Fita Azul

44 (Re)encontro Inesperado


Notas iniciais
Estou de volta! 2019 foi o pior ano da minha vida e eu não conseguia gostar de nada que escrevi, então precisei dar uma parada. Mas espero que agora as coisas melhorem e que vocês ainda gostem de Fita Azul. Obrigada pela paciência para todos que continuam aqui ♥. Recapitulando: — Jason foi comprar fantasias pra usar no Halloween e acabou encontrando uma misteriosa garota vestida de Pocahontas em provador que entrou procurando Dimi. — Thalia usava o apelido "Leah" no ensino médio e tinha uma personalidade ainda mais explosiva, desafiadora e não levava desaforo para a casa. Na época, ela foi pega transando com um namorado e depois começou a namorar com o Luke, com quem mais tarde terminou em bons termos. — Thalia já foi assediada pelo chefe, Bryce Lawrence numa festa, mas não falou pra ninguém; Ela foi salva por Luke na ocasião; — Durante o Halloween, ela foi assediada novamente por Bryce e salva por Nico e Reyna. — Thalia e Nico estão saindo desde o final de outubro, mas não possuem nenhum relacionamento definido.

Jason ouviu sobre a peça do Dia de Ação de Graças de Dimi pelo mês de novembro inteiro antes de chegar o grande dia. O pequeno Grace não conseguia parar quieto ao discorrer sobre como ele faria o melhor grão de milho que já existiu por todo o percurso até a escola primária. Um percurso longo para Jason que dirigia e escutava tudo, mas que parecia divertido para Hazel, que ajudava o amigo a repetir o texto no banco de trás.

O loiro havia ficado responsável por não só levar as duas crianças para o local antes do espetáculo, como também ficar de olho nelas até que os pais e avós chegassem do trabalho para a apresentação. Jason havia protestado ao máximo que não tinha a mínima capacidade para cuidar deles sozinhos, mas havia sido ignorado por todos, incluindo Nico, que havia confiado a filha ao melhor amigo.

E agora Jason estava entrando em pânico.

— Tudo bem, vamos lembrar as regras, ok? — Jason recitou enquanto estacionava o carro. — Nada de correr, nada de se esconder e sempre me ouçam.

— Tio Jay estamos atrasados! — Foi tudo o que Dimitri respondeu, quase pulando no assento enquanto o carro parava.

— Estamos adiantados, Dimi. — Jason ainda tentou dizer, mas foi o prazo de entrarem no colégio para que Dimitri não só desrespeitasse todas as três regras, como também levasse Hazel consigo.

Jason ia ficar louco e o responsável por isso seria seu amado sobrinho. Ele amava aquele pestinha, de verdade, mas Dimitri herdou mais que o gênio dos Graces de teimosia, a impulsividade havia sido adquirida no ventre da mãe, certeza. E foi na impulsividade que o pequeno Dimi havia puxado Hazel pela mão em um piscar de olhos e ambas as crianças haviam sumido.

— Dimitri! — Gritou em vão, olhando para os corredores vazios da escola, sem saber dizer por qual caminho o sobrinho havia ido.

Jason só tinha uma missão naquela tarde e havia fracassado nela em menos de um minuto, muito bom. .

— Onde eu fui me meter?! — Murmurou para si, seguindo pelos corredores a procura de passos e risadas.

Ele havia dito que não era capaz de cuidar de Hazel e Dimi sozinhos por uma tarde toda, mas é claro que não lhe deram ouvidos. Claro, não havia exatamente outras opções: Alguém tinha que levar Dimi para o colégio antes do grande espetáculo para que ele ficasse pronto, mas Zeus e Hera só chegariam na hora da peça e Thala estava trabalhando.

Respirando fundo Jason começou a seguir o caminho para ao auditório. Era o caminho mais lógico e Dimi já conhecia a escola bem o suficiente.

— Olá? — chamou receoso entrando no auditório escuro e vazio. — Tem alguém aqui?

As luzes foram acesas de repente e toda a visão de Jason se tornou branca. Ele ouviu uma risada feminina suave e em seguida uma voz vagamente conhecida:

— Você sempre entra nos lugares onde não é chamado?

Aos poucos Jason conseguiu enxergar, mas não sabia se estava sonhando ao ver os cabelos castanhos e a pele dourada de uma garota que ele pensava há mais de um mês.

— Pocahontas? — Murmurou débil ao reconhecer a garota da loja de fantasias, ouvindo-a rir. — Digo, você estava vestida de Pocahontas.

— Sim, estava. — Ela assentiu, cruzando os braços sobre um vestido rosa e comportado, bem diferente da antiga fantasia. — E você parecia preocupado no dia.

— Eu estava procurando meu sobrinho… — balbuciou, ciente que seu rosto estava tomando um tom escarlate um tanto misturado a palidez da preocupação ao se lembrar do porque estava ali. — E estou procurando agora de novo!

