. Você sabe que é mentira, mas as vezes acreditar que é verdade dói menos.
Vejo a porta principal se abrir.
-San? -Perguntei com água nos olhos, era tão bom ver alguém que eu sabia que não me machucaria. -Diz que é você mesmo... Estou cansada para mais uma brincadeirinha boba.
Ele não disse nada, só se aproximava cada vez mais, até chegar perto suficiente... Sua boca estava colada na minha e seus olhos verdes me encaravam, tinha algo a mais naqueles olhos, algo de errado.
-San... tá tudo bem? -Tentei me afastar, mas ele puxou de volta.
O clima estava começando a ficar tenso. Samuel me beijou, uma de suas mãos estavam na minha nuca e outra na minha cintura, foi um beijo calmo... Como se ele precisa-se daquilo, eu precisava. E por um segundo pude esquecer o mundo a minha volta, como se eu pudesse apertar o “pause” e aproveitar pelo menos uma coisa boa entre tantas horríveis.
Foi então que o sonho se transformou em pesadelo.
San desceu seu beijo e foi em encontro ao meu pescoço. Joguei minha cabeça para traz aproveitando cada segundo. Senti meu pescoço ser perfurado por duas coisas pontudas, a dor me consumiu e antes que pudesse gritar em protesto Samuel puxou meu sangue com suas presas... Não sei descrever o que senti, era como ficar sem ar, como se faltasse algo dentro de você mas você não sabe definir o que é.
Estava apavorada, não conseguia falar nem me mexer... O mundo não tinha mais cor era tudo cinza agora. Tentei abrir meus olhos, mas não achei força para isso. Senti meu coração desacelerar e meu pulmão não ter mais ar para respirar.
Eu estava morrendo e essa não era a pior parte... Não conseguia definir se aquilo era real ou manipulado, Samuel teria coragem de me matar?”
Abri meus olhos desesperadamente, minha visão estava embaçada... Percebi que tudo aquilo não havia passado de mais uma simulação da Blue.
Não sei se ficava feliz pelo fato de Samuel não ter chupado meu sangue ou se me sentia culpada por realmente ter acreditado naquilo.
-Não se preocupe, essa foi a última. -Disse ela com um sorriso sinistro nos lábios.
-O que você quer dizer? -Perguntei franzindo a testa.
Blue tirou uma adaga de dentro de sua bota e colocou a no chão ao meu lado. -Seus amigos estão aqui. Por isso vou te soltar, mas como eu sou uma sereia muito boa vou te dar uma arma para você ter pelo menos uma chance contra a gente.
-Você se acha boa de mais só por que é uma sereia... Mas deixa eu te lembrar de uma coisa Blue, você não passa de um humano amaldiçoado. -Falei encarando seus olhos verdes escuros que no momento pareciam marrons.
Ela sorriu como se disse se “Você está certa.” e aquela foi a melhor cena de todos os dias que me mantiveram presa. Blue agachou na minha frente e me soltou das algemas, apertei meu punho contra as mãos, ele estava vermelho e dolorido...
-Hale... Eu sei que você me odeia e eu sinto muito por tudo que eu te fiz. É que quando nascemos em um mundo de maldade somos propostos a sermos os vilões.
-Nós podemos escolher quem queremos ser, um vilão, um herói, uma donzela em perigo... Mas acho que você já escolheu o que é. -Peguei a adaga do chão e me levantei passando por ela.
Mas eu não queria ser a “donzela em perigo”, estava livre para fazer o que bem entender... E Blue precisava pagar pelo que fez, quantas pessoas inocentes ela deve ter matado ou torturado? Essa maldita sereia matou meu pai! Fez o meu pai achar que eu o matei! Ela não precisava viver, era só uma alma inútil ocupando um corpo qualquer no mundo.
Segurei firme a adaga e me virei em sua direção. Blue ainda estava sentada no chão, pensando em qualquer coisa na qual eu não me importava, me aproximei dela calmamente.
E sem hesitar enfiei a adaga em suas costas.
-Isso foi por ter me torturado. -Cochichei em seu ouvido
-Hale... -Disse a sereia mais como se fosse um suspiro. -Por favor.
A virei de frente para mim. -E isso... -Enfiei a adaga novamente, mas agora mirando em seu coração. -É pelo meu pai.
Retirei a adaga e a deixei cair no chão, ela estava cinza e havia veias a mostras por todo seu corpo, como se estivesse ressecando.
Respirei fundo, “ela merecia isso” pensei comigo mesma tentando me convencer de que fiz o certo.
Sai daquela cela correndo, precisava dar o fora daquele lugar... Respirar ar puro, ver o verde das árvores e o azul do céu. Não aguentava mais fazer coisas sem pensar e me arrepender depois.
