Five of Witches

15 Capítulo 15- Esquecer.


Notas iniciais
Oiii, espero que goste!

Pov Samuel

Hale não saia da cama fazia quase uma semana, sei que fui rude com ela... Mas me culpar por algo que não fiz, era de mais. Eu sei como é a dor de perder alguém, o vazio que fica no lugar da pessoa, já perdi várias, quase todos que eu amo... Isso que dá ser imortal.

Kenna e eu estávamos sentados na sala de estar, tinha que ter um jeito de ajudar Hale... Era como se me sentisse responsável por isso, responsável por conseguir faze-la passar por esse momento.

-Tem certeza que não quer que eu a hipnotize? -Perguntou Kenna lendo uma revista.

-Da para você parar de ler a minha mente?!

-Só estou querendo ajudar! -Disse ela levantando uma das mãos em sinal de rendição, mas Kenna nem sequer olhou para mim.

Revirei os olhos.

Uma coisa que mais me irrita nela é isso, se fazer de vítima mesmo sendo a culpada.

-Samuel! -Chamou Matheus abrindo a porta da minha casa. -Pode existir uma bruxa com poder suficiente para trazer o pai da Hale de volta.

Levantei do sofá franzindo a testa. –“Pode existir”?! Isso não quer dizer que exista.

-Olha aqui San! Eu fiquei a semana toda procurando alguma resposta! Então você vai calar sua boca e escutar!

Levantei as mãos para o alto em sinal de rendição igual Kenna fez, era uma mania nossa só não sei quem que começou primeiro.

-Chamam essas bruxas de “bruxas especiais”. Conversei com uma delas pelo telefone, e ela quer fazer uma troca.

-Que tipo de troca? -Perguntei cruzando os braços.

-Uma bruxa da mesma espécie que a dela pelo pai da Hale. -Continuou meu irmão confiante.

-Vocês estão loucos né? Vão se envolver com as bruxas dos 5?! -Kenna levantou largando sua revista.

-Olha se é para trazer o pai dela, eu viro um louco. -Respondi.

É claro que eu não confiava nessa bruxa, mas se ela fizer alguma coisa que eu não concorde é só quebrar o pescoço dela, um jeito simples e fácil de resolver as coisas.

-Ninguém vai virar louco por mim. -Respondeu Hale descendo as escadas...

Sua voz parecia falha, ela parecia abatida e seu rosto estava inchado de tanto chorar.

Pov Hale.

-Você não parece bem. -Afirmou Matheus me encarando.

E realmente eu não estava bem, tudo me lembrava ele, não importa para onde eu olhasse... Dava um frio por todo meu corpo, se não bastasse à dor aparecia também. Mas a minha mãe era que estava pior, ela não comia, não andava... Era como se nem existisse.

Perdi meus dois pais... Ao invés de um.

-Estou bem. -Menti, e eles sabiam disso.

-A gente vai trazer seu pai de volta, custe o que custar. -Falou San para me alegrar.

Mas por algum motivo eu não fiquei melhor, na verdade meu deu um aperto no coração e uma vontade enorme de chorar. Meu coração estava tentando caber numa pequena caixinha, e isso doía de mais.

Tentei sorri.

Fui até a cozinha, e essa era minha rotina, ficar na cama, comer, voltar para cama e chorar. Abri um pacote de biscoitos e comecei a comê-los encostada na bancada da pia.

Kenna tinha tentando ser uma boa pessoa, ela hipnotizou todos da minha escola para acharem que eu estava doente. Não queria que ninguém soubesse que meu pai morreu.

E essa frase “meu pai morreu”... Era a pior frase que uma pessoa podia inventar. Queria voltar a ser pequena, quando meu pai me pagava no colo, me fazia voar, me dava comida na boca... A época quando eu ainda era inocente e meu pai ainda era meu pai.

Lágrimas começaram a escorregar pela minha bochecha e a dor voltou. Era como veneno ao invés de sangue, ele me corroía, me destruía e me matava, pouco a pouco.

-Hale... A gente precisa ter uma conversa. -Falou Kenna aparecendo na minha visão embaçada.

-O que? -Limpei meus olhos e vi claramente o que estava a minha frente.

Samuel de braços cruzados encostado na porta, Matheus do meu lado e Kenna na minha frente.

-O que exatamente vocês vão fazer? -Perguntei vendo que Kenna se aproxima de mim.

-Vai parar de doer... Eu prometo. -Informou Matheus.

-O que?! -Falei um pouco mais alto. -Não, não faz isso comigo! Não me faça esquecer!

Um parte de mim não queria a dor, queria esquecer de tudo e tentar recomeçar, mas outra parte implorava para eu não deixar eles fazerem isso, essa parte queria lembrar de cada segundo... Cada momento... Eu preferia essa parte.

-Você vai me ouvir... -Começou ela.

-Não! -Gritei. -Eu não vou te ouvir! Não vou!

Tentei sair, mas Matheus me segurou, eu me debatia, gritava, berrava... Eu queria lembrar! Precisava lembrar! Se a minha decisão fosse esquecer eu pediria, eles têm que aceitar o que eu quero fazer da minha vida!

-San! Por favor! -Gritei o encarando.

Ele me olhou com seus olhos verdes... E saiu. Talvez por que não queria ver essa cena ou pelo simples fato de não querer me ajudar.

-Você vai acreditar em mim e vai fazer o que eu mandar! Para de gritar! Para de se debater! Agora. -Continuou Kenna.

Eu não queria parar, não sei por que parei! Era como se meu cérebro fosse controlado por ela, na verdade parecia que ela era o meu cérebro.

-Eu sei que dói, eu já senti... Sei como é horrível ver quem amamos ali... Parado no chão, sem vida, sem alma. Eu também não entendia quando era pequena, me perguntava, como uma pessoa com tanta alegria no olhar pode acabar assim? Como se fosse um boneco... Um boneco de olhos de vidro, sem emoção. O corpo humano é tipo um casulo de borboleta Hale, deixe seu pai virar uma borboleta, deixe ele voar. Ele iria querer te ver sorrir, e você vai. Você vai superar, não vai mais chorar por causa dele, vai viver a sua vida como você sempre viveu. E quando ficar triste, vai se lembrar de que seu pai te amava... Mas que ele teve que ir embora.

Pisquei algumas vezes até entender tudo... Ela tinha razão eu ia superar, a dor havia sumido e a vontade de chorar também. Apesar da minha raiva, por ela ter me feito esquecer.

-Agora você vai esquecer que eu estive aqui, vai esquecer que fui eu que te disse isso, mas vai fazer exatamente o que eu falei.

-Farei exatamente o que você falou. -Eu parecia um robô.

Quando pisquei novamente, tudo tinha desaparecido. E eu... Não me lembrava de mais nada.

Notas finais
O que acham? Matheus fez o certo? O deveria deixar Hale superar sozinha?