— Você não me parece o melhor babá do mundo. — Ela retrucou com um sorriso sarcástico que fez o coração do Grace disparar. — Quem está procurando?

— Meu sobrinho. — respondeu e quando ela ergueu a sobrancelha, completou. — Dimi. Dimitri Grace.

— Ah sim, ele está lá dentro com uma menininha. — Ela olhou por sobre o ombro para o uma porta fechada na lateral que parecia dar para os bastidores. — Disse que são noivos…?

— Um casalzinho muito fofo, não é? — Jason respondeu rindo e, vendo-a erguer a sobrancelha como se não concordasse com isso, acrescentou depressa. — É apenas uma brincadeira de crianças…. e os pais deles deixam e… Espera, como conhece Dimi?!

— Ele é uma das minhas crianças. Sou professora substituta.

O queixo de Jason caiu ao se lembrar do pequeno implicando que não contaria o nome da Pocahontas por pirraça e o tio não havia acreditado. Mas é claro que o pestinha estava falando sério!

— Não acredito que ele falou a verdade… ele disse que te conhecia!

— Acho que você devia confiar mais em seu sobrinho. — A garota replicou novamente dando um sorriso sarcástico e um pouco arrogante, que a deixava ainda mais linda. — Preciso ir, pode deixar que eu cuido dele, garanto que sou melhor do que um certo superman loiro.

Jason estava abobalhado demais para conseguir retrucar, vendo-a dar as costas e seguir em direção aos bastidores sem sequer se despedir.

— Ei, espere! — Ele pediu ao conseguir recuperar as palavras. — Eu não sei seu nome!

Ela parou por um segundo e lhe dirigiu o sorriso mais brincalhão e doce que Jason já havia visto: — É, eu sei disso.

E saiu, o deixando completamente bobo.

(....)

— Droga, droga, droga! — Thalia reclamou observando o relógio parecer girar cada vez mais rápido conforme o tempo passava. O expediente havia acabado há dez minutos e ela sabia que se não saísse dali em meia hora perderia a primeira peça escolar de Dimitri.

Ela já deveria estar indo pra casa, mas, graças a Bryce, estava presa ali escrevendo os piores relatórios da sua carreira. Não que fossem muito complexos, mas o prazo para entrega deveria ser dali há duas semanas, no entanto, Lawrence havia pedido há uma hora que todos estivessem em cima da sua mesa ainda naquele dia. Mais uma de suas implicâncias depois do fora que havia levado no halloween.

— Você não tinha uma apresentação para ir? — A voz de Luke soou e Thalia o encontrou parado na soleira da porta aberta, um sorriso no rosto e Connor Stoll ao seu lado.

— Nem me fale. — A Grace murmurou piscando os olhos com força depois de tanto tempo em frente ao computador. — Dimi vai ser um grão de milho e, pelo jeito, vou acabar perdendo.

— Sinto muito, Thalia. — Luke deu um sorriso amarelo. — Bryce é mestre em pedir tudo em cima da hora. Ele e Hylla vivem em pé de guerra por causa disso.

— Já estou terminando. — Thalia respirou fundo, se controlando para não reclamar, afinal, Luke era seu chefe tanto quanto Bryce. — Quanto será que ele reclamaria por erros de digitação?

— Você ficaria surpresa. Mas, pelo menos, sua família vai estar lá, não? Seu filho não vai ficar sozinho.

— Meu pai veio de Washington apenas para isso, acredita? — Thalia comentou com um toque de incredulidade na voz. Claro que no dia seguinte era o Dia de Ação de Graças e Hera estava preparando um enorme banquete, mas ainda assim parecia impossível Zeus Grace cancelar seus compromissos na véspera apenas para ver uma peça escolar sobre colheita de grãos.

— O velho está mudando. — Luke riu, acrescentando logo em um toque malicioso: — E seu namorado?

— Ele não é meu namorado. — Ela replicou, mas havia um sorriso bobo em seus lábios. — Mas sim, ele estará lá.

— Só falta vocês admitirem. — O Castellan riu, erguendo a sobrancelha em chacota. — Pelo o que você me conta, esse relacionamento de vocês é muito mais sério do que qualquer coisa que já tivemos.

— Mas isso é fácil — Connor enfim opinou, desviando os olhos do celular em suas mãos. — Nunca entendi porque vocês chamavam aquilo de namorar. Amigos com benefícios sempre me pareceu bem melhor.

— E você entende bem dessas amizades, não é? — Luke retrucou para o irmão ainda com o sorriso malicioso.

— Diga aí, Thalia. — Connor ignorou o irmão. — Quem é o seu novo namorado?

Thalia até pensou em repetir que Nico não era seu namorado, mas nem ela tinha muita certeza disso. Por fim, Luke quem respondeu:

— O diabo com que ela estava na festa.

— Nico? — Connor perguntou erguendo a sobrancelha, mas nada surpreso.

— Você conhece ele? — O Castellan franziu a testa.

— É óbvio. — O irmão debochou. — Eu namorei com a irmã dele.