Como só havia um corredor a seguir não tinha como me perder.
Cenas da Blue me vieram a mente, eu a odiava... Mas será que cometi um erro? Eu a matei, matei um ser humano, enfiei uma adaga em seu peito com o objetivo de mata lá. Parei bruscamente... O que eu fiz?
-Hale?! -Perguntou uma voz conhecida.
-Matheus! -Corri em sua direção e o abracei.
Seus braços me envolviam de um modo que me fazia sentir protegida, mas não sabia se ainda precisa de toda aquela proteção, acho que no fundo havia mudado de um jeito bom e ruim ao mesmo tempo. E não sei se o Matheus iria aceitar como eu sou agora.
Abri meus olhos ainda nos braços dele, Samuel me encarava... Ele parecia um tanto triste mas sorriu, não do jeito que costumava sorrir, como se disse-se “O herói sempre fica com a princesa no fim das contas.” Só que eu não era mais a princesa e não precisava de um herói.
Matheus me soltou rudemente e franziu a testa, ele parecia tentar entender o que havia acabado de ler em minha mente. Antes que eu pudesse explicar o que estava acontecendo fui interrompida e agradeci por isso, porque na verdade ainda não havia entendido o que estava acontecendo para poder explicar.
-Que bom que chegaram, estavam demorando um pouquinho não é mesmo? -Bianca apareceu a nossa frente.
Agora que havia percebido... Não estava mais no corredor e sim num grande pátio, esse lugar parecia uma escola antiga e abandonada. Kenna e Oliver também estava lá também... Não queria que ninguém saísse ferido ou morto, a única coisa que eu realmente desejava era que tudo isso passasse rápido para podermos ir para casa ou para qualquer lugar do mundo sem essa guerra inútil.
-Ah o gato comeu a língua de vocês? -Continuou ela sarcasticamente. -Vamos ver se estão todos aqui? -Bianca puxou uma lista de dentro do bolso. -O anjo mentiroso? Confere. A sereia manipuladora? Confere. Lobisomem amaldiçoado? Confere. E o vampiro apaixonado? Confere novamente. Pera... esta faltando uma Bruxa dos cinco não está?
O Oliver era amaldiçoado? Como assim? Quando isso aconteceu? Franzi a testa sem entender, bem... aquele não era o momento certo para perguntar.
De repente Alice apareceu de trás das sombras e enfiou a faca em suas costas.
-Serve eu? -Perguntou ela retirando a faca.
-Acho que você errou a mira querida! -Gritou Bianca empurrando Alice com sua magia em encontro a parede.
Como ela era a bruxa do ar, e o ar está em todo lugar, Bianca podia muito bem fazer as pessoas flutuarem em todas as direção que quisesse.
-Vocês querem guerra? -Perguntou ela tirando a faca da mão da Alice com o ar e a jogando pro lado. -Então é guerra que irão ter.
Saiu da escuridão vários daqueles bichos que já haviam aparecido dentro do espelho e quase haviam me matado. Acho que muita coisa já quase havia me matado...
-São wendigos. -Gritou Kenna como se estivesse com nojo.
Matheus abriu suas enormes asas brancas. -Peguem a faca dos cinco que eu do cobertura.
Segurei forte minha adaga, não sabia o que exatamente iria fazer, nunca participei de uma luta ou coisa do tipo... Sempre fui a garotinha mimada do papai, não sabia sequer dar um soco em alguém.
-Fica atrás de mim. -Informou Samuel se posicionando a minha frente.
-Eu sei me proteger. -Falei enfiando a adaga em um dos wendigos que se aproximavam.
-Eu sei que sabe, mas você é nova nisso. -San não precisava de armas, ele simplesmente arrancava o coração deles com a própria mão.
Isso me fazia lembrar da cena que Blue me fez passar... Balancei a cabeça negativamente, Samuel nunca chuparia meu sangue até a morte, pelo menos não em sua sã consciência.
Vi com o canto dos olhos Oliver se transformando em lobo e matando todos os bichos que encontra pela frente, ele era rápido e forte... Quase tão forte quanto o Matheus, isso era possível? Era parte maldição? Ou todos os lobisomens eram assim?
-Precisamos pegar a faca! -Disse para Samuel que estava o culpado de mais arrancado as cabeças de um dos wendigos.
-Pede pro Matheus. -Respondeu ele intercalando seu olhar entre eu e uns dos bichos.
Parei bruscamente o que estava fazendo e franzi testa, aquilo tinha sido ciúmes? Ou ele realmente disse a verdade? Ah quer saber? Eu sou capaz de pegar aquela merda de faca sozinha! Não preciso de ninguém fazendo favores para mim.
Sai correndo atrás da faca segurando a minha adaga com toda força que tinha. Passei por um wendigo que agarrou meu braço fincando suas unhas nele, gritei olhando para aquele canibal... Seus olhos totalmente pretos expressavam raiva, ódio e até mesmo medo, alguns dizem que os olhos são as janelas para alma se isso for realmente verdade a alma desses wendigos é totalmente escura e sem vida, as vezes parece que eles lutam para morrer como se não aguentassem mais viver daquele jeito.
Finquei minha adaga dele, mas nada adiantou. Conseguia sentir minha pele ser perfurada cada vez mais, meu sangue já começava a pingar no chão, fechei meus olhos com a esperança da dor passar...
-Não precisa de ajuda né?! -Perguntou alguém ironicamente, abri meus olhos.
-Arranca logo esse bicho de mim! -Falei meio alto de mais.
Samuel arrancou a cabeça do Wendigo.
-Ahhhhh. -Gritei de alívio e dor ao mesmo tempo.
-Vem toma isso. -San mordeu seu próprio braço e me deu seu sangue. -Vai te curar.
Nem pude negar, sentia meu braço latejar cada vez mesmo. Wendigos apareciam de todos os lados, não iríamos dar conta eram muitos... Via Alice tacar umas bolas de fogos neles para tentar ameniza-los, mas não estava ajudando muito.
-Pega a faca! -Disse para San mais como se fosse uma ordem.
Ele me olhou por alguns segundos como se estivesse pensando “Você não manda em mim”, mas acabou indo atrás da faca. Eu estava sentada no chão tentando recuperar as minhas forças, tudo parecia em câmera lenta... E isso não era nada legal.
Vejo San tacar a faca para Kenna, porque ele tocou a faca para ela?! Alice tinha que matar Bianca! Não Kenna! Pera... eles tinham um plano?!
Pov Kenna
Ia dar merda, ia dar muita merda! Não sei porque eles ainda me deixam fazer os planos!
“Para com isso Kenna, pensa positivo. Vai dar certo” Revirei os olhos com os meus próprios pensamentos, não vai não.
Estava ao lado de Bianca, mas ela nem notou minha presença, estava ocupada de mais tentando fazer Matheus cair. Por mais que eu odiasse admitir eu adora o ver voar... Aquela suas assas brancas e lindas planando no ar, era uma coisa tão fantástica. Talvez nunca mais eu o veja voar, senti uma lágrima escorrer pela minha bochecha.
Matheus olhou para mim e parou bruscamente, ele havia lido em minha mente o que eu pretendia fazer, era suicídio... Eu sabia. Mas faria qualquer coisa para proteger quem amava, sorri docilmente para ele.
Anjos e sereias nunca poderiam ter um relacionamento, era proibido. E acho que isso era a única coisa que realmente separava a gente.
Estava tudo um caos, Hale machucada, Oliver atacando tudo o que via pela frente, Matheus tentando dar cobertura, Samuel quebrando umas cabeças e Alice esperando o momento certo.
-Vai dar merda. -Disse por fim tacando a faca em direção a Alice e pulando em cima de Bianca.
Minhas mãos foram direto para onde seu coração deveria estar, para eu poder arranca lo, mas para a minha surpresa não tinha coração algum.
-Querida você não é uma bruxa dos cinco. -Riu ela cinicamente. -Não pode me matar... Mas eu posso. -Bianca colocou uma das mãos dentro de meu peito.
Não conseguia engolir, nem respirar, ela estava segurando meu coração... Sentia minha vida por um triz. Eu vivi mais de 100 anos e nunca senti medo da morte, invejava os humanos, eles vivem a vida sem se preocupar com nada... Mas todos os dias suas vidas estão por um triz, são tão frágeis e fingem que não são. Hoje eu senti na pele o que todo humano deveria sentir todos os dias... O medo, medo de morrer.
-Kenna! -Ouvi a voz de Samuel e Matheus gritando.
Sorri, eles foram as melhores coisas que me aconteceram, tinha que ser grata por ter os amado e por ter sido amada por eles.
O mundo girava rapidamente, tudo em alta velocidade e eu amava isso.
Senti algo ser arrancado de mim, Bianca havia puxando meu coração. Várias cenas se passaram na minha cabeça... “eu te amo Kenna Petrova” disse Matheus... “Eu te odeio” San disse sorrindo... “preciso de um abraço” “Você sempre volta né?” “não me esquece tá?” “Nós te amamos” as cenas começaram a se passaram cada vez mais rápido. Até que... tudo escureceu.
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