— Namorou? — Foi a vez da Grace perguntar surpresa. Nico nunca mencionava a irmã, nem mesmo o nome dela Thalia sabia, ainda mais com quem ela havia namorado ou não.

— É, ué. — Connor deu de ombros arqueando a sobrancelha. — Como vocês não sabem disso?

Thalia já ia perguntar o que ele queria dizer com aquilo quando o celular de Connor tocou, fazendo-o sair da sala com um pedido de licença.

— Quem diria, não? — Luke comentou sorrindo, vendo Thalia checar mais uma vez o relógio. — Vou te deixar terminar seus relatórios em paz, até segunda.

Thalia mal murmurou um “até”, logo voltando a atenção para o computador tentando terminar o mais rápido possível.

Uma hora depois ela praticamente correu para o escritório de Bryce, a pilha de relatório devidamente escritos, corrigidos e assinados. Felizmente, ele não estava na sala, nem mesmo a secretária, mas isso não impediu Thalia de entrar e deixar a pilha de papéis em cima da mesa impecavelmente organizada, derrubando alguns pequenos cartões de visita empilhados no canto.

Alguns nomes familiares como Bianca Matarazzo, Avelare e D’Lirium lhe chamou atenção, mas ela apenas suspirou e tentou arrumar o mais rápido possível, notando que a aflição que estava sentindo ao estar na sala de Bryce, sozinha, depois do expediente, estava deixando-a levemente trêmula.

E como se seus pensamentos o atraíssem, Bryce Lawrence entrou na sala, todo o seu ego e maliciosidade expostos em um sorriso arrogante:

— E eu achando a sala pouco atraente… — entoou e Thalia deu um passo para trás, batendo na mesa.

— Seu relatório está na mesa, senhor Lawrence. — ela tentou dizer com o maior profissionalismo e calma que conseguia. — Agora, se me permite, tenho mais o que fazer e meu expediente acabou.

— Eu posso pagar alguma horas extras… — Bryce continuou, se aproximando em uma postura predatória, causando ainda mais nervosismo em Thalia. Agora não havia Luke, nem Reyna e nem Nico para socorrê-la, teria que se livrar dele sozinha.

— Prefiro ir pra minha casa. — Rebateu erguendo o queixo, buscando dentro de si a arrogância da antiga Leah.

— Posso acompanhá-la também. — Ele deu mais uma passo e ela sentiu a boca seca, as mãos geladas e suando.

— Tenho certeza que é uma péssima ideia.

— Minha casa então? — Bryce deu mais um passo, a ponto de restarem poucos centímetros entre eles. Thalia precisava agir rápido.

— Senhor Lawrence — A Grace comandou, buscando dentro de si a voz forte e intimidade da antiga Leah. —, acho que está confundindo as coisas. Nossa relação é estritamente profissional e desejo que continue assim. Não há nenhuma chance disso evoluir.

— Ah, senhorita Grace… — Ele cantarolou, pegando uma mecha do cabelo dela e a enrolando, fazendo-a puxar a cabeça com força, se livrando do toque. — Não se faça de santa, eu conheço bem seu passado. Não quer transar no meu escritório? Vamos ter muito mais privacidade do que numa sala de aula…

Thalia sentiu o arrepio gelado passar por sua espinha, sua garganta apertou e antes que pudesse pensar, ergueu o queixo com arrogância, seus olhos quase faiscando ao abaixar o tom de uma forma perigosa.

— O que eu fiz ou deixei de fazer não lhe diz respeito. — sibilou em um tom tão gélido quanto suas mãos. Era como se ficasse dormente e a antiga Leah assumisse o controle, um antigo mecanismo de defesa que agora lhe salvava. — Minha resposta continua a mesma: nosso contato é estritamente profissional. E, se eu fosse o senhor, aceitaria minha decisão.

— Eu sou o seu chefe. — Bryce tentou a intimidar, mas não estava acostumado a ser confrontado e começava a titubear.

— E eu conheço minhas funções e deveres nessa empresa, nenhuma diz respeito a dormir com meus chefes. — Ela retrucou sem se deixar afetar. — E conheço também o número de um ótimo advogado. Agora, se me der licença, vou voltar pra minha casa. Sozinha.

Ainda de queixo erguido, desviou de Bryce e saiu da sala, a postura rígida e o coração na mão.

Não queria pensar que iria ser demitida depois de confrontá-lo ou, se continuasse na empresa, em como as implicâncias iriam piorar. Não queria pensar em nada disso. Apenas sentia a satisfação de vê-lo mudo e a liberdade de poder lidar sozinha com seus problemas.

E, por ora, aquilo bastava.

Notas finais
Espero que vocês ainda estejam aqui e que tenham gostado. Por favor, deem a opinião de vocês e me ajudem a reviver esse amor por escrever e sempre melhorar! Obrigada pela atenção e por esperarem, amo vocês ♥ Que 2020 seja cheio de Thalico para nós!!